Capítulo 356: Capítulo 356: Fortificações Subterrâneas do Japão

O homem de óculos estava em uma posição elevada, sorrindo friamente enquanto erguia a pistola. — Liu Tiezhu, você é um estorvo demais. No instante em que ele apertou o gatilho, um tiro veio do lado. O peito do homem de óculos explodiu em sangue, e ele caiu incrédulo. Liu Tiezhu ergueu a cabeça e viu Xiaoju de pé na entrada do corredor, segurando um fuzil, com a boca do cano ainda fumegando. — Tio Liu, você está bem? Liu Tiezhu subiu, ofegante: — Como você veio parar aqui? — O Dr. Zhu me mandou segui-lo — disse Xiaoju em voz baixa. — Ela disse que você precisaria desta chave. Ela tirou do peito uma chave enferrujada, quase idêntica à chave de cobre que Liu Tiezhu segurava, exceto pela palavra "Luz" gravada nela. Depois do amanhecer, o batalhão de engenharia chegou e isolou todo o armazém. Liu Tiezhu ficou de pé na entrada do buraco, vendo caixas de armamentos serem retiradas, mas seu coração estava pesado. A última frase que o homem de óculos disse antes de morrer foi: "Vocês não fazem ideia do que o Senhor da Montanha realmente quer." De volta ao acampamento temporário, Liu Tiezhu foi direto encontrar o velho Li, enviado pelo comando. — Velho Li, me ajude a investigar alguém. — Quem? — O falso Zhou Ming — disse Liu Tiezhu em voz baixa. — Suspeito que ele seja um remanescente do Lobo da Montanha Negra. O velho Li ajustou os óculos: — Lobo da Montanha Negra? Aquela gangue de bandidos não foi exterminada há muito tempo? — Alguém sobreviveu. — Liu Tiezhu tirou uma foto, um esboço do falso Zhou Ming. — Me ajude a ver se alguém no comando o conhece. O velho Li suspirou: — Tudo bem, mas você precisa ter cuidado. As coisas não estão calmas no comando ultimamente. Naquela noite, Liu Tiezhu folheava os documentos apreendidos no depósito japonês em seu alojamento. A maioria eram listas de armamentos, mas um mapa de guerra amarelado chamou sua atenção. Nele, sete círculos vermelhos marcavam a Cordilheira Taihang, e ao lado de cada um estava escrito "Nó do Veio do Dragão". — Veio do Dragão, o que é isso exatamente? Nesse momento, passos leves vieram da janela. Liu Tiezhu apagou a luz imediatamente e sacou a pistola. Uma bola de papel enrolada em uma pedra foi jogada pela janela. Liu Tiezhu não se apressou em pegá-la. Esperou alguns segundos, confirmou que não havia perigo lá fora, e então a recolheu. "Amanhã, oito da noite, cemitério da colina dos fundos, traga a chave." Sem assinatura, mas a caligrafia era idêntica à de Li Gang. Li Gang não morreu? Com a mente cheia de dúvidas, Liu Tiezhu correu para fora rapidamente. Quando saiu, não havia nada lá fora. Na noite seguinte, Liu Tiezhu foi sozinho ao cemitério da colina dos fundos. O lugar estava coberto de mato, com algumas sepulturas solitárias sem lápides espalhadas pela encosta. — Zhu Xiulan? — chamou em voz baixa. Sem resposta. Liu Tiezhu apertou a pistola e avançou devagar. De repente, ouviu um leve som de metal se chocando. Era o fio de uma mina de estilhaços! Ele se jogou para o lado, e a onda de choque da explosão derrubou as lápides próximas. — Era uma armadilha, como esperado. Tiros vieram de todas as direções, as balas atingindo as lápides, fazendo estilhaços voarem. Liu Tiezhu rolou para se esconder atrás de um túmulo e trocou o carregador rapidamente. — Liu Tiezhu! — gritou uma voz rouca. — Entregue a chave! Liu Tiezhu reconheceu: era o Caolho! — Caolho, você ainda não morreu? — A vida deste velho é dura! — Caolho riu com maldade. — Hoje é o seu dia de morrer! Liu Tiezhu riu friamente: — Acham que vocês, alguns bandidos, podem me pegar? Ele se inclinou rapidamente, matou o inimigo mais próximo com um tiro e mudou de posição. O fogo do Caolho era intenso, mas Liu Tiezhu, aproveitando a noite e o terreno, foi se aproximando aos poucos. Quando estava prestes a dar o golpe final, um tiro veio de trás. — Bang! O Caolho caiu no chão. Liu Tiezhu virou-se bruscamente e viu Xiaoju de pé na encosta, com a boca do cano ainda fumegando. — Tio Liu, você está bem? Liu Tiezhu franziu a testa: — Como você veio? — Eu... eu estava preocupada com você. — Xiaoju se aproximou, mas de repente seus pés fraquejaram, quase caindo. Liu Tiezhu a segurou e notou que seu ombro estava sangrando. — Você está ferida? Xiaoju balançou a cabeça: — Não é nada, só um arranhão. Liu Tiezhu rasgou a gola de sua roupa e suas pupilas se contraíram. Abaixo da clavícula dela, havia uma marca de ferro igual à de Zhu Xiulan. — Xiaoju, você... O olhar de Xiaoju de repente se tornou estranho: — Tio Liu, me desculpe. Ela empurrou Liu Tiezhu com força, tirou uma adaga do peito e a apontou para o coração dele! Liu Tiezhu desviou, mas a adaga ainda cortou seu braço. — Você não é Xiaoju! A garota sorriu, mas sua voz se tornou masculina: — Liu Tiezhu, você finalmente descobriu. Ele arrancou a máscara de pele humana do rosto, revelando uma face que Liu Tiezhu nunca tinha visto. — O Senhor da Montanha manda lembranças. A bala de Liu Tiezhu perfurou a garganta do "Xiaoju", mas antes de morrer, ele apertou algum interruptor. No fundo do cemitério, o som de maquinaria em funcionamento ecoou. Uma sepultura solitária se abriu lentamente, revelando uma entrada escura. — A entrada do Veio do Dragão finalmente se abriu. Da abertura no cemitério, jorrou um ar frio cortante. Liu Tiezhu pegou a lanterna que caiu do "Xiaoju" e, quando o feixe de luz iluminou o interior, as placas de identificação japonesas refletindo na parede de rocha fizeram suas pupilas se contraírem: "Sétimo Instituto de Pesquisa, Ano 19 da Era Showa, Ultra Secreto." — Capitão Liu. — Er Gazi chegou com reforços e, ao ver a entrada, inspirou fundo. — Que porra é essa... — Fortificação subterrânea japonesa. — Liu Tiezhu arrancou um pedaço da polaina para enfaixar o ferimento no braço. — Deixe cinco homens isolando o perímetro, o resto desce comigo. A escada de aço vertical estava enferrujada. Quando chegaram ao fundo, a lanterna iluminou um túnel largo o suficiente para dois caminhões passarem lado a lado. A cada dez metros, havia lamparinas penduradas nas paredes, e o óleo ainda estava cheio. — Alguém faz manutenção. — Wang Qiang passou a arma sobre as marcas frescas de pneus no chão. — Não mais que três dias. No fim do túnel, havia uma porta de ferro hidráulica, com o painel de controle aceso em verde. Liu Tiezhu ia se aproximar, mas Er Gazi o puxou de repente: — Tem arame no chão! Uma linha de pesca transparente, a dez centímetros do chão, brilhava sob a luz. Depois de cortá-la, Liu Tiezhu ouviu por alguns segundos encostado na fresta da porta, então chutou a porta e rolou para dentro. Em um espaço de vinte metros quadrados, doze cápsulas de cultivo exalavam ar frio. Dentro de cada uma, flutuavam corpos, os soldados de reconhecimento desaparecidos há seis meses. — Filhos da puta. — Er Gazi bateu com o punho no vidro. — Estão fazendo experimentos humanos! Mas Liu Tiezhu olhava fixamente para o painel de controle central. Na tela, as ondas do gráfico pulavam violentamente, com uma anotação em japonês: "Sincronização de ondas cerebrais 89%, limiar de despertar." De repente, o líquido em todas as cápsulas se tornou vermelho-sangue. — Recuar! Recuar imediatamente! Assim que saíram da sala, ouviram o som de vidro estourando atrás. Quando correram cem metros e olharam para trás, o túnel ecoava com uivos não humanos. Uma sombra negra, rastejando com as articulações dos membros invertidas, os perseguia. — Dispare sinalizadores! — gritou Liu Tiezhu. Na luz forte, a coisa revelou sua verdadeira forma: era o cadáver inchado do soldado de reconhecimento, mas seus olhos haviam se transformado em olhos compostos de inseto. Sob o fogo das metralhadoras, o monstro foi crivado de balas, mas ainda se contorcia. Só quando Liu Tiezhu explodiu sua coluna com uma granada é que a coisa parou de vez. — É gás nervoso. — Liu Tiezhu chutou o recipiente de identificação japonês na cintura do monstro. — Herança da Unidade 731. Quando o grupo voltou à superfície, já era amanhecer. Liu Tiezhu estendeu o mapa e desenhou círculos vermelhos em Bico de Águia e Ravina da Água Negra: — Esses dois lugares têm vestígios de atividade japonesa. — Relatório! — Um soldado de comunicações correu. — Interceptamos um telegrama japonês. Há um transporte importante hoje à noite na Ravina da Água Negra! Wang Qiang se aproximou para olhar o telegrama: — O código não está certo. O formato parece... — Tropas fantoches. — Liu Tiezhu riu friamente. — Perfeito. Er Gazi, leve um pelotão para fazer uma emboscada na Ravina da Água Negra. Ele desenhou uma rota de desvio com sangue no mapa. — Lembre-se: ataque só o primeiro e o último veículo, deixe o do meio passar. Depois que Er Gazi partiu, Liu Tiezhu disse em voz baixa a Wang Qiang: — O verdadeiro alvo é o Pico do Bico de Águia. A chave na cintura do cadáver de ontem à noite tinha escrito 'Armazém A-7'. A emboscada na Ravina da Água Negra foi estranhamente fácil. Er Gazi, deitado atrás de uma rocha, viu a lona do terceiro caminhão da caravana ser levantada pelo vento, revelando dezenas de civis amarrados na carroceria. — Porra! — Ele rangeu os dentes e abaixou o lança-foguetes. — Avise o Capitão Liu: é um veículo transportando trabalhadores forçados! Enquanto isso, Liu Tiezhu usava a chave de cobre para abrir a porta secreta no Pico do Bico de Águia. No som das dobradiças enferrujadas, Wang Qiang de repente segurou seu ombro: — Tem sangue na fresta da porta. O sangue fresco estava em forma de jato: lá dentro, tinha ocorrido um massacre recente. Quando a lanterna tática iluminou o interior, mais de trinta corpos de soldados japoneses estavam espalhados, todos com a mão direita cortada no pulso. — Briga de gangues? — Wang Qiang chutou uma caixa de metal, cheia de títulos da era do Exército Nacionalista. Mas Liu Tiezhu foi direto para o único cofre intacto. O disco de senha ainda tinha marcas de dedos com sangue. Ele tentou girar para "7-1-9", e quando a porta do cofre se abriu, toda a caverna tremeu de repente. O mapa de guerra pendurado na parede caiu. Liu Tiezhu pegou o mapa. Os sete pontos marcados em vermelho estavam agora conectados por uma nova seta desenhada, apontando finalmente para o Pico do Bico de Águia onde estavam. — Caímos numa armadilha! — Ele correu para a entrada. — O lado do Er Gazi é que era... O som de explosões veio da direção da Ravina da Água Negra, e o clarão do fogo iluminou metade do céu. O vale da Ravina da Água Negra já era um mar de chamas. Er Gazi, arrastando a perna direita quebrada, viu o terceiro caminhão se desintegrar na explosão. A carroceria não estava cheia de trabalhadores, mas de manequins amarrados com explosivos! — Recuar! Tudo isso é uma armadilha! No fone de ouvido, só havia chiado. Quando os veículos blindados japoneses apareceram nas encostas dos dois lados, Er Gazi soube que a comunicação estava bloqueada. Ele sacou a pistola de sinalização, mas antes de apertar o gatilho, uma bala de atirador perfurou seu ombro.