"Bom, eu gosto bastante de animes japoneses, me compra alguns para trazer!" Bai Han disse, pegando Xiaogen do colo da senhora Xi. Bai Ling estava bebendo água e quase se engasgou, pensando intrigada: "Desde quando minha mãe ficou tão moderna?" Vendo a reação exagerada de Bai Ling e o espanto dos outros, ela não pôde deixar de rir: "Por que tanto espanto? Só porque só leio livros de medicina, não posso ler outras coisas?"
"Pode, claro que pode! Só não sabia quando você adquiriu esse gosto?" Bai Ling perguntou curiosa. "Foi no mês passado, vi um livro no seu quarto e achei bem interessante! Quero ler mais, não pode? Só vocês jovens podem ler, e eu não?" rebateu Bai Han. "Ah, entendi, se você gosta, compro mais para você!" Bai Ling não perguntou mais, pois se insistisse, a mãe começaria a exagerar, já que a idade é algo que a preocupa muito.
"Assim está melhor. Lá fora, tome cuidado!" aconselhou Bai Han. "Sei, mãe, não vou me meter em problemas." Bai Ling estava distraída, pensando em um ótimo tema para uma série de TV baseada em mangá, como dramas juvenis de ídolos, tipo o popularíssimo *Meteor Garden*, ou filmes inspiradores de esportes. As séries da TVB ainda eram muito monótonas em comparação com o futuro. Precisava de temas inovadores, e os esportes ainda eram um nicho vazio. Se fizesse uma boa série, com certeza seria um sucesso, e ainda seria mais fácil passar pela censura no continente. Quanto aos dramas juvenis, Bai Ling pensou no brega, mas popularíssimo *Princesa Pearl*, que se bem feito, não só os protagonistas, mas coadjuvantes, empregadas e eunucos ficariam famosos—era realmente "um homem iluminado, e todos ao redor sobem ao céu". Essas séries arrasa-quarteirão trariam muito lucro. Só de pensar, Bai Ling já babava.
"Bai Ling, neste fim de semana, vou te convidar para jantar!" a voz de Joel veio, suave como jade, sempre gentil. Desde que Joel saiu batendo a porta sem explicação, a relação entre os dois não era próxima nem distante, mas faltava a intimidade de antes.
Bai Ling folheou a agenda à sua frente e disse: "Desculpe, Joel, neste fim de semana vou com a tia Xi ao Japão para negociar, então não posso jantar contigo. Quando voltar, te convido, ok?"
Do outro lado, Joel não respondeu. Ele e Bai Ling já estavam tão distantes que ela não contava nada a ele, e ele não perguntava mais.
Depois de um tempo, Joel disse em tom grave: "Tudo bem, então quando você voltar do Japão."
"Hum!" Bai Ling desligou o telefone imediatamente, como se estivesse fugindo de uma fera. O desconforto entre os dois já permeava todos os aspectos da vida—não só nos encontros, mas até nas ligações, que deixavam Bai Ling sem graça, sem saber o que dizer. A bomba-relógio plantada antes não foi desarmada, e ambos eram teimosos. Joel achava que Bai Ling deveria se explicar sobre o ocorrido, enquanto ela via aquilo como uma amizade normal, sem necessidade de explicação. Assim, foram se distanciando.
Na sexta-feira, depois da escola, Bai Ling quis convidar Li Ziqing, Zhang Huixin e Yang Chunxing para irem ao Japão, mas as três estavam ocupadas e não foram. Bai Ling foi sozinha com Xi Qingqing. Assim que desceram do avião, viram Eiko esperando pessoalmente. Ao ver Bai Ling e Xi Qingqing, ela fez uma reverência profunda, num cumprimento tradicional.
"Senhora Xi, Senhorita Bai, bem-vindas ao Japão. A viagem deve ter sido cansativa; vamos deixar a bagagem, descansar um pouco e depois almoçar, que tal?" perguntou Eiko educadamente, com um rosto delicado e traços graciosos, que não parecia ter mais de trinta anos.
"Obrigada, senhora Eiko!" respondeu Xi Qingqing educadamente. O segurança carregou a bagagem para o carro, e foram direto ao hotel.
O hotel era uma construção japonesa tradicional, com tudo o que se podia desejar: comida, bebida, lazer e até fontes termais.
"Descansem bem; depois vamos almoçar juntas, ok?" sugeriu Eiko, vendo que ainda era cedo.
Bai Ling e Xi Qingqing cochilaram um pouco no quarto, trocaram de roupa e foram almoçar com Eiko. Comeram pratos tradicionais japoneses: sashimi, sushi...
Depois do almoço, discutiram alguns detalhes e marcaram a assinatura do contrato para a manhã seguinte.
"O que vocês duas querem fazer à noite? Que tal eu levá-las para passear por aqui?" sugeriu Eiko, querendo aproveitar o tempo juntas para se conhecerem melhor e fortalecer a amizade.
"Ótimo! Adoro explorar lugares novos; já ouvi falar que há muitas coisas interessantes aqui!" disse Xi Qingqing animada, pegando a bolsa.
Bai Ling balançou a cabeça: "Tia Eiko, vá passear com a tia Xi. Um amigo meu vai me visitar daqui a pouco."
"É o Yuta, não é?" perguntou Xi Qingqing curiosa.
"Claro, é o Yoshikawa Yuta. Não tenho outros amigos no Japão! Não vou atrapalhar vocês." Bai Ling riu, franzindo o narizinho, mostrando toda a sua inocência. Embora parecesse uma criança ingênua, Eiko não a via mais assim—depois da negociação, viu que Bai Ling era muito mais astuta que Xi Qingqing. Se não fosse por ela, talvez tivessem conseguido mais vantagens. Bai Ling era muito inteligente.
Quando Eiko ouviu Bai Ling mencionar Yoshikawa Yuta, abriu a boca surpresa: "Vocês conhecem o Yoshikawa Yuta? A família Yoshikawa é uma grande linhagem aqui, com séculos de história."
"Minha cunhada é uma médica chinesa famosa; já salvou a vida do atual chefe da família Yoshikawa, Yoshikawa Masakazu. Desde então, temos uma certa amizade. O Yuta e a Bai Ling são amigos próximos." explicou Xi Qingqing, com orgulho no rosto.
Ao ouvir isso, os olhos de Eiko não só mostraram surpresa, mas também choque. A família de Eiko não podia se comparar à dos Yoshikawa; ter uma boa relação com eles traria grandes benefícios para todo o clã. Eiko queria ficar, mas Bai Ling não a convidou. Se soubesse, não teria sugerido sair; se tivesse ficado no hotel, talvez encontrasse o Yuta. Agora era tarde para se arrepender, então levou Xi Qingqing para passear, pensando em como se aproximar de Yoshikawa Yuta.
Bai Ling estava sentada no local combinado, folheando uma revista entediada.
"Xiao Ling!" A figura alta e magra de Yoshikawa Yuta apareceu, parecendo muito feliz.
"Por que demorou tanto? Esperei até ficar com cabelos brancos!" exagerou Bai Ling, dizendo que esperou muito.
Yoshikawa Yuta olhou para a graciosa Bai Ling, pensando: "Se você realmente pudesse esperar por mim até ficar de cabelos brancos, eu morreria feliz."
"Tive um imprevisto, por isso me atrasei. Você já comeu?" perguntou Yuta gentilmente.
"Já comi. Pela sua cara, acho que não comeu. Vamos! Vamos comer! Depois me acompanhe para comprar mangás!" disse Bai Ling sorrindo. "Ah, e tenho um favor a te pedir!"
Na sala privada, Bai Ling e Yuta se ajoelharam em almofadas. Enquanto esperavam a comida, Yuta perguntou: "Que favor é esse?"
"É que meu pai adotivo quer importar alguns equipamentos do Japão e me pediu para te ajudar." Bai Ling riu, entregando a Yuta uma pasta grossa com dados dos equipamentos. Ela não entendia o japonês, e os números eram muito complexos.
Yuta pegou, deu uma olhada e assentiu: "Embora seja um pouco difícil, posso conseguir alguns conjuntos. Fique tranquila, garanto que estarão lá até março do ano que vem." garantiu Yuta.
"Tem que esperar tanto tempo?" Bai Ling fez beicinho, insatisfeita.
Yuta riu da expressão dela: "Você acha que esses equipamentos são como alface no supermercado, que se compra na hora? Eles são feitos sob encomenda, não têm prontos. Quatro meses é o mais rápido possível."
"Tá bom, confio em você. Já que disse que pode ajudar, fique tranquilo, meu pai adotivo não vai te pagar mal." agradeceu Bai Ling. A porta deslizante se abriu, e a comida foi servida. "Yuta, come logo! Depois me leva para comprar mangás!"
"Claro." Yuta estava realmente com fome e comeu à vontade na frente de Bai Ling. Mesmo assim, seus gestos ao comer eram elegantes. Já Bai Ling, do outro lado, não era tão elegante—não estava acostumada a se ajoelhar ou sentar de pernas cruzadas, então sentou-se diretamente no chão, priorizando o conforto. Yuta apenas balançou a cabeça, rindo; só Bai Ling agia com tanta naturalidade.
Depois de comer, Yuta descansou um pouco e perguntou: "Como é que você começou a ler mangá?"
"Não sou eu, é minha mãe que gosta!" riu Bai Ling. "E ainda por cima, gosta de mangás de esportes!"
"Ah, a tia Xi? Quem diria!" disse Yuta sorrindo. "Hoje vou te levar para conhecer bem os lugares; quando eu era criança, também gostava de mangá e sei onde tem a maior e mais completa coleção."
"Legal! Vamos nessa!" gritou Bai Ling, pegando a bolsa para sair.
Entrando no carro de Yuta, Bai Ling elogiou: "Trocou de carro de novo? Esse é bom!"
"Foi presente de alguém. É razoável; se você gostar, pode ficar com ele." disse Yuta sério.
"Ah, por um lado, não gosto de dirigir; por outro, prefiro a solidez dos carros alemães, que passam mais segurança." Bai Ling balançou a cabeça. "Fique com ele."
"Você despreza tanto os carros japoneses?" reclamou Yuta. "Este é o melhor e mais novo modelo do Japão."
"Rá, se você ouvir uma ignorante como eu, vai acabar se irritando!" disse Bai Ling, convencida.
"É verdade, você é uma completa leiga em carros. Suas palavras não contam." disse Yuta. "Você só se interessa por flores e plantas; essas latas velhas são só meios de transporte para você."
Logo chegaram ao destino. Bai Ling disse: "Chegamos, rápido, rápido!" Antes mesmo de o carro parar completamente, ela já tinha descido e entrado apressada.
"Já que ainda é cedo, por que tanta pressa?" Yuta a seguiu, rindo sem graça. Toda vez que ele chegava perto, Bai Ling corria para outro lugar. No fim, com a ajuda de Yuta, Bai Ling comprou duas sacolas cheias de mangás, o suficiente para a mãe Bai Han ler.
"Yuta, você já leu o mangá *Meteor Garden*?" perguntou Bai Ling curiosa.
Yuta pensou um pouco: "Nunca ouvi falar. Pode ser que não tenha visto há muito tempo; não é estranho não conhecer. Quando tiver tempo, vou pesquisar; se tiver, mando para você."
"Legal, obrigada!" disse Bai Ling sorrindo.
"Entre nós, não precisa agradecer!" disse Yuta rindo. "Nossa amizade de anos não é à toa."
"É verdade. Vamos, quero comer uns petiscos daqui, vamos!" disse Bai Ling animada.
"Vamos, conheço uns lugares bons perto daqui, garanto que você vai querer lamber os dedos!" Yuta pegou a mão de Bai Ling e a puxou para frente.
"Que bom, adoro comida!" Bai Ling ficou radiante. Entregou os mangás para Xia Fan atrás e foi animada com Yuta comer. Bai Ling sempre teve um apetite enorme e adorava comida.
Bai Ling e Xi Qingqing completaram a viagem ao Japão com sucesso. Na volta, Bai Ling trouxe muitos mangás, enquanto Xi Qingqing trouxe muitas roupas—uma para Bai Ling, uma para Bai Han e uma para Xiaogen.
"Tia Xi, você voltou de mãos cheias: ganhou dinheiro, mas também gastou muito!" disse Bai Ling, vendo Xi Qingqing arrumar as compras.
"É que quando vejo roupas bonitas, quero comprar todas. Vou deixar as roupas aqui e levar uma por uma, senão o Lin Long vai se assustar com meu exagero!" disse Xi Qingqing, arrumando as roupas.
"Pois é, se eu fosse homem, também me assustaria com uma mulher tão gastadora!" disse Bai Ling, mordendo uma maçã enquanto olhava as roupas na mala.
"Gastadora? Sua pestinha, de onde tira tanta ideia?" repreendeu Xi Qingqing. Que criança, já querendo dar lições em mim.
Durante a viagem ao Japão, Bai Ling visitou vários lugares com Yuta e se divertiu muito.
Joel segurava fotos de Bai Ling e Yuta juntos, comendo doces refinados, com migalhas nos cantos da boca, rindo alegremente.
Meli trouxe uma xícara de chá de crisântemo perfumado: "Irmão Joel, toma o chá!"
Joel não respondeu, mas quando se deu conta, Meli já tinha pegado as fotos. Vendo Bai Ling com um homem estranho, ficou surpresa: quem era aquele?
Sem demonstrar, ela colocou as fotos de volta no lugar e perguntou baixinho: "Quem é esse homem?"
Joel nem olhou para Meli: "Isso não é da sua conta."
Meli tocou o nariz e murmurou: "Não é da minha conta, mas tem a ver com a Bai Ling! Olha como os dois estão íntimos. Você e a Bai Ling são namorados, mas nem parecem tão próximos."
"Eles são só amigos!" defendeu-se Joel, mas sem convicção. Nem ele mesmo acreditava que entre os dois era só amizade.
"Nós também somos só amigos, mas não somos assim. Se você fosse tão íntimo comigo, aí eu acreditaria." disse Meli maliciosamente. "Não se engane; só um idiota acreditaria que não há nada entre eles."
Primeiro um Bai Lichen, agora um Yoshikawa Yuta. Será que Bai Ling realmente os via como amigos comuns, ou ela era muito volúvel? Joel não queria mandar segui-la, mas uma vez plantada a semente da dúvida, ela crescia. Ao ver as fotos, sua confiança diminuiu ainda mais.