Bailing tinha certeza de que Joel já estava prestes a "levantar a bandeira da revolta", então se esforçou para se soltar do abraço dele, saindo rapidamente, e disse rindo: "E tem mais!" Ela pegou duas tigelas, serviu a sopa e as levou para fora.
Depois de comerem a sopa de sementes de lótus, Joel e Bailing sentaram-se no sofá e ligaram a TV. Joel abraçou Bailing, e a cabeça dela descansou no ombro dele.
Lembrando-se do que o pai Xi havia dito hoje, Bailing queria obter alguma ajuda de Joel e disse sorrindo: "Joel, da última vez você disse que me apresentaria alguns técnicos. Já tem alguma novidade?"
"Suas coisas, eu nunca deixo de lado. Fique tranquila, em meio mês todos chegarão à fábrica em Shenzhen", disse Joel calmamente. Ao ver que Bailing parecia duvidar dele, sentiu-se um pouco irritado por dentro.
"São confiáveis?" Bailing franziu a testa e perguntou.
"Absolutamente confiáveis. Se vazarem informações, serão processados e arruinados. Eles sabem como agir. Você não precisa ficar preocupada o tempo todo. Estou aqui para tudo", disse Joel com firmeza.
Apesar disso, Bailing ainda acreditava firmemente que, embora pudesse buscar ajuda dos outros, nunca deveria criar dependência. As coisas ainda dependiam dela mesma para dar certo. Às vezes, quando a sorte está contra você, é como confiar numa montanha que desaba ou num rio que seca. Mas era melhor não dizer essas coisas a Joel. No fundo do coração gentil de Joel, havia um homem tradicional e um pouco teimoso, com um machismo quase enraizado nos ossos. Por isso, Bailing não tocaria nos limites de Joel e aceitaria a ajuda dele com tranquilidade. Da mesma forma, se Joel precisasse da ajuda de Bailing, ela também faria o possível para ajudar.
"Obrigada. É bom ter você", disse Bailing sorrindo, dando um tapinha na cabeça de Joel, assim como ele costumava beliscar o nariz dela.
"Fico feliz em fazer coisas por você. Mas as aulas vão começar em breve. Se você ficar sozinha no laboratório, não vai dar conta. Não dá para dar duas horas de aula e depois voltar correndo para registrar os dados. Sugiro que você encontre alguém para ajudar", disse Joel, preocupado com o quanto Bailing estava ocupada ultimamente, sem conseguir descansar direito, nem mesmo sair para se divertir com tranquilidade.
Bailing pensou que ele tinha razão. Afinal, essas plantações seriam produzidas em larga escala no futuro, então não havia problema em deixar outros verem. Mas, por segurança, Bailing decidiu chamar Miao Yan e Hu Ying para ajudar a registrar os dados. A lealdade delas era garantida, e como estudavam à noite, não atrapalhava; ainda podiam ler nos intervalos.
"Você tem razão. Vou providenciar alguém", disse Bailing, concordando com a cabeça. "Hoje você mostrou a todos que estamos namorando. Mas ainda tem um problema pendente do seu lado. Como você vai resolver?"
"Você está falando da Meri?" Joel perguntou.
"Tem mais alguém?" Bailing retrucou, pensando: 'Finge de bobo. Se eu descobrir que você tem outros casos, vou te dar um jeito.'
"Eu realmente não tenho nada com ela. Já deixei tudo claro. Se você não confia, posso me mudar para outro lugar, assim nos vemos menos. Saiba que nos próximos dois anos ela vai ficar aqui para tratamento. Não posso expulsá-la, é uma obrigação familiar. Então é melhor eu sair", disse Joel em voz baixa, olhando para Bailing em seus braços. "Que tal eu ficar aqui?"
Bailing se levantou imediatamente e rebateu: "Não, meu lugar é muito pequeno, não é adequado para morar." Como ela se levantou de repente, bateu no queixo de Joel. Embora ele não tenha feito careta, seu rosto bonito se franziu, claramente com dor.
"Seu danado!" Joel gemeu, massageando o queixo. "Dói muito." Ele até reclamou como uma criança.
Bailing se sentiu muito culpada por ter machucado o queixo dele. Estendeu a mãozinha e começou a massagear o queixo de Joel, dizendo: "Desculpa, fico tão apressada que acabo sendo desastrada."
Joel apontou para o queixo, olhando para Bailing de forma ambígua, com um sorriso no canto da boca, o significado claro. Embora ele não dissesse nada, Bailing, irritantemente, conseguia entender o que ele queria dizer só pelo olhar.
Olhou em volta, rapidamente deu um beijo no queixo de Joel, mas ele não era do tipo que deixava uma oportunidade passar. Imediatamente, aproveitou para um beijo mais ardente.
"Você já pode ir para casa!" Bailing apressou, não querendo que Joel ficasse ali. Recusava a ideia de ele morar lá porque tinha medo de fazer algo errado. Um pouco de distância era mais seguro.
"E se eu não for hoje?" Joel pediu, fazendo charme.
"Não!" Bailing recusou sem hesitar. "Vai logo!"
Joel teve que se levantar, pegar as chaves e se preparar para ir embora. Sabia o que Bailing temia. Na verdade, ele também não tinha certeza do que faria se ficasse. Os dois beijos mais profundos já tinham lhe dado muita felicidade e prazer. Então, para ir com calma, era melhor voltar.
Bailing acompanhou Joel até o andar de baixo e ouviu uma discussão. Era Meri, que, ao ver Joel e Bailing juntos, passou de um escândalo a um choro alto. Bailing olhou para Joel, interrogativa. Ele não tinha dito que já tinha resolvido? Por que Meri ainda estava fazendo escândalo? Bailing deu um olhar severo para Joel: 'Vê como você resolve isso. Se não fizer direito, vai ver só.'
Joel deu um sorriso sem graça. A promessa que fizera parecia ter sido levada pelo vento, e o problema apareceu num instante. Olhou de soslaio para ver se Bailing estava brava, especialmente quando viu que ela também o observava. Assustado, disse: "Bailing, que tal deixarmos Meri entrar e conversarmos os três cara a cara de novo?"
Bailing se virou, balançando a cintura, e disse: "Está bem!" Mas o tom era de raiva.
Deixaram Meri entrar. Ela correu apressada e disse: "Vocês dois não combinam nem na aparência nem na família. Eu e Joel somos o par perfeito."
Bailing não esperava que Meri fosse tão direta, mas era uma pessoa franca. Como ela era paciente da mãe de Bailing, Bai Han, Bailing não temia que ela fizesse algo ruim. Abrindo as mãos, disse: "Meri, agora sou a namorada de Joel. Se ele disser que não estamos dando certo e quiser terminar, eu termino na hora, sem ficar insistindo."
Bailing olhou para Joel. Agora era com ele. Quando Joel ouviu Bailing se declarar sua namorada, seu coração amoleceu. Uma sensação indescritível de calor preencheu todo o seu peito. Olhando para Meri, disse com seriedade: "Meri, só te vejo como irmã ou amiga. Agora, estou te dizendo solenemente: sou o namorado de Bailing. Desde que a vi no ano passado, comecei a gostar dela, e agora tenho certeza de que a amo."
Meri olhou para Bailing, depois para Joel, cobriu o rosto e chorou alto. Depois de um tempo, soluçando, disse: "Embora vocês digam isso, respeito a decisão de vocês dois. Não vou mais insistir com Joel, mas sei que vocês não vão ficar juntos. Esperem para ver." Meri virou-se e saiu correndo, chorando. Entrou no carro do lado de fora e, vendo Joel e Bailing de mãos dadas sob a luz da porta, mostrou um sorriso muito sinistro.
"Senhorita Meri, vai deixá-los assim tão fácil?" A empregada ao lado de Meri, Gille, uma órfã adotada pelos pais de Meri e que crescera com ela, conhecia bem a patroa. Vendo Meri fazer um escândalo e depois se acalmar tão rápido, ficou curiosa. "Vai deixar esse casal junto? Isso é muito fácil para eles!"
"Isso é apenas uma estratégia temporária. Minha doença ainda precisa do tratamento da mãe de Bailing, então não podemos brigar com ela agora. Todo mundo sabe que tenho interesse em Joel e quero me casar com ele. Se, quando Joel e Bailing anunciarem que estão juntos, eu não reagir, as pessoas vão desconfiar que estou tramando vingança e vão ficar de olho em mim. Não só a tia Michelle vai pensar assim, mas a mãe de Bailing também. Então, esse escândalo se encaixa no comportamento normal de uma pessoa. Depois de uma briga grande, mostro que superei, e assim elimino as suspeitas deles. Isso se chama recuar para avançar", disse Meri, cheia de si.
Gille concordou com a cabeça e apoiou: "A senhorita é muito esperta. Acho que aquela Bailing é muito nova, vários anos mais nova que o senhor Joel. Pode ser só uma novidade agora. Daqui a um ou dois anos, eles terminam. Aí a doença da senhorita já estará curada, e você pode aproveitar para atacar e conquistar o coração do senhor Joel."
"É isso mesmo, Gille me entende. Era o que eu pensava. Aquela Bailing é nova, magra, de aparência comum, não tem nenhum trunfo. Por que merece o amor de Joel?" Meri sabia que essa era a melhor atitude agora, mas ainda se irritava por Bailing e Joel estarem juntos. Se fosse outra mulher, Meri já teria usado vários métodos contra ela. Mas, por enquanto, tinha que evitar que Bai Han mexesse no tratamento. Afinal, a medicina chinesa não é como a ocidental, fácil de analisar com dados quantificados; é fácil fazer algo escondido. Para garantir um futuro melhor, não havia outra escolha senão essa tática.
"A senhorita tem razão. Aquela Bailing não tem peito, não tem bunda, o corpo é uma droga, nem merece menção. O mais importante agora para a senhorita é tratar bem, para ser a noiva mais linda e saudável no futuro", apoiou Gille.
Esse incidente com Meri, Bailing não levou a sério. Achou que era só a frustração de uma garota ingênua. Já que estava tudo esclarecido, não era grande coisa. No laboratório, com a ajuda de Hu Ying e Miao Yan, Bailing tinha muito mais tempo livre. Mandou reformar o quarto ao lado para Hu Ying morar, o que era muito conveniente.
Antes, por causa do laboratório, Bailing raramente ia para casa, a ponto de Xiao Gen ficar um pouco distante dela. Então, para que o irmão mais novo não a culpasse no futuro, Bailing passou a maior parte do tempo na casa do pai Xi.
"Bailing, você já preparou tudo para o início das aulas?" Bai Han perguntou com seriedade. Depois de amanhã era o primeiro dia de faculdade da filha. Embora Bailing tivesse apenas 16 anos, ao entrar na universidade, Bai Han a tratava como adulta, não podia mais protegê-la como antes, mas sim deixá-la enfrentar mais desafios.
"Roupas, material escolar, já comprei tudo! Já sou adulta, mãe, não precisa se preocupar com essas coisinhas", disse Bailing de novo, quase assustada com a neurose da mãe, pensando em recomendar que ela fosse a um psicólogo.
"Que bom que não esqueceu. Daqui para frente, o caminho é seu. Eu vou dar conselhos, mas não vou interferir. Espero que você tenha mais autonomia. Mas, Bailing, lembre-se: não importa quando, sua mãe será seu apoio firme. Então não tenha medo dos obstáculos à frente. Sua mãe estará sempre atrás de você, te apoiando", disse Bai Han, levantando-se ao lado de Bailing e falando com seriedade, enquanto arrumava o cabelo levemente desgrenhado da filha.
Bailing se levantou e abraçou a mãe, dizendo: "Mãe, lembra quando você prestou o vestibular? Você e a tia Qin enfrentaram tanta pressão, e além de não terem apoio, ainda tinham dois fardos. Mas vocês nunca desistiram, e nós vivíamos felizes todos os dias. Se conseguimos brilhar naquela época, agora, com você, o pai Xi e muitos amigos bons, sua filha já é muito sortuda e abençoada. Não sei como será o caminho daqui para frente, mas sei que vou criar um novo mundo. Então, fique tranquila e me deixe cuidar da minha própria vida."
"Sabia que minha Bailing é especial", disse Bai Han sorrindo. "Não vou falar mais nada. Amanhã você vai ao aeroporto buscar a Chunxing. Vá dormir cedo!"
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No dia seguinte, bem cedo, Bailing foi à casa de Li Ziqing, e as duas foram juntas ao aeroporto buscar Yang Chunxing. Assim que saiu, Yang Chunxing deu um grande abraço em Bailing e Li Ziqing. Embora tivessem se separado por apenas um mês, parecia que não se viam há anos.
"Chunxing, tenho um quarto no laboratório, perto da faculdade. Você prefere ficar na Linghui Media ou na minha casa?" Bailing queria morar com Yang Chunxing, mas primeiro perguntou a opinião dela. Se Yang Chunxing tivesse outra ideia, Bailing apoiaria.
"Sobre isso, já decidi. Vou ficar no dormitório da faculdade. Nos feriados, fico na Linghui Media", disse Yang Chunxing depois de pensar um pouco, com um sorriso radiante no rosto.
"Não vai ser muito cansativo? Por que não fica direto no laboratório, e vamos e voltamos juntos todos os dias?" Bailing sugeriu, não só porque se sentia sozinha no laboratório, mas principalmente para se afastar um pouco de Joel. Ele vinha sempre, e não parava até beijá-la. Teve vezes que ele foi correndo ao banheiro lavar o rosto com água fria.
Yang Chunxing balançou a cabeça e explicou o que vinha pensando: "Bailing, Ziqing, sei que vocês têm boas intenções. Mas pensem bem: a faculdade tem dormitórios, e muitos colegas moram lá. Assim, posso ficar por dentro das novidades, fofocas e boatos da faculdade. Se nós três morarmos fora, teremos menos contato com as pessoas da faculdade, o que não é bom para nossa futura empresa. Vocês sabem que vamos fazer muitos negócios e precisamos de muitos talentos. Em vez de contratar pessoas de fora, que só conhecemos pelo currículo, é melhor observarmos discretamente, prestar atenção em pessoas de bom caráter e, com o tempo, recrutá-las. Não é uma boa ideia?"