Capítulo 397: Capítulo 397: As Forças Ocultas Emergem

O coração de Liu Tiezhu deu um pulo. Duas horas? Daqui até a zona segura são pelo menos três horas. "Consegue desativar?" perguntou Wang Zhenguo, ansioso. Noda balançou a cabeça, satisfeito: "Só desligando o mecanismo com um tipo sanguíneo específico." Liu Tiezhu lembrou-se de repente do que ouvira: "Precisa do sangue de um soldado japonês e de um descendente da Resistência Antijaponesa?" Noda olhou para ele, surpreso: "Você sabe disso? Pois é, este é o mecanismo de segurança projetado pelo Coronel Yamamoto." "Então vamos tentar." Liu Tiezhu puxou Noda e o arrastou até a plataforma de pedra. "Com o seu sangue." Noda resistiu: "Não adianta. O tipo sanguíneo do descendente da Resistência tem que ser compatível. A probabilidade é de uma em dez mil." Liu Tiezhu sorriu com desdém: "Como saber sem tentar?" Dizendo isso, cortou a palma da mão de Noda com um punhal. O sangue jorrou imediatamente, pingando no encaixe esquerdo. A plataforma de pedra emitiu um leve clique, mas logo voltou ao silêncio. Noda caiu na gargalhada: "Viu? Eu disse que não adiantava." Liu Tiezhu ignorou-o e cortou a própria palma, deixando o sangue cair no encaixe direito. Algo impressionante aconteceu: a plataforma de pedra tremeu violentamente, e o dispositivo metálico no centro ergueu-se lentamente, revelando um compartimento oculto. Dentro, havia um cronômetro de precisão em contagem regressiva: 01:48:23... "Como é possível?" Noda arregalou os olhos. "Seu sangue... realmente..." Liu Tiezhu também ficou atônito. Será que ele era mesmo descendente da Resistência? Mas seu pai era... Wang Zhenguo não perdeu tempo e agarrou Noda: "Desligue isso rápido." Noda recobrou o juízo, com um sorriso sinistro no rosto: "Não tem como desligar. Só dá para transferir o local da detonação." "O que quer dizer?" perguntou Liu Tiezhu, severo. "O dispositivo já foi ativado", disse Noda, apontando para o cronômetro. "Mas é possível direcionar a força da explosão para um local específico, como..." Seus olhos brilharam com loucura. "A ponte ferroviária do Rio Songhua." "Seu filho da puta!" Hu Dabangzi deu um soco no rosto de Noda. O velho japonês sangrava pelo nariz, mas continuava rindo. Liu Tiezhu forçou-se a se acalmar e examinou a estrutura do dispositivo com cuidado. Ao lado do cronômetro, havia alguns botões e interruptores, além de um pequeno mapa com vários pontos vermelhos marcados. "Isso é o seletor de pontos de detonação?" perguntou, testando. Noda, surpreso com sua perspicácia, assentiu relutantemente: "Cinco locais predefinidos. A ponte ferroviária é um deles." Liu Tiezhu entendeu imediatamente o plano de Xu Tianqing: ele queria direcionar a explosão para a ponte ferroviária, simulando um terremoto natural. "Dá para desmontar?" perguntou Wang Zhenguo. Noda balançou a cabeça: "Só dá para transferir ou detonar antes." Um silêncio mortal tomou conta da caverna, apenas o tique-taque do cronômetro ecoava, estridente. 01:40:15... "Detonar antes", disse Liu Tiezhu de repente. "A uma distância segura." "Você enlouqueceu?" exclamou Wang Zhenguo. "Essa coisa pode explodir uma montanha inteira." Hu Dabangzi, porém, ficou pensativo: "Há uma pedreira abandonada atrás da montanha. Ninguém mora num raio de cinco quilômetros." "Quanto tempo para chegar lá?" perguntou Liu Tiezhu. "Correndo a toda velocidade... quarenta minutos..." 01:38:09... Liu Tiezhu tomou a decisão na hora: "É isso. O veterano guia o caminho, eu e Noda levamos o dispositivo. Wang, você leva os outros para evacuar os moradores próximos." Wang Zhenguo quis dizer algo, mas, ao ver o olhar firme de Liu Tiezhu, acabou assentindo: "Cuidado!" Todos se separaram para agir. Liu Tiezhu apontou a arma para Noda: "É melhor cooperar, senão você morre primeiro." Noda sorriu com malícia: "Eu já deveria ter morrido em Manchúria. Levar vocês como companhia de tumba não é má ideia." Liu Tiezhu não perdeu tempo com palavras. Pegou o pesado dispositivo e correu pela trilha da montanha atrás de Hu Dabangzi. Noda, com as mãos amarradas, cambaleava atrás. A trilha era acidentada. Os ferimentos no ombro e na perna de Liu Tiezhu se abriram, e o sangue encharcou as ataduras. Mas ele rangeu os dentes e segurou firme o terrível dispositivo que poderia matar milhares. 00:55:34... "Está perto", disse Hu Dabangzi, apontando para a frente. "Aquela cratera é o lugar." A pedreira apareceu à vista: uma enorme cratera com cerca de duzentos metros de diâmetro, cercada por paredes rochosas altas. Era realmente um local ideal para a explosão. Os três tropeçaram até o fundo da cratera, e Liu Tiezhu colocou o dispositivo com cuidado. O cronômetro marcava 00:48:12... "E agora?" perguntou Liu Tiezhu a Noda. Noda ofegava: "Selecione este local como ponto de detonação e aperte o botão vermelho." Liu Tiezhu seguiu as instruções. O dispositivo emitiu um bipe agudo, e o cronômetro acelerou a contagem regressiva. 00:03:00... 00:02:59... 00:02:58... "Porra!" xingou Hu Dabangzi. "Esse filho da puta está tramando algo." Noda caiu na gargalhada louca: "Vamos morrer juntos!" Sem dizer uma palavra, Liu Tiezhu acertou a coronha na cabeça de Noda, que desmaiou na hora. Ele examinou rapidamente o dispositivo e descobriu que o programa de detonação estava travado, impossível de parar. 00:02:00... "Corre!" Liu Tiezhu puxou Hu Dabangzi. "Para aquela fenda na rocha." Os dois correram desesperadamente em direção a uma estreita fenda na parede da cratera, um abrigo contra explosões deixado pelos trabalhadores da pedreira. Mal haviam se espremido lá dentro, quando uma explosão ensurdecedora ecoou atrás deles. "Boom!!" A imensa onda de choque jogou os dois violentamente contra a parede rochosa, e uma luz branca ofuscante encheu seus olhos. Liu Tiezhu sentiu todos os órgãos internos se deslocarem, os tímpanos doerem intensamente, e então caiu na escuridão. Não se sabe quanto tempo depois, Liu Tiezhu foi despertado por uma dor aguda. Ele se arrastou para fora da fenda. A cena à sua frente era impressionante: a pedreira inteira se transformara numa cratera ainda maior, a maior parte das paredes rochosas havia desabado, e o ar estava carregado com o cheiro acre de pólvora. "Veterano?" chamou Liu Tiezhu, com a voz rouca. "Estou aqui..." Hu Dabangzi saiu de entre os escombros, o rosto coberto de sangue. "Maldito japonês... quase fiquei por aqui..." Liu Tiezhu suspirou aliviado e então lembrou-se de Noda: "E o velho?" Os dois procuraram por toda parte e finalmente encontraram o corpo de Noda na borda da cratera. Ele fora arremessado contra a parede rochosa pela onda de choque, ficando irreconhecível. "Ele se deu bem", cuspiu Hu Dabangzi. Liu Tiezhu, porém, notou um canto de metal saindo do peito de Noda. Aproximou-se e retirou do corpo um pequeno cofre, que já estava arrombado. Dentro, havia uma pilha de papéis amarelados e algumas fotos. Liu Tiezhu folheou-os distraidamente e de repente sentiu um choque. Numa das fotos, estava seu pai, Liu Dashan, vestindo um uniforme do exército japonês, ao lado de Noda. "Isso... não é possível..." As mãos de Liu Tiezhu tremiam. Hu Dabangzi se aproximou para olhar e também ficou pasmo: "Liu Dashan? Seu pai?" A mente de Liu Tiezhu era um turbilhão. Seu pai era um caçador simples e honesto. Como poderia estar vestindo um uniforme japonês? E ainda posando com esse especialista em armas? Ele folheou os outros documentos, tremendo, e encontrou uma lista escrita em japonês intitulada "Lista de Pessoal Especial". O nome de seu pai estava lá, com a anotação: "Identidade falsa: caçador. Cargo real: tradutor do Grupo de Ação Especial." "Não... não é possível..." murmurou Liu Tiezhu, quando de repente notou uma linha pequena no final do documento: "Nota: Este indivíduo era, na verdade, um espião da Resistência Antijaponesa. Executado." Liu Tiezhu sentiu outro choque. Seu pai era um infiltrado da Resistência? Hu Dabangzi bateu na coxa: "Agora me lembro. No inverno de 1943, a Resistência realmente infiltrou um espião no exército japonês, codinome Águia da Montanha. Será que era seu pai?" Liu Tiezhu apertou os documentos, com sentimentos conflitantes. Então era por isso que seu sangue ativara o mecanismo: porque seu pai era um combatente da Resistência. E a tal "morte por bandidos" de seu pai era, na verdade... "Tiezhu, Lao Hu." A voz de Wang Zhenguo veio de longe. Logo, um grupo de soldados apareceu na borda da cratera. Ao verem que eles estavam vivos, todos gritaram de alegria. "O dispositivo foi resolvido?" perguntou Wang Zhenguo, descendo correndo. Liu Tiezhu assentiu e guardou os documentos em silêncio. Não era hora de falar sobre isso. "E Xu Tianqing?" perguntou. Wang Zhenguo franziu a testa: "Fugiu. Pegamos o soviético, mas Xu Tianqing escapou na confusão." Liu Tiezhu não ficou surpreso. Aquele demônio de olhos violetas era mais astuto que uma raposa; não se entregaria facilmente. "O que Ivanov confessou?" "Muita coisa", disse Wang Zhenguo, baixando a voz. "Ele disse que por trás de Xu Tianqing há uma organização chamada Sociedade do Dragão Negro, que recruta traidores e agentes secretos da era de Manchukuo para fazer sabotagem no Nordeste." Liu Tiezhu sorriu com desdém: "Então tem padrinho." Lembrou-se da foto de seu pai e de repente tomou uma decisão. "Lao Wang, vou continuar perseguindo Xu Tianqing." "Com esses ferimentos..." "Não vou morrer", disse Liu Tiezhu, teimoso. Wang Zhenguo sabia que não adiantava insistir. Suspirou: "Primeiro volte à cidade para tratar dos ferimentos. O governo provincial enviou uma equipe de trabalho para ouvir seu relatório." No caminho de volta, Liu Tiezhu ficou em silêncio. A identidade de seu pai, a fuga de Xu Tianqing, a conspiração da Sociedade do Dragão Negro. Todas as pistas se entrelaçavam em sua mente, mas ainda faltava um elo crucial. Ele tocou os documentos no peito e de repente sentiu um objeto duro: era a única foto que tinha com seu pai, que sempre carregava consigo. No verso da foto, o rosto bonito de seu pai sorria. Quem diria que ele era um infiltrado da Resistência? "Pai", murmurou Liu Tiezhu em pensamento, "vou descobrir a verdade e vingar você." Ao longe, o sol poente, vermelho como sangue, iluminava as montanhas vastas. Na sombra invisível, olhos violeta-escuros observavam tudo, esperando o próximo ataque.