Capítulo 665: Capítulo 665: Um Novo Começo (14)

Shi Jinghai pegou a marmita que Wu Meifen lhe entregou, com os olhos cheios de sorriso, pegou a colher e comeu. Depois de terminar, arrumou os pauzinhos e a colher direitinho na marmita, guardou tudo e pegou o lenço limpo de Wu Meifen para limpar os cantos da boca. O vento soprou, desmanchando o coque de Wu Meifen. Shi Jinghai segurou suavemente os fios de cabelo que voavam ao vento, recolhendo-os um a um nas mãos, até juntar todo o cabelo e amarrá-lo com um elástico bonito. Wu Meifen, cuidada com carinho pelo homem que amava, ficou com o rosto vermelho, os olhos marejados, os lábios cheios de primavera, a felicidade de uma mulherzinha estampada no rosto.

Bai Han, pálida, olhava para o casal cheio de ternura, lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto, soluçando contida. Bai Ling sabia que era hora de ir embora, já tinha visto tudo o que precisava. Quanto àquele homem, não importava o motivo, não havia mais como recuperá-lo.

"Mamãe, o papai não nos quer mais, vamos voltar", disse Bai Ling, achando necessário dar uma "injeção" na mãe Bai Han, para que tomasse uma decisão cedo e se recuperasse logo.

Bai Han sentiu a filha balançar seu braço, limpou as lágrimas às pressas, abraçou Bai Ling e se virou para sair, sem dizer uma palavra, ignorando Yang Li que vinha atrás perguntando: "Você vai embora assim, de boa?"

Bai Han foi bloqueada por Yang Li, parou, ergueu os olhos para ela e disse calmamente: "O que há de não estar de boa? Se não dá certo, a gente se separa, não tem nada demais. Yang Li, você também não é mais nova, se não consegue largar, quem sai perdendo é você mesma!" Depois disso, contornou Yang Li e saiu rapidamente do portão da escola. Yang Li ficou parada, olhando confusa para a figura distante de Bai Han, sem entender: eles não se amavam tanto? Por que podiam desistir um do outro assim? Yang Li estava muito confusa, não conseguia entender a atitude de Bai Han.

Bai Ling quase quis aplaudir a mãe Bai Han, não só por conseguir pensar assim, mas também por aconselhar Yang Li com bondade. Mas, considerando toda a educação que Bai Han recebera, ter esse pensamento e decisão não era surpresa. Criada na Alemanha desde pequena, sua educação inicial foi a cultura ocidental aberta; mas, influenciada pela cultura chinesa dos avós, buscava um amor exclusivo. Se os dois não podiam ficar juntos, separar-se era o melhor resultado. Além disso, Bai Han já era adulta e madura, tinha uma filha querida, agora podia ganhar o próprio dinheiro, tinha um futuro garantido, e não era mais como quando era jovem e desamparada, tratando Shi Jinghai como sua única opção.

Bai Han voltou ao albergue, arrumou as coisas e foi direto para a estação de trem comprar a passagem mais cedo para a vila de Yangshu. O trem só saía às seis e dez da noite, então Bai Han levou a filha para comer algo numa lanchonete ao lado. Embora estivesse triste por dentro, não demonstrou muito, pois sabia que, se também desabasse, a filha Xiaoling seria muito infeliz.

Durante toda a viagem, o trem balançava na noite escura, e Bai Han segurou Bai Ling o tempo todo, como se ela fosse desaparecer. Chegaram em casa cambaleando, e Bai Han adoeceu, com febre alta, delirando. Qin Ruhua ficou desesperada, parou de trabalhar e ficou para cuidar de Bai Han. Vendo que Bai Han não dizia nada, sabia que algo ruim tinha acontecido.

"Xiaoling, sua mãe viu seu pai? Por que voltou e já ficou doente?" Qin Ruhua perguntou, ansiosa como fogo. "Xiaoling, pensa direito!"

Bai Ling virou a cabeça, fingiu pensar e disse: "Xiaoling e a mamãe viram a tia Yang."

"É aquela Yang Li que vive grudada no seu pai?" Qin Ruhua franziu as sobrancelhas e disse em voz alta: "Já sabia que Yang Li não presta, vive na sua casa comendo e bebendo, e ainda trata sua mãe com sarcasmo!"

"A tia Yang nos levou para ver o papai, mas ele já tinha casado com outra mulher, e ela estava grávida!" Bai Ling fez um gesto na barriga para dar mais ênfase.

Ouvindo a explicação de Bai Han, Qin Ruhua ficou boquiaberta. Esse Shi Jinghai era mesmo capaz, já tinha abandonado a esposa de tantos anos tão rápido.

"Ai! Sua mãe sofreu! Xiaoling, seja obediente. Fique em casa com o irmão Wubin, eu vou levar sua mãe ao hospital, ver um médico. Não dá para ficar assim!" Qin Ruhua consolou Bai Ling.

Bai Ling olhou para o céu escuro lá fora e perguntou: "Tia Qin, está tão tarde, escuro lá fora, não dá para andar de bicicleta, e você não consegue carregar a mamãe. Por que não vai chamar o médico para vir aqui?"

Qin Ruhua pensou, Xiaoling tinha razão, acenou com a cabeça, pegou a lanterna e foi chamar o médico.

Enquanto Qin Ruhua foi buscar o médico, Bai Ling rapidamente mordeu o dedo, uma gota de sangue cresceu de pequena a grande. Vendo a mãe Bai Han com os lábios secos pela febre, e lembrando do sofrimento da mãe na viagem, as lágrimas escorreram, e num instante entrou no espaço misterioso.

Bai Ling não entendia de medicina, mas sabia que a água do espaço fazia bem ao corpo. Além disso, tinha crisântemos. Encheu de água e crisântemos, saiu do espaço às pressas e, com uma colher pequena, colocou a água do espaço na boca da mãe Bai Han. Depois de cerca de dez colheres de água do espaço, Bai Han finalmente acordou.

"Mamãe, você acordou! A tia Qin foi chamar o médico, já chega!" Bai Ling olhou feliz para a mãe Bai Han, finalmente acordada. "Mamãe, bebe mais um pouco." Bai Han nunca tinha sentido que beber água podia ser tão gostoso, fresco até o fundo do coração, e sem perceber, seguiu as palavras de Bai Ling e bebeu mais alguns goles.

Pouco depois, Qin Ruhua voltou com uma mulher de mais de quarenta anos, uma médica local da região. Ela mediu a temperatura de Bai Han, 39 graus, receitou remédio para febre, disse para descansar bem e foi embora.

Depois de beber a água do espaço e o remédio para febre, no dia seguinte Bai Han já estava boa. Naquele dia, para cuidar de Bai Han, Qin Ruhua nem trabalhou, ficou em casa cozinhando.

"Irmã Qin, daqui a dois dias é a inscrição para o vestibular. Vou me inscrever na universidade da cidade B!" Bai Han disse calmamente depois de comer. Originalmente, ia se inscrever na universidade da cidade S porque Shi Jinghai estava lá, mas agora, com Shi Jinghai fora de questão, tudo já passou, e a vida precisava continuar.

Qin Ruhua ficou surpresa, mas entendeu o pensamento de Bai Han, e disse sorrindo: "Bai Han, eu também estou aproveitando sua sorte para tentar o vestibular. Para mim, tanto faz onde. Vamos nos inscrever juntas, assim teremos companhia."

Bai Han, vendo que Qin Ruhua a apoiava, ficou muito grata: "Irmã Qin, eu tenho um pátio na cidade B, com mais de dez cômodos, dá para a gente morar. Chegando lá, pelo menos teremos um lugar para ficar."

Qin Ruhua ouviu pela primeira vez que Bai Han tinha um pátio na cidade B, e ficou ainda mais feliz. Mesmo se fosse para a cidade S, Shi Jinghai não tinha casa, comparando os dois, era melhor ir para a cidade B.

Na hora da inscrição, as duas se inscreveram juntas na Universidade de Pequim, mas Bai Han escolheu Medicina, e Qin Ruhua, Economia. Isso já dava para ver a diferença de personalidade entre as duas desde quando faziam negócios: Bai Han era estável e meticulosa; Qin Ruhua, experiente e com boa capacidade de comunicação.

Para se preparar para o vestibular, no mês antes da prova, pararam de fazer negócios e estudaram direitinho, até decorar os livros didáticos. Na hora da prova, Bai Ling continuou sendo a seguidora de Wubin e Yang Chunxing, passando o tempo na escola primária de Li.

Depois da prova, Bai Han e Qin Ruhua conferiram as respostas, trocaram um sorriso, sabendo que a universidade não era problema, acertaram quase tudo. Depois da prova, para ganhar mais dinheiro, já que na cidade B não sabiam como seria, ter mais dinheiro dava mais segurança. Todo dia de manhã cedo, iam para a cidade vender bolo de crisântemo. O dinheiro que ganhavam, além de comprar matéria-prima, não gastavam com mais nada, porque não dava para levar. Na cidade B, teriam muitos gastos.

O bolo de crisântemo que Bai Han e Qin Ruhua vendiam, depois de quase um ano, ficou famoso. Toda vez que chegavam no lugar de sempre, eram cercadas por pessoas. Algumas vezes, eram cercadas por donos de lojas que queriam comprar todo o estoque pelo dobro do preço. Com o calor aumentando, vender na rua não era nada confortável. Qin Ruhua e Bai Han decidiram vender para as lojas, com a única condição de receber na hora. Caso contrário, sendo duas mulheres, se os lojistas não pagassem, não conheciam ninguém na cidade, nem teriam a quem recorrer.

Desde que começaram a vender o bolo de crisântemo para as confeitarias, Bai Han e Qin Ruhua ganhavam o dobro do que antes. Claro, muitas pessoas ficaram com inveja do dinheiro que ganhavam. Alguns compravam escondido para tentar imitar, mas ninguém conseguia fazer um tão gostoso.

Aproveitando a fama do bolo de crisântemo, pelas ruas da cidade começaram a vender bolos parecidos, mas o sabor nunca chegava perto do original. As pessoas da vila de Yangshu também ficaram curiosas sobre o negócio das duas, mas como não viam Bai Han e Qin Ruhua gastando dinheiro em coisas, achavam que não ganhavam muito. Se soubessem que Qin Ruhua e Bai Han ganhavam de 150 a 200 yuans por mês, será que ainda ficariam tão calmas?

Yang Hu, da feira da vila de Li, aquele que uma vez enganou Yang Chunxing vendendo ovos a três centavos cada, um homem mesquinho, já estava observando Bai Han e Qin Ruhua fazendo negócios há muito tempo.

O bolo de crisântemo era cheiroso, mas as duas mulheres, Bai Han e Qin Ruhua, eram cheias de charme, muito mais bonitas que a megera em casa. Será que um beijo seria gostoso? Yang Hu imaginava coisas obscenas sobre Bai Han e Qin Ruhua.

Mas, com tanta gente na rua, Yang Hu só podia olhar de longe, babando. Vendo que os bolos de crisântemo das duas eram tão populares, ele rondava por perto, tentando aprender o segredo. Mas só via as duas comprando farinha e crisântemos na cidade, nada mais, sem saber como faziam.

Embora não tivesse descoberto o segredo, pelo menos ver as belas mulheres já valia a pena.

"Irmã Qin, olha ali no noroeste, tem um homem de uns vinte e poucos anos que fica rondando a gente. O olhar dele é meio assustador", sussurrou Bai Han no ouvido de Qin Ruhua, um pouco envergonhada, pois era tímida.

Qin Ruhua seguiu o olhar de Bai Han e viu quem era: Yang Hu, que se casou na vila de Li. Originalmente, na vila de Yangshu, ele já não era de confiança. Lembrava que, quando o pai de Wubin morreu, um ou dois anos depois, Yang Hu ainda não era casado e vivia rondando a casa dela, causando fofocas. Qin Ruhua não tinha outra intenção, só queria criar Wubin, então evitava Yang Hu. Mas Yang Hu era um jovem cheio de energia, não ouvia conselhos, teimoso, e vivia rondando o caminho que Qin Ruhua fazia para casa. Com o tempo, ele encontrou uma oportunidade. Um dia, Wubin sumiu, e Qin Ruhua procurou por ele a noite toda, sem encontrar. Na verdade, Yang Hu tinha escondido Wubin, e só o soltaria se Qin Ruhua cedesse a ele.

Qin Ruhua não ia engolir essa. Fingiu ceder, virou-se por trás de Yang Hu, tirou uma tesoura do peito e apontou para a artéria dele, gritando: "Onde está Wubin? Se não disser, morremos juntos! Morrer resolve tudo!"

Qin Ruhua chorava quase enlouquecida, e Yang Hu, sentindo a tesoura fria no pescoço, ficou com medo, gaguejando: "Wubin está bem, está trancado na cozinha!"

Qin Ruhua, com medo de que ele mentisse, gritou: "Anda! Me leva lá!"

Yang Hu, sob a mira de Qin Ruhua, foi até a cozinha. Ela chutou a porta de madeira, e lá estava Wubin sentado na palha, com um pano na boca e os olhos vermelhos de tanto chorar. O barulho na casa de Yang Hu chamou a atenção dos vizinhos, que vieram ver o que estava acontecendo.

Vendo que tinha gente, Qin Ruhua se acalmou e disse: "Tio Yang, tira o Wubin daí, por favor!"

O tio Yang viu logo que Yang Hu tinha feito uma besteira. Sabia que o sobrinho não era de confiança, um mau elemento, e gritou: "Desgraçado, você tem vergonha dos seus pais mortos?"

O tio Yang não ligou para Yang Hu, fez o que Qin Ruhua pediu, soltou Wubin e o trouxe para fora. "Mãe do Wubin, Yang Hu já sabe que errou, solta ele!" disse o tio Yang, suspirando. A multidão aumentava, e Yang Hu, que já era pobre e sem pais, não conseguia esposa. Agora, com essa vergonha, se espalhasse, ele ficaria solteiro para sempre.

Qin Ruhua tinha recuado antes, mas Yang Hu não aprendia. Dessa vez, precisava dar uma lição, senão ele faria pior. Aproveitando que Yang Hu estava distraído, ela enfiou a tesoura na coxa dele. A dor fez Yang Hu gritar, segurando a perna. Qin Ruhua, sem se importar com os outros, pegou Wubin, com o cabelo desgrenhado, e saiu do pátio de Yang Hu.

Quem viu, sabia que Yang Hu tinha feito algo errado, sequestrando o filho dela e forçando a viúva. Levar uma tesourada foi merecido.

Em casa, Qin Ruhua abraçou Wubin e chorou por muito tempo, com pena do filho e de si mesma, odiando o marido que não prestava. Jurou que criaria Wubin bem, sem ser fraca, para ninguém pisar nela. Foi essa atitude ousada que estabeleceu a reputação de Qin Ruhua como alguém com quem não se brincava, poupando-lhe muitos problemas.

"Não tem o que temer, gatos e cachorros, é só ignorar!" Qin Ruhua olhou com desprezo para Yang Hu, que rondava por perto. Ao encontrar o olhar de deboche de Qin Ruhua, Yang Hu instintivamente baixou a cabeça, tocou a coxa onde tinha sido ferido anos atrás, e foi embora de rabo entre as pernas, sem ousar ficar.

Vendo que o homem tinha ido embora, Bai Han não ligou mais. À noite, quando voltaram, calcularam que tinham quase mil yuans. Provavelmente, a vila inteira não tinha tanto dinheiro. Precisavam esconder bem, em vários lugares, para que, mesmo se houvesse um ladrão, não levasse tudo.

Bai Ling andava inquieta ultimamente. A mãe Bai Han e a tia Qin eram mulheres, sem homem em casa. Se alguém pulasse o muro, seria difícil de lidar. Então, pegou emprestado o cão Dahuang da casa de Yang Chunxing para vigiar a casa. Yang Chunxing, Wubin e Bai Ling eram muito amigos, e sem hesitar, deixaram Dahuang ficar. Desde que bebeu a água do espaço, Dahuang não só ficou forte, como também tinha uma relação especial com Bai Ling, sempre esfregando o focinho no rosto macio dela.

Bai Han, cansada do dia, lavou-se e foi dormir. Bai Ling também não tinha parado o dia inteiro, deitou-se na cama e dormiu profundamente. Uma sombra escura pulou o muro silenciosamente. Dahuang, deitado ao pé da cama, abriu os olhos alerta, fitando a porta.

Como estava calor, as janelas estavam abertas. Assim que a sombra subiu na janela, Dahuang já estava de patas no chão, pulando e latindo. Bai Han e Bai Ling acordaram, acenderam a luz para ver o que estava acontecendo!

A sombra, depois de ser derrubada, gritava: "Socorro! Socorro!" O barulho era grande, e Qin Ruhua também acordou, mandou Wubin ficar na cama, vestiu-se e saiu para ver. Ouvindo os gritos, os vizinhos também vieram ver. Bai Han e Qin Ruhua eram mulheres, e ajudar era o mínimo, uma coisa simples da vida na montanha.

Várias lanternas iluminaram, e viram a pessoa encolhida no chão, com Dahuang em cima. Vendo que não havia perigo, Bai Ling chamou: "Dahuang, vem!" Dahuang obedeceu, pulou para baixo e se virou. Todos olharam bem: era Yang Hu. Desgraçado! Tinha sossegado por alguns anos e agora voltava a fazer essas coisas baixas.

Yang Hu sabia que Qin Ruhua era perigosa, então não ousava mexer com ela. Observou Bai Han por um tempo, viu que ela não falava muito e achou que era fácil de intimidar. Por isso, resolveu assediá-la e, de quebra, roubar um dinheiro. Mas o tiro saiu pela culatra: foi pego em flagrante, mordido pelo cão até ficar todo rasgado, com o rosto arranhado e um pedaço de carne arrancado do braço.

Quando o tio de Yang Hu chegou, deu vários chutes nele. Qin Ruhua e Bai Han iam sair da vila de Yangshu em breve e não queriam confusão, então disseram: "Tio Yang, por sua causa, leva o Yang Hu de volta!" Bai Han falou calmamente, mas por dentro estava apavorada. Se não fosse Dahuang, o que teria acontecido? Só de pensar, ainda sentia medo.