Ao ver Joel assim, Bai Ling teve um momento de distração, lembrando-se involuntariamente da época na fazenda na Alemanha, quando os dois montavam um cavalo, galopando livremente, rindo à vontade, sentindo a natureza e os momentos íntimos juntos.
Mas, ao tocar no saco duro dentro da bolsa, um lembrete constante ecoava em sua mente: "A pessoa à sua frente é quem te enganou, quem indiretamente machucou sua mãe!"
"Xiao Ling, há quanto tempo não nos vemos, você está bem?" Joel entregou o buquê de flores frescas que acabara de comprar para Bai Ling, dizendo com suavidade, seus olhos como jade transmitindo um olhar gentil.
Bai Ling aceitou educadamente o buquê que Joel lhe ofereceu e disse: "Obrigada! As flores são lindas."
"O que você gosta de comer?" Joel olhou para Bai Ling, que estava com uma expressão calma, sentindo o coração apertado. Sem perceber, os dois já estavam tão distantes.
"Tanto faz!" disse Bai Ling, tirando da bolsa um saco de papel kraft elegante. "Dê uma olhada nisso."
Quando Joel viu o saco de papel kraft e depois o olhar e a expressão calma de Bai Ling, ficou inseguro e perguntou com um sorriso forçado: "O que é isso, tão misterioso? É meu presente de aniversário?"
Bai Ling balançou a cabeça e disse: "Não."
Quando Joel tirou os papéis de dentro e viu as fotos e alguns textos, sua mente deu um "boom". Por um momento, não havia nada em sua cabeça, apenas ficou olhando fixamente para o papel kraft à sua frente.
"Bai Ling, você acredita?" Joel demorou um bom tempo para se recuperar gradualmente, perguntando com amargura.
"Eu também não queria acreditar que isso era verdade. Foi um amigo próximo quem me deu, a fonte da informação é confiável." Bai Ling disse friamente, olhando fixamente para Joel. "Para não te acusar injustamente, pedi a outro amigo para continuar investigando, e a informação era idêntica. Acredito que você vai querer dar uma olhada nesta também." Bai Ling tirou os documentos de Yoshikawa Yuta e os entregou a Joel.
Joel apenas os pegou, mas não olhou, porque aquilo era a verdade. Mesmo que tentasse negar, Bai Ling não acreditaria.
"Desculpe." Joel abaixou a cabeça, envergonhado.
"Pelo que você está se desculpando?" Bai Ling insistiu, sem ceder. Ser enganada, ser feita de boba. Só de pensar em ter estado próxima de alguém que encobria o verdadeiro culpado, Bai Ling sentia uma vontade de matar Joel e depois a si mesma.
Joel sorriu amargamente e disse: "Desculpe, eu te enganei."
"Você me enganou, eu posso relevar, mas minha mãe quase morreu daquela vez por causa dos parentes da sua família que queriam tomar a fortuna da sua família. E minha mãe é apenas uma médica. Aquelas mãos salvaram muitas pessoas, incluindo você e sua mãe, e agora também sua amiga de infância, Melly. Você deixou aquelas pessoas impunes. Como minha mãe pode se sentir? Será que a vida da minha mãe não vale mais que a dos seus parentes? Será que minha mãe merecia sofrer? Você sabia que naquela época minha mãe estava grávida do meu irmão mais novo, Xiaogen? Ela lutou para proteger o bebê na barriga? Você sabia como eu me senti perdida e sem saber o que fazer quando minha mãe me pediu para aplicar acupuntura nela? Se não aplicasse, ela não conseguiria manter o bebê; se aplicasse, um erro na agulha poderia matá-la! Você sabia como eu desejava estar naquela mesa de cirurgia no lugar dela?" Bai Ling se levantou, falando sem parar, sem pausa.
O rosto de Joel ficou levemente pálido, sem saber como se explicar, apenas observando em silêncio a Bai Ling indignada. Naquele momento, não importava o que Joel dissesse, não poderia reparar o erro cometido pelos parentes de sua família, nem mudar o fato de que Joel havia escondido a verdade.
Quando Bai Ling se cansou de falar e gradualmente parou, Joel sorriu amargamente e disse: "Desculpe, Bai Ling, não foi minha intenção esconder de você, mas ela é minha tia. Minha mãe sempre teve saúde frágil, e foi minha tia quem me criou. Sempre que eu estava com dor, era minha tia que ficava ao meu lado. Eu sou mais próximo da minha tia do que da minha própria mãe. Eu sabia que, se você descobrisse o que meu tio e meu primo fizeram, você não deixaria barato. De um lado, minha família; do outro, a mulher que amo. Eu não tive escolha a não ser fazer isso."
"Ridículo, sua tia é sua família, mas minha mãe e eu somos estranhas? A mulher que você ama, haha, não diga isso, eu, Bai Ling, não mereço." Bai Ling zombou. "Você não tinha escolha? Não acredito. Se continuar tolerando essas pessoas, um dia vai colher os frutos amargos."
"Bai Ling, eu te entendo. Sei que nossa situação é semelhante, então peço que considere do meu ponto de vista!" Joel disse apressadamente. "Eu realmente gosto de você! Podemos nos acalmar e conversar direito?"
"O que ainda temos para conversar? Antes você duvidava do meu caráter, agora esconde o principal culpado que machucou minha mãe. O que ainda posso conversar com você? Antes eu confiava tanto em você, e você? Além de pedir desculpas, o que realmente fez por mim?" Bai Ling se levantou e rebateu.
Vendo Bai Ling tão agitada, Joel ficou ainda mais ansioso e disse: "Bai Ling, realmente me desculpe! Pode me dar uma chance?"
"Chance? As chances que te dei foram poucas? Liguei para você há alguns dias, esperando que você aproveitasse a última oportunidade, mas você não disse nada. Mesmo que eu te desse outra chance, como você lidaria com Jessica e Eric, e até com sua tia Anna?" Bai Ling olhou para Joel com calma, esperando para ver o que ele faria.
"Eu..." Joel hesitou, sem saber como responder. Será que realmente teria que mandar a tia Anna e sua família para a prisão? Joel não conseguia decidir, nem podia dar uma promessa a Bai Ling.
"Sem palavras, né? Hmph, já vi o suficiente. O seu 'bem para mim' só funciona quando não ameaça seus interesses mais fundamentais. Esse tipo de amor enganoso, eu, Bai Ling, não consigo aceitar." Bai Ling riu com sarcasmo.
"Bai Ling, então me diga, o que preciso fazer para você me perdoar?" Joel implorou.
"Você sempre soube o que fazer, só não quer fazer. Não é algo que eu diga e você faça, então não quero perder tempo falando." Bai Ling disse com indiferença, olhando com um ar de deboche para Joel, que estava pálido.
"Então só nos resta terminar?" Joel sorriu amargamente. O que temia estava acontecendo, e aquele dia finalmente havia chegado.
"Só pode ser assim, Joel. Vamos terminar. Você pode usar seus métodos para proteger seus chamados parentes, e eu posso usar os meus para fazer aquelas pessoas colherem os frutos amargos." Bai Ling tentou ao máximo controlar a opressão e a agitação interior, falando o mais calmamente possível.
Joel se levantou e tentou se aproximar para segurar a mão de Bai Ling, mas ela se esquivou habilmente. Já que havia decidido terminar, não havia necessidade de enrolar; era melhor cortar o mal pela raiz.
"Não podemos ficar juntos?" Joel perguntou com dor. A amargura interior só ele conhecia. Os pedidos da tia Anna ainda ecoavam em seus ouvidos. O olhar firme e decepcionado de Bai Ling estava diante dele. Nenhum dos dois era algo que Joel quisesse enfrentar.
"Se eu e meus amigos fôssemos os assassinos da sua mãe, você ficaria comigo?" Bai Ling perguntou calmamente, com um tom de desdém.
Ao ouvir as palavras de Bai Ling, Joel empalideceu. Ele sabia que não conseguiria fazer isso, e a igualmente orgulhosa Bai Ling, naturalmente, muito menos.
"Sem resposta, né? Não faça aos outros o que não quer que façam a você. Então, vamos nos separar em bons termos." Bai Ling pegou a bolsa ao lado e se preparou para sair.
Na pressa, Joel segurou o braço de Bai Ling e disse: "Bai Ling!"
Bai Ling se virou, olhando para Joel sem expressão, e disse: "Sr. Joel, há algo?"
A voz distante e fria gelou o coração de Joel, fazendo com que a mão que segurava o braço de Bai Ling afrouxasse. Que motivo ele tinha para continuar segurando a mão dela?
"Nada." Joel desabou na cadeira, vendo Bai Ling desaparecer pela porta.
Depois de sair do quarto, Bai Ling olhou para o céu, tentando evaporar rapidamente a umidade em seus olhos. Tocou no bolso, onde estava o presente que havia preparado para Joel há muito tempo. Dentro de uma pequena caixa, havia um pingente de jade em forma de porquinho fofo, que correspondia ao signo de Joel. Agora não havia mais necessidade de entregá-lo. Bai Ling ergueu a mão e o jogou na grama à beira da estrada, deixando-o desaparecer junto com aquele relacionamento imaturo e cheio de desconfiança.
Querendo ver o último vislumbre das costas de Bai Ling, Joel foi até a janela e viu Bai Ling jogar algo fora. Então chamou Ben e disse: "Vá até aquela grama e veja o que é aquilo."
Ben não tinha visto nada antes, mas como Joel ordenou, teve que ir procurar o que quer que fosse.
Joel seguiu atrás, vendo as pessoas revirando a grama. Mas com o passar do tempo, uma hora se passou e ainda não haviam encontrado nada. Joel, esquecendo sua posição, foi ele mesmo para a grama. Combinando com a posição por onde Bai Ling havia passado, procurou um pouco.
Uma pequena caixa de veludo vermelho quadrada estava quieta sob um arbusto denso. Joel se abaixou, pegou a caixinha adorável e a abriu. Dentro, havia um porquinho de jade fofo. Naquele instante, a voz clara de Bai Ling ecoou ao seu lado: "Joel, seu ano de nascimento, na China, corresponde ao porco. Um dia, vou te dar um porquinho de jade esculpido por mim mesma."
"Que bom, o que você me der, eu vou gostar!" Joel respondeu com um sorriso feliz na época.
As lembranças da voz e do sorriso ainda estavam frescas em seus ouvidos, mas agora eram como estranhos.
Joel olhou para o porquinho em sua mão, com os olhos cheios de lágrimas. A vida é como fazer escolhas constantes: escolhe-se uma coisa e perde-se outra. E as questões de múltipla escolha raramente aparecem.
Joel sentou no carro, olhando sem rumo pela janela, tentando ver a figura familiar, mas nunca a viu. Talvez de agora em diante só pudesse observá-la de longe, às escondidas.
Quando Bai Ling saiu do salão privado do Edifício Zhuangyuan, não foi para casa, mas diretamente para o laboratório. Ela não queria que sua família visse seu estado abatido, nem queria que seus amigos ou qualquer um vissem sua fragilidade.
Ao abrir a porta do apartamento, sentiu que aquele era seu pequeno mundo. Bai Ling deitou na cama e dormiu profundamente. Ao acordar, sentiu-se muito mais leve. Vendo que o lado de fora já estava escuro, colocou um pouco de arroz na panela elétrica para fazer o jantar. Cortou algumas fatias de carne salgada, colocou um pouco de cebolinha e gengibre em um prato e colocou para cozinhar no vapor junto com o arroz. Não precisava cozinhar mais nada.
Enquanto o arroz cozinhava, Bai Ling foi ao laboratório para ver como estavam as plantas.
Especialmente o crescimento da grama transformadora, Bai Ling observou com atenção. Ela planejava, depois que o mercado de cosméticos estivesse estável, adicionar alguns produtos para modelar o corpo, como para afinar panturrilhas, abdômen, rosto e outras áreas difíceis de emagrecer. O potencial de mercado era absolutamente bom, e Bai Ling estava muito confiante de que essa grama transformadora traria ainda mais lucros.
Enquanto Bai Ling se concentrava no que tinha em mãos, ouviu passos. Rapidamente se escondeu, pensando quem poderia estar vindo naquela hora.
Bai Chen trocou de roupa, vestiu o jaleco de desinfecção e murmurou: "Ainda bem que lembrei que hoje tenho algo importante para fazer. Ei, por que todas as luzes estão acesas? Não será um ladrão?" Depois de dizer isso, pegou uma pá ao lado e foi até o local da grama transformadora, pois viu que as plantas daquela área estavam se mexendo.
"Quem está aí? Se não falar, vou chamar a polícia!" Bai Chen perguntou apressadamente.
Bai Ling achou que não precisava mais se esconder, levantou-se e disse: "Sou eu. Estou brincando com você."
Ao ver que era Bai Ling, Bai Chen enxugou o suor frio da testa e disse: "Você vem e não me avisa. Pensei que fosse um ladrão! Sabe que as únicas chaves do laboratório são minhas e suas. Como pensei que você não tinha voltado, minha primeira reação foi que havia um ladrão aqui."
"Aqui é muito seguro, Professor Bai, por que está tão nervoso?" Bai Ling perguntou com um sorriso.
"As plantas daqui são todas preciosas. Pegue essa grama transformadora ao seu lado, por exemplo. Estudei e descobri que seus componentes são um excelente redutor de gordura. Até agora, não encontrei substâncias nocivas. Se conseguirmos transformar isso em um produto para emagrecer, com certeza trará uma fonte infinita de riqueza. Além disso, tem a grama dos cem sabores, a fruta do vinho, etc. Ainda não foram lançadas no mercado, então podemos mantê-las em segredo aqui. Mas quando forem lançadas, o laboratório gradualmente será exposto, então não podemos descuidar!" Bai Chen, embora fosse um entusiasta de plantas, também era forte em outras áreas, analisando tudo com lógica.
"O Professor Bai tem razão. Você sabe que ainda sou estudante e tenho empresas para administrar. Embora a maior parte das coisas seja feita por outros, ainda há muitas coisas em que preciso me envolver, então não tenho muito tempo para o laboratório. Professor Bai, com você aqui, fico tranquilo. Se você continuar me ajudando, com certeza não o decepcionarei. Respeitarei todas as suas decisões, como fornecer fundos para você procurar plantas em qualquer lugar. E há um benefício: desde os tempos antigos, nascer, envelhecer, adoecer e morrer são leis da natureza. Mas a medicina da minha mãe é muito boa. Se precisar, é só pedir, e com certeza a cura virá." Bai Ling abriu o coração. Talentos são raros.
"Com certeza, a menos que você me mande embora, não vou sair do laboratório. Ah, e falando nisso, minha mãe tem reumatismo desde jovem. Quanto mais velha fica, pior fica. Desta vez fui ao Canadá, e a condição dela piorou ainda mais." Bai Chen, vendo Bai Ling falar assim e com essa oportunidade, naturalmente aceitou. Sua habilidade de aproveitar a oportunidade não era inferior à de Bai Ling.