Bai Ling correu de volta e viu uma empregada abrindo um pacote de papel. Perguntou em voz alta: "O que você está fazendo?"
"Ah!" A empregada deixou cair o que tinha nas mãos no chão. Virou-se, viu Bai Ling, hesitou por um instante, pegou um jarro de cerâmica ao lado e tentou acertar Bai Ling.
"Clang!" Bai Ling desviou. "Pare! Não me force a agir!" Bai Ling gritou.
Mas a empregada, com medo de ser pega, queria correr para fora o mais rápido possível, mas Bai Ling bloqueava a porta. Vendo que Bai Ling era uma garotinha baixa e magra, não a levou a sério. Deu alguns passos largos e se jogou em cima de Bai Ling.
Bai Ling viu que a empregada resistia teimosamente, sem se render facilmente. Mas Bai Ling também não era fraca. Desviou-se com agilidade, correu para trás da empregada e deu um golpe de mão na nuca dela. Após ser atingida por Bai Ling, a empregada, de porte alto, caiu mole no chão.
Bai Ling abriu a porta e gritou: "Joel, Catarina, desçam rápido!"
Joel ouviu o grito alto de Bai Ling e desceu correndo rapidamente. Mas, por causa da pressa, mais parecia uma descida apressada. Ao chegar, perguntou: "Pequena Bai Ling, o que houve?"
"Olha, essa empregada, enquanto eu estava no banheiro, tentou colocar um pacote de pó nos medicamentos. Fui descoberta, e ela ainda tentou me matar. Agora eu a nocauteei." Assim que Bai Ling terminou de falar, viu atrás de Joel quatro homens altos, de terno impecável, em postura solene. Deviam ser os seguranças de Joel.
Joel se aproximou e perguntou: "Bai Ling, você está bem?"
"Estou bem. O pó todo caiu no chão. Recolham rápido e mandem analisar para saber o que é. Quanto a essa empregada, é preciso interrogá-la a fundo para descobrir quem a mandou envenenar."
Joel deu um sinal aos homens de preto atrás dele e disse: "Recolham o pó do chão, levem para análise e me digam o que é. Ben, leve essa empregada para baixo e interrogue-a bem, descubra tudo o que ela sabe!" A voz de Joel parecia vir do inferno.
Agora, só restavam Bai Ling e Joel no quarto. Bai Ling sentiu um arrepio tão forte que criou pele de galinha nos braços. Limpou a garganta e disse: "Joel, ainda preciso verificar se cada medicamento está com problema. Se você tiver algo a fazer, pode cuidar dos seus afazeres."
Joel não respondeu, esforçando-se para conter a raiva. Precisava encontrar o mandante e dar uma lição, fazendo com que passassem o resto da vida na cama, sentindo dores infinitas.
Bai Ling, vendo que Joel não respondia, ignorou-o e começou a examinar cuidadosamente cada gaveta pequena, certificando-se de que não havia mais nada. Quando terminou de verificar todas as gavetas, percebeu que Joel ainda estava lá.
"Joel, você ainda está aqui?" Bai Ling perguntou curiosa. Joel não deveria estar interrogando a empregada que tramava algo?
Joel levantou a cabeça, com raiva, amargura e tristeza nos olhos, murmurou: "Pequena Ling, se você estivesse no meu lugar, o que faria?"
Bai Ling podia relevar outras coisas, mas quando se tratava da mãe, não cedia um passo. Sem hesitar, disse: "Primeiro, proteger a mãe. Depois, encontrar o culpado e puni-lo severamente. O melhor é fazer o mandante desaparecer do mundo, para eliminar futuros problemas."
Joel assentiu e disse: "Sei o que fazer! Sempre fui muito mole. Desta vez, não serei. Pequena Bai Ling, a partir de agora, quando você entrar na mansão, dois seguranças vão protegê-la nas sombras. Espero que não recuse."
"Obrigada, mas esses seguranças precisam ser pessoas de confiança!" Bai Ling instruiu. "Joel, você é bondoso. Bondade só para os familiares, mas com os inimigos, é preciso ser implacável. Isso é o certo. Retribuir o mal com o bem, isso não precisamos fazer. Não somos Jesus."
Ouvindo as palavras de Bai Ling, Joel finalmente sorriu e disse: "Bai Ling, você é incrível!"
"Sem problemas! Agora vou trancar a porta e vamos juntos ver a tia Michelle." Bai Ling arrumou tudo e colocou nos lugares originais.
Michelle já tinha tomado o remédio. Embora amargo, o coração estava doce. Disse: "Obrigada, Sra. Xi. Posso ser sua amiga?"
Bai Han sorriu com sinceridade e disse: "Já somos amigas! Não posso ajudar em outras coisas, mas tratar sua doença é meu dever. Quando você melhorar, vou receitar mais alguns remédios para um bom ajuste, e com certeza vou ajudá-la a recuperar a beleza de antes."
Toda mulher gosta de beleza. Desde que Michelle acordou, pediu um espelho à empregada e, ao ver o próprio rosto, chorou escondida várias vezes.
"Sério?" Michelle perguntou muito feliz.
Bai Han assentiu firmemente e disse: "Então, agora você precisa abandonar todos os fardos. Só assim poderá se recuperar melhor e mais rápido."
Ao ouvir isso, Michelle deixou de ter preocupações. Só esperava se recuperar logo, recuperar a beleza incomparável, e disse alegremente: "Sra. Xi, você é um anjo enviado por Deus, trazendo saúde e felicidade para mim."
Bai Han achou graça internamente. Depois de tanto trabalho, tudo virou mérito de Deus.
"Michelle, se você se sentir entediada, pode ler livros e revistas. Só durma se estiver com muito sono." Bai Han instruiu. Estava satisfeita com o estado atual de Michelle, desde que não sofresse grandes choques.
As empregadas, ao ouvir isso, trouxeram muitos livros e algumas revistas de moda. Michelle era uma mulher bonita e se interessava muito por roupas. Comentava sobre as peças e, às vezes, discutia com Bai Han.
"Michelle, você é incrível, tem uma visão tão boa sobre moda!" Bai Han elogiou. Michelle tinha muito talento.
Michelle disse orgulhosa: "Eu era designer amadora. Não era profissional em roupas, mas entendia bem. Às vezes, eu mesma fazia algumas peças para vestir. Quando eu melhorar, vou fazer duas roupas para você e sua filha, Pequena Bai Ling, como agradecimento."
"Combinado! Estamos esperando suas roupas." Bai Han acompanhou o entusiasmo de Michelle. Só assim Michelle teria expectativas na vida, ajustaria automaticamente sua mentalidade para o melhor estado, o que ajudaria muito na recuperação.
Conversaram mais um pouco, e Bai Han se despediu de Michelle. Antes de sair, instruiu Joel a não contar a Michelle o que aconteceu hoje, para não a abalar. Joel já não pretendia contar à mãe e investigaria em segredo quem era o mandante.
No carro, Bai Ling cochichou algo no ouvido da mãe, Bai Han. Ao ouvir, Bai Han franziu as pupilas e perguntou: "Você está bem?" Examinou a filha de cima a baixo para ver se havia se machucado.
"Estou bem. As técnicas que aprendi com o avô são úteis. Dei um golpe e a empregada desmaiou." Bai Ling disse orgulhosa. "Embora ela fosse grande, não sabia artes marciais, então foi fácil de lidar. Treinei por tanto tempo, hoje foi a primeira vez que usei, só um teste."
Bai Han, vendo que a filha estava bem, ficou aliviada e disse: "Essa pessoa é muito ousada, para fazer uma coisa dessas!"
"Mas isso é bom. Mostra que o outro lado não é muito inteligente, já está perdendo a cabeça." Bai Ling completou. "Vamos esperar e ver. Talvez possamos dar algumas pistas para Joel."
Chegando ao distrito das embaixadas, assim que Bai Han e Bai Ling desceram do carro, viram Zeng Guoqiang se aproximando com um envelope de papel pardo na mão. Ele disse: "Bai Han, estes são os documentos que você precisa."
Úteis ou não, Bai Han agradeceu sinceramente: "Obrigada, Irmão Zeng!"
"De nada. Daqui a meia hora vamos comer. Arrume-se primeiro." Zeng Guoqiang disse sorrindo. Ficou muito surpreso com a melhora de Michelle. Bai Han realmente tinha talento.
Depois que Zeng Guoqiang foi embora, Bai Han tirou o conteúdo do envelope e dividiu com Bai Ling. As duas começaram a ler. Bai Han e Bai Ling se entreolharam, confusas.
"Mãe, quem diria que o sério Craig também tem um caso extraconjugal." Bai Ling disse rindo. "Não dava para perceber."
Bai Han não reagiu muito. Disse: "Do ponto de vista de um amante, Craig está errado, infiel ao casamento e com um filho ilegítimo. Mas, do ponto de vista de um homem, depois de sete ou oito anos, poucos conseguem resistir. Somos de fora, não podemos julgar."
"Mãe, você acha que Joel sabe do caso de Craig? E do irmão meio-irmão?" Bai Ling perguntou duvidosa. O humor de Joel estava muito sombrio, e Bai Ling se preocupava com ele.
Bai Han pensou e disse: "Antes, talvez não soubesse. Mas desde que contamos que alguém queria matar Michelle, acredito que Joel começou a investigar. Se conseguimos descobrir essas coisas, você acha que Joel não consegue?"
Bai Ling assentiu e olhou para a mãe: "Joel é tão lamentável. De um lado, a mãe doente; do outro, a traição do pai. Deve estar sofrendo muito. Você não viu a cara de Joel quando peguei a empregada hoje. Dava medo, parecia que queria devorar alguém. Mas entendo Joel. Se fosse eu, talvez fosse ainda mais louco."
"É. Quem mais sofre agora é Joel. Ele mesmo está doente, e ainda tem que cuidar da mãe, que pode se machucar por causa da infidelidade do pai." Bai Han suspirou. Joel era só alguns anos mais velho que Pequena Ling, mas carregava tanta dor.
"Tânia, foi você que mexeu nos remédios de Michelle?" Craig sentou no sofá, olhando para a mulher ao lado, perguntou duvidoso.
Tânia sentiu um susto no coração, mas se acalmou rápido. Franzindo a testa, disse: "Como seria possível? Eu jamais faria isso! Michelle é minha amiga. Nunca faria isso! Você está suspeitando de mim?"
"Não estou suspeitando, mas Joel já descobriu muitas informações. A maioria aponta para você." Craig bebeu um gole do vinho ao lado e disse calmamente.
"Juro que não fui eu. Já disse que fico com você sem exigir status. Então não tenho motivo para matar Michelle!" Tânia se apressou em se defender. "Eu mesma ganho dinheiro. Posso sustentar Kevin."
Craig terminou o copo de uma vez, como se tivesse tomado uma grande decisão, e disse: "Você é muito boa. Aqui está um cheque de dez milhões. Se Kevin for uma pessoa decente a vida toda, esse dinheiro já dá para ele viver muito bem."
Tânia, como se estivesse irritada, empurrou o cheque de volta para Craig e disse: "Craig, já disse que posso sustentar Kevin. Não preciso do seu dinheiro!"
Craig sorriu suavemente, acreditando que Tânia não mentia, e disse: "Joel já sabe da existência sua e de Kevin. A culpa é minha. Sinto muito por não poder dar a vocês um status. E sinto ainda mais por Michelle, por ter traído o amor dela. Peço perdão a ela. E sinto muito por Joel, por ter traído a confiança dele. Então, você precisa aceitar esse cheque. Porque não posso dar mais nada a Kevin. Decidi deixar todos os meus bens para Joel e Michelle, para compensar minha traição."
Ao ouvir isso, Tânia quase se levantou para xingar Craig. Será que, para ele, só existiam Michelle e Joel? Internamente, se arrependeu de ter sido tão enfática antes. Tânia tinha usado o amor como isca para fazer Craig ceder, sem precisar de um centavo dele, esperando segurar firmemente o coração de Craig. Quando Michelle morresse, acreditava que Craig viria para ela. Mas tinha sido tão categórica que agora não havia margem para manobra. Era como atirar no próprio pé.
Tânia rangeu os dentes, reprimindo a raiva, e disse: "Faça o que quiser. Só preciso que você esteja ao meu lado."
Craig ficou muito emocionado. Receber o amor altruísta de Tânia amoleceu seu coração. Acariciou o rosto de Tânia, que não era muito bonito, mas agradável, e disse: "Você não se sente injustiçada?"
Tânia, vendo Craig amolecer, quis aumentar a pressão. Talvez Craig mudasse de ideia. Beijou os lábios de Craig e disse: "Estar com você não é nenhuma injustiça."
Craig sentiu um calor no coração. Embora a culpa aumentasse, ainda acreditou nas palavras de Tânia e ficou ainda mais decidido a dar todos os bens a Joel, para se redimir com Michelle e Joel.
"Tânia, você é maravilhosa." Craig disse sinceramente. Se antes sentia necessidade física por Tânia, agora tinha que admitir que a ofensiva gentil de Tânia já ocupava um lugar em seu coração.
Tânia se deitou no peito de Craig e perguntou: "Joel sabe de nós. E Michelle, sabe?"
Craig disse: "Michelle está se recuperando bem. Não quero que ela se abale, então não vou contar. Quando ela melhorar, vou me confessar e pedir perdão."
Tânia esboçou um sorriso sarcástico nos lábios, mas disse com a voz mais doce: "Você pensou bem. Não podemos deixar Michelle irritada por nossa causa. Espero que Michelle se recupere logo, para que minha culpa diminua." Embora dissesse isso, pensava: "Melhor morrer. Depois que morrer, tudo que é de Michelle será meu um dia."
"Sim, que Deus ouça nossas orações." Craig disse suavemente, levando Tânia para a cama. Logo, ouviram-se gemidos e gritos apaixonados e frenéticos.
Joel ouviu o relato de seu subordinado de que seu pai, Craig, tinha ido para a amante Tânia. Ficou tão furioso que seus dedos ficaram roxos, quase incapaz de segurar o copo. A dor era imensa. O arrependimento do pai ainda estava fresco em sua memória, e agora ele se jogava nos braços de Tânia. O que valia aquele arrependimento aparentemente sincero?
"Ben, a empregada confessou?" Joel perguntou, sentado na cadeira, de olhos fechados, descansando.
O assistente de Joel, Ben, crescera com ele, três anos mais velho. Joel confiava cem por cento nele, por isso algumas coisas eram tratadas por Ben.