Capítulo 656: Capítulo 656 Um Novo Começo (5)

(..网首发) Bai Ling estava tonta, só sentia dor na perna e no rosto. Não tinha caído? Estava na beira do rio, com cheiro de lama por toda parte. De onde vinha aquele perfume de flor? E ainda por cima, perfume de crisântemo. Bai Ling abriu os olhos e ficou boquiaberta com a cena à sua frente: três cabanas de palha à beira de um lago. O lago não era muito grande, no máximo um pequeno açude. Ao redor, só crisântemos brancos. Com uma brisa leve, ondas de perfume de crisântemo invadiam o nariz. Bai Ling, com suas perninhas curtas, foi até a beira do lago e se surpreendeu de novo. Não foi pelo rosto arranhado da queda, mas pelo fundo do lago, tão cristalino que dava para ver tudo. Havia muitos mexilhões grandes, abrindo e fechando. Uau, pérolas grandes, e ainda por cima pretas.

Se não fosse por não saber nadar, Bai Ling já teria mergulhado para pegar algumas para brincar. Com dinheiro, quem temia que Shi Jinghang a abandonasse? No final, a razão venceu e ela conteve o impulso de entrar na água. Antes, estava tão deslumbrada com as pérolas grandes que não percebeu que a cor do pingente de jade no peito havia mudado.

Ei, o pingente não era verde? Como agora tinha gotas vermelhas dentro do verde? Não, parecia mais sangue. Um crisântemo branco parecia ter ganhado vida, movendo-se dentro do pingente. A direção em que girava era a mesma dos crisântemos na beira do lago, e ainda exalava perfume de crisântemo.

Depois de um tempo para processar, Bai Ling já tinha certeza de sua conclusão interna: ela havia renascido misteriosamente, e aquela chegada a um paraíso desconhecido com certeza tinha a ver com o pingente de jade no pescoço.

Havia água no lago. Bai Ling olhou para seus braços e pernas curtos. Por segurança, era melhor ficar longe da água. Seguindo o caminho, abriu a porta de bambu, bateu e perguntou: "Tem alguém aí?" Que não fosse um monstro! Um lugar tão bonito devia ser habitado por uma fada.

Chamou algumas vezes, sem resposta. Bai Ling, por conta própria, empurrou a porta de madeira. Uma mesa, uma mesinha, duas cadeiras. Era a mobília do cômodo do meio, muito simples. O cômodo da direita era um escritório, com quatro estantes de livros, uma escrivaninha, uma cadeira. Sobre a mesa, um castiçal, ao lado um isqueiro, e um livro lido pela metade, impecável, como se o dono tivesse acabado de sair. Os livros nas estantes abrangiam muitos assuntos, mas a maioria era de medicina. Muitos caracteres complexos, muitos incompreensíveis. Também havia poemas e canções. O que mais chamava a atenção era a bola de cristal sobre a mesa, brilhando com uma luz estranha. Bai Ling não quis ficar muito tempo. Foi para o cômodo da esquerda, onde havia panelas, pratos, tigelas e talheres, de tudo um pouco. Abriu um pote e viu meio pote de arroz. Bai Ling pegou um punhado de arroz. Não tinha nenhum bicho, o que provava que não fazia muito tempo.

Bai Ling ficou completamente desanimada. Todas aquelas coisas tinham dono. Se estivesse tudo em ruínas, talvez não houvesse ninguém, e ela poderia tomar posse. Que dor no coração, era uma pena abrir mão de coisas tão boas.

De repente, outra tontura. Bai Ling ouviu choramingos ao lado do ouvido, parecia a voz de Wu Bin, e também a voz de uma menina.

"Wu Bin, para de chorar. Não foi de propósito!" Yang Chunxing, olhando para Bai Ling desmaiada no chão, já estava pálida de medo. O Dahuang também não se sabia para onde tinha ido.

Wu Bin limpou o ranho e as lágrimas do rosto com a manga e gritou: "Yang Chunxing, você é a mais chata! A Ling desmaiou de cair. Vai logo chamar alguém! Chama a Vovó Li!" Yang Chunxing nunca tinha visto Wu Bin, de lábios vermelhos e dentes brancos, falar tão alto. Assustada, saiu cambaleando para chamar alguém. Yang Chunxing era apenas mimada em casa, por isso gostava de implicar com as outras crianças, mas não era má de verdade. Então, ao ver Bai Ling sangrando e desmaiada, já estava apavorada.

Bai Ling acordou tonta. Na sua frente, Wu Bin chorava como se fosse uma fonte. Seus olhos bonitos estavam vermelhos. O coração de Bai Ling se derreteu, mole e azedo, com as lágrimas de Wu Bin.

"Gatinho sujo, para de chorar!" Bai Ling disse baixinho, estendendo a mão para limpar as lágrimas do rosto de Wu Bin. Abriu o punho e algumas coisas caíram. Olhou para baixo, era arroz. Provava que o lugar para onde tinha ido não era um sonho. Realmente tinha pegado um punhado de arroz, mas não teve tempo de devolver antes de sentir a tontura. Olhou para o pingente no peito, que tinha voltado ao normal.

"Ling, você acordou! Que bom!" Wu Bin parou de chorar e sorriu. Sem se lembrar de limpar as próprias lágrimas, estendeu a mão para limpar as lágrimas no canto dos olhos de Bai Ling. "Ling, não chora!"

Wu Bin ajudou Bai Ling a se levantar com cuidado, tirando a terra da roupa. Yang Chunxing chegou com a Vovó Li. "Ling, o que houve com você? Tão suja de lama?"

"Vovó, o Dahuang mordeu o braço da Ling!" Wu Bin, vendo o Dahuang atrás de Yang Chunxing, lembrou que a Ling tinha sido mordida pelo cachorro.

Ao ouvir isso, a Vovó Li se assustou. O Dahuang era um cachorro grande. Com aquela mordida, o bracinho da Bai Ling não ia se quebrar? "Pelo amor de Deus! Mostra pra vovó!" Bai Ling estendeu o braço com a manga rasgada pela mordida do Dahuang.

"Graças a Deus! Ainda bem que estava usando um casaco acolchoado, não machucou a pele. Se fosse no verão, estaria ferrada!" A Vovó Li resmungou. "Chunxing, de agora em diante, toma conta do Dahuang. Se não fosse pela sorte da Ling, o Dahuang de vocês teria matado ela."

A Vovó Li levou Bai Ling e Wu Bin para casa. Yang Chunxing e o Dahuang foram atrás. Yang Chunxing sabia que tinha feito algo errado hoje. Arrastando os pés, chegou perto de Bai Ling e disse: "Ling, desculpa! Da próxima vez, não vou deixar o Dahuang te machucar!"

Bai Ling virou o rosto e viu o Dahuang ao lado de Yang Chunxing. Ainda assustada, pensou: "Da próxima vez?" Só porque não tinha ouvido o conselho de Wu Bin de se afastar de Yang Chunxing e do Dahuang. Yang Chunxing tinha o rosto redondo, olhos límpidos. Não era muito bonita, mas era graciosa.

Os olhos são a janela da alma. Bai Ling sentiu que Yang Chunxing estava pedindo desculpas de coração. Abriu um sorriso, mas puxou a ferida no rosto. Respondeu com dificuldade: "Irmã Chunxing, eu te perdoo!"

Yang Chunxing olhou para Bai Ling com atenção pela primeira vez. Mesmo com a ferida no rosto doendo, ela ainda sorria para ela. Que bondade.

À noite, quando Shi Jinghai veio buscar Bai Ling, Wu Bin e a Vovó Li contaram a ele o que tinha acontecido hoje. Yang Chunxing era filha do secretário do partido da aldeia. Não se bate na cara, mas se olha para o buda. Os jovens instruídos no campo ainda precisavam respeitar o secretário. Ainda bem que a criança não tinha se machucado seriamente, senão não dava para engolir aquilo.

Bai Han soube que Bai Ling tinha sido mordida por um cachorro e, vendo os arranhões no rosto, ficou com o coração partido. Mas, mesmo sendo ingênua, depois de anos como jovem instruída, Bai Han sabia o peso do secretário do partido na aldeia. Shi Jinghai ia prestar o vestibular e precisava da recomendação e do atestado da aldeia. Embora sentisse pena da criança, teve que engolir a raiva.

Shi Jinghai e Bai Han tinham acabado de jantar, arrumado a casa e pegado os livros para revisar. Ouviram alguém bater na porta. Pensaram que fosse a Irmã Qin ou o Wu Bin. Bai Han colocou Bai Ling na cama e foi rápido abrir a porta. Era o secretário do partido, Yang Wanli. Bai Han perguntou: "Secretário Yang, tão tarde, o que houve?"

Era o pai de Yang Chunxing, Yang Wanli. Tinha mais de quarenta anos, pele morena, mas com o trabalho pesado de anos, parecia um pouco mais velho.

"Não é por causa da encrenca que a Chunxing aprontou hoje. Só fiquei sabendo agora, então vim ver como a Ling está!" O secretário Yang disse sorrindo, carregando uma cesta de bambu pequena com alguns ovos. Atrás vinha Yang Chunxing, raro ver aquela valentona tão comportada.

Ao ouvir a voz de Yang Wanli, Shi Jinghai saiu correndo do quarto e disse: "Secretário Yang, está frio lá fora. Entre para se aquecer!"

Yang Wanli entrou com a filha Yang Chunxing. Bai Ling viu Yang Chunxing e deu um grande sorriso. Yang Chunxing então relaxou, não estava mais tão encolhida.

"Jinghai, aceita esses ovos. Dá para a Ling fortalecer o corpo e se acalmar!" O secretário Yang ficou muito satisfeito com a atitude respeitosa de Shi Jinghai. Yang Wanli não tinha outros defeitos, só gostava de ser respeitado, ou, para ser mais direto, gostava de ouvir bajulação.

Shi Jinghai não ousava aceitar aqueles ovos. Com um sorriso, disse: "Secretário Yang, a criança só se machucou um pouco, não foi nada demais. Pode levar esses ovos de volta, dá para a Chunxing comer."

O secretário Yang olhou para Bai Ling. Só tinha um arranhão no rosto e duas marcas de dente no braço. Realmente não era grave, mas insistiu em deixar os ovos. Aqueles jovens instruídos não tinham vida fácil, viviam na pobreza. Muitos já tinham ido embora, só restavam uns dez.

Yang Wanli viu alguns livros na mesa, foi até lá e disse: "Por que resolveu ler? Ainda por cima, livros do ensino médio." O tom era de admiração. Lembrou-se de que quando era criança, também tirava notas boas, mas a família era pobre, não tinha dinheiro para estudar. Teve que largar os estudos para criar os irmãos mais novos.

Shi Jinghai pensou que em breve precisaria pedir um atestado na aldeia. Aproveitar a oportunidade para falar agora também era bom. Disse: "Não é que o vestibular foi restaurado? Estou me preparando para a prova no meio do ano. Quando chegar a hora, vou precisar incomodar o secretário para emitir um atestado e escrever uma carta de recomendação!"

Yang Wanli sempre se considerou um homem estudado, por isso gostava de conversar com pessoas instruídas. Por isso, quando os jovens instruídos chegaram na Aldeia do Yangshu, o secretário Yang os tratava com muito respeito.

"Boa ideia! O atestado e a carta de recomendação, deixa comigo. Pode estudar tranquilo!" O secretário Yang disse sorrindo. "Está tarde, não vou atrapalhar o descanso de vocês."

"Ling, tchau!" Yang Chunxing se despediu de Bai Ling. O secretário Yang colocou os ovos em outro cesto pequeno e foi embora com Yang Chunxing.

Bai Ling sentiu que Yang Chunxing era só malcriada, não era má. Estava pensando se deveria recrutar Yang Chunxing para o seu lado.

Bai Ling deitada na cama, a mente não parava de pensar no lugar misterioso e estranho que tinha visitado hoje. Segurou o pingente de jade na mão, olhando fixamente para ver se conseguia descobrir alguma coisa. Um lugar tão bom, ela nem tinha explorado tudo. Tinha que dar um jeito de entrar lá de novo. Só com as pérolas grandes e os peixes esquisitos, já dava para vender por muito dinheiro. Sem falar na plantação de ervas medicinais. Não conhecia a maioria, mas aquela em forma de leque parecia ser um lingzhi.

Bai Ling estava imersa em seus pensamentos, nem percebeu que a mãe Bai Han estava ajudando Shi Jinghai a revisar as lições.

Shi Jinghai estava no quarto olhando para um problema. Pensou por um bom tempo, mas não conseguia ter nenhuma ideia. Afinal, fazia anos que não pegava num livro. Mesmo na escola, sua parte de humanas era boa, mas física e química não eram seu forte. Por isso, estava com muita dificuldade.

"Jinghai, você pode pensar por este ângulo, sobre corrente e voltagem." A voz suave de Bai Han ecoou por todo o cômodo. Com a ajuda de Bai Han, Shi Jinghai logo entendeu o problema de física e encontrou a solução rapidamente.

Shi Jinghai, num impulso, tentou resolver os próximos exercícios. Para sua surpresa, conseguiu fazer todos com facilidade.

"Han, você é muito inteligente. Por que não faz o vestibular primeiro? Eu fico em casa cuidando da criança!" Shi Jinghai sugeriu. Mas, se outra pessoa ouvisse o tom da voz, com certeza perceberia a falta de sinceridade. No ouvido da bondosa Bai Han, porém, era a abnegação do amado.

Bai Han sorriu com os lábios franzidos e disse: "Se eu for fazer o vestibular, quem vai cuidar da criança? É melhor você ir primeiro. Depois que você se estabelecer na universidade, a gente vê. O importante é você passar no vestibular, e a criança também é importante."

Bai Han acreditava profundamente que Shi Jinghai não a abandonaria, nem à filha. Por isso, dedicava todo o seu amor a ele, ajudando-o a revisar. Acenderam a lamparina a querosene e estudaram até tarde da noite antes de descansar. Mesmo trabalhando de dia e estudando à noite, Shi Jinghai ainda estava cheio de energia. Se conseguisse entrar na universidade dos seus sonhos, a vida talvez fosse diferente.

Nos dias seguintes, Bai Ling não fez outra coisa. Depois de ser levada para a casa da Vovó Li, ela procurava um canto escondido para estudar o pingente de jade no pescoço, tentando ver se conseguia entrar naquele lugar misterioso de novo.

Ela se lembrou cuidadosamente de tudo desde o seu renascimento, ligando às cenas que viu no lugar misterioso: o lago, os crisântemos, a cabana de palha. O que parecia tão familiar? Sim, era aquilo. Era aquela fileira de crisântemos brancos, flores pequeninas, como o crisântemo de luto que ela usou no cabelo antes de morrer. No pingente, também havia uma marca de água de crisântemo, quase imperceptível. Sem luz, não dava para ver. Naquela época, havia algo vermelho se movendo dentro do pingente, parecia sangue. No dia da queda, ela se cortou no rosto e sangrou. Será que tinha a ver com sangue? Bai Ling era uma pessoa de ação. Colocou o dedo na boca, fechou os olhos e mordeu com força. Uma gota de sangue, primeiro pequenina, depois virou uma gota grande e redonda. Tirou o pingente do pescoço e pingou o sangue nele. A cor do pingente escureceu, e algo vermelho começou a se agitar lá dentro. Bai Ling olhou ao redor. Ainda estava entre dois montes de palha, não naquele lugar lindo como um paraíso.

Não, devia estar faltando alguma coisa. O que mais tinha naquele dia? Por segurança, Bai Ling foi até o lugar onde o Dahuang a tinha derrubado e imitou o movimento de cair. O braço doeu um pouco, mas continuou igual. O que mais faltava? Bai Ling sentou no chão, pensando profundamente.

"Ling, o que você está fazendo sentada aí? Não tem medo do Dahuang te morder de novo? Naquele dia você chorou de medo, e hoje tem coragem de ficar sozinha aqui?" Wu Bin veio correndo de longe, puxou Bai Ling para cima e tirou a terra da roupa dela, falando sem parar.

Chorar, com certeza tinha lágrimas. Será que o que faltava eram lágrimas? Se não fosse pelo Wu Bin ao lado, Bai Ling já teria começado a testar na hora. Se o teste desse certo e ela desmaiasse ou desaparecesse do nada como da outra vez, Wu Bin, mesmo que não enlouquecesse de susto, com certeza ficaria traumatizado. Melhor esperar. Quando estivesse sozinha, tentaria de novo.

Wu Bin, com medo de Bai Ling fugir de novo, não a deixava um minuto sozinha. Seus dois olhos pretos e brilhantes não tiravam os olhos dela. Até a noite, quando Bai Han, Shi Jinghai e Qin Ruhua voltaram do campo, Bai Ling não encontrou oportunidade para testar se as lágrimas funcionavam.

Enquanto Bai Han dava aula para Shi Jinghai, Bai Ling disse docemente para a mãe: "Mamãe, a Ling quer ir brincar com o Wu Bin. Já volto para dormir."

Bai Han pensou que estava negligenciando a filha por estar ajudando Shi Jinghai a estudar, e sentiu-se culpada. Já que a filha queria brincar com o Wu Bin, tudo bem. Ainda era cedo. Dormir muito cedo fazia acordar de madrugada.

"Ling, comporte-se. Vai devagar!" Bai Han recomendou. Como as casas eram perto, Bai Han não foi levar Bai Ling.

Bai Ling foi até a porta da frente, abriu e fechou, fingindo que tinha saído. Escondida, foi para a cozinha, tirou o pingente do pescoço. A cor já tinha voltado ao normal. Uma gota de sangue tão grande, e o efeito durava tão pouco? Bai Ling, com relutância, mordeu o dedo que tinha acabado de cicatrizar. Dedo ligado ao coração, doeu muito. Rapidamente, passou o sangue no pingente. A anomalia no pingente apareceu na hora. Lágrimas, lágrimas. Bai Ling forçou os olhos, mas não saía nada. Bai Ling, com medo de que aquela gota de sangue não durasse muito, começou a andar em círculos, desesperada.

Sem querer, viu umas cebolas no canto. Foda-se. Já que não conseguia produzir lágrimas, teria que usar um método especial. Descascou a cebola diretamente. Um cheiro que fazia chorar se espalhou.

Não saiu uma ou duas gotas, mas duas fileiras de lágrimas. Quando as lágrimas tocaram o pingente, num piscar de olhos, Bai Ling estava naquele lugar misterioso. Ainda era o mesmo lugar da última vez. Os olhos de Bai Ling ainda escorriam lágrimas, parecendo um coelho vermelho. Correu para a beira do lago e lavou as mãos e os olhos com a água.

Quando a água morna e esverdeada tocou a pele e os olhos de Bai Ling, uma sensação de calor se espalhou da cabeça ao corpo. Era muito confortável. Depois de lavar só uma vez, já estava completamente curada. Bai Ling juntou as duas mãozinhas, pegou um pouco de água e olhou atentamente. Era diferente da água que via normalmente. Bai Ling tinha certeza de que aquela água era verde, muito atraente. Dava vontade de beber um gole. Mas, ao levar à boca, hesitou. Uma água de cor tão estranha, será que era venenosa? Quando voltasse, arranjaria um jeito de pegar um pouco e dar para alguns pintinhos ou cachorros beberem, para ver se morriam. Se o cachorro pudesse beber, o ser humano também devia poder.

Mais animador ainda, a ferida no dedo que tinha acabado de morder já estava cicatrizando. Provavelmente em dois dias estaria boa.

Ai, ai, ai. Lá estavam as pérolas grandes nos mexilhões, e também pedaços brancos, pretos, verdes, vermelhos, azuis, seixos de todos os tamanhos. Embora pudesse ver, Bai Ling olhou para seu corpinho de três anos e não tinha capacidade para entrar na água e aprender a nadar.

Deu uma volta pela casa. Estava tudo igual. O livro ainda estava pela metade, o arroz no pote ainda era a mesma quantidade. Provava que ninguém tinha mexido. Será que isso significava que não havia ninguém ali?

Bai Ling olhou em volta. O lingzhi grande parecia ter crescido mais. As outras ervas medicinais também tinham crescido muito. Se desse para plantar uma horta de verduras, seria ótimo. Quando visse alguém com sementes, roubaria um pouco escondido e plantaria ali.

Na cozinha, encontrou uma bacia de cobre para água. Encheu com água do lago, colheu alguns crisântemos e embrulhou cuidadosamente num pano, pronta para levar e estudar. Ainda queria procurar outras coisas boas, quando ouviu a voz de Bai Han: "A Ling já saiu há um tempinho, por que ainda não voltou?" Com medo de que a mãe Bai Han descobrisse que ela não estava na casa do Wu Bin, a coisa ficaria feia.