"Beleza!" Bai Ling fez uma saudação de escoteiro. "Já estou descendo."
Lá embaixo, Hu Ying estava conversando animadamente com Xiao Li. Os dois, sendo militares de formação, tinham muitos assuntos em comum. A franqueza dos militares aproximava as pessoas rapidamente.
"Tio Xiao Li, já contei ao vovô. Ele disse que você deve tratar isso como uma grande missão política e acompanhar bem a Srta. Hu Ying ao cinema", disse Bai Ling com seriedade.
Ao ouvir que o velho líder também sabia, Hu Ying sentiu o rosto esquentar e corou involuntariamente. Li, sendo homem, mostrou-se muito à vontade; ter o apoio do líder era o que importava.
Depois que Hu Ying e Xiao Li foram juntos ao cinema, toda a família ficou sabendo que Bai Ling havia feito de casamenteira. Bai Han até segurou Bai Ling para perguntar bem, só se acalmando ao ver que ela não estava fazendo bagunça nem brincando.
"Irmão, irmão!" Em pouco tempo, Xiao Gen já estava muito familiarizado com De Dong, chamando-o de irmão com alegria, segurando a cabeça careca de De Dong com as duas mãozinhas e abrindo a boca para morder.
"Xiao Gen, não pode morder, não pode morder!" De Dong tentou levantar a cabeça, mas com medo de machucar Xiao Gen, disse impotente.
Quando Bai Ling desceu, viu Xiao Gen não só mordendo a cabeça careca de De Dong, mas também cutucando as cicatrizes de tonsura no topo da cabeça dele, deixando De Dong entre o riso e o choro.
Bai Ling correu para pegar Xiao Gen no colo e disse severamente: "Seu danado, morde tudo o que vê? Amanhã vou te dar uma pedra; se não morder, vou te achatar na porrada!"
"Irmã, irmã..." A voz infantil de Xiao Gen, mesmo com toda a raiva, instantaneamente dissipava qualquer irritação.
"A irmã não vai bater em você, mas não pode machucar o irmão, entendeu?" Bai Ling apertou o narizinho de Xiao Gen enquanto falava.
Xiao Gen não entendia nada disso, apenas ria bobo, sem saber o que estava acontecendo.
"De Dong, se o Xiao Gen te perturbar no futuro, não pode mimá-lo nem ceder a ele!" Bai Ling instruiu. Ver um garoto tão educado como De Dong sendo incomodado por Xiao Gen a deixava preocupada.
De Dong disse despreocupadamente: "Xiao Gen está só brincando comigo, não está me perturbando!"
"Tá bem, já está tarde, vamos dormir!" Bai Ling sentou-se ao lado de De Dong com Xiao Gen no colo e disse: "De Dong, considere esta casa como seu lar. Se tiver algo que não queira falar com os adultos, conte para a irmã, está bem?"
As palavras suaves de Bai Ling fizeram De Dong ficar de olhos vermelhos novamente, e ele disse com a voz embargada: "Irmã Bai Ling, você é tão boa!"
"Pronto, vamos para o quarto! Depois de acalmar o Xiao Gen, também vou descansar!" Bai Ling acariciou a cabeça careca de De Dong e o viu subir as escadas.
Depois do Ano Novo, as férias terminaram. Xi Side tinha compromissos na empresa, então voltou. Bai Han e Bai Ling ainda esperariam alguns dias para voltar, porque De Dong decidiu ficar em B City com o Vovô Lin, para praticar a técnica da faca mais facilmente.
"De Dong, já que você decidiu ficar aqui, respeito sua escolha. Mas se algo te incomodar, me ligue", disse Bai Ling sentada na caminha de De Dong. "Aqui é bom; você pode começar a escola primária, a educação aqui é mais adequada para você."
"Eu sei, irmã Bai Ling. Vou estudar bem e praticar a faca", prometeu De Dong. "Você também tem que se esforçar!"
"É, vamos nos esforçar juntos!" Bai Ling estendeu a mão e fez um juramento com De Dong, entrelaçando os dedinhos.
"Está bem!" De Dong sorriu. Seu sorriso, embora radiante, já não era mais aquele sorriso despreocupado de antes; havia um toque de maturidade. Embora tivesse crescido, o preço do crescimento era cruel.
Bai Ling foi ao quarto do Vovô Lin e disse: "Vovô, confio De Dong a você."
"Tudo bem, pode ficar tranquila. É uma dívida que temos com o Mestre. Vou tratar bem do De Dong; se ele se dedicar, posso até ensinar tudo o que sei na vida", disse o Vovô Lin com emoção, sentindo uma culpa interna, sempre preocupado com aquela faca grande e o desastre que ela trouxera.
"De Dong aprendeu a ler com um monge desde pequeno, sem nunca ter ido à escola. Agora que ele está conosco, é melhor matriculá-lo na escola para evitar que fique muito desconectado da sociedade", sugeriu Bai Ling.
"Penso o mesmo. Já entrei em contato com a escola, a mesma onde você estudou quando pequena. O que acha?" perguntou o Vovô Lin.
"Ótimo. Com suas conexões, ele não será maltratado naquela escola", disse Bai Ling aliviada. "Amanhã eu e a mamãe vamos voltar para Hong Kong. Só voltaremos daqui a alguns meses. Cuide-se, vovô."
"Estou com a saúde firme. Como você disse, ainda quero ver a volta de Hong Kong e Macau", disse o Vovô Lin com voz forte e alegre. "A propósito, como estão as coisas entre Xiao Li e Hu Ying?" Ele perguntou com um ar curioso.
"Parece que está progredindo rápido, tem algo aí", respondeu Bai Ling honestamente.
"Mas quando você voltar, Hu Ying também vai para Shenzhen. Eles não vão se separar?" O Vovô Lin temia que o bom relacionamento dos dois acabasse por causa da distância.
Bai Ling discordou: "Se eles têm destino e se dão bem, podem se corresponder ou ligar, se conhecendo aos poucos. Um relacionamento duradouro é o verdadeiro caminho. Quando sentirem que é o momento certo e estiver indo bem, vovô, você pode transferir o Tio Xiao Li para Shenzhen, não é? Assim, além de ficarem juntos, ele pode me ajudar lá, evitando que aqueles canalhas me prejudiquem pelas costas!"
"Com cem vezes a coragem, eles não ousariam te incomodar. Além disso, tudo que você faz é legal, paga impostos conforme a lei, beneficia o país e o povo. Se alguém for sem noção, o vovô resolve para você. Fique tranquila, em Shenzhen, o vovô tem gente", disse o Vovô Lin com seriedade. "Nesta vida, só tenho você e sua mãe como família. Quem ousar mexer com vocês, não vou perdoar."
"Obrigada, vovô!" Bai Ling disse com a voz embargada de emoção, abraçando o braço do Vovô Lin sem querer soltar.
"Você tem razão. Confio no Xiao Li. Se ele realmente ficar com Hu Ying, vou transferi-lo imediatamente para Shenzhen para que fiquem juntos", concordou o Vovô Lin com a cabeça.
Enquanto falavam, o telefone tocou de repente. Xiao Li passou a ligação para Bai Ling.
"Yoshihiro, sou Bai Ling. Tão tarde, o que houve?" Bai Ling perguntou baixinho, com o coração apertado. Ela imaginava que Yoshihiro Kikkawa já tivesse descoberto algo, senão não ligaria a esta hora.
"Bai Ling, descobri. O tio de Joel, Jessica, é cúmplice de Eric e Tânia. Eles pagaram, e Tânia contratou o assassino. Embora a tia de Joel, Ana, não tenha participado diretamente, sabia do ocorrido e foi conivente", relatou Yoshihiro Kikkawa, confirmando exatamente o que Li Baojian havia dito.
"Obrigada! Já sei", disse Bai Ling, sem emoção na voz. Então era tudo verdade.
"Bai Ling, você está bem?" perguntou Yoshihiro Kikkawa, preocupado.
"Estou bem!" Bai Ling riu amargamente. Nunca imaginou que Joel a enganaria, mas ele fez exatamente isso.
"Tudo bem, pelo menos não é tarde para saber a verdade. Depois vou te enviar esses materiais para Hong Kong. Tente levar na boa", consolou Yoshihiro Kikkawa, sabendo que as mulheres tendem a se prender a questões de amor.
"Está bem, um dia vou te agradecer." Bai Ling desligou e ficou sentada em silêncio.
O Vovô Lin perguntou: "Xiao Ling, o que foi? Sua expressão mudou completamente?"
"Vovô, as pessoas que atiraram na mamãe antes têm outros envolvidos. São parentes do Joel, mas ele escondeu de mim", disse Bai Ling calmamente, como se falasse de algo que não a afetasse, sem expressão.
"Joel? E o que você pretende fazer com quem machucou sua mãe?" perguntou o Vovô Lin, olhando nos olhos de Bai Ling. "Não deixe o demônio interior tomar conta do seu coração!"
"Eu sei, vovô. Desta vez, não vou mandar matá-los diretamente. Eles agiram por dinheiro. Se eu fizer com que fiquem falidos, sem dinheiro, sem poder viver no luxo, sem satisfazer sua sede por riqueza, isso será mais doloroso do que matá-los com as próprias mãos", disse Bai Ling com um sorriso frio, os lábios tingidos de um gelo sanguinário.
"E como você vai lidar com sua relação com o Joel?" perguntou o Vovô Lin, curioso. Desde que Joel e Bai Ling começaram a namorar, ela contara à mãe Bai Han e a ele, então ele levava a sério os pensamentos dela agora.
"O que mais posso fazer? Jamais ficarei com alguém que me engana, especialmente escondendo informações sobre quem prejudicou minha mãe. Deixando de lado minha relação com o Joel, minha mãe cuidou bem deles, mãe e filho. Eles não deveriam ter feito isso. Além disso, o alvo final não era minha mãe, mas Joel e a Tia Michelle. Minha mãe quase virou uma vítima na disputa por herança deles. Isso é algo que nunca perdoarei no Joel", disse Bai Ling calmamente, olhando para frente com determinação, tomando uma decisão inabalável.
"Você realmente vai fazer isso?" perguntou o Vovô Lin. "Não vai se arrepender?"
Bai Ling balançou a cabeça e disse firmemente: "Vovô, desde que me entendo por gente, proteger minha mãe é o maior desejo da minha vida. Vou proteger minha mãe a qualquer custo, amá-la e cuidar dela com a própria vida, se preciso."
"Xiao Ling, não se coloque tanta pressão, isso pode te esmagar. Na verdade, você já fez muito bem", disse o Vovô Lin, olhando para Bai Ling, que estava perto da janela, de cabeça erguida. Sua coluna magra, embora frágil, era excepcionalmente ereta e resistente. Aquela figura teimosa era forte a ponto de partir o coração.
"Vovô, estou bem. Vou viver com força, protegendo a mamãe, protegendo o vovô e meu irmãozinho. Esse é o desejo da minha vida", disse Bai Ling sorrindo. "Minha vida se tornou colorida por causa de vocês. Não tenho arrependimentos! Além disso, namorados podem ter muitos, mas mãe só tem uma!"
"Xiao Ling..." O Vovô Lin não sabia mais o que dizer para consolá-la, com os olhos ardendo e lágrimas contidas.
"Vovô, não se preocupe comigo. Contanto que vocês estejam bem, eu estou bem. Então, cuide da sua saúde, e vamos viver felizes como família", disse Bai Ling com lágrimas e sorriso. Essa era a sensação de lar, e ela usaria todas as forças para proteger essa felicidade tão rara, sem deixar ninguém destruí-la.
"Vovô, ainda tenho que arrumar a mala. Vou indo. Deixo De Dong com você. Boa noite!" Bai Ling, quase sem conseguir conter as lágrimas, saiu do quarto do Vovô Lin, não querendo que ele a visse triste.
Olhando para as costas de Bai Ling, o Vovô Lin fechou os olhos, e as lágrimas quentes finalmente escorreram.
Ao chegar ao quarto, Bai Ling entrou diretamente no espaço, deitou-se na grama, respirando o aroma suave, acalmando a emoção agitada de antes. O Pequeno Carente, vendo-a entrar, veio com sua esposa e filhotes, circulando ao redor dela. Pensando nisso, o mau humor causado pela omissão de Joel se dissipou bem ali.
Vendo a aparência dócil do Pequeno Carente, ela ergueu os olhos para o céu que, dentro do espaço, era sempre dia ou noite. A vida sempre tem seus contratempos, mas ainda há muitas coisas belas e paisagens ao redor, como os entes queridos que ela valoriza ainda estarem por perto, e um espaço misterioso que ninguém mais tem, cheio de coisas que não existem lá fora, que lhe deram muita ajuda.
Bai Ling se levantou e foi para o espaço do anel. Lá, as árvores estavam sempre carregadas de frutas.
Ela colheu uma diretamente, limpou e mordeu. Era um pouco azeda, um pouco doce. Assim é a vida.
Esse espaço deveria ser da família Kikkawa, mas agora era de Bai Ling. Às vezes, ela sentia um pouco de inquietação interior, mas não podia compartilhar com ninguém, nem contar a verdade a Yoshihiro Kikkawa, apesar de terem uma boa relação agora. Mas algo tão bom, mesmo que ela não quisesse o espaço do anel, não significava que a família Kikkawa, ao saber de sua existência, não a prejudicaria.
E desta vez, ao entrar, Bai Ling notou um fenômeno estranho: a água da fonte sob o totem do anel não era mais preta como antes, mas estava ficando clara. Por quê? Ela não entendia e não conseguia descobrir. Decidiu que, ao chegar em Hong Kong, pegaria um pouco da água para testar, para ver qual era a função dela. Mas uma coisa era certa: a água não era venenosa, porque o Pequeno Carente e seus semelhantes bebiam dela. Se fosse tóxica, já teriam morrido há muito tempo, e não estariam se reproduzindo como agora.
Ao chegar em Hong Kong, a primeira coisa que Bai Ling fez foi abrir os materiais enviados por Yoshihiro Kikkawa. O conteúdo era exatamente igual ao que Li Baojian havia sugerido. Ela sentiu que precisava esclarecer as coisas com Joel; quanto mais cedo, melhor.
"Joel, voltei para Hong Kong. Podemos nos encontrar?" Bai Ling falou ao telefone.
Joel não esperava que ela já tivesse voltado. Hesitou por um instante e disse: "Claro. Vou te buscar hoje à noite, que tal?"
"Não precisa. Vou eu mesma. No 'Zhuang Yuan Lou', no lugar de sempre, às sete!" Bai Ling desligou sem querer dizer mais uma palavra com Joel. Ela achava que já estava calma, mas não era tão simples assim.
Joel segurou o telefone, distraído, com um pressentimento estranho, inquieto. Olhou para o relógio na parede e, pela primeira vez, sentiu o tempo passar rápido demais, desejando que parasse para não ter que ir ao encontro. Mas, contraditoriamente, também queria que o tempo passasse rápido para ver Bai Ling logo.
Bai Ling chegou ao salão reservado cinco minutos antes. Joel já estava esperando lá dentro. Pontualidade era uma grande virtude de Joel; ele nunca se atrasava, talvez pela rigidez alemã que permeava todos os aspectos. Um terno feito sob medida, de excelente confecção, realçava a silhueta elegante de Joel. Seus cabelos loiros estavam penteados de forma graciosa. Os traços profundos, sob a luz, pareciam ainda mais marcantes. O brilho nos olhos rivalizava com as luzes pontilhadas. Seus lábios finos e sensuais, ao se moverem, exalavam ainda mais charme.