Capítulo 22: Capítulo 22 De Volta ao Bambuzal

Liu Tiezhu disse: "Tio, essa coisa até consegue atirar seis vezes seguidas, mas o poder de fogo ainda é fraco." "Mas, com as condições limitadas que temos, só pode ser assim mesmo." Comparada com as bestas militares que ele usava como mercenário na vida passada, essa besta composta ainda perdia feio em poder de fogo. Er Gouzi ficou todo animado: "Irmão Zhu, com essa parada, a gente pode entrar no fundo da mata." Na volta, Liu Tiezhu tinha dito que a besta composta conseguia atirar seis vezes e que o poder de fogo ia aumentar. Mas foi só depois de ver o poder da besta modificada que ele entendeu o quanto tinha melhorado. Pelo poder atual, mesmo que fosse um javali adulto bem velho, seis flechas matavam na hora. "Só com essas duas bestas compostas na mão, a gente ainda não entra na mata grande." "Para entrar nela mais pra frente, vamos precisar delas." Liu Tiezhu apontou para os nove filhotes de cachorro no cercado de bambu no canto do quintal. Esses nove bichinhos, depois de dois dias de cuidado, tinham se recuperado um pouco, mas ainda estavam numa fragilidade danada. "Zhu, esses cachorros são mesmo tão incríveis como você disse?" "Treinados, dão pra ajudar na caça?" Embora Liu Tiezhu tivesse explicado bem da outra vez, o tio ainda estava desconfiado. Que esses cachorros, quando crescessem, vigiariam a casa, ele acreditava. Mas treiná-los para ajudar na caça, ele nunca tinha ouvido falar. "Tio, você vai ver o resultado logo." Liu Tiezhu apontou para um filhote preto e branco: "Olha o nariz do Batatão. Com treino, ele consegue achar animais pelo cheiro, economizando um tempão na caça." "Agora olha o Bandeirinha Nº1, Bandeirinha Nº2, Bandeirinha Nº3." "Eles têm membros fortes e bocas largas, são cães de mordida típicos." "Se a gente treinar eles direito, cinco ou seis juntos conseguem enfrentar um javali." O tio ficou confuso, sem entender nada. Mas confiava na cabeça do sobrinho. Enquanto batia papo com o tio, o irmão mais velho e Er Gouzi também já estavam prontos. Como o lugar escolhido para aquela noite era o bosque de bambu e o milharal atrás da casa, o irmão mais velho também não ficou vigiando a casa. Os quatro pegaram as bestas compostas recém-modificadas, carregaram sacos de estopa e se dividiram em dois grupos, seguindo para o bosque de bambu atrás da casa. A neve tinha derretido, e o caminho estava bem melhor. O que antes levava mais de uma hora, eles fizeram em apenas trinta minutos. Liu Tiezhu fez sinal para todos pararem e acendeu uma fogueira. "Ainda é cedo, vamos esperar escurecer mais para entrar." "Gouzi, você e o tio vão para o milharal, eu e o irmão mais velho vamos para o bosque de bambu." "Se acontecer alguma coisa, acendam o fogo para dar sinal." "Esta noite vamos ralar, caçar a noite toda. Amanhã vai ter uma nevasca." Ao ouvir "nevasca", os rostos de todos ficaram sérios. O tio não sabia por que Liu Tiezhu tinha tanta certeza. Mas naquele momento, ele confiava plenamente nas palavras dele. Liu Tieshan jogou algumas batatas-doces na fogueira e perguntou: "Zhu, essa história da nevasca é verdade? O tempo não vai esquentar logo?" "Irmão, você não acha que o clima destes três dias está meio estranho?" "Por que os animais da mata estão saindo tanto? Porque sentiram a mudança no clima e saíram cedo para encher a barriga." "Isso é sinal de que a nevasca está chegando." Liu Tiezhu falou sério. O tio ficou com um pouco de medo e continuou: "E essa nevasca vai durar quanto tempo?" "A primeira nevasca, acho que vai durar uns dez dias." Ao ouvir isso, o rosto do tio ficou ainda mais pálido. Se Er Gouzi não tivesse ido caçar com o Zhu, a família dele provavelmente morreria de fome. Depois de meia hora se aquecendo no fogo, as batatas-doces estavam prontas. Cada um comeu duas batatas, pegou o equipamento e partiu. Sabendo que a nevasca estava chegando, Er Gouzi estava especialmente focado naquela noite. Assim que desceu no milharal, começou a procurar sem parar. Liu Tiezhu, ao entrar no bosque de bambu, mandou o irmão mais velho ficar atrás dele. Baseado na memória da última vez, ele foi se aproximando devagar do lugar onde as galinhas-do-bambu se escondiam. Minutos depois, um som de "có-có-có" fez os dois irmãos pararem. Liu Tiezhu apontou a lanterna: na frente, seis galinhas-do-bambu estavam deitadas no ninho, saboreando rãs-do-bambu que tinham pegado. A luz da lanterna bateu nos olhos delas, fazendo-as fechá-los por um instante. Aproveitando a chance, Liu Tiezhu puxou o gatilho rapidamente. Em dezenas de segundos, as flechas de bambu da besta composta acabaram. Olhando para o ninho, três galinhas-do-bambu tinham sido perfuradas. As outras três, assustadas, voaram para longe. O irmão mais velho pegou a lanterna e ia correr atrás, mas Liu Tiezhu o segurou. "Irmão, não precisa ir atrás. Essas galinhas-do-bambu não voam longe." "A gente dá uma volta e volta aqui, elas com certeza voltam para o ninho." No bosque de bambu tem muitas cobras-verde, e é fácil ser mordido. Embora o veneno dessas cobras não mate, a toxina não é brincadeira. Se for mordido por uma dessas, a carne incha rápido e depois apodrece. Nos casos leves, a pessoa fica de cama por mais de dez dias; nos graves, pode infeccionar e correr risco de vida. Ele não ia deixar o irmão correr esse risco por causa de algumas galinhas-do-bambu. "Elas vão voltar mesmo?" Liu Tieshan duvidou. Liu Tiezhu assentiu: "Pode ficar tranquilo, elas vão voltar." "O hábito da galinha-do-bambu é não sair do ninho. Já testei da outra vez." Guardou as três galinhas-do-bambu no saco de estopa, fez uma marca no ninho e continuou com o irmão mais velho para dentro. Depois de mais uns dez metros, ouviram um rangido de atrito. Ao ouvir esse som, os dois irmãos não se assustaram, pelo contrário, sorriram. Era o som de ratos-do-bambu roendo brotos de bambu, que eles conheciam bem. "Irmão, espera aqui. Vou me aproximar primeiro." Liu Tiezhu deu a instrução e se abaixou todo. Os ratos-do-bambu são muito alertas e muito rápidos. Qualquer barulhinho, e eles fogem na hora. Liu Tiezhu andou uns passos e ergueu a lanterna devagar. Mas não apontou diretamente para os ratos, e sim para o lado deles. Para evitar que a luz repentina os assustasse. Seguindo a luz, Liu Tiezhu ficou paralisado. Caramba, na frente tinha mais de trinta ratos-do-bambu, espalhados pelos galhos de bambu. Cada um pesava uns dois quilos e meio, com corpos redondinhos, deixando Liu Tiezhu todo animado. Ele moveu a besta composta devagar, mirou em um rato na borda e puxou o gatilho sem hesitar. A sete metros de distância, a flecha de bambu atravessou o corpo do rato facilmente. O guincho fez os outros ratos pararem. Eles se ergueram e olharam em volta. Ao não verem nada, voltaram a roer os brotos. Liu Tiezhu mal conseguia segurar o sorriso, ergueu a besta de novo e atirou. Assim, atirando e parando, em poucos minutos ele matou treze ratos-do-bambu. Os ratos restantes ainda não perceberam o perigo e aceleraram a roída dos brotos. Essa chance única, Liu Tiezhu não ia perder. Ergueu a besta de novo. Depois de um tempinho, mais oito ratos caíram. Aí, os que sobraram finalmente se ligaram e sumiram num piscar de olhos. Os ratos eram rápidos demais, não deram chance para Liu Tiezhu perseguir. Mas vinte e um ratos, mais de cinquenta quilos de carne, já deixaram Liu Tiezhu satisfeito. "Irmão, pode vir." Liu Tiezhu chamou e puxou uma faca para sangrar os ratos. Liu Tieshan chegou e viu o chão cheio de ratos, com um sorriso que nem uma AK conseguia conter. Em menos de meia hora, já tinham caçado centenas de quilos de carne. Nesse ritmo, caçando a noite toda, não iam ter quase quinhentos quilos? Os dois limparam os ratos, e Liu Tieshan sugeriu levar a carne para casa primeiro e depois voltar. Liu Tiezhu não discordou, mandou o irmão tomar cuidado e foi mais para dentro com a besta composta. Depois de andar centenas de metros, um som de "crac-crac" na frente o fez parar na hora. Era o som de bambus sendo quebrados, algo que só um animal muito grande podia fazer.