Capítulo 441: Capítulo 441 Nunca seja curioso

Este era seu chefe, um homem de estatura não muito alta, mas com o rosto cheio de cicatrizes e uma aparência feroz e cruel. Também era o dono da academia de boxe. Ser visto pelo chefe naquele estado, Tani realmente achou que poderia morrer, mas ainda assim se esforçou para se levantar do chão, apontando furiosamente para o homem à sua frente: "Chefe, acabe com ele! A partir de hoje, nas próximas dez lutas, não quero um centavo, tudo que ganhar é seu!" O dono da academia franziu a testa, e nesse momento também viu a outra pessoa. "Dai, você está me causando problemas de novo." Dai Minghan deu de ombros, não era ele quem estava causando problemas, mas sim os problemas que vinham até ele. Olhou para a garota assustada, para Dai, que parecia indiferente, e depois para Tani, com o rosto coberto de sangue. O dono da academia franziu levemente o cenho, com uma expressão ambígua. "Você ainda consegue se mexer?" O tom aparentemente preocupado fez o coração de Tani se aquecer. O chefe estava do seu lado, afinal. Se o chefe estivesse ao seu lado, hoje teria muitos meios de fazer com que aquele homem não saísse daquele depósito! Já que o chefe estava ao seu lado, nessa hora, não custava fingir estar ainda mais miserável, quem sabe não conseguisse uma indenização médica ou algo do tipo. "Esse canalha... ai... chefe..." Tani gritou ainda mais alto, com o rosto cheio de ódio. Espere só, vou te dar uma lição! Enquanto rangia os dentes e planejava como torturá-lo, de repente, ouviu uma voz sombria em seus ouvidos. "Se consegue se mexer, suma daqui! Se não consegue, vou mandar alguém te jogar para fora agora!" "O quê?!" Tani quase duvidou do que ouviu, mas ao ver o rosto do chefe, agora tão sombrio que parecia pingar água, seu coração afundou. Não ousou reclamar mais. Embora tivesse cem, mil perguntas, não ousava fazer nenhuma. Para sobreviver nesse ramo, além de ter punhos duros, era preciso saber ler o ambiente. Vendo Tani e os outros saírem mancando, Dai Minghan soltou um assobio leve. O dono da academia sentiu a cabeça doer: "Dai, você está ferido!" Dai Minghan olhou para o próprio braço, depois para a garota que o encarava com olhos arregalados como uma corça assustada: "Não tem problema." "Vamos, beber um pouco." "Não! Primeiro você precisa ir ao hospital fazer um curativo! E, além disso, como pode beber nessa hora!" "Eu disse que não tem problema, não tem problema. Para que tanta conversa fiada!" -- Vendo a garota ao lado um pouco distraída, Dai Minghan virou-se: "No que está pensando?" "Estou pensando em quando nos conhecemos." Ganya virou-se e sorriu para o homem: "Estou pensando que, se não tivesse te encontrado naquela época, como seria minha vida." Ela parecia não querer continuar com o assunto: "Dai, você ainda não me disse o que essa hora significa no seu lugar." "Essa hora..." Dai Minghan olhou para a lua prateada no céu e para o mar cintilante sob a luz da lua: "No meu lugar, chama-se Véspera de Ano Novo, é um dia para a família se reunir." "Ah..." a garota exclamou baixinho: "Então por que você..." "Por que não volto para casa, é?" Dai Minghan olhou para a superfície do mar ondulante, coberta como se por prata quebrada, e seus olhos pareciam cobertos por uma névoa. "Porque assim também está bom." Ganya abaixou a cabeça. Era uma garota inteligente e percebeu a tristeza no tom despreocupado de Dai. Mas também sentiu um pouco de alegria. Porque na noite de Véspera de Ano Novo, quando as famílias se reúnem, aquele homem escolheu passar com ela. Só isso já a emocionava a ponto de querer chorar. Ela era apenas uma garota comum e simples, e ser favorecida por aquele homem já era algo tão feliz quanto um sonho. Quanto ao resto, não pensava mais. Não tentaria prender Dai, como outras garotas fazem, amarrando-o firmemente ao seu lado. Mesmo que ele desaparecesse de repente de tempos em tempos, sem nunca dar uma palavra sobre seu paradeiro, ela nunca perguntaria. Desde que fosse assim. Seis meses depois daquele incidente, por causa de uma lesão antiga, seu pai faleceu, e o mundo parecia ter apenas os dois, dependendo um do outro. Às vezes ela sentia medo, sem saber do quê. Talvez fosse um perigo indescritível, como se aquele homem chamado Dai um dia fosse desaparecer silenciosamente de sua vida. O que ele fazia? Por que desaparecia de repente de tempos em tempos? Ganya achava estranho e se sentia inquieta. Mas, já que era segredo dele, ela nunca perguntaria demais. "Está ficando frio, vamos voltar." Segurando a mão fria de Ganya, sentindo seu corpo tremer levemente, Dai Minghan achou que ela estava com frio. Ganya balançou a cabeça, mas obedientemente deixou que ele a levasse pela mão de volta ao lugar onde moravam juntos. Só que, sem saber por quê, ao amanhecer, Ganya tocou o próprio rosto e sentiu uma lágrima seca. Na noite anterior, não dormiu bem, ora sonhava com o pai falecido, ora sonhava com Dai desaparecendo de seu mundo, sem deixar rastros. Foi então que percebeu que não era tão desapegada quanto imaginava. Olhando para o homem ainda adormecido ao lado, Ganya decidiu levantar-se e preparar o café da manhã. Nesse momento, ouviu um som de "ding", algo tocou. A princípio, pensou que fosse o celular dela, mas ao ver que não havia chamadas ou mensagens, notou que era o celular de Dai, que estava na cabeceira. Ganya nunca havia tocado no celular dele. Mas naquela hora, sentiu o coração bater mais forte. Sua curiosidade era maior do que imaginava! Porque aquele homem era misterioso demais! Parecia esconder um enorme enigma! Esse enigma, com certeza, tinha uma ligação estreita com seus desaparecimentos periódicos! Como se fosse um impulso, Ganya estendeu a mão em direção ao celular preto na cabeceira. Não sabia se era impressão sua, mas de repente sentiu que, naquele instante, uma espécie de névoa escura parecia surgir do celular, envolvendo a ponta de seus dedos. Ela ainda pensava que ele poderia ter colocado uma trava de impressão digital, mas antes mesmo de tocar, a tela do celular acendeu sozinha. Uma luz vermelha como sangue! "O que é isso..." O rosto de Ganya ficou ainda mais confuso e perplexo. O que era aquilo? Um aplicativo de celular? Por que de repente sentiu que o espaço ao redor ficava mais frio? Sem querer, seu dedo tocou a tela do celular, tocou aquela luz vermelha, e de repente sentiu uma leve dor. Como se tivesse sido picada por uma agulha, uma gota de sangue caiu na tela vermelha e foi rapidamente absorvida, desaparecendo sem deixar vestígios. O que foi aquilo? Enquanto sentia medo e inquietação, de repente sentiu o pulso ser segurado e viu que Dai Minghan, sem saber quando, já tinha aberto os olhos, olhando para ela com o rosto pálido. Nunca vira o rosto dele tão feio, nem tão feroz. ---- PS, segundo capítulo enviado! Peço votos de recomendação e mensalidades!