Olhando para trás, Gan Ya também não sabia por que tinha sido tão impulsiva naquele momento, sem sequer entender se a pessoa era boa ou má, e se jogou de cabeça. Talvez estivesse com medo demais.
Ela só queria agarrar qualquer tábua de salvação.
O homem claramente se surpreendeu, segurou os ombros da garota para estabilizá-la, e ao olhar para baixo, reconheceu-a: "É você?"
Ele já tinha visto essa garota várias vezes, destacando-se entre as outras que animavam o ambiente por ser alta e chamativa, mas não sabia o nome dela nem lhe dera importância.
Nunca imaginou encontrá-la naquele lugar, e ainda por cima num estado de pânico total.
Olhando para as quatro pessoas dentro do quarto, e depois para o rosto aterrorizado da garota, Dai Minghan conseguiu adivinhar o que tinha acontecido e franziu a testa.
Era óbvio que a garota estava sendo coagida.
Não era algo incomum.
Ele não queria se meter, afinal, mulheres que vinham "trabalhar" naquele lugar geralmente tinham segundas intenções.
Naquele momento, o lutador na sombra também viu a silhueta na porta, um traço de desânimo cruzou seu rosto, sentindo-se incomodado.
"Solta ela. Sai daqui, e podemos fingir que nada aconteceu."
A garota ergueu a cabeça, com olhar apavorado, e timidamente segurou a ponta da roupa dele.
Não parecia estar se oferecendo como mercadoria.
"Ela não quer", respondeu Dai Minghan.
"Isso não é da sua conta", um dos homens rosnou irritado, avançando para empurrar Dai Minghan. Mas antes que pudesse ver o movimento, sentiu um borrão e caiu pesadamente no chão.
Uma queda clássica de cara no chão.
Vendo o companheiro ferido, outro homem mudou de expressão, resmungou e partiu para cima, mas também sem entender como, foi derrubado no chão.
O último homem já mostrava medo, mas como viviam de ser capangas, se recuassem, não teriam mais como ganhar a vida. Mesmo com medo, fingiu bravura e gritou "Procurando morte!" antes de atacar.
Foi quando uma voz fria soou atrás: "Você não é páreo para ele. Sai."
Tani, como o nome sugeria, ao se levantar do caixote, sua figura era como uma torre de ferro, os músculos retorcidos pareciam querer rasgar a roupa. Só de estar ali, já impunha uma pressão esmagadora.
Inclinando a cabeça para olhar o homem na porta, cujo rosto também estava na sombra, Tani esboçou um sorriso sinistro: "Gostou dela?"
"Que tal assim: depois que eu me divertir, eu a dou para você?"
"Ou melhor, vamos nos divertir juntos?"
O rosto da garota empalideceu instantaneamente, e o que a aterrorizou ainda mais foi a resposta do homem atrás dela: "Claro."
Antes que a palavra terminasse, ela sentiu como se um vento tivesse passado pela ponta do seu nariz, seguido por um som surdo de punho contra carne!
O punho de Dai, rápido como um relâmpago, desferiu um golpe violento. O homem que parecia uma torre de ferro não era realmente uma torre, e sob o ataque inesperado, ergueu as mãos para bloquear. Embora tenha conseguido parar o golpe devastador, perdeu o equilíbrio e cambaleou vários passos antes de se firmar.
Mas foi sorte que já estava em guarda, senão aquele soco teria sido uma humilhação total.
Esse tal de "Dai" era assustador!
"Por uma mulher, vale a pena brigar comigo?" Tani estava confuso, o desejo já tinha desaparecido, dando lugar à raiva.
Mas não podia recuar facilmente. No mundo dos lutadores, se você recua, perde o respeito, ninguém mais te segue, e perde muitos benefícios.
Estalando os nós dos dedos, Tani abaixou o corpo, como um tigre prestes a atacar. O homem à sua frente, embora não fosse tão alto ou forte, era mais ágil e astuto, como uma pantera negra, e ainda mais feroz!
A lâmpada no teto do depósito projetava sombras irregulares, e no jogo de luz e escuridão, no segundo seguinte, Tani, abaixado, disparou como uma flecha em direção a Dai, tão rápido que os olhos não conseguiam acompanhar!
Diante do punho que vinha em direção ao seu rosto, Dai não sentiu pressão. Quando o golpe, capaz de quebrar pedras, estava prestes a acertá-lo, Dai também agiu.
Bum!
O punho de Tani roçou a bochecha de Dai como uma bala, e a força residual deixou um pequeno corte na pele. Ao mesmo tempo, o punho de Dai atingiu com força o abdômen de Tani!
"Cof, cof!"
Tani não estava nada bem depois daquele golpe. Em seu dicionário, nunca existiu a palavra "fracasso", mesmo que fosse preciso vencer por meios sujos.
Depois de tanto lutar no submundo, enquanto se embriagava com vitórias rotineiras, tinha esquecido a vigilância de quem vive na linha entre a vida e a morte!
Da mesma forma, fazia tempo que ninguém fazia Tani levar a sério. Ele balançou o pescoço, e um sorriso arrepiante surgiu em seu rosto demoníaco.
"Morra!"
Na escuridão, as pernas de Dai atacavam como barras de aço, com chutes laterais, varreduras e giros. Cercado, Tani só conseguia se defender, mas quando desviou de uma varredura baixa de Dai, sua cabeça foi atingida como se um tronco tivesse batido nela!
Quando ele chutou?
Dor, algo que Tani não sentia há muito tempo.
Atordoado pelo chute, Tani finalmente decidiu abandonar a defesa e girou para um chute lateral que colidiu com o soco potente de Dai!
Pá!
Os dois recuaram vários passos!
Ouvindo o som surdo dos golpes nos corpos e a respiração pesada de ambos, Gan Ya sentiu medo, mas não conseguiu evitar abrir os olhos por entre os dedos.
Foi quando viu um dos homens se levantar do chão, rastejando silenciosamente para trás de Dai, e puxar uma adaga da cintura.
Naquele momento, os dois estavam no auge do combate, e o homem parecia não encontrar um ângulo bom para atacar, com medo de ferir Tani, hesitando.
Mas hesitou apenas alguns segundos. Parecendo finalmente ter tomado uma decisão, ergueu a faca com força.
Gan Ya sentiu um sobressalto e ia gritar um alerta, quando de repente foi envolvida por uma força forte e teve a boca tapada!
Ela tinha esquecido que ainda havia dois capangas de Tani por perto!
Mesmo com a boca tapada, um "Cuidado" escapou meio abafado. O homem à sua frente alertou-se instantaneamente, desviou o corpo para evitar a lâmina vinda pelas costas e, com um soco, mandou o agressor voando!
Pá! Pá! Pá! Em seguida, uma série de sons surdos, e o corpo de Tani, como uma torre de ferro, foi recuando sob os golpes!
Embora tivesse evitado a facada fatal, um corte se abriu em seu flanco. O homem, ao ver sangue, tornou-se ainda mais feroz e louco, como uma fera ferida.
Louco! Era um completo louco!
Suportando a fúria e os ataques tempestuosos do outro, Tani sentiu medo e surpresa, amaldiçoando internamente seus capangas por serem inúteis. Já pensava em recuar, mas estava encurralado.
Golpe após golpe, os punhos de Dai eram como a tortura mais cruel, fazendo-o provar uma dor sem igual no mundo.
"Pa... para! Para! Seu louco...!"
Quando Tani achou que seria espancado até a morte, de repente, ambos ouviram uma confusão de passos!
A luz ofuscante de holofotes iluminou o ambiente. Através do sangue que escorria de sua testa, Tani viu inúmeras silhuetas se movendo e um rosto familiar!
--------- PS, primeiro capítulo de hoje, escrevendo um pouco sobre o cotidiano de personagens que aparecerão na próxima parte, para dar mais profundidade a eles. Espero que não se importem. E o Xiao Er Hei pede votos de recomendação e mensais, miau~~~ acenando a pata~~~