Capítulo 1266: Capítulo 1265: 514 Rastreia 114

—Minha consulta só rende algumas centenas de milhares de dólares agora, ainda não chega a dez milhões, mas posso ficar devendo, desconta do meu salário!— disse Bai Lichen agradecido, com um leve sorriso envergonhado no rosto.

Bai Ling entendeu: o problema de Bai Lichen era o valor da consulta. Da última vez, Yang Chunxing mencionou sem querer que a consulta de Joel custava dez milhões de dólares por ano, e Bai Lichen guardou isso no coração, querendo juntar mais dinheiro antes de falar.

—Para tratar a sua mãe, só cobro o custo dos remédios— garantiu Bai Ling, conquistar aliados era essencial.

—Isso não é estranho?— disse Bai Lichen, sem jeito.

—Que estranheza o quê? Fique tranquilo, minha mãe vai cuidar bem da sua. Além disso, você é meu professor, me ajuda muito nos estudos e agora é um funcionário-chave do meu laboratório. Então é meu dever me importar com você e ajudar! E somos amigos, não precisa ficar constrangido, é um gesto simples— argumentou Bai Ling.

—Bai Ling, isso é ótimo! Vou ligar para minha mãe agora, pedir para ela vir a Hong Kong. Assim posso cuidar dela de perto e tratar a doença— disse Bai Lichen sorrindo, olhando nos olhos sinceros de Bai Ling. —Bai Ling, nesta vida, a menos que você me mande embora do seu laboratório, estou grudado em você.

—Foi você quem disse. Daqui a pouco vou preparar um contrato de escravidão, para ver como você escapa!— brincou Bai Ling.

—Pode ser, me dá qualquer coisa que eu assino. Sei que você não vai me tratar mal— disse Bai Lichen, confiante por conhecer o caráter de Bai Ling. Era a primeira vez que Bai Ling o via tão descontraído, com um jeito meio malandro.

—Que bom que você pensa assim— disse Bai Ling sorrindo. —Já terminou? Eu fiz comida lá. Se você não comeu, vou preparar mais um pouco.

—Pode ir na frente, só preciso de dez minutos!— Bai Lichen lembrou que já fazia tempo desde a última vez que comeu a comida de Bai Ling. Só de pensar no cheiro irresistível, já salivava.

—Então vou fazer mais dois pratos!— Bai Ling concordou, de humor bem melhor.

—Não, no mínimo quatro pratos, senão você não vai comer nada, vou devorar tudo— disse Bai Lichen sem cerimônia. Quatro pratos, ele comeria três e meio, e deixaria o outro meio para Bai Ling.

Bai Ling saiu do laboratório com um sorriso no rosto, voltou ao pequeno quarto, lavou, cortou e preparou seis pratos: três de carne, dois de vegetais e uma sopa. Com a carne salgada cozida no vapor, eram sete pratos. Quando Bai Lichen chegou e viu a mesa cheia, ficou com água na boca. Foi ao banheiro, lavou as mãos rapidamente, voltou à mesa e disse: —Sem cerimônia, vou comer primeiro— e virou o anfitrião, numa mudança rápida de papéis.

—Fique à vontade, coma devagar— disse Bai Ling, rindo sem graça ao ver Bai Lichen devastar os pratos.

Mas Bai Lichen claramente não sabia o que era cerimônia, varrendo a mesa em alta velocidade. Bai Ling, que já comia mais que a maioria das garotas, viu a comida diminuir e não ficou para trás; se hesitasse, só sobraria o caldo dos pratos.

Quando a mesa foi limpa, Bai Lichen e Bai Ling trocaram um sorriso, numa cumplicidade que mostrava que a mesa de jantar era um ótimo lugar para cultivar amizades.

—É a segunda vez que como algo feito por você. Muito gostoso!— Bai Lichen, por iniciativa própria, recolheu os pratos e talheres, colocou na pia, despejou detergente e começou a lavar. Lavou tudo e guardou no armário, com jeito de dono de casa dedicado. Ele tinha consciência, pelo menos fazia o trabalho de limpeza. Seus movimentos eram tão habilidosos que parecia experiente.

Sentindo o olhar curioso de Bai Ling, Bai Lichen riu e disse: —Você sabe, eu costumo viajar por aí procurando espécies novas, acampar ao ar livre é rotina. Então sei cozinhar, lavar roupa e essas tarefas domésticas. Senão, como você acha que eu teria uma saúde tão boa num ambiente tão hostil? É porque sei me cuidar. Um dia, quando tiver tempo, vou mostrar minha culinária. Pode não ser tão boa quanto a sua, mas garanto que você vai lembrar.

Enquanto Bai Ling se ocupava na cozinha de Bai Lichen, já tinha preparado duas xícaras de chá de crisântemo. O vapor subia em círculos, desenhando anéis de fumaça que se dissipavam no ar.

—Que chá de crisântemo cheiroso! O pacotinho que você me deu da última vez era tão gostoso que dei para minha mãe. Dessa vez, quando fui ao Canadá, meu presente foi o mais atencioso, ela ficou muito feliz— disse Bai Lichen sorrindo, respirando avidamente o aroma de crisântemo no ar. Esse cheiro, longo e duradouro, embora não tão intenso quanto outras flores, tinha uma penetração única que revigorava e aliviava o cansaço.

—Se você gosta, vou te dar mais. Temos muito desse chá em casa! E olha, toda a minha família bebe isso. Meu pai adotivo, por exemplo, tem muitos compromissos sociais, e essa bebida faz bem ao estômago, não prejudica a saúde e ainda ajuda a cuidar do corpo— disse Bai Ling sorrindo. O chá de crisântemo, processado pela mãe Bai Han com água do espaço, tinha propriedades ainda melhores.

—Bai Ling, você é demais! Não vou recusar— disse Bai Lichen animado. —Quando minha mãe voltar daqui a alguns dias, poderemos tomar esse chá refrescante de novo.

Vendo Bai Lichen tão preocupado com a mãe, Bai Ling ficou muito feliz. Só a mãe é boa no mundo, e ter a chance de cuidar dela é uma bênção. Bai Ling olhou distraidamente para o copo de vidro transparente, onde as flores de crisântemo já abertas flutuavam no chá, fazendo seu olhar também vagar, sem foco.

Bai Lichen, um homem muito culto e observador, notou o estado de Bai Ling e lembrou da última vez que ela se abrira com ele. Naquela época, Bai Ling estava confusa sobre os sentimentos, sem saber o que fazer, como um cervo perdido. Desta vez, porém, ela era uma cerva ferida, querendo se esconder num canto para lamber lentamente as feridas e se curar. Esse processo era longo e doloroso.

—Xiao Ling, o que houve? Está com algum problema?— perguntou Bai Lichen baixinho, preocupado. Para ele, Bai Ling era uma amiga de verdade, pois recebia dela não só respeito, mas também cuidado sincero.

Ao ouvir a voz de Bai Lichen, o olhar vago de Bai Ling começou a clarear. Ela sorriu amargamente e disse: —Sim, estou com alguns problemas.

—Se confia em mim, conte. Vou analisar para você!— Bai Lichen sentou no sofá, vendo que a pequena amiga já estava mais calma.

—Professor Bai, se duas pessoas que se relacionam, uma delas engana a outra, vocês acham que elas ainda podem seguir juntas?— perguntou Bai Ling franzindo a testa. Embora já tivesse tomado uma decisão, a angústia interna, os sentimentos, não desapareciam só porque ela queria.

—É a mesma pessoa da outra vez?— perguntou Bai Lichen, franzindo a testa.

—Sim— respondeu Bai Ling, sucinta.

—Embora as partes precisem de confiança mútua, na vida também há mentiras piedosas. Se dois se amam de verdade, depois podem se perdoar. Mas não se pode esconder coisas essenciais, nem prejudicar os interesses fundamentais do outro. Se ignorar isso, quando a verdade vier à tona, é o fim, e podem até virar inimigos— disse Bai Lichen calmamente.

Bai Ling ouviu as palavras de Bai Lichen, pensou em silêncio. Era verdade, realmente era assim.

A atitude de Joel realmente tocara nos princípios básicos de Bai Ling, ameaçara seus interesses fundamentais. O mais essencial para Bai Ling era sua mãe, Bai Han, uma linha que ninguém podia cruzar.

—Como eu disse, siga seu coração, e deixe o resto de lado. Carregar muitos fardos cansa e não leva longe— disse Bai Lichen, sério, olhando calmamente para Bai Ling.

Bai Ling sentiu que Bai Lichen agora parecia o velho monge do templo na montanha, muito bom em aconselhar, e sempre acertava em cheio.

—Obrigada, Professor Bai. Já entendi— disse Bai Ling sorrindo. Por que carregar tantos fardos? Como diz o ditado, o mundo é tão maravilhoso, e eu tão agitado. Era hora de se acalmar e pensar no futuro: os novos cosméticos estavam indo bem na promoção, mas para dominar o mercado rápido, precisava de mais esforço e dedicação. As espécies do espaço ainda precisavam de mais pesquisa e desenvolvimento. O espírito vingativo em De Xia, ainda não se sabia onde estava, precisava ser subjugado por Bai Ling e De Dong. Os idosos e parentes em casa, e seu irmão Xiao Gen, precisavam de cuidado. Os amigos próximos, Zi Qing, Chun Xing, Hui Xin, e também Wu Bin, Ling Yun Yi Nai.

Ainda havia tantas coisas esperando por ela. Em vez de suspirar, era melhor agir de verdade. Quanto aos sentimentos, isso era questão de destino. O caso com Joel estava prestes a terminar.

—Não me agradeça. Se consegue entender ou não, depende de você. Não são duas palavras de outros que vão te tirar disso— disse Bai Lichen sorrindo. Essa aluna, inteligente, bonita e bondosa, ele não conseguia evitar querer ajudar. Com seu temperamento livre e despreocupado, Bai Lichen não costumava ficar muito tempo num lugar. Hong Kong era apenas uma parada. Ele queria ir para a China continental estudar plantas, e ser professor em Hong Kong era melhor do que ser um canadense de origem chinesa. Mas, durante o tempo com Bai Ling, ele escolheu ficar em Hong Kong por muito tempo, no laboratório dela. Isso se devia em grande parte à própria Bai Ling, embora ele ainda não percebesse.

Bai Ling concordou com a cabeça e disse: —Então não vou ser modesta. Vou para casa agora. E você?

—Também não tenho nada. Vamos juntos. Tome um bom banho quente à noite, durma bem, e amanhã será um novo dia!— Bai Lichen pegou o casaco, pronto para sair.

Depois que Bai Ling e Bai Lichen saíram juntos, Joel, escondido num canto dentro do carro, observou sombriamente os dois veículos se afastando, pensando em algo ainda imaturo. Bai Ling, porém, não percebeu nada.

Ao chegar na casa dos Xi, ouviu risadas de longe, especialmente a voz de Xiao Gen, clara na noite.

—Xiao Ling, você voltou? Xiao Gen já sabe chamar de vovô e vovó— disse a senhora Xi, vendo Bai Ling entrar, muito animada.

—Irmã... irmã— Xiao Gen, que brincava com todos, viu a irmã chegar e imediatamente se soltou do sofá, desceu cambaleando, andando com passinhos trêmulos em direção a Bai Ling.

Bai Ling olhou para aqueles olhos confiantes, sentiu o coração amolecer, agachou-se, tirou um pirulito do bolso e disse: —Devagar, devagar— enquanto abria os braços, esperando Xiao Gen se aproximar.

Quando Xiao Gen estava a um passo de Bai Ling, ele não andou mais, jogou-se direto nela, sem medo de cair, porque sabia que a irmã o pegaria. Bai Ling, como esperado, o segurou e disse: —Da próxima vez, não pode ser preguiçoso assim.

Xiao Gen, já com o pirulito na boca, não ligou para isso, chupando com gosto e ainda lambuzando o rosto de Bai Ling com beijos pegajosos. Já tinha sido repreendido muitas vezes, mas nunca aprendia.

—Nossa, Xiao Gen já sabe andar! Velho, olha só!— a senhora Xi bateu no braço do senhor Xi, animada. As surpresas de hoje eram muitas.

O senhor Xi não disse nada, só ria baixinho, muito contente. O neto já falava e andava, não estava longe de crescer. Quem sabe ainda veria Xiao Gen se casar e formar família.

—Mãe, pai, vocês não sabem, Xiao Gen é mais apegado à Xiao Ling. Dessa vez em B City, ele chamou irmã primeiro. Nós, eu e Xiao Han, ficamos só olhando, impotentes. Foi Xiao Ling que ensinou ele a chamar mãe, e por último pai!— reclamou Xi Side, sentindo que tinha mimado o pequeno à toa.

A senhora Xi riu alto e disse: —Quem mandou você viver ocupado com o trabalho? O tempo que vê ele é tão pouco. Xiao Ling, sempre que tem tempo, brinca com ele. Crianças, e ainda irmãos de sangue, têm uma ligação natural. Xiao Ling dá a ele muitas coisas divertidas, então é natural que ele chame irmã primeiro.

—Também é verdade. Mas não é que eu fico por aí à toa, quero deixar algo para ele. Senão, ficaria em casa brincando com ele o dia todo— rebateu Xi Side, um pouco contrariado.

—Você ainda tem ciúmes de uma criança? Está regredindo!— disse Bai Han, segurando a mamadeira para dar de mamar a Xiao Gen, ouvindo a reclamação de Xi Side.

Xi Side não gostou e rebateu: —Quem foi que, no dia em que viu Xiao Gen falar, mas ele não chamava de mãe, ficou se coçando de ansiedade?

—Seu coração é do tamanho disso— Bai Ling esticou o dedo mindinho, zombando. —Vai guardar isso para sempre?

—Claro, vou lembrar— disse Xi Side, magoado.

—Xiao Gen, seu pai vai chorar. Vai lá consolar ele— disse Bai Han para Xiao Gen, que chupava o pirulito feliz.

Xiao Gen não sabia o que era consolar, mas viu o pai de cara feia e foi correndo até Xi Side, usando seu truque: deu uma série de beijos no rosto do pai, deixando-o todo lambuzado de saliva grudenta. A série era: dois beijos em cada bochecha, um na testa e um na boca.