Capítulo 799: Capítulo 799 Ansiedade (28)

.】“Pai Xi, também pensei nisso. Não quero beneficiar aqueles caras de qualquer jeito. Em vez de procurar uma loja às pressas, é melhor vender toda a mercadoria primeiro e depois fazer a reforma completa. Assim, nossos novos produtos ganham divulgação e ainda temos um bom ponto de venda. Pelo menos muitos clientes que ganharam nossos novos produtos sabem onde é o lugar. É uma ideia muito boa, que nos permite aproveitar ao máximo os benefícios que deixamos antes”, concordou Bai Ling, claramente achando o método do Pai Xi bom. Além de dar certo, ainda dá uma pequena revanche na empresa Meilin Kai, frustrando seus planos.

“E se continuarmos vendendo essas coisas depois que os direitos de representação forem retirados, eles vão nos processar?”, perguntou Bai Ling, um pouco preocupada.

“Que processem. Primeiro, por costume, eles deveriam nos avisar com um ano de antecedência, mas agora falta menos de seis meses. Além disso, temos tanta mercadoria que, se não vendermos tudo, vamos perder muito dinheiro. Vamos pegar os livros de contas desde o início até agora. Quando todos virem, saberão que a Meilin Kai está se aproveitando da situação”, disse Xi Side com confiança. “De qualquer forma, mesmo que nos processem, não vão ganhar. Neste pedaço de terra que é Hong Kong, seu Pai Xi ainda tem seus meios. O importante é que já temos precedentes aqui, então a chance de sucesso é de cem por cento. Não se preocupe.”

“Pai Xi, muito bem! Vamos fazer assim”, elogiou Bai Ling. “Não é à toa que dizem que ter um idoso em casa é como ter um tesouro. É verdade! Pai Xi, você é demais!”

“Sou tão velho assim?”, perguntou Xi Side, curioso. “Sua pestinha!” Apertou o nariz de Bai Ling, olhando para ela com carinho. Agora, Xi Side realmente tratava Bai Ling como filha, especialmente depois do nascimento de Xiaogen. Ao se tornar pai de verdade, ele entendeu o que era a responsabilidade paterna.

“Obrigada, Pai Xi!”, disse Bai Ling, sorrindo. “Então vou deixar isso com você. Preciso voltar ao laboratório. Até amanhã.”

“Espera, espera um pouco. Ouvi da sua mãe que você está namorando o Joel?”, perguntou Xi Side, curioso, mas com uma expressão de quem tinha perdido um tesouro de casa.

“Pode-se dizer isso! Pai Xi não vai se opor, vai?”, perguntou Bai Ling, cautelosa.

Ao ouvir a confirmação de Bai Ling, Xi Side sentiu um aperto no coração. O instinto paterno não o deixava feliz. Afinal, embora não tivesse criado Bai Ling desde pequena, já fazia alguns anos desde que ela tinha dez anos. Ele tinha dedicado afeto e cuidado genuínos, e agora, de repente, aparecia alguém que poderia passar o resto da vida com ela. Xi Side se sentia um pouco desconfortável.

“Mas, assim como sua mãe, acho que você ainda é nova. Então não pode fazer coisas erradas. Seu Pai Xi é homem, então conheço os truques masculinos. Não pode deixar ninguém tirar vantagem de você”, aconselhou Xi Side, sinceramente. “Você é nossa pequena joia. Pai Xi sempre vai querer que você seja feliz.”

Vendo a sinceridade e seriedade do Pai Xi, Bai Ling ficou muito feliz e emocionada. Abraçou Xi Side, sorrindo, e disse: “Pai Xi, você é o único pai que terei nesta vida.”

“Tudo bem, já entendeu. Proteja-se”, disse Xi Side, abraçando Bai Ling. “Se for outra coisa, Pai Xi ainda pode ajudar. Mas em questões de sentimento, só depende de você. Se o Joel te maltratar, seu Pai Xi vai resolver. Mesmo que sejam um dos maiores conglomerados do mundo, não tenho medo deles.”

“Hum, Pai Xi é o melhor pai do mundo. Minha mãe acertou ao se casar com você. Mas agora preciso mesmo voltar ao laboratório. Quanto ao assunto da Meilin Kai, fica por sua conta, Pai Xi”, disse Bai Ling, saindo rapidamente. Se não fosse, perderia o horário de coleta de dados.

Olhando pela janela o carro que levava Bai Ling sumir na poeira, Xi Side sentiu um leve aperto no coração. Lembrava da primeira vez que viu Bai Ling, ao lado de Bai Han, grudada. Na superfície, parecia que Bai Han protegia Bai Ling, mas em alguns momentos, Bai Ling olhava ao redor com vigilância, como uma pequena pantera protegendo Bai Han.

Uma garota tão inteligente que Xi Side chegou a pensar que ela não era uma criança, mas sim uma adulta da sua idade.

Xi Side não estava totalmente certo; na verdade, Bai Ling era uma adulta mais velha que ele.

Quando Bai Ling chegou ao laboratório, viu um vaso com um buquê de rosas frescas e vibrantes. Embora não fosse fã de flores, o significado por trás delas fez seu rosto corar levemente.

“Você voltou?”, disse Joel, saindo da cozinha com um avental e uma colher na mão.

“Hum, as flores estão lindas! Obrigada!”, disse Bai Ling, um pouco nervosa. Nervosa por quê? Já tinha namorado vários antes, e ainda ficava tão envergonhada. Isso não era o estilo de Bai Ling renascida. Mesmo que não fosse rainha, não podia perder a iniciativa.

“Se você gosta, posso te dar todos os dias!”, disse Joel, sorrindo, feliz com o elogio de Bai Ling.

“Não precisa ser todos os dias. Uma vez por semana está bom!”, disse Bai Ling. Embora Joel fosse generoso, ela, acostumada a economizar desde pequena, não queria jogar fora flores que ainda não murchavam.

Joel acenou com a cabeça, entendendo a intenção de Bai Ling e também sua preocupação. Mais uma vez, seu coração se derreteu.

“O que você está fazendo?”, perguntou Bai Ling, curiosa, apontando para a colher na mão de Joel.

“Estou fazendo um lanche para você. Você não vai para o laboratório?”, perguntou Joel, rindo, apontando para o relógio na parede, lembrando Bai Ling.

Bai Ling empalideceu. Quase esqueceu o principal. Que descuido! “Ah, ah”, disse, largando as coisas e correndo para fora do quarto, em direção ao laboratório. Joel, atrás, soltou uma risada alegre, sentindo que cada dia com Bai Ling era feliz. Depois, voltou à cozinha para continuar o lanche seguindo a receita.

Bai Ling respirou fundo algumas vezes e entrou no laboratório. Sua mente, antes um pouco confusa, começou a clarear. Concentrou-se no trabalho, e um a um, os dados surgiam no papel.

Quando Bai Ling voltou, Joel estava no sofá lendo um livro. Vendo que ela tinha trocado de roupa, disse: “Xiao Ling, fiz sopa de cogumelo prateado com sementes de lótus. Não sei se você gosta?”

Bai Ling ficou chocada. Como é que ele fez um lanche chinês? Um Joel que queimava bife até virar carvão, que tipo de lanche gostoso poderia fazer? Será que dava para comer? Bai Ling olhou para seus braços e pernas finos. Além de um pouco de carne no rosto, o resto era seco. Calculou mentalmente se aguentaria uma diarreia.

Vendo que Bai Ling não respondia, mas com a expressão mudando entre verde e vermelho, Joel, sendo inteligente, sabia que ela estava hesitando, duvidando se a sopa era comestível. Foi até Bai Ling, bateu na cabeça dela e disse: “Duvidando da minha habilidade? Não sei só ganhar dinheiro, cozinhar também é meu talento.”

“Ah é?”, disse Bai Ling, desconfiada. Coisas que não tinha visto ou experimentado, ainda tratava com ceticismo. É melhor prevenir do que remediar, e diarreia não é nada agradável.

Joel revirou os olhos. A pestinha ainda não acreditava. Fingindo estar bravo, disse: “Se estiver gostoso, você me deixa te beijar!”

“Hã?”, exclamou Bai Ling, surpresa. Como é que isso se conectava? Antes que pudesse falar, Joel a puxou para a cozinha. Pegou duas tigelas de cerâmica refinadas, serviu duas porções, soprou um pouco e tomou dois goles, mostrando que era comestível.

“Ainda não confia em mim?”, perguntou Joel, franzindo a testa, um pouco decepcionado com a desconfiança de Bai Ling. Quando é que ela iria deixá-lo entrar de verdade em seu coração?

Vendo que Joel já tinha percebido suas dúvidas, Bai Ling ficou um pouco envergonhada. Joel tinha se esforçado para fazer o lanche, e mesmo sem mérito, tinha trabalho. Ela estava sendo tão sem educação que não era de admirar que Joel, orgulhoso, ficasse chateado.

Bai Ling balançou a cabeça, pegou a colher pequena e levou à boca, tomando um gole, já preparada para o pior. Mas, ao engolir, sentiu uma textura pegajosa, doce, com um aroma suave, como o familiar chá de crisântemo. Engoliu o primeiro gole, depois o segundo, o terceiro, até terminar a tigela de sopa. Só então levantou a cabeça, mostrando o polegar e dizendo, sorrindo: “Joel é demais!”

Vendo que Bai Ling gostou e comeu uma tigela com prazer, Joel sorriu de volta. Serviu mais uma tigela e perguntou, ansioso: “Então posso te beijar agora?”

“Tosse, tosse!” Bai Ling engasgou, demorando para expelir o que tinha ido para o lugar errado.

Vendo isso, a expressão brilhante de Joel escureceu. “Você não concorda?”, perguntou, baixinho.

Bai Ling pensou um pouco, organizou as palavras e quis conversar com Joel sobre quando um beijo deveria ter clima. Se ele sempre perguntasse, qualquer clima romântico desapareceria. Lembrou-se daquela noite, quando Joel, sob a luz fraca, parecia um pedaço tentador de carne de Tang Seng, que não só dava imortalidade, mas também era delicioso.

“Na verdade, você não precisa perguntar toda vez”, disse Bai Ling, baixinho. “Quando você pergunta assim, o clima vai embora. Como é que vai beijar?”

“Então você quer dizer que posso te beijar a qualquer momento, quando o clima estiver bom, e você não vai ficar brava?”, perguntou Joel, animado, com os olhos brilhando. Segurou as mãos de Bai Ling, ansioso. Isso seria um grande benefício no futuro!

Bai Ling ficou sem palavras com a pergunta de Joel. Os músculos do rosto se contraíram. Como responder? Que dilema! A inteligência dele era tão alta, por que o QI emocional era tão baixo? Será que não dava para equilibrar os dois? Assim, Bai Ling não precisaria ficar tão sem graça sem saber o que responder.

Enquanto Bai Ling se debatia sobre como responder, Joel se aproximou lentamente. Quando ela percebeu, o rosto dele já estava na frente dela. Antes mesmo de emitir um som, Joel a beijou. Macio, úmido, igual àquele dia. Bai Ling arregalou os olhos, percebendo que talvez Joel tivesse fingido estar dormindo naquela noite para atraí-la. Enquanto estava paralisada, querendo perguntar se ele tinha fingido, Joel a abraçou.

Ele a segurou com jeito. Uma mão na cintura de Bai Ling, imobilizando o corpo; a outra, segurando a nuca dela, imobilizando a cabeça.

“Concentre-se”, murmurou Joel, com a voz um pouco rouca. Fechou os olhos, os longos cílios tremendo levemente. Com o rosto tridimensional e profundo, Joel era o príncipe encantado típico. Com a comida na frente, Bai Ling nunca pensou em não dar uma mordida. O corpo, antes rígido, foi relaxando. Especialmente os punhos que antes pressionavam o peito de Joel, agora se abriram, segurando os braços dele. A língua de Joel, nos lábios carnudos de Bai Ling, beijava com suavidade e delicadeza, traçando o contorno dos lábios dela. De repente, veio um aroma de crisântemo, e Bai Ling percebeu que Joel estava lambendo os restos da sopa que ela tinha tomado. O rosto ficou vermelho, a respiração ofegante, querendo mais ar fresco. No momento em que seus dentes se entreabriram, a língua macia e ágil de Joel entrou na boca dela. Um arrepio entorpecente percorreu todo o corpo. Bai Ling fechou os olhos, aproveitando aquela emoção.

Quanto à língua brincalhona dentro da boca, Bai Ling queria expulsá-la, mas sempre que tentava alcançá-la, ela escapava. Nessa perseguição, a intenção original de Bai Ling se perdeu. Dane-se! Nunca tinha experimentado um beijo tão fascinante. Beijar com o coração, amar com o beijo. Essa era a sensação que Joel passava para Bai Ling. Instintivamente, ela moveu as mãos para cima. Por causa da diferença de altura, mesmo com Joel abaixando a cabeça, Bai Ling ainda precisava ficar na ponta dos pés. Como o arrepio continuava, ela não se mantinha firme, então precisava de um apoio mais estável. Até que seus braços finos se enlaçaram no pescoço de Joel. O tempo parecia ter parado naquele momento. Que aquele instante pudesse ser eterno, deixando um quarto cheio de romance.

“Xiao Ling, adoro te beijar”, a voz de Joel chegou ao ouvido de Bai Ling.

Bai Ling, agora já saindo do arrepio, ainda tinha o rosto levemente corado, um pouco mais fino que um rosto redondo, mas coberto por um rubor sedutor. Seus olhos grandes brilhavam como uma fonte de água. As duas covinhas profundas não guardavam vinho forte, mas sim um vinho tinto fresco e inesquecível.

“Hum”, disse Bai Ling, sorrindo e acenando com a cabeça. “Parece que combinamos bem!”

Joel apertou o nariz de Bai Ling, rindo baixinho. “Não é ‘parece’, é certeza. Então não duvide. Sou a pessoa mais adequada para você.”

Bai Ling deu de ombros. “Nem tanto.” Fez um gesto comparando a altura dela com a de Joel. Parecia que a diferença era grande. Ficar na ponta dos pés cansava.

Joel mexeu o pescoço, que estava abaixado há um tempo, e disse: “Isso não é problema nenhum.”

Quanto à resposta de Joel, Bai Ling não quis comentar muito. No futuro, ela decidiu não ficar na ponta dos pés; que Joel abaixasse a cabeça. Quem se cansava era ele.

“Por que não fala? A língua foi levada pelo gato?”, a voz de Joel soou novamente no ouvido de Bai Ling.

Bai Ling piscou os olhos, pensou em uma boa desculpa: “Estava pensando se ainda tem aquela sopa de cogumelo prateado com sementes de lótus?”

“Ah, pensei que você estava relembrando aquele beijo”, disse Joel, apertando um pouco mais a cintura de Bai Ling, com um sorriso malicioso.