Depois que Er Gouzi foi embora, Liu Tiezhu e o tio assaram a galinha selvagem, comeram rapidamente e continuaram catando cogumelos boletos com os sacos de estopa. Uma hora depois, os dois já tinham enchido mais dois sacos enormes. Quando estavam prestes a pegar novos sacos para continuar, Er Gouzi voltou correndo, apressado.
— Pai, Irmão Zhu, deu merda. — O Irmão Shan foi espancado pela família de Liu Yang, e agora não deixam ele ir embora. — Puta merda!
Ao ouvir isso, Liu Tieshan soltou um palavrão. Abandonou os cogumelos, puxou o facão e colocou na cintura, virou-se e começou a voltar.
— Gouzi, vem rápido.
O tio deu a ordem, largou os cogumelos e seguiu rapidamente. Os três correram sem parar; o trajeto de meia hora levou menos de dez minutos.
Quando chegaram na casa de Liu Yang, viram um monte de vizinhos reunidos no grande pátio.
— Ladrão de gado, matem ele! — Não é à toa que as duas famílias não quiseram participar do jantar de ano novo, estavam com medo de que, ao devolver a carne roubada, fossem descobertos. — Puta que pariu, essas duas famílias são um bando de ladrões, deviam expulsar os dois clãs da vila.
Liu Tieshan e os outros ouviram os insultos feios dos vizinhos de longe. Quando se aproximaram, viram Liu Yang segurando o irmão mais velho pelo colarinho, com uma cara furiosa. O rosto do irmão mais velho estava cheio de marcas vermelhas, claramente de tapas. Essa cena instantaneamente enfureceu Liu Tiezhu.
— Vai se foder, seu filho da puta!
Liu Tiezhu avançou pela multidão, sem dizer nada, e deu um chute direto na cintura de Liu Yang. Liu Yang, sem defesa, caiu de cara no chão. Depois de chutar Liu Yang, Liu Tiezhu puxou o irmão mais velho para trás de si.
— Seu desgraçado, eu, de boa vontade, te ajudei a encontrar o gado, e você ainda vem me acusar de roubo? — E vocês, seus filhos da puta, estão gritando o quê? — Querem expulsar nossas duas famílias da Vila Liu? Quem tem coragem, tenta!
Er Gouzi e o tio também entraram, encarando os vizinhos com frieza. Liu Changhai disse:
— Olhem só, o ladrão de gado ainda se acha no direito? — Ousou bater em alguém, vamos chamar a polícia.
Com isso, os vizinhos começaram a gritar de novo.
— Chama a polícia, prendam essas duas famílias! — Esses marginais merecem comer na cadeia! — Nossa vila não precisa de ladrões!
Ouvindo esses xingamentos, Liu Tiezhu riu. Ele puxou o facão da cintura e apontou para Liu Changhai.
— Liu, seu velho cachorro, qual dos seus olhos viu eu roubar o gado? — Se você não me explicar direito hoje, vai ver se eu não corto fora esse seu pintinho de velho.
Para lidar com esses canalhas sem noção, argumentar não adianta; é preciso usar métodos sujos.
— Você ousa? — Liu Changhai tentou se encorajar, desafiando.
— Liu, seu velho cachorro, vou te falar uma coisa: se você tiver coragem de dar dois passos para frente, vai ver se eu não faço.
Liu Tiezhu, com o rosto sério, olhou para Liu Shan e os outros.
— E vocês, seus filhos da puta, eu dormi com a mulher de vocês, ou o Liu Shan comeu merda na frente de vocês? — Tão obedientes, seguindo o Liu Shan para vir acusar meu irmão mais velho?
Liu Shan e os outros ficaram vermelhos de raiva. Diante de Liu Tiezhu, todo arrogante, eles não ousaram soltar um pio. Nessa época, quem é mole é fácil de pegar, mas Liu Tiezhu era um cacto cheio de espinhos; como iam encarar? Afinal, o facão na mão dele não era brincadeira. Se ele perdesse a cabeça e desse um golpe, era uma vida. Eles só estavam ali para ver o circo, não para arriscar a própria pele.
— Liu Changhai, você tem pinto mas não tem coragem, não estava gritando para eu comer na cadeia? — Se você vier aqui, eu te respeito como homem.
Liu Tiezhu continuou provocando Liu Changhai. Para lidar com esse velho, era preciso assustá-lo de uma vez. Senão, esses velhos iam continuar dando problema.
— Eu… eu… — Liu Changhai rangeu os dentes, gaguejando, sem ousar falar nada.
— Vai se foder… — Filho da puta… — Velho sem culhão…
Liu Tiezhu apontou o facão para Liu Changhai e despejou uma enxurrada de insultos.
— Liu Tiezhu, já chega! — Liu Changhai é um mais velho, como você pode…
Liu Shan não terminou a frase, foi interrompido pela voz de Liu Tiezhu.
— Pode a puta que pariu sua avó… — Fodo todas as mulheres da sua família… — ………………
Liu Tiezhu cutucou o nariz de Liu Shan e xingou todos os ancestrais dele até a décima oitava geração. Renascer para ser pisado por um bando de tartarugas velhas? Melhor mijar e se afogar.
— Você… você… você… — Liu Shan tremia todo de raiva, sem conseguir acompanhar o ritmo de Liu Tiezhu.
— O quê, ainda não levou xingamento suficiente? — Engana otário, faz de vigarista, sem culhão. — Puta merda… — Vai tomar no cu…
Liu Tieshan cuspiu saliva para todo lado, encharcando a cara de Liu Shan, e o fez desmaiar de raiva. Liu Changhai, vendo o olhar de Liu Tiezhu voltar para ele, saiu correndo de medo. Os outros vizinhos baixaram a cabeça, para não arrumar confusão. Agora percebiam que a família de Liu Tiezhu não era fácil de mexer. Continuar ajudando Liu Shan era pedir problema.
Todos calaram a boca, mas a raiva de Liu Tiezhu ainda não tinha passado. Er Gouzi e o tio, atrás, também nunca tinham visto Liu Tiezhu tão feroz. Os dois sorriram e, em silêncio, levantaram o polegar para ele.
— Liu Yang, a cara do meu irmão mais velho foi você, seu filho da puta, que bateu? — Liu Tiezhu foi até Liu Yang com o facão na mão, perguntando friamente.
— Ele roubou meu gado, que mal tem eu dar uns tapas? — Liu Yang disse com um pouco de medo.
— Roubou o caralho! Se a gente tivesse roubado, por que ia devolver para você? — Seu idiota, tem merda na cabeça? — Liu Tiezhu gritou alto.
Liu Yang respondeu com raiva: — Quem sabe o que vocês pensam. — Talvez vocês tenham medo de eu chamar a polícia e devolveram o gado.
— Idiota, não vou perder saliva com você, seu neto. — Esses tapas no meu irmão mais velho, eu vou lembrar. Isso não vai ficar assim.
Liu Tiezhu xingou Liu Yang e puxou o irmão mais velho para ir embora. Os vizinhos que assistiam não ousaram falar mais nada e abriram caminho. Na verdade, eles sabiam bem se o gado de Liu Yang tinha sido roubado por Liu Tieshan ou não. Estavam ali não para saber quem roubou, mas para ajudar Liu Shan a dificultar a vida de Liu Tieshan. Só que dessa vez encontraram um osso duro; não só não conseguiram o que queriam, como ainda levaram uma bronca.
Depois de andar alguns passos, Liu Tiezhu virou a cabeça.
— Vocês, seus filhos da puta, continuem protegendo o Liu Shan. Um dia vão chorar.
Todos ficaram vermelhos, mas não ousaram responder. Só depois que Liu Tiezhu e os outros três foram longe é que começaram a xingar baixinho pelas costas. Ouvindo esses insultos dos vizinhos, Liu Tiezhu não ligou. No dia seguinte era o último prazo; a nevasca ia chegar. Esses vizinhos, sem comida, logo virariam inimigos.
Os quatro voltaram ao bosque de bambus. O tio deu o resto da galinha assada para Liu Tieshan e Er Gouzi.
— Irmão mais velho, fica tranquilo. Esses tapas do Liu Yang, não vou deixar você engolir calado. — disse Liu Tiezhu.
Ele não era de guardar rancor, mas também não podia deixar esses vizinhos oprimirem. Na vida passada, esses desgraçados não perderam chance de judiar das duas famílias. Nesta vida, ele não ia deixar isso acontecer de novo.
Liu Tieshan acenou com a mão: — Deixa pra lá, o que passou, passou.
— Não passa. — Liu Tiezhu disse firme: — A gente é bom demais, por isso eles ousam montar em cima da gente.
O tio completou: — O Zhu tem razão. A gente não oprime ninguém, mas também não deixa ninguém nos oprimir. — Comam bem. Hoje à noite vamos cavar todos os cogumelos e brotos de bambu. — Como o Zhu disse, quando a nevasca chegar, essas pessoas vão colher o que plantaram.