Capítulo 53: Capítulo 53 A Traição

Lin Xujia estava sentada no balcão do bar, cercada por luzes coloridas e pela agitação que fugia da cidade. Ali, havia apenas um grupo de pessoas que vinham se divertir usando a solidão como desculpa. A música ensurdecedora parecia ecoar pelo céu, e na multidão, cada um balançava o corpo ao ritmo da música excitante e eufórica. Os dançarinos pareciam perder a capacidade de distinguir gênero naquele momento, com seus corpos grudados nos de quem estava mais próximo.

Ela balançava o copo, enquanto inúmeros feixes de luz colorida varriam o ambiente, iluminando seu corpo. Na época da escola, Lin Xujia era considerada uma das garotas mais bonitas do departamento, com um corpo sedutor, como se carregasse naturalmente um toque de feminilidade sutil. Comparada a Xia Yan, faltava-lhe um pouco de pureza.

— Moça, sozinha e entediada? Que tal a gente se juntar? — Não me enche. — Uma mulher de coração partido precisa de um homem como eu para cuidar. — Sai fora.

Lin Xujia ergueu os olhos e examinou o homem que se aproximava. Ele não era feio, mas comparado a Ye Yunchen, aquele ali era completamente insuportável. Segurando o copo, ela olhou para o estranho com a cabeça tonta e sentiu a mão dele tocar sua cintura. Instintivamente, começou a resistir.

— Sai, não me toca. — Eu gostar de você é sua sorte, e você ainda vem com esse drama? — Você... — Pá... — Sua vadia, ousou me bater!

Lin Xujia estava com os nervos à flor da pele, mas a mão que o homem ergueu rapidamente nunca caiu sobre ela. Com esforço, ela abriu os olhos e encarou o homem, vendo que o valentão de antes agora olhava com cautela para o homem que aparecera de repente ao seu lado.

— Sr. Yang, o que, o que é isso? — Xiao Li, essa mulher é minha. — Tá, tá, então não vou incomodar o Sr. Yang.

Antes de ir embora, o homem ainda deu uma olhada furtiva em Lin Xujia, furioso por ter deixado escapar a presa.

Yang Jinkuan estreitou os olhos, examinando Lin Xujia. — A Srta. Lin não é nada mal de aparência.

Depois do ocorrido, Lin Xujia já tinha clareado um pouco a bebedeira. Para ela, enfrentar Yang Jinkuan naquele momento era mais assustador do que lidar com o estranho de antes, pois dias atrás, sem querer, soube que a família Lin pretendia entregá-la a ele.

— Sr. Yang, eu... obrigada por hoje... — Lin Xujia conteve o medo no fundo do coração. Viu no rosto de Yang Jinkuan a mesma expressão que ele tivera ao olhar para Xia Yan, um olhar cheio de luxúria e nudez, como se, mesmo vestida, ela estivesse nua diante dele.

Ela tinha medo, medo de que Yang Jinkuan se interessasse por ela.

O medo de Lin Xujia era evidente, e Yang Jinkuan adorava ver nas mulheres aquela expressão de pavor, enquanto elas eram forçadas a enfrentá-lo.

— Gente, levem-na para cima. — Yang Jinkuan fez um gesto com a mão, e atrás dele surgiram vários homens altos que se dirigiram a Lin Xujia, com expressões severas que a paralisaram de medo, impedindo qualquer reação.

— Sr. Yang, Sr. Yang, eu sei que você gosta de Xia Yan. Tenho um jeito de fazer você consegui-la.

Ao ouvir isso, Yang Jinkuan a encarou com um olhar venenoso e perguntou, rindo: — Você está me incitando a mexer com a mulher de Lu Zhengting?

— Não é isso, Sr. Yang. Xia Yan e o Sr. Lu não têm nada um com o outro. Acredite em mim, sou a melhor amiga de Xia Yan, sei tudo sobre ela. — Sério? Então, se você trouxer Xia Yan aqui agora, prometo não tocar em você. — Tá, tá, vou ligar para ela. — Lin Xujia só pensava em escapar das garras de Yang Jinkuan. Rapidamente, pegou o telefone, encontrou o número de Xia Yan e ligou sem hesitar.

Enquanto isso, Xia Yan estava deitada na cama, mexendo no celular, lendo o Weibo. Naquela noite, ela não só tinha ido ao show de Xi Xi, como também conversara de perto com ele. Para ela, Xi Xi, apesar de ser mais novo, tinha toda a cavalheirismo de um homem.

Ela estava navegando pelo Weibo de Xi Xi quando o nome de Lin Xujia apareceu na tela. Olhou para o relógio, deu uma cambalhota na cama e atendeu.

— Xiao Jia, como foi a noite com o Irmão Ye? — ... — Pela ligação, vinha uma música barulhenta. Xia Yan franziu a testa. Lin Xujia tinha ligado, mas não dizia nada. Irritada, Xia Yan elevou a voz: — Xiao Jia, onde você está? — Xia Yan, estou tão triste. Aos olhos do Irmão Ye, ele nunca me vê, não importa o que eu faça, não importa... — Xiao Jia, onde você está? — No bar mS. — Espera, vou ligar para o Irmão Ye agora. — Não, Xia Yan, por favor, não liga. Não quero que ele me veja tão acabada. Não liga. — Então vou aí agora. Não sai do lugar. — Xia Yan sentou-se rapidamente, pegou uma roupa qualquer do armário, vestiu-se e saiu correndo da casa dos Xia. Ainda bem que já passava da meia-noite e a avó Xia já estava dormindo, senão não se sabia que confusão poderia surgir.

Xia Yan pegou um táxi até o bar mS. Assim que entrou, sentiu o cheiro forte de fumaça misturado com suor e perfume. Os olhares de quem passava por ela pareciam estranhos. Ela balançou a cabeça; o que menos gostava era de bares, sempre tão sujos e caóticos.

Ela atravessou a multidão até o balcão e viu Lin Xujia debruçada sobre ele. Um pouco irritada, acelerou o passo. — Xiao Jia, Xiao Jia, Xiao Jia? — Hã? Xia Yan, você veio? E o Irmão Ye, veio? — Você não pediu para eu não chamá-lo? — Ao ouvir isso, Lin Xujia soltou uma risada estranha. — É verdade, o Irmão Ye não se importa comigo. Ele só ouve você. Se você não mandou ele vir, ele não vem... — Você está bêbada! — Não! Estou muito lúcida, lúcida o suficiente para saber que ele gosta de você, não de mim! Xia Yan, me diz, o que eu tenho de errado? O que é? Posso mudar, não posso?

Xia Yan segurava Lin Xujia, mas antes que pudesse se recompor, viu Yang Jinkuan aparecer na sua frente, com um grupo de seguranças atrás, como se quisesse prendê-las ali. Ela precisava cuidar de Lin Xujia, que ria e chorava, e ao mesmo tempo ficar de olho em Yang Jinkuan.

Yang Jinkuan lançou um olhar significativo para Lin Xujia nos braços de Xia Yan, sorriu com os olhos semicerrados e de repente ordenou: — Levem-nas para cima. — Não se aproximem. O que você quer? Não chega perto. — Xia Yan falou apressadamente, com os dedos tremendo ao segurar Lin Xujia. — Não tenha medo, serei gentil com você, Xia Yan. Já pensei em você por muito tempo. — Não, não chega perto. Em público, você não pode fazer isso. — Você não sabe que aqui é meu território, Xia Yan? — ... — Xia Yan deu um passo para trás, incrédula, encarando Yang Jinkuan. Com os nervos à flor da pele, não resistiu e disse: — Se você ousar fazer algo comigo, Lu Zhengting não vai te perdoar. — Haha, você acha que ainda tenho medo dele? Vou gostar ainda mais das coisas de Lu Zhengting. — Yang Jinkuan sorriu maliciosamente para Xia Yan, sem perder tempo, e ordenou diretamente que os seguranças arrastassem Xia Yan e Lin Xujia para o andar de cima.

Na multidão, Xia Siyue observava a cena com um sorriso frio, sentindo-se muito satisfeita. Se Xia Yan soubesse que aquilo era apenas um plano de Lin Xujia para se salvar, entregando-a, que expressão teria?

— Xia Siyue, essa não é sua irmã? — É? Onde? — Ali, aquela sendo agarrada por uns homens, não é? — Xiao Ai, você deve estar enganada. Você sabe que minha irmã é a famosa garota comportada. Uma garota comportada viria aqui? Dançar? — Estou um pouco cansada, vou descansar um pouco antes de dançar. — Tudo bem, então vou indo.

Xia Siyue desapareceu na multidão, cercada pela música ensurdecedora, pela multidão eufórica e pelo clima intenso. Ela semicerrou os olhos para as duas figuras que sumiam gradualmente no bar, e um sorriso cruel se formou no canto dos lábios.

Xia Yan foi jogada no chão com violência. Era um camarote no andar de cima, com um ar decadente que a enojava profundamente. Depois de a deixarem no chão, os homens saíram. O camarote estava escuro, e com a pouca luz, ela viu coisas que a faziam querer vomitar: uma cama vermelha como sangue, cortinas de véu caindo, e ao lado, um suporte com vários instrumentos.

Ela sabia que Yang Jinkuan tinha preferências especiais naquela área, mas ver com os próprios olhos era mais assustador do que ouvir falar.

A porta rangeu e foi aberta lentamente.

A luz do corredor entrou, e Xia Yan virou a cabeça, vendo algemas no sofá...

Yang Jinkuan esfregava as mãos, caminhando devagar em direção a Xia Yan. A luxúria e a maldade em seus olhos fizeram Xia Yan recuar instintivamente. Ela ficou de frente para ele e falou rapidamente: — Yang Jinkuan, e a Xiao Jia? Onde você a colocou? — Ela? Fique tranquila, não tenho interesse nela. — Onde ela está? — Venha aqui e eu te conto. — Não chega perto. Se chegar... — Xia Yan examinou tudo ao redor que pudesse servir como arma. Viu uma faca de frutas na mesa de centro e, sem pensar, a pegou. — Não chega perto. Se der mais um passo, eu... mato você... — Largue a faca. — Não chega perto, não chega perto.

Cada célula do corpo de Xia Yan estava tensa. Ela segurava a faca, os olhos fixos em Yang Jinkuan. Com a visão periférica, percebeu que, para chegar até a porta, teria que passar por ele.

Yang Jinkuan não se apressava. Olhava para Xia Yan como se fosse uma presa.

Em outro camarote, Ning Nan estava sentado no sofá como um senhor, com uma mulher em cada braço, e olhava para o irmão mais velho, vindo de Pequim, que estava de cara fechada. Um pouco irritado, disse: — Irmão, vamos, sorria. — Ning Nan, suas travessuras têm limite. Se o vovô souber dessas fofocas, seus dias de folia acabam. — Irmão, não tem como evitar. Sou bonito demais, é fácil atrair flores. — Seu moleque. Mês que vem é o aniversário do vovô. Você não vai voltar para homenageá-lo? — Se eu voltar, acho que a festa do vovô não vai rolar.