Capítulo 831: Capítulo 831 Nem Servil, Nem Arrogante (30)

— "O que mais temos a dizer? Isso fica combinado por enquanto. Amanhã vou arrumar o que tenho em mãos, fazer uma pesquisa de mercado detalhada, ir para o interior encontrar uma boa fórmula, comprá-la e meter a cara nisso," disse Pan Zhexiao animado. "Cara, você confia em mim, então é claro que vou honrar essa confiança."

— "Chega de conversa, vamos beber!" Dou Haoyun era sentimental no fundo; ter um amigo assim na vida já valia a pena. Ele tinha se esquecido completamente de que aquela oportunidade de negócio tinha sido ouvida às escondidas de Bai Ling e Li Zidong.

— "Haoyun, de agora em diante, trata a Ji Minli melhor. Deixa ela lançar um álbum por ano ou fazer alguns filmes. Afinal, ela deu uma força para a sua empresa," lembrou Pan Zhexiao, pensando no pedido que Ji Minli tinha feito hoje e aproveitou para falar com Dou Haoyun. Se ele aceitaria ou não, era problema dele; Pan Zhexiao já tinha feito a sua parte.

— "O que foi? O irmão vai voltar atrás?" Dou Haoyun parou de beber, curioso.

— "Não, isso não é do meu estilo. Dessa vez, foi a Ji Minli quem conseguiu a informação para mim, então não posso deixar o trabalho dela passar em branco!" explicou Pan Zhexiao, com medo de que o amigo entendesse errado — isso seria um desastre. Ele estava de olho em uma moça recatada e estava indo bem.

— "Tudo bem, amanhã volto e dou um jeito. Realmente não podemos deixar o trabalho dela sem recompensa. Afinal, celebridades é o que não falta; apoiar uma ou outra dá no mesmo para mim," disse Dou Haoyun indiferente. "Na verdade, a Ji Minli tem talento: canta e dança bem. Que tal montarmos um grupo偶像 tipo aquelas少女组合? Quem sabe dá certo!"

— "Na minha opinião, homem e mulher juntos rendem mais. Se fizéssemos um grupo misto, não seria ótimo? Podíamos arranjar dois cantores homens que toquem instrumentos, cantem e dancem. Talvez pegássemos todo mundo de surpresa e saíssemos na frente. Com a Linghui Media trazendo esse novo estilo, tem talento de sobra. É só encontrar uns bons, estudar o estilo deles e criar algo sob medida para o grupo — difícil não estourar," sugeriu Pan Zhexiao, discordando da ideia de Dou Haoyun de copiar cegamente os grupos da Linghui Media.

A situação de Dou Haoyun era como aquele ditado: "Não se vê a verdadeira face de Lushan, só porque se está dentro dela." Ele estava preso num pensamento fixo, sempre tentando imitar os outros, ou até copiar. Sabia que imitar não era vergonhoso, mas imitar com originalidade era o que fazia a diferença.

Ouvindo Pan Zhexiao, Dou Haoyun teve uma revelação e ficou radiante: "Irmão, meu bom irmão, se não fosse você me abrir os olhos, eu não teria saído dessa. A Ji Minli veio da Linghui Media, então entende bem do novo estilo e da dança moderna, e tem uma boa voz. É a pessoa ideal. Ter esse recurso e não usá-lo é um desperdício."

— "Fico feliz em poder ajudar!" Pan Zhexiao sabia um pouco da situação atual da Huanyu Media e, de vez em quando, dava conselhos a Dou Haoyun.

— "Nós dois não vamos ficar nessa de agradecer um ao outro, isso é coisa de estranho. Lá comigo tem uma modelo novinha de dezesseis anos, interessado?" Dou Haoyun piscou, o significado era óbvio.

Pan Zhexiao balançou a cabeça e disse: "Haoyun, dessa vez acho que vou me firmar. A vida é só umas décadas; ficar pulando de mulher em mulher, o que se consegue? Agora quero focar mais em expandir os negócios da família Pan e aumentar nosso prestígio. Você sabe, meu pai é bom em manter o que já temos, mas não em inovar. Meu avô está velho, e eu sou o único herdeiro da família Pan. Se não me esforçar, vou ficar para trás e talvez até perder espaço em Hong Kong."

Dou Haoyun, que ia zoar Pan Zhexiao, ficou surpreso com as palavras dele e perguntou baixinho: "Irmão, o que você disse é muito verdade. Nos últimos quase trinta anos, fizemos muita besteira. Agora é hora de sossegar e fazer algo de verdade. Aos trinta, a gente devia estar estabelecido, mas além de viver do que já temos, não temos nada de que nos orgulhar."

— "Pois é, foi pensando nisso que me acalmei esses dias. Nos primeiros trinta anos, não tenho nenhuma lembrança que valha a pena guardar, especialmente com mulheres. Como nunca levei nada a sério, nem consigo lembrar de um rosto feminino completo," disse Pan Zhexiao com emoção, suspirando.

— "Suas palavras me envergonham, irmão. O que a gente vivia antes era uma verdadeira bagunça," suspirou Dou Haoyun. Parecia que em dois dias sem se ver, aquele amigo tinha amadurecido muito. Pensando que estava quase nos trinta, ainda sozinho, com mulheres por perto só de fachada — tudo troca de dinheiro e prazer, nenhuma relação de verdade.

Mas, na memória, parecia que houve uma mulher que fez Dou Haoyun se apaixonar aos vinte anos. Só que ela escolheu o dinheiro e foi para os braços do irmão mais velho dele. Na época, Dou Haoyun não tinha poder na família, nem dinheiro, nem conseguia dar joias de valor, e foi abandonado por causa disso. Isso o marcou profundamente, alimentando sua ambição pela herança e criando uma aversão doentia por mulheres.

— "Irmão, é bom que você tenha entendido isso. Arranje uma boa mulher, tenha filhos, construa uma família — isso é que é coisa de homem. Se continuarmos nessa de só se divertir e viver o momento, quando ficarmos velhos, vai ser tarde para se arrepender," disse Pan Zhexiao com seriedade. Depois de entender isso, ele encontrou um novo propósito.

— "É, certo. Um dia desses, traga essa sua namorada poderosa, que fez meu irmão virar um novo homem!" Dou Haoyun, aliviado depois de clarear as ideias, começou a brincar com Pan Zhexiao.

Pan Zhexiao deu um sorriso tímido: "Ainda não consegui conquistá-la. A família dela é de letrados, os pais são professores na Universidade de Hong Kong, e ela também dá aula lá. É bonita, de traços delicados, e tem um olhar muito límpido e sincero."

O jeito de Pan Zhexiao quase fez Dou Haoyun cair de costas. O conquistador tinha realmente se regenerado, e isso deixou Dou Haoyun ainda mais curioso sobre essa professora universitária, futura cunhada.

— "Irmão Dou, não vou perder tempo. Preciso voltar para fazer o planejamento. Você também descanse cedo, a saúde é importante!" Os dois tinham desgastado o corpo ao longo dos anos.

Dou Haoyun parou por um instante, deu um sorriso amargo. É verdade, não dava mais para viver assim. Precisava encontrar uma moça direita e levar uma vida normal.

Pan Zhexiao se dedicou ao planejamento e mandou alguém procurar uma fórmula para bebidas de chá. Por sorte, ele acabou encontrando algo parecido com o Wanglaoji, além de um chá preto gelado. Quanto ao chá de jasmim e chá verde, Pan Zhexiao resolveu não mexer, com medo de chamar a atenção de Bai Ling. Naquele momento, nem Li Zidong nem Bai Ling eram pessoas com quem ele pudesse se meter.

Do lado de Li Zidong, as coisas também andavam rápido. Bai Ling passou um mês aperfeiçoando a fórmula e decidiu lançar primeiro três tipos de bebidas de chá. Li Zidong trouxe especialistas para estudar a conservação das bebidas, e o problema foi resolvido. A fábrica, projetada por profissionais, começou a ser construída rapidamente, e os equipamentos sob medida chegariam em alguns meses.

Mas tudo isso não tinha muito a ver com Bai Ling, já que ela entrou com a fórmula como parte do negócio e não queria se envolver em mais nada — senão, ia acabar morta de cansaço. Bai Ling passava mais tempo no laboratório e na escola, além de desenvolver novos produtos de cosméticos.

— "Bai Ling, minha mãe fez esses bolinhos de arroz glutinoso e pediu para eu trazer para você experimentar," disse Baili Chen, tirando uma lancheira térmica da mochila. Lá dentro estavam os famosos bolinhos da senhora Baili.

Na primeira vez que a senhora Baili foi à casa dos Xi para pedir que Bai Han a tratasse, ela levou esses bolinhos. A senhora Baili era uma mulher muito culta, natural de Suzhou, cuja família tinha se mudado para o Canadá nos anos 30 e se estabelecido por lá. A maioria da família trabalhava com pesquisa científica, e apenas uma pequena parte cuidava dos negócios. Mas não se enganem: os negócios da família Baili eram enormes, e a parte científica abrangia vários setores — comunicação, computadores de alta tecnologia, até indústria bélica. Eles não eram funcionários comuns; qualquer um deles merecia o título de "especialista" atrás da profissão.

Só para dar um exemplo, Baili Chen era praticamente um botânico.

Quando Bai Ling descobriu o histórico da família de Baili Chen, ficou sem palavras por um bom tempo. Eram todos gênios, uma família de QI altíssimo — só podia ser uma família de superdotados.

Até a senhora Baili era uma mestra em estudos chineses. Conseguir esse título no exterior não era coisa de quem só sabia recitar alguns poemas da dinastia Tang ou escrever uns caracteres bonitos; ela tinha conhecimento de verdade.

A senhora Baili estava perto dos setenta anos, um pouco mais nova que a senhora Xi, e não gozava de muita saúde. Dessa vez, tinha vindo acompanhada de uma menina adotada, Lan Xin, que depois de se formar na faculdade não tinha especialidade e cuidava da senhora Baili. Ela se deu muito bem com Bai Han e com a senhora Xi. A senhora Xi, por parte de mãe, vinha de uma família de letrados de Hong Kong e, sem ser especialista, tinha algum conhecimento de poesia. Já Bai Han, com sua habilidade médica e personalidade gentil, se entendia muito bem com a senhora Baili.

— "Bolinhos de arroz glutinoso! Isso é coisa boa. Aqui não tem a sua parte, é tudo meu," disse Bai Ling, pegando um pedaço da lancheira e colocando na boca. A textura pegajosa e macia, com um aroma suave, encheu sua boca. Bai Ling fechou os olhos, saboreando, e de repente exclamou: "Ah!"

— "Só agora percebeu? Seu paladar é bem lento," brincou Baili Chen, que em casa tinha feito a mesma cara ao provar os bolinhos que a mãe tinha feito dessa vez.

Bai Ling ignorou a provocação e perguntou surpresa: "Tem aroma de crisântemo! Por isso está ainda mais gostoso que antes!"

— "É, minha mãe usou a água do chá de crisântemo que você me deu da outra vez para sovar a massa. Dessa vez, até ela se surpreendeu, dizendo que foram os melhores bolinhos que já fez na vida!" Baili Chen adorava esse doce desde pequeno, e ficava orgulhoso quando a mãe conseguia melhorá-lo, como uma criança exibindo o talento da mãe.

Bai Ling comeu quatro pedaços, metade dos bolinhos. Se não fosse pelo medo de fazer mal à digestão, ela teria devorado tudo.

— "Melhor não olhar mais, senão você vai acabar comendo tudo," disse Baili Chen, vendo Bai Ling lamber os lábios e olhar para a lancheira.

Bai Ling largou os bolinhos com relutância, lavou a boca, e foram juntos para o laboratório. No caminho, ela disse: "Professor Baili, amanhã trago mais crisântemos defumados. Se a vovó Baili tiver tempo, pode fazer mais."

A senhora Baili tinha quase a mesma idade da senhora Xi, e o irmão mais velho de Baili Chen era seis anos mais velho que Xi Side. Além disso, Baili Chen era professor de Bai Ling, então chamá-la de "vovó Baili" era natural.

— "Tudo bem, minha mãe gosta muito de você, com certeza vai fazer," respondeu Baili Chen. Desde que Bai Han tratou a senhora Baili, a saúde dela tinha melhorado muito. As pernas, que antes não aguentavam o peso, agora já permitiam que ela andasse alguns passos em casa todos os dias.

Embora a senhora Baili fizesse os bolinhos sentada na cadeira de rodas, Baili Chen ficava feliz em ver aquilo. Com a saúde se recuperando, ela não parava quieta. Antes, quando estava bem, não só fazia bolinhos, mas também cozinhava pratos deliciosos — especialmente peixe ao molho vermelho, carne de porco ao molho vermelho e sopa de cabeça de peixe, tudo no estilo típico do sul, uma delícia.

Antes, Baili Chen via a mãe presa à cadeira de rodas, dependendo de analgésicos, com o sistema imunológico em frangalhos e perto de ficar paralítica, e sofria muito. Agora, vendo-a com a pele corada e livre da dor, ele sentia uma gratidão imensa por Bai Ling. Ele jamais deixaria o laboratório dela, a menos que ela não precisasse mais dele.

Ao entrar no laboratório, os dois pesquisadores pararam de conversar e se concentraram totalmente no trabalho. O conhecimento e a técnica de Bai Ling, embora ainda não alcançassem os de Baili Chen, não perdiam em nada em dedicação.

O relógio na parede tic-tacava, marcando a passagem do tempo. Quando olharam para fora, já estava escuro. Depois de encerrar o trabalho da tarde, Baili Chen e Bai Ling saíram juntos do laboratório.

— "Professor Baili, posso ir visitar a vovó Baili?" Comer os bolinhos feitos com tanto carinho, o melhor era agradecer pessoalmente. Além disso, era uma forma de conquistar a simpatia dela. Embora Bai Han já estivesse tratando a senhora Baili, não era por causa de Bai Ling, então ela queria cuidar dos detalhes.

— "Claro, minha mãe vive falando de você em casa. Ela teve quatro filhos, nenhuma filha, e sempre lamentou isso. Depois, colocou as esperanças na próxima geração. Meus três irmãos mais velhos só tiveram meninos, nove netos no total. Minha mãe vive na expectativa de que eu me case e lhe dê uma neta."