Capítulo 16: Capítulo 16: Véspera da Nevasca

O tio e o irmão mais velho são mestres na pesca, nem precisam que Liu TieZhu dê ordens; os dois já sabem onde quebrar o gelo e como colocar a rede para os peixes não escaparem.

Liu TieZhu apontou para a abertura da barragem acima e disse: "GouZi, pega a rede, vamos subir mais um pouco."

As dezenas de peixes à vista são só o aperitivo; o verdadeiro esconderijo dos peixes é na abertura da barragem.

Antes de congelar, todos os peixes se juntavam ali para comer algas.

Depois que o rio congelou, aquele lugar virou o ninho dos peixes.

Os dois chegaram à abertura da barragem e, ao verem aquela multidão escura, os olhos de ErGouZi ficaram vidrados.

Debaixo da camada de gelo transparente, estava tudo cheio de peixes, um monte deles.

Tinha peixe-cabeça-grande, carpa, e robalo.

Esses peixes eram gordos e grandes, quietos escondidos entre as algas, sem se mexer.

"ZhuGe, ficamos ricos."

Depois de se recompor, ErGouZi ficou babando.

Na vida dele, era a primeira vez que via um grupo tão grande de peixes.

"Para de besteira, quebra o gelo e coloca a rede logo."

Liu TieZhu deu a ordem, pegou um arpão de aço e começou a quebrar o gelo na margem do rio.

Cercar aquela área de pesca não era fácil; só quebrar o gelo já era um trabalho braçal.

A camada de gelo tinha quase um metro de espessura, quebrá-la não era moleza.

Eles não só precisavam quebrar o gelo, mas também não assustar os peixes, então escolher o lugar certo para quebrar era crucial.

Além de quebrar o gelo, colocar a rede também era uma técnica.

Como a superfície do rio já estava congelada, só podiam usar varas de bambu para amarrar a ponta da rede e puxá-la para frente.

Depois de uma certa distância, tinham que quebrar o gelo de novo para levantar a ponta da rede.

E repetir o processo até colocar os cinquenta metros de rede.

Os quatro se dividiram em dois grupos, se revezando sem parar, e levaram duas horas quebrando gelo para colocar as duas redes.

Nessa hora, os quatro se juntaram na beira do rio, todos tremendo de frio.

O tio acendeu uma fogueira, pegou a cachaça "ShaoDaoZi" e distribuiu para todos.

ErGouZi, por sua vez, colocou tiras de carne seca para assar na fogueira.

O tio deu um gole na cachaça e disse: "Se a gente pegar todos esses peixes, a carne dá para os próximos meses."

Ele também tinha dado uma olhada no cardume na barragem, e a reação foi igual à de ErGouZi antes: olhos vidrados.

Quem diria que um rio abandonado escondia tantos peixes.

Liu TieShan também estava com um sorriso no rosto, concordando com o tio.

Estimando o cardume na barragem, devia ter pelo menos uns trezentos a trezentos e cinquenta quilos.

Se pegassem todos os peixes, as duas famílias com certeza teriam carne para vários meses.

Liu TieZhu ainda não estava otimista.

Ele só lembrava que na vida passada a neve caiu por muito tempo, mas não tinha memória de como a vila mudou depois.

Se a nevasca durasse um ano, só essa comida não seria suficiente.

Esses três dias de caça eram cruciais; ele precisava levar o irmão mais velho e o tio para caçar o máximo de caça possível.

Depois de tomarem alguns copos de cachaça e comerem alguns quilos de carne assada, os corpos congelados começaram a esquentar.

O tio viu que já estava na hora e sugeriu voltar para bater no gelo do rio e espantar os peixes.

Como as redes já tinham cercado o cardume, espantar os peixes não dava muito trabalho, era só bater no gelo de qualquer jeito.

Com os batidas constantes no gelo, os peixes assustados começaram a se debater.

Depois de uma hora, as duas redes estavam cheias de peixes, como fogos de artifício.

Vendo que o dia estava escurecendo, eles não quiseram ser gananciosos e puxaram as redes logo.

Trabalharam até a tarde para tirar os peixes das duas redes, mas as duas ficaram completamente destruídas.

Olhando para os vários sacos de peixes carregados no carrinho de três rodas, o tio não parava de sorrir.

Ele calculava que aqueles cinco sacos de peixes tinham pelo menos trezentos quilos.

Mesmo secos como peixe salgado, ainda teriam sessenta por cento do peso, ou seja, cento e oitenta quilos.

"Zhu, vamos voltar aqui amanhã."

No caminho de volta, o tio sugeriu de novo.

Liu TieZhu disse: "Tio, basicamente é só isso de peixe aqui."

"Amanhã vocês e o irmão mais velho trocam um pouco de peixe por verduras secas, eu e o GouZi vamos para a montanha."

Ao ouvir isso, o tio e Liu TieShan ficaram pasmos.

Trocar peixe por verduras secas era um negócio ruim.

"Zhu, trocar peixe por verduras secas não compensa para a gente", disse o tio.

Liu TieZhu pensou um pouco e disse: "Então a gente faz uma troca que compense."

"A gente separa cinquenta quilos de peixe para trocar por verduras secas, e o resto a gente cura e seca ao vento."

Mais para frente, com a neve fechando tudo, não daria para plantar vegetais.

Se só consumissem carne, sem vitaminas, não daria certo.

O tio balançou a cabeça: "Tá bom, então a gente faz como você disse."

"Amanhã eu e o Shan vamos dar uma volta na vila."

O grupo foi conversando e rindo, e quando chegaram em casa já era noite.

Na cozinha, Huang XiuMei já tinha preparado o jantar esperando eles voltarem.

Vendo o carrinho cheio de peixes, Huang XiuMei ficou surpresa e feliz.

"Vamos comer primeiro, depois de comer a gente corta os peixes para secar."

Liu TieShan chamou, e todos se sentaram juntos, numa animação.

Depois do jantar, começaram a limpar os peixes.

Huang XiuMei lavou um robalo, pendurou numa vara de bambu e disse: "Hoje, quem foi para a montanha na vila voltou com as mãos cheias."

"Até o Liu HaiFei, aquele preguiçoso, pegou umas dezenas de galinhas-do-mato e um cervo."

O tio disse: "O que está acontecendo? Será que a neve vai derreter e os animais estão saindo para comer?"

Liu TieShan completou: "Pode ser, hoje a temperatura subiu 10 graus de repente."

"Assim, a neve vai derreter logo, e os animais, com fome há tanto tempo, saírem para comer é normal."

Só Liu TieZhu sabia que era o instinto dos animais sentindo a tempestade de neve se aproximando, aproveitando os três dias de aquecimento para encher a barriga antes.

Enquanto eles especulavam que o inverno estava acabando, ouviram batidas no portão do pátio.

"Quem é?"

Liu TieShan gritou, pensando quem viria visitar a essa hora.

"Sou eu, Liu Shan."

Ao ouvir que era Liu Shan, a expressão de Liu TieShan mudou na hora, e ele olhou para Liu TieZhu.

O tio se levantou, com o rosto sério, e disse: "GouZi, vai abrir o portão."

"Se esse velho veio causar problemas, a gente não vai ter pena."

ErGouZi balançou a cabeça e foi abrir o portão do pátio.

"Todo mundo ocupado, hein."

Liu Shan entrou com um sorriso astuto no rosto.

Ao ver os peixes pendurados nas varas de bambu, os olhos dele brilharam na hora.

"O que você quer?"

O tio foi até a frente de Liu Shan, com um tom nada amigável.

Liu Shan não se importou, deu um sorriso e disse: "Nada de mais, vim avisar que a ceia de fim de ano da vila vai ser adiantada este ano."

"Pela contagem de pessoas, a sua família tem que contribuir com trinta quilos de carne e trinta quilos de arroz."

Liu TieZhu recusou na hora: "Desculpa, mas a nossa família não vai participar da ceia."

Ao ouvir isso, o rosto velho de Liu Shan fechou na hora.

"Zhu, isso está atrapalhando a união da vila."

"Na vila de Liu, com oitenta e seis famílias, todo mundo participa de bom grado, só faltam vocês dois."

"Você dizer que não vai participar, é justo?"

"Acho muito justo."

"Quem quiser participar da ceia, que participe, mas não nos incluam."

Liu TieZhu balançou a cabeça, respondendo com firmeza.

Dezenas de quilos de carne e arroz, esse velho queria enganá-lo, nem pensar.

"Tá bom, tá bom, na primavera as terras da vila vão ser redistribuídas."

"Quando chegar a hora, não venham se arrepender."

Liu Shan, furioso e humilhado, ameaçou e bateu a porta ao sair.

"Zhu, isso..."

Liu TieZhu interrompeu o irmão com um gesto: "Irmão, essa ceia é uma armadilha."

"O Liu Shan não vai durar muito, não precisa se preocupar."

Se tudo correr bem, depois da primeira tempestade de neve, Liu Shan vai se dar mal.

A ameaça de redistribuir as terras não o preocupava nem um pouco.