Joel deu uma volta pelo quarto, viu que ainda havia outro cômodo e perguntou: "Posso ficar neste quarto?"
Bai Ling pulou na frente de Joel, bloqueando a porta, e disse apressadamente: "Não, este é o quarto da irmã Chunxing, então homens não podem entrar!"
"Você não quer que eu fique por aqui?" Joel piscou os olhos e falou num tom muito sugestivo.
"Sai daqui, sua mente impura." Bai Ling usou as duas mãos para empurrar Joel para fora. "Além disso, você está doente e ainda precisa cuidar da tia Michelle, então não pode ficar aqui."
Joel disse com ar de superioridade: "Ah, então quer dizer que depois que eu e a mamãe melhorarmos, poderei ficar aqui?" Ele olhou para o quarto de Bai Ling.
"Sonhe!" Bai Ling, como uma pequena pantera provocada, correu para o próprio quarto, tocou o rosto levemente vermelho e ficou aliviada, aquele Joel era muito malvado.
Vendo Bai Ling fugir em desespero, Joel riu alto atrás dela. Fazia muito tempo que ele não ria tão abertamente, foi realmente muito prazeroso.
Depois de um bom tempo, Bai Ling voltou: "Por que eu corri? Não fiz nada de errado. Quem fez coisa errada, quem tem pensamentos sujos, é aquele cara lá fora." Bai Ling reuniu coragem para revidar, não podia deixar Joel ter a iniciativa.
"Já resolveu sair?" Assim que Bai Ling abriu a porta, Joel, sentado no sofá, nem levantou a cabeça e, com uma frase, dissipou toda a coragem que ela tinha acabado de juntar, deixando-a parada na porta, sem saber se entrava ou saía.
Ao lembrar do relógio na parede, que já estava quase na hora de ir ao laboratório, ela disse: "Quem liga para você? Vou para o laboratório!" E saiu andando rápido, ignorando completamente Joel, que estava todo satisfeito atrás dela. Bai Ling pensava: como esse homem é tão malvado, mas no fundo sentia um calorzinho, uma doçura.
Naquela noite, Joel encenou simplesmente o clichê de que "homem malvado, mulher ama", mas a trama era bem simples, então foi só uma pequena provocação.
Bai Ling foi para o laboratório com o rosto vermelho e o coração quente. Chegou na pia, pegou um punhado de água e jogou no rosto, tentando se livrar daquela agitação causada pelo homem. Originalmente, Bai Ling tinha aceitado ser namorada de Joel, achando que era só de boca, mas, ao longo de mais de um ano de convivência, Joel já tinha entrado na vida dela sem que ela percebesse.
Bai Ling ficou enrolando no laboratório por mais de duas horas até finalmente sair. Quando voltou ao quarto, viu um bilhete na mesa: "Querida, voltei em casa para resolver um assunto, volto à noite."
"Quem se importa se você vem?" Bai Ling olhou para as palavras na mesa e resmungou: "Esse cara é realmente exagerado."
Sentindo-se um pouco cansada, Bai Ling tomou banho e foi dormir no quarto. Quando acordou, lá fora já era pôr do sol, o céu escurecendo.
"Clique!" A porta foi aberta. Bai Ling, alerta, levantou-se da cama e ainda lembrou de pegar sua espada grande debaixo do travesseiro.
Como a espada de madeira de Bai Ling já tinha cumprido seu papel, o velho Lin deu a ela uma espada que tinha comprado antes. Quanto à espada de cabo vermelho do velho Lin, ainda estava guardada diante do Buda.
Quando Joel se virou para fechar a porta e calçar os chinelos, viu uma figura segurando uma espada grande, descalça, com o cabelo bagunçado e o rosto ainda ruborizado de sono. A cena assustou Joel, que quase deixou cair o que estava segurando.
"Como você tem a chave do meu quarto?" Bai Ling franziu a testa e perguntou, ainda meio irritada por ter acabado de acordar.
Joel mostrou o chaveiro com um boneco pendurado e disse sorrindo: "Peguei na sua mesa, mas posso ficar com uma chave?"
Bai Ling pegou as chaves da mão de Joel, tirou uma chave reserva do armário ao lado e disse: "Toma esta, mas você não pode vir sempre, atrapalhando o trabalho. Além disso, a irmã Chunxing ainda vai morar aqui, não é conveniente."
"Entendi. Quando eu vier, vou garantir que você esteja aqui, assim está bom?" Joel prometeu, com um ar de resignação, pensando como tinha se apaixonado por essa pessoa tão complicada.
"Por enquanto é assim. Vou me lavar!" Bai Ling se virou e foi para o banheiro ao lado.
Quando Bai Ling saiu do banheiro, sentiu um cheiro estranho e exclamou: "Os bolinhos fritos do Restaurante Zhuangyuan!"
"Sabia que você adora, então quando voltei para casa, passei no Restaurante Zhuangyuan para comprar. Come enquanto está quente, vou pegar um copo de água para você." Joel sentou Bai Ling na cadeira e disse baixinho, sorrindo: "Não coma muito disso, comprei outras coisas também."
"Hum, hum!" Bai Ling, sem usar os hashis, pegou um com a mão e colocou na boca. Felizmente não estava muito quente; se tivesse saído agora da frigideira, o caldo dentro teria queimado.
Vendo Bai Ling comer com um ar infantil, Joel só balançou a cabeça. Ele ficava feliz que Bai Ling se soltava na frente dele. Só quem era próximo sabia desse jeito engraçado de comer de Bai Ling. Quanto à etiqueta à mesa, quando havia estranhos por perto, Bai Ling era tão refinada que não podia ser mais, sem cometer o menor erro. Essa era também a razão pela qual Joel não se preocupava.
Quando Joel saiu da cozinha, Bai Ling já tinha devorado três bolinhos. O chá de crisântemo já estava preparado, ela serviu direto da garrafa térmica.
"Devagar, vá com calma, não engasgue. Tem muitas variedades." Joel colocou o chá na frente de Bai Ling e disse sorrindo. Ver Bai Ling comer era uma felicidade. Ele tirou calmamente de uma sacola ao lado mais alguns doces que Bai Ling adorava, fazendo com que os olhos grandes dela se fechassem em duas luas crescentes, e as covinhas profundas ficassem ainda mais encantadoras.
"Obrigada!" Bai Ling disse docemente, do fundo do coração.
Joel pensou agora: toda vez que via o sorriso desprevenido de Bai Ling, aquele sorriso doce, parecia estar sempre relacionado a comida. Pensando nisso, Joel já sabia o que fazer: ficar de olho nas comidas deliciosas do mundo inteiro para conquistar um sorriso dela não era algo tão difícil.
"Você não vai comer?" Bai Ling olhou para as coisas na frente, com a boca cheia de óleo, e só depois de estar meio satisfeita lembrou de convidar Joel.
Joel imitou Bai Ling, lavou as mãos e comeu com elas, pegando os bolinhos de sopa, um de cada vez, muito gostosos. Vendo Bai Ling comer com tanto prazer, Joel também acelerou o ritmo, e realmente era diferente. Joel achou que era só impressão, mas as coisas que já tinha comido antes pareciam ainda mais saborosas desta vez.
Vendo a comida na mesa diminuir, Bai Ling fez bico e disse: "Deixa um pouco para mim!"
Joel, por hábito, beliscou o rosto de Bai Ling, deixando duas marcas de dedos oleosos. Bai Ling gritou: "Seu malvado, não só rouba minha comida, como ainda me enche a cara de óleo!" E, largando o que tinha na mão, correu para o banheiro, sem esquecer de avisar: "Espera eu voltar para continuar comendo." Bai Ling protegia a comida a esse ponto, algo realmente raro.
Joel obedeceu e não comeu, esperando por Bai Ling, tomando chá de crisântemo, tranquilo e elegante, como um jovem refinado. O jeito de comer com as mãos parecia nunca ter acontecido com ele.
Quando saiu, Bai Ling deu um arroto e disse: "Na verdade, você pode comer um pouco mais, já estou quase satisfeita. Senão, se comer demais, não vou conseguir dormir à noite."
Joel, que naturalmente não comia muito, já tinha se satisfeito depois de disputar a comida com Bai Ling. Comeu mais dois bolinhos de vidro e deu a janta por encerrada.
"Você não vai voltar para casa hoje à noite?" Bai Ling perguntou curiosa. Depois de comer, os dois sentaram no sofá, de costas um para o outro, lendo coisas. Bai Ling lia livros de medicina, Joel lia documentos da empresa. Os documentos de Joel eram todos confidenciais, mas ele não os escondia de Bai Ling, porque confiava que ela não vazaria nada, e a índole dela não permitiria tal coisa.
"Você está me convidando a ficar?" Joel virou a cabeça e perguntou com interesse, com um sorriso malicioso no canto da boca.
Bai Ling antes achava Joel uma pessoa antiquada e teimosa, mas agora essa opinião já tinha ido para o lixo. Bai Ling percebeu claramente que todo homem tem potencial para ser malvado; só não se manifestava antes porque a hora não tinha chegado.
"Querido, eu só tenho dezesseis anos. Ser sua namorada já é namoro precoce. Você espera que a gente dê o próximo passo agora?" Bai Ling disse com os músculos faciais meio contraídos. Será que Joel não só tinha potencial para ser malvado, mas também era um animal disfarçado?
"Na verdade, dezesseis anos não é tão pequeno. Eu sei que na história do seu país, as meninas de quinze anos já podiam se casar e ter filhos." Joel disse com ar sério, exibindo o pouco que sabia da história chinesa.
"Isso era antes. Se você tentar algo à força agora, primeiro, é crime. Segundo, se eu resistir, você não vai se dar bem, e talvez nem consiga me vencer." Bai Ling olhou com um sorriso irônico para a espada grande na borda da mesa, que brilhava com uma luz fria sob o abajur.
Joel seguiu o olhar de Bai Ling e viu a espada grande. Arrepiou-se. Então ter uma namorada forte não era tão bom assim. No máximo, era bom, mas não dava para fazer tudo o que queria.
Como Bai Ling tinha dormido muito à tarde, não estava com sono. Leu um pouco e depois foi ao laboratório coletar dados novamente. Quando voltou, viu, sob a luz fraca, um belo homem deitado no sofá, com documentos espalhados, alguns no sofá, outros no chão. Bai Ling, com cuidado, pegou os papéis do chão e os colocou na mesinha ao lado. Depois foi ao quarto pegar um cobertor para cobrir Joel. A luz grande já estava apagada, só o abajur ao lado do sofá estava aceso. A luz noturna do abajur emitia um brilho suave e ambíguo. O cabelo loiro e macio de Joel, meio desalinhado por causa da posição de dormir, ainda assim não perdia a beleza. Os traços profundos do rosto ficavam ainda mais tridimensionais. Os cílios longos formavam um leque perfeito.
Seguindo os lábios rosados de Joel, o queixo sensual, o pescoço esguio e as clavículas sexy, Bai Ling engoliu saliva sem querer, lambeu os lábios secos e, na mente, travava uma batalha interna: "Só um beijinho, já estou há tantos anos sem isso, já aguentei muito. Vou sentir aquele gostinho de novo. Um beijo rápido não significa nada." Outra voz gritava: "Não pode ser tão fácil. Embora tenha coração de adulta, agora tenho corpo de adolescente. Não posso me entregar à tentação e deixar Joel pensar que sou uma pessoa fácil."
Bai Ling se levantou, respirou fundo algumas vezes, sem perceber que Joel, que parecia profundamente adormecido, já tinha aberto os olhos e olhava com um leve sorriso para Bai Ling, que estava em pânico. Então ela não era indiferente a ele.
Quando olhou para Joel novamente, já tinham se passado mais de dez minutos. Bai Ling finalmente tomou uma decisão: só um beijinho, para sentir como eram aqueles lábios rosados. Depois de beijar, iria embora imediatamente, sem acordar Joel.
Bai Ling foi na ponta dos pés até Joel, aproximou-se devagar do rosto bonito dele e deu um beijo leve nos lábios. De repente, arregalou os olhos: o que era aquela coisa macia e lisa que lambeu os lábios dela? Seria a língua de Joel? Ele estava acordado? Bai Ling se afastou rapidamente, mas viu que Joel não dava sinais de ter acordado. Ela saboreou a sensação de arrepio do beijo, sentiu o nariz quente. Nossa, estava sangrando. "Au, au", correu para o banheiro, inclinou a cabeça para trás e bateu água fria na testa.
Vendo Bai Ling fugir para o banheiro, Joel quase explodiu de rir, mas, lembrando do temperamento de pantera dela, segurou o riso, com medo de que, se ela ficasse furiosa, o expulsasse.
Quinze minutos depois, Bai Ling saiu do banheiro. Tinha perdido bastante sangue pelo nariz, estava tonta e meio fraca. "Homem bonito é pior que tigre!" Bai Ling correu para o quarto para dormir. Ficou muito tempo na cama, virando de um lado para o outro, sem conseguir dormir. O homem bonito estava ali fora. Antes, quando a relação com Joel não tinha sido esclarecida, Bai Ling conseguia fingir que não sabia de nada, mas, depois que o véu foi rasgado, ela não conseguia mais ser tão natural como antes. Meio sonolenta, Bai Ling adormeceu. No dia seguinte, acordou com o despertador, já era hora de ir ao laboratório.
Ao passar pelo sofá da sala, não viu Joel e achou que ele já tinha ido embora. Meio sonolenta, abriu a porta do banheiro. "Ah!" Bai Ling gritou. "Você ainda está aqui?"
Joel, com o queixo cheio de espuma, estava fazendo a barba. Bai Ling agradeceu por ter entrado de olhos semiabertos, e não ter ido direto sentar no vaso sanitário, senão teria sido um vexame.
Bai Ling segurou a barriga e disse alto: "Sai daí, estou com dor de barriga!"
Joel, todo satisfeito, saiu fazendo a barba. Bai Ling finalmente se sentou no vaso, mas, ao pensar que lá fora estava um homem com quem ela tinha acabado de firmar um relacionamento, ficou tão nervosa que suou frio e não conseguia começar o "trabalho de desintoxicação" do dia. Sem paciência, gritou: "Vai para longe!"
"Ha ha ha!" Joel não aguentou mais e caiu na gargalhada lá fora.
Bai Ling, usando o som da descarga para abafar, resolveu tudo rapidamente, completou o "trabalho de desintoxicação", lavou-se e saiu. Viu Joel na pia da cozinha, lavando a espuma do rosto, e ainda esquentando os doces que sobraram do dia anterior. Imitando o jeito de Bai Ling de fazer mingau no dia anterior, preparou um pouco de mingau e disse: "Come antes de ir para o laboratório."
"Não dá tempo, vou primeiro para o laboratório." Bai Ling disse, pegou um bolinho de massa, colocou na boca e saiu correndo para o laboratório.
Joel teve que esperar por Bai Ling. Enquanto isso, arrumava os documentos que ela tinha deixado, olhando de vez em quando para o relógio na parede. O tempo passava tão devagar.
Quando Bai Ling voltou, duas horas depois, perguntou: "Você ainda não foi embora?"
"Esperei você para tomar café da manhã juntos antes de ir." Joel disse sorrindo, de ótimo humor desde cedo.
Como um dono de casa, Joel colocou o café da manhã na mesa e serviu o mingau e os acompanhamentos para Bai Ling. Comportou-se muito bem, e Bai Ling ficou satisfeita.
Assim que terminaram de comer, o telefone tocou. Era Bai Han: "Xiao Ling, chegaram de B City os amigos Zhu Mengxi, Li Baojian e Tingting, dizendo que têm algo para falar com você. Se tiver tempo, dá uma passada em casa."