Capítulo 363: Capítulo 363: O Número Fantasma 719

O rosto de Zhu Xiulan, coberto de lama e manchas de sangue, não expressava nada. Apenas uma gota de líquido turvo escorria silenciosamente pelo canto ressecado de seu olho, misturando-se ao chão lamacento e desaparecendo. Lin Wan pareceu ter visto aquela lágrima. Em suas pupilas dilatadas, o último fio de luz fraca tremeluziu violentamente, como o último bailar de uma chama prestes a se apagar. Seus lábios se curvaram para cima num movimento extremamente sutil, quase imperceptível, formando um arco terrivelmente distorcido. Como um espasmo involuntário das terminações nervosas antes da chegada da morte. Então, aquela última centelha de luz se apagou por completo, e sua cabeça pendeu para o lado, cessando a respiração. Aqueles olhos, outrora vazios e mortos, finalmente se fixaram na direção da luz na entrada da caverna. — Conseguiu! Conseguiu! Da entrada da caverna, veio o grito exultante de um soldado. Vários feixes potentes de lanternas perfuraram bruscamente a escuridão, invadindo a caverna e fazendo Liu Tiezhu semicerrar os olhos instintivamente. — Capitão Liu, Doutora Zhu! Vários soldados cobertos de lama, empunhando fuzis, entraram primeiro, curvados e cautelosos, examinando o interior da caverna com vigilância. O enfermeiro entrou em seguida, correndo direto para Zhu Xiulan, que estava caída no chão. Liu Tiezhu apoiou-se na parede da caverna para se levantar, mas uma tontura o envolveu, e ele foi amparado por um soldado ao lado. — Capitão, o senhor está muito ferido. Liu Tiezhu acenou com a mão, indicando que estava bem. Seu olhar ultrapassou o enfermeiro e os soldados ocupados, pousando no corpo encolhido e magro da jovem no canto. Um soldado jovem se aproximava com cuidado para examiná-la. — Capitão, esta... — o soldado ergueu a cabeça, o rosto marcado por choque e um pouco de pesar — é uma garota morta. Do lado do enfermeiro, veio uma voz apressada: — A Doutora Zhu tem fratura exposta no braço direito, fratura exposta na perna esquerda com perda severa de sangue, além de febre alta e pulso muito irregular... parece... parece ter sofrido um grande choque. Apoiado pelo soldado, Liu Tiezhu mancou até o lado de Zhu Xiulan. O enfermeiro já havia feito uma imobilização de emergência e um curativo para estancar o sangramento. Zhu Xiulan estava de olhos fechados, o rosto pálido como papel, a respiração fraca e ofegante, a testa coberta de suor frio. — Xiulan? — chamou Liu Tiezhu em voz baixa. Os cílios de Zhu Xiulan tremeram algumas vezes, e ela abriu uma fresta dos olhos com imensa dificuldade. Seu olhar estava disperso e confuso, como se tivesse acabado de acordar do mais profundo dos pesadelos, carregando um cansaço imenso e um vazio indescritível. Seus olhos, sem foco, pousaram por um instante no rosto de Liu Tiezhu, depois se desviaram lentamente, varrendo a caverna, os rostos tensos dos soldados, e por fim, muito lentamente, dirigiram-se ao corpo de Lin Wan no canto. Seus lábios se moveram ligeiramente, como se quisesse dizer algo, mas apenas um sopro fraco escapou. Uma lágrima, mais uma vez, escorreu silenciosamente do canto ressecado de seu olho. Então, sua cabeça pendeu para o lado, e ela desmaiou completamente. Lá fora, a tempestade continuava, mas ao pé do Pico do Bico de Águia, mais tochas e vultos se reuniam. O grosso do reforço havia chegado, e a batalha parecia ter terminado. Liu Tiezhu olhou para Zhu Xiulan desacordada, para o corpo frio de Lin Wan no canto, para o cilindro de gás tóxico deformado e caído no fundo da caverna, sem sentir nenhum alívio. Aquele grupo de números fantasmagóricos "7-1-9", aquele codinome gelado "Flor Desabrochando", e a verdadeira identidade do "Fantasma da Montanha", oculta atrás de densas camadas de névoa, como um parasita incrustado nos ossos, tudo isso pesava como nuvens mais escuras, pressionando-o. O sangue no Pico do Bico de Águia ainda não havia secado. Aquela "flor gêmea", forçada a desabrochar pela guerra, perdera uma pétala. Quanto tempo a pétala restante conseguiria resistir? Na clareira improvisada ao pé do Pico do Bico de Águia, uma dúzia de tendas de campanha verde-escuras esticavam-se firmemente sob a chuva e o vento. Na entrada da maior tenda, uma bandeira da Cruz Vermelha era açoitada pela chuva, estalando. Dentro da tenda, o ar era impregnado pelo cheiro acre de desinfetante, sangue e lona molhada. Sob a luz amarelada dos lampiões, vultos se moviam e passos apressados ecoavam. Liu Tiezhu, com o torso nu e robusto, sentava-se numa cama de campanha simples, o peito e o braço esquerdo enfaixados com ataduras ensanguentadas, como uma estátua de barro silenciosa. O enfermeiro velho Zhang cortava cuidadosamente a perna da calça de Liu Tiezhu, endurecida pela lama e sangue, revelando um ferimento profundo que chegava ao osso, de onde escorria uma mistura turva de lama e fluido tecidual. — Ah... — no instante em que a pinça com o algodão embebido em iodo tocou a ferida, os músculos da mandíbula de Liu Tiezhu se contraíram bruscamente, e ele sugou o ar pelos dentes, a testa instantaneamente coberta de suor frio, mas não emitiu um único gemido. — Aguente firme, Capitão Liu. Essa lama entrou, se não limpar direito, a carne vai apodrecer e teremos que amputar a perna! Zhang dizia palavras duras, mas seus movimentos se tornavam mais leves e firmes. Com mais de cinquenta anos, era o enfermeiro veterano do regimento, que desde a Longa Marcha disputava vidas com a morte, de mão firme e coração duro. — Com esses ferimentos, qualquer outro já estaria caído. A bala no peito passou a meio centímetro do coração; nem o Rei do Inferno te levaria. Liu Tiezhu não respondeu. Seus olhos injectados de sangue, ultrapassando as costas encurvadas do velho Zhang, fixavam-se obstinadamente no canto da tenda, na área separada por uma cortina de pano branco. Atrás da cortina, duas camas de campanha estavam juntas. Zhu Xiulan jazia sem vida sobre elas, o rosto ainda mais pálido que o lençol branco que a cobria. Dois enfermeiros trabalhavam ao seu redor, trocando palavras em voz baixa e apressada. — Pressão arterial muito baixa! — Acesso venoso, rápido! Soro fisiológico com uma ampola de adrenalina. — Fratura exposta do rádio e ulna no braço direito, tíbia e fíbula esmagadas na perna esquerda. Perda de sangue excessiva. — Temperatura 39,8°C, pulso a 140 e subindo. Isso não é normal, parece choque tóxico. O coração de Liu Tiezhu afundava a cada número e termo frio. Lembrou-se do olhar desumano de Zhu Xiulan na caverna, de seus urros bestiais, e daquela coisa chamada "Miolo de Lótus" dentro de sua cabeça. A cortina da tenda foi aberta bruscamente, deixando entrar o ar frio e úmido da tempestade. Zhao Dayong, o representante enviado pelo comando superior, entrou com passos largos, trazendo consigo a frieza e a umidade. A aba de seu chapéu de palha gotejava, e seu rosto estava lívido como ferro bruto. Ele examinou a situação na tenda, seu olhar pousou por um momento em Liu Tiezhu e, por fim, na cortina de pano branco. — Como ela está? — a voz de Zhao Dayong era baixa e rouca, carregada de cansaço da viagem noturna e de uma raiva contida. O chefe dos enfermeiros responsável por Zhu Xiulan enxugou o suor da testa, balançou a cabeça e disse com voz pesada: — Os ferimentos externos são graves e a perda de sangue é excessiva, essa é uma questão. O pior é que as funções internas do corpo dela estão gravemente desreguladas, febre alta persistente, reflexos nervosos anormalmente excitados que desaparecem intermitentemente. — Esse estado parece que algo está queimando e destruindo dentro do corpo dela. Nossos medicamentos atuais não conseguem conter isso. Ele hesitou um pouco e baixou a voz: — Comandante, precisamos levá-la ao hospital da divisão o mais rápido possível. As condições aqui são muito precárias; se demorar, ela não deve passar de vinte e quatro horas. Os punhos de Zhao Dayong estalaram, os músculos de sua mandíbula saltaram: — Droga! A estrada foi destruída pela enchente. A companhia de engenheiros está fazendo reparos de emergência, o mais rápido será amanhã ao meio-dia. Amanhã ao meio-dia? O coração de Liu Tiezhu deu um sobressalto. Com a tez acinzentada de Zhu Xiulan e sua respiração tão fraca que quase não se via, será que ela aguentaria até amanhã ao meio-dia? — Parte! — um soldado de comunicações coberto de lama irrompeu na tenda, segurando um telegrama encharcado. — Mensagem urgente do batalhão! A equipe de busca na encosta oeste do Pico do Bico de Águia encontrou um novo deslizamento de terra, com coisas enterradas. Zhao Dayong arrancou o telegrama da mão do soldado, examinou-o rapidamente à luz do lampião, e sua expressão se tornava cada vez mais sombria. Depois de ler, bateu com o telegrama com força na caixa de munição ao lado, produzindo um "pá!" seco. — Filhos da puta! — rosnou ele, os olhos cuspindo fogo na direção de Liu Tiezhu. — Irmão Tiezhu, você mexeu num vespeiro.