Capítulo 995: Capítulo 995: Um Pouco Decepcionado 6

Não é só uma pontinha, não vai danificar a pintura em si, não tem problema. Bai Ling assentiu com a cabeça. As quatro pinturas sobre a mesa foram todas cortadas um pouquinho, cada uma embalada em sacos de papel diferentes, de acordo com o pintor. Até mesmo aquela imitação da *Mona Lisa* de Da Vinci, Bai Ling apostava na mania dos japoneses de não fazerem nada inútil — quem sabe esta não era um manuscrito do próprio Da Vinci?

— Então leve logo para fazer o teste, espero que tudo isso seja antiguidade — disse Bai Ling, com um ar brincalhão.

O velho Chen pegou as coisas e se preparou para sair, indo correndo para seu laboratório fazer os testes.

— Vovô, na verdade, independentemente de esse lote ser verdadeiro ou não, precisamos montar um museu, e num lugar bem movimentado. Vamos pegar todos os tesouros do espaço e fazer uma exposição. Vovô, nossa cidade sempre teve uma herança cultural profunda desde os tempos antigos, mas agora os prédios estão cada vez mais altos, as ruas mais largas, os carros mais numerosos, e nossa vida espiritual está cada vez mais escassa. O senhor não acha isso assustador? Quando as pessoas têm tempo livre, vão ao cinema, passeiam, fazem compras, vão a parques de diversão... Muitos vestígios históricos estão diminuindo, a atenção à cultura humana é pouca. Para o nosso país, a China, com milhares de anos de história, isso é muito preocupante. Talvez, em dez, décadas, ou até cem anos, vamos perder aquilo de que nos orgulhávamos — Bai Ling falava com eloquência, tentando convencer o velho Lin a conseguir um terreno para ela.

— Tá bom, já vou mandar o Xiao Zhou entrar em contato, mas o dinheiro não pode faltar, não podemos tirar vantagem do Estado — respondeu o velho Lin, meio contrariado. Raramente dava esse tipo de sinal verde, e o que a Xiao Ling estava fazendo tinha um grande significado, senão ele não se sentiria à vontade para pedir.

Bai Ling fez beicinho, pensando: "Eu vou montar um museu, o dinheiro que ganhar vou usar em projetos de consumo, e aquele dinheiro da venda de terras, quem sabe quanto vai parar no bolso do povo, ou em quem sabe qual outro bolso!"

— Já entendi, nem um centavo a menos. Ainda sou sua neta, e nem um descontinho? — resmungou Bai Ling, murmurando baixinho.

— Seu avô não é um imperador, não pode simplesmente dar um terreno para você. Isso é propriedade do Estado, não se pode invadir assim — disse o velho Lin, franzindo a testa, explicando. Ele sabia que a intenção de Bai Ling era boa, mas não podia abrir essa brecha por ele.

— Eu sei, vovô, só estou brincando. O senhor passou a vida inteira a serviço do público, não pode amolecer na velhice e acabar manchando sua reputação, isso não valeria a pena — disse Bai Ling, rindo, e ao falar em "manchar a reputação", ela piscou os olhos repetidamente.

O velho Lin ficou com o rosto vermelho, deu um tapinha na cabeça de Bai Ling e a repreendeu:

— Fala bobagem!

— Não estou falando bobagem, haha! Aquela senhora Cheng, ainda vai passear no parquinho à noite? — perguntou Bai Ling, rindo alto, com medo de que o velho Lin, irritado, batesse nela de novo, então recuou alguns passos.

Acontece que, ultimamente, o velho Lin sempre saía para passear à tarde e só voltava quando escurecia. Uma vez, Bai Ling precisava falar com ele, mas não tinha tempo de procurá-lo, então foi ela mesma a um pequeno parque perto do bairro.

Para sua surpresa, descobriu um "caso": o velho Lin não estava jogando xadrez com o velho Zhao, mas conversando com uma senhora de mais de cinquenta anos. Pelo que Bai Ling viu, a senhora era bonita, com mais de cinquenta anos, mas ainda com um corpo bonito, especialmente o rosto; quando jovem, devia ser uma grande beleza. E havia algo familiar nela.

Bai Ling achou que seu assunto não era tão importante, então não foi incomodar. Em vez disso, foi perguntar ao velho Zhao quem era aquela senhora que andava conversando com o velho Lin.

— É Cheng Shiyun, do Corpo de Artistas do Exército de Libertação, uma atriz. Tem sessenta e dois anos, o marido morreu há dez anos. Agora que está velha, não quer mais atuar, então se aposentou para aproveitar a vida — disse o velho Zhao, piscando os olhos, contando a Bai Ling a informação que havia conseguido com muito esforço.

— Sessenta e dois? Eu diria que não passa dos cinquenta! — disse Bai Ling, incrédula. O cabelo era preto, quase sem fios brancos; depois pensou que cabelo pode ser tingido, e o rosto pode ser maquiado. Cheng Shiyun era atriz, então naturalmente era bonita. Quanto ao rosto, sabia-se que era maquiado.

— Essa senhora se parece muito com minha cunhada de antigamente. Naquela época, minha cunhada era médica de campanha, onde houvesse feridos, ela aparecia, não ficava atrás de nós, homens. Uma vez, nas mãos do velho Lin, minha cunhada, tão pequena e magra, carregou seu avô nas costas, sozinha, de um monte de mortos, e com uma força de vontade, andou sem parar até o hospital de campanha a três quilômetros de distância — contou o velho Zhao, animado.

— Então meu avô ficou todo emocionado com minha avó, e depois a cortejou, até se casarem? — perguntou Bai Ling, animada. Então o avô tinha uma história de amor tão emocionante!

— Claro... — o velho Zhao falou sem parar.

Lembrando disso, Bai Ling ficou curiosa: por que o avô não ia mais ao parquinho nos últimos dias? Perguntou:

— Vovô, por que o senhor não vai mais passear no parquinho?

O velho Lin estava sentado no sofá, deu um sorriso amargo e disse:

— Não tenho nada com Cheng Shiyun, sou um velho, não tenho essas ideias bobas. Então não fale mais besteira.

Na verdade, Bai Ling achava raro que o velho Lin, depois que a esposa morreu há décadas, não tivesse se casado de novo. Bai Ling ouvia o velho Zhao contar histórias dos mais velhos: um tal de Chen Dashu, que se casou aos quinze anos e teve um filho, participou da revolução, e quando a Guerra de Libertação terminou, tinha trinta anos, na flor da idade. Nunca falou da família, ninguém sabia que era casado e tinha filho. O partido, pensando que os heróis da fundação do país não podiam ficar solteiros, arranjou muitas mulheres, médicas, e até moças bonitas do corpo de artistas para ele se casar. Depois do casamento, a esposa da terra natal veio procurá-lo, xingando-o de sem-vergonha. Durante todos aqueles anos, ela e o filho passaram fome e frio, quase morreram várias vezes. Ele lutou pela revolução, mas depois que ela venceu, nem voltou para casa, foi direto arranjar uma jovem bonita. Chen Dashu ficou envergonhado, foi rebaixado e punido. Uma mulher esperou tanto tempo por ele, o rebaixamento foi leve.

— Vovô, na verdade, o senhor pode encontrar alguém com quem compartilhar a vida. Se trouxer alguém, vou tratá-la como trato o senhor — disse Bai Ling, desejando que o velho Lin tivesse uma companheira, alguém que cuidasse dele com carinho.

O velho Lin recostou-se no sofá, sorriu amargamente, tirou do bolso uma carteira que continha uma foto preto e branco amarelada, plastificada. Ele pegou a foto, acariciou-a com cuidado, os olhos marejados, e disse baixinho:

— "Já vi o mar, difícil é ser água; exceto as nuvens de Wushan, nenhuma outra nuvem." Não há mulher no mundo que possa substituir o lugar dela no meu coração. — A tristeza e a dor no rosto do velho Lin contagiaram Bai Ling. Era assim o coração de um homem forte, que, após perder o grande amor, carregava uma dor e uma saudade indescritíveis, atormentando-o por décadas.

Bai Ling sentou-se ao lado do velho Lin, surpresa:

— Hã? — Bai Ling ficou um pouco confusa. A pessoa na foto tinha olhos grandes, duas tranças caídas sobre o peito, franja reta na altura das sobrancelhas, os cantos da boca levemente levantados mostrando alegria, e o mais encantador eram as duas covinhas profundas no rosto ainda infantil. Era muito bonita. Mas o mais surpreendente, que fez Bai Ling soltar um grito, era que essa pessoa se parecia muito com ela e com sua mãe, Bai Han!

— Curiosa, né? — disse o velho Lin, com um sorriso amargo.

— Vovó Lin, será que era irmã da minha avó? — perguntou Bai Ling, pegando a foto das mãos do velho Lin, quase colando os olhos nela.

— Não sei. Quando vi sua mãe pela primeira vez, também suspeitei disso. Ao longo dos anos, nunca parei de procurar, mas não encontrei nada. Mas isso não importa mais. O importante é que prometi a ela que só teria uma mulher na vida, e isso já basta — disse o velho Lin, com um sorriso melancólico.

— Vovô, então o senhor cuidou de nós porque minha mãe se parecia com a vovó Lin? — perguntou Bai Ling, baixinho.

O velho Lin acariciou a cabeça de Bai Ling e disse, sorrindo:

— No começo, sim. Depois, não. Só porque vocês realmente me tratam como um avô, e eu também quero amá-las de verdade.

— Vovô! Obrigada! — disse Bai Ling, agradecida. De repente, lembrou-se de algo, levantou-se rapidamente e disse: — Vovô, acho que me lembrei. Em casa, parece que temos um álbum de fotos antigo, com fotos da minha avó quando jovem. E parece que tem uma foto com duas pessoas idênticas. Na época, até estranhei como a fotografia daquela época era boa, conseguindo colocar duas pessoas iguais na mesma foto.

— Tem mesmo? — O coração do velho Lin se encheu de esperança novamente.

— Espera, vou buscar a chave lá em cima! — Bai Ling subiu as escadas correndo, pegou a chave, e quando desceu, o velho Lin já estava pronto, e Xiao Zhou já tinha arrumado o carro.

Chegaram ao pátio onde Bai Ling e sua mãe moravam. De um molho de chaves, ela encontrou algumas pequenas, tentou algumas vezes e finalmente abriu a porta.

— Xiao Zhou, tio, ajuda a tirar aquelas três caixas grandes daí, por favor, obrigada! — pediu Bai Ling, educadamente. As três caixas eram grandes, mas cheias de livros, álbuns e alguns objetos antigos.

Xiao Zhou entrou sozinho, trouxe uma caixa de cada vez e as colocou no meio do pátio. Bai Ling abriu as caixas e começou a procurar, item por item. Finalmente, na segunda caixa, encontrou cerca de cinco ou seis álbuns. Um deles, o mais velho, estava no fundo. Bai Ling o abriu e viu fotos de seus avós, mas não as que se pareciam com a avó.

Bai Ling parou de tentar atalhos e começou a folhear um álbum de cada vez. O velho Lin também ajudou, folheando junto.

Xiao Zhou queria ajudar, mas não sabia o que o velho Lin estava procurando, então não conseguia fazer muito. Queria perguntar ao velho líder o que procurava, mas vendo a ansiedade dele, não ousou.

Depois de um tempo, Bai Ling estava tão concentrada em folhear os álbuns que não percebeu a mudança no velho Lin. Só quando terminou um álbum e pegou outro, notou que ele estava diferente.

— Vovô! Vovô! — Bai Ling rapidamente apertou o ponto de pressão entre o nariz e o lábio superior do velho Lin. — Vovô, não se emocione assim. Se soubesse, não teria trazido o senhor. — Que tipo de amor profundo fazia com que alguém falecido há décadas ainda estivesse tão vivo no coração do velho Lin?

Depois da primeira emoção, o velho Lin se acalmou lentamente, acariciando suavemente as fotos no álbum. Ele já podia confirmar que a moça na foto era sua falecida esposa, Emma. Emma era um nome estrangeiro, pois ela era uma chinesa do exterior, tinha aprendido medicina, participado da Revolução Internacional Comunista, e depois da Guerra de Resistência contra o Japão, veio para a China, sempre na retaguarda, lutando contra as doenças com seu bisturi.

Bai Ling viu uma foto de cabelos longos com algumas ondas, e um laço no topo da cabeça.

— Essa é a vovó? Tem certeza de que não é minha avó? — perguntou Bai Ling, cautelosamente.

— É sua avó. A primeira vez que a vi, ela estava com essa roupa. Ela desembarcou do navio em Xangai, e eu e alguns irmãos fomos buscá-la. Quando Emma desceu do grande navio, senti como se uma fada tivesse descido do céu. Por isso, lembro muito bem dessa roupa e desse visual. Primeiro, isso. Segundo, você vê a marca de nascença do tamanho de uma tampa de garrafa na mão esquerda dela? Sua avó não tem. Se ainda assim eu não pudesse confirmar que é sua avó, ela certamente me xingaria lá do céu — disse o velho Lin, que, após a tristeza inicial, ficou muito calmo. Ao contar as histórias entre ele e Emma, sua expressão facial ficou mais suave.

— Vovô, leve este álbum. Ele é mais importante para o senhor! — Bai Ling, por conta própria, deu o álbum ao velho Lin, pois achava que essas coisas deveriam ser dadas a quem mais precisa delas para ter valor. O velho Lin já havia perdido a esposa e o filho, e a única lembrança que tinha era a foto de dois centímetros na carteira.

— Obrigado, Xiao Ling! — disse o velho Lin rapidamente, pegou um lenço, limpou suavemente o pó do álbum e se levantou.

— Vovô, então, pela linhagem familiar, o senhor seria meu tio-avô, né? — Bai Ling contou nos dedos: o marido da irmã da avó deveria ser chamado de tio-avô.

— Não precisa complicar. Continue me chamando de vovô. A família de Emma só tem você e sua mãe. Vocês são minha família. Vou protegê-las para sempre, até o meu último suspiro. É o que devo a Emma — disse o velho Lin, abraçando firmemente o álbum contra o peito, falando devagar.

— Tá bom, vovô. Então me conte como era a vovó. — Bai Ling estava curiosa sobre a mulher na foto e queria ouvir a história entre eles.