—Não, se você insistir, vou marcar para daqui a vinte dias, e aí, o que vai fazer? — ameaçou Xi Qingqing. Embora socializar fosse seu hobby, em excesso também cansava. Se fosse para ganhar dinheiro enquanto participava de eventos sociais, até que valia a pena, mas só gastar sem entrar nada não era tradição da família Xi.
— Tá bom, tá bom, um mês, só um mês, não dá para menos! — implorou Bai Ling, rendendo-se.
— Assim está melhor! — Xi Qingqing finalmente deixou Bai Ling em paz.
Durante a conversa, Bai Ling notou que Lin Long, embora mantivesse o rosto inexpressivo, tinha um olhar caloroso, observando Xi Qingqing de vez em quando, com admiração e também com um toque de preocupação. Bai Ling já tinha certeza de que Lin Long e Xi Qingqing pareciam ter algum sentimento um pelo outro — ele interessado, ela também disposta —, mas Lin Long era do tipo calado, e Xi Qingqing, uma mulher divorciada com um filho. Ambos guardavam certos receios, sem coragem de romper essa barreira invisível.
Após mais alguns minutos de conversa, Bai Ling finalmente deixou Xia Fan dirigir para longe. Ao ver Joel sentado ao lado, Bai Ling franziu a testa e perguntou: — Joel, lembro que na primeira vez que te vi, foi numa reunião de negócios, e você parecia muito ocupado. Mas agora, olhando para você, parece que está bem tranquilo?
— Naquela época, eu estava me segurando à força. Agora que há notícias de recuperação, preciso me tratar direito. Quanto às coisas da empresa, se ela fosse desmoronar só porque eu faço menos, isso só provaria que sou inútil — disse Joel em voz baixa, lançando um olhar carinhoso para Bai Ling. — Contratei executivos profissionais a peso de ouro, não foi à toa.
— E como estão os passos de vocês na Ásia? Está indo bem? — perguntou Bai Ling, inclinando a cabeça, enquanto pegava a garrafa de água mineral ao lado e dava alguns goles.
Joel pensou por um momento e respondeu: — Agora estamos firmes em Hong Kong. Também estamos em negociação com muitos bancos no Japão, em Singapura e na China. Está progredindo bem.
— Então, parabéns! — disse Bai Ling, em tom suave. — Você é muito competente.
— Você também não fica atrás — elogiou Joel. — Você é a garota mais capaz que já conheci, só que tem o coração um pouco mole demais.
— Só acho que a família é importante. Quanto ao dinheiro, é algo externo; o suficiente para usar já basta. Mesmo que eu ganhe dinheiro, quero doar a maior parte para caridade, para ajudar mais pessoas — disse Bai Ling, como se lembrasse de algo importante, e alertou: — Ah, já que você tem dinheiro, doe um pouco para a minha fundação, hein? Você é um figurão, não pode ser pão-duro.
— Claro! — riu Joel, apertando carinhosamente o nariz de Bai Ling.
— Gato, cavalheiro não usa as mãos, hein? Não fica mexendo! — protestou Bai Ling, insatisfeita. Joel parecia diferente desde algum tempo; o olhar que lançava para ela era ardente. Se não conhecesse o caráter dele, Bai Ling nem sequer pensaria em ficar a sós com ele.
— Você é minha namorada, por que não posso apertar? — disse Joel, cheio de razão, tentando beliscar o nariz dela de novo, mas Bai Ling se esquivou.
— O quê? — gritou Bai Ling. — Desde quando sou sua namorada? Não fala besteira! — Ela se afastou para o lado, tentando ficar longe de Joel. O grito e o movimento de esquiva deixaram Joel muito irritado, com a testa franzida.
— Eu não disse no telefone da outra vez? — perguntou Joel, reprimindo a irritação, querendo puxar aquela pestinha para o colo e amassá-la bem.
— Disse? — Bai Ling revirou os olhos, tentando se lembrar quando Joel teria dito isso. Vagamente, parecia que, naqueles dias em B City, ela tinha recebido uma ligação dele. Joel falava muito, e Bai Ling, entediada, pegou um livro de medicina ao lado e só respondia com "hum, hum" de vez em quando. Será que foi naquela hora?
A expressão pensativa de Bai Ling não escapou dos olhos de Joel. Havia um toque de mágoa no olhar dele — ser ignorado e até esquecido numa declaração era algo bem frustrante.
— Você esqueceu? — a voz de Joel ficou um pouco fria.
Bai Ling olhou para Joel, que estava sério, e sentiu-se um pouco insegura. A princípio, queria dar uma bronca nele, mas aquele pequeno incidente a deixou numa situação constrangedora. Ela disse, meio sem graça: — Parece que foi algo assim... Mas quero te perguntar: o que você gosta em mim?
— Pense você mesma! — Joel virou o rosto, irritado, olhando pela janela. O carro deixava os prédios para trás, mas ele não via nada, só sentia raiva — a raiva de ser ignorado.
— Tenho tantos pontos positivos, como vou saber qual deles você gosta? — Bai Ling deu de ombros, com uma expressão de pena.
Joel ficou entre o riso e a irritação com aquela frase. Diante de uma garota tão esperta, de cara meio grossa, que às vezes se atrapalhava, mas era tão meiga que dava pena, ele disse: — Então, agora peço formalmente à senhorita Bai Ling: quer ser minha namorada?
Bai Ling, vendo que Joel repetia a sério, murmurou: — A tia Michelle parece não concordar?
— Minha mãe já concordou! — Joel cortou o assunto. — A família também concordou. Então, não há mais obstáculos entre nós. Não vou deixar você sofrer.
Bai Ling ficou surpresa. Então era por isso que Joel agia de forma muito mais evidente do que antes — ele já tinha tudo preparado. Já que a tia Michelle concordara e a família não tinha objeções, Joel parecia uma boa escolha. Pelo menos, ele a respeitava e a estimava; sem ter garantias totais, não tinha revelado seus sentimentos a ela.
— Mas a sua prima Meri não ia ficar noiva de você? — perguntou Bai Ling, hesitante, um pouco envergonhada em relação a assuntos entre homem e mulher.
— Isso foi invenção dela. Minha mãe já explicou tudo aos pais da Meri, então ela não é um obstáculo entre nós. Só a trato como irmã. Se você não pensar demais, não vai ter problema — explicou Joel pacientemente. Não tinha medo de que Bai Ling falasse muito, mas sim de que ela ficasse calada. Já que ela perguntava tanto, significava que estava refletindo seriamente.
Bai Ling pensou e pensou, e parece que não tinha mais motivos para recusar Joel. Então, assentiu e disse: — Tá bom, então vamos nos dar um tempo primeiro, experimentar, que tal?
Para Joel, Bai Ling era uma conquista certa, então qualquer abertura dela já era um progresso. Ele respondeu rapidamente: — Obrigado, Bai Ling. Eu te amo!
Bai Ling achou difícil lidar com o entusiasmo repentino de Joel. Esse negócio de amar ou não amar, como se cultiva de uma hora para outra? Ela tinha certa simpatia por Joel, ou talvez um certo gosto, mas esse gosto vinha principalmente da capacidade e da aparência dele. Bai Ling era do clube da aparência; não tinha muita resistência a caras bonitos.
— Vamos tentar nos dar bem primeiro, ok? Falar de amor agora é cedo demais! — sugeriu Bai Ling, com o rosto um pouco vermelho, meio sem jeito.
Joel sabia que os chineses eram mais reservados, especialmente Bai Ling, que por fora parecia muito aberta, mas por dentro era bastante tímida. Então, ele assentiu: — Tá bom! — E, ao dizer isso, pegou a mão de Bai Ling.
Xia Fan, vendo pelo retrovisor a cena dos dois se entendendo, queria rir, mas não ousava, e só segurou o riso.
O laboratório de Bai Ling ficava nos arredores. Quando escolheu o lugar, o mais importante era que havia muito terreno vazio. Bai Ling comprou tudo junto, cerca de cinco acres, cercou tudo com uma tela de arame de três metros de altura e construiu um prédio de três andares para o laboratório. Dias atrás, Bai Ling plantou as frutas e ervas lá dentro; as flores estavam bonitas, e algumas, de floração precoce, já tinham aberto e começado a dar frutos.
— Seu laboratório é muito bom! — disse Bai Ling, levando Joel para dar uma volta. Embora os equipamentos fossem simples, era como um pardal pequeno, mas com todos os órgãos — era suficiente para o uso. Lá trabalhavam duas faxineiras e uma dúzia de seguranças, e ninguém mais aparecia.
Por fim, Bai Ling levou Joel a um pequeno apartamento. Ela guardou suas roupas no armário. Era apenas um dois quartos, dois salas, uma cozinha e um banheiro. Embora pequeno, a decoração era muito boa. Aquele era o espaço privado de Bai Ling, e até a limpeza ela mesma fazia. Bai Ling confiava tanto na segurança do local porque os seguranças tinham sido arranjados pelo velho Lin — todos veteranos do exército, com excelente formação política e muito leais a Bai Ling, ou melhor, muito leais ao velho Lin. Muitos vinham de áreas montanhosas remotas e, na maioria, tinham sido designados para suas regiões de origem, sem empregos muito bons. Então, trazê-los para cá era uma solução que beneficiava ambos os lados.
— Joel, descanse aqui. Vou lá dentro coletar alguns dados — disse Bai Ling, arrumando as coisas e sorrindo. — Pode ver TV ou ler algumas revistas. Quanto aos livros, são todos sobre enxertia ou medicina chinesa, você não vai gostar.
— Tá bom, espero você! — respondeu Joel, sorrindo, enquanto acompanhava Bai Ling até a porta.
Assim que Bai Ling abriu a porta para sair, lembrou-se de que a geladeira estava cheia de ingredientes. Então, disse a Joel: — Joel, a geladeira tem muitos ingredientes. Se quiser comer alguma coisa, tire alguns legumes ou carne e vá limpando. — Olhou para o relógio de pulso. — Volto daqui a uma hora e meia. Aí vou cozinhar para você!
Ouvindo a voz suave de Bai Ling, com aquelas instruções calmas, Joel sentiu o coração derreter e disse: — Claro, espero você!
Bai Ling foi para o vestiário, trocou o jaleco esterilizado, entrou no laboratório, pegou as ferramentas e começou a coletar dados de vários aspectos. Levantou a cabeça e olhou para o relógio de quartzo na parede; o tempo passava rápido, já tinham se passado duas horas. Bai Ling espreguiçou-se, alongou o corpo um pouco rígido e saiu do laboratório. Trocou o jaleco branco pelos chinelos que usara ao entrar e correu para o pequeno apartamento, com medo de que Joel estivesse ficando impaciente.
No momento em que abriu a porta, Joel não estava sentado no sofá. Bai Ling pensou que ele tivesse ido embora. Quando entrou, ouviu barulho vindo da cozinha — Joel estava cozinhando. Mas, ao ver uma coisa preta e queimada dentro da frigideira, ela não conseguiu segurar o riso.
Joel ficou sem graça com a risada de Bai Ling, com uma expressão claramente constrangida. Especialmente porque estava usando o avental de Bai Ling, estampado com um ursinho. Como Bai Ling era baixa e magra, o avental era bem pequeno. Embora Joel não fosse gordo, era alto, e a estrutura óssea masculina é naturalmente maior que a feminina, então o avental do ursinho ficava esticado no corpo dele, parecendo muito cômico.
— O que você está cozinhando? Está irreconhecível! — perguntou Bai Ling, segurando o riso, enquanto tirava o avental de Joel.
Joel respondeu, envergonhado: — Bife!
Bai Ling notou então que, no prato ao lado, havia um pedaço de carne bovina ainda crua, confirmando que Joel estava falando a verdade — era realmente um bife, só que queimado.
— Quer comer comida ocidental? — perguntou Bai Ling, vendo que Joel, tão orgulhoso, estava tão envergonhado, e resolveu não continuar zombando. Mudando de assunto, tentou aliviar o constrangimento dele.
Depois que Joel veio para Hong Kong, sua dieta mudou bastante; a maior parte do tempo comia comida chinesa. No café da manhã e no almoço, até preparava dois tipos, comendo o que quisesse.
— Não é bem isso. Só achei que bife devia ser mais fácil de fazer, e queria cozinhar para você — disse Joel em voz baixa, sem jeito de olhar para o bife na frigideira.
— Mas parece que não deu muito certo, hein? — provocou Bai Ling, com um sorriso.
— Desculpa! — disse Joel, constrangido.
Bai Ling sorriu, achando que provocar Joel, que era tão sério, era uma coisa muito divertida. Ela se aproximou, ficou na ponta dos pés e tirou o avental de Joel, vestindo-o em si mesma. Joel, por sua vez, ajudou a amarrar as tiras nas costas dela. Uma cozinheira graciosa apareceu diante de Joel, e quando as mãos dele, sem querer, tocaram a cintura fina de Bai Ling, que cabia numa só mão, ele sentiu ainda mais vontade de abraçá-la.
Vendo os vários legumes já lavados na bancada, Bai Ling escolheu alguns e rapidamente preparou dois pratos de carne e dois de legumes. Não fez arroz, mas sim panquecas finas de cebolinha, e também uma panela de mingau de aveia ralo. Vendo que ainda sobrava um pedaço de carne bovina, Bai Ling o temperou levemente, colocou alguns condimentos — claro, o pó de cem sabores não podia faltar —, depois colocou o bife na frigideira, virou algumas vezes e, por fim, borrifou um pouco de vinho tinto por cima. Em pouco tempo, o bife com aroma intenso de vinho ficou pronto. Bai Ling cortou um terço para si e deu dois terços para Joel.
Joel já tinha levado os pratos e o mingau para a mesinha lá fora. Quando Bai Ling entrou com o bife, Joel ficou atraído pelo que estava no prato.
— Joel, quer beber vinho? Abri uma garrafa de vinho tinto agora — perguntou Bai Ling, sorrindo.
— Hoje é um dia muito significativo para nós dois. Então sugiro que bebamos um pouco de vinho para celebrar — disse Joel, levantando-se e indo à cozinha pegar uma garrafa de vinho tinto.
— Tá bom! — Bai Ling pegou dois copos do armário, lavou-os, secou-os e os colocou na mesa. Joel serviu cerca de um terço do copo em cada um.
Joel ergueu o copo e disse: — Conhecer você é a maior honra da minha vida.
— Também é uma honra conhecer você. Saúde! Mas não posso beber muito, só isso. Você fica à vontade — disse Bai Ling, virando o copo de vinho e começando a comer.
Joel bebia sozinho, com um charme especial, observando Bai Ling do outro lado da mesa, que comia com vontade, comendo depressa, mas com movimentos muito fofos. Quanto ao apetite de Bai Ling, Joel já tinha visto na fazenda na Alemanha: um leitão assado, ela comeu quase um terço.
— Por que você não come? Não está gostoso? — Bai Ling levantou a cabeça e viu que, na frente de Joel, além do bife, quase nada mais tinha sido tocado. Dessa vez, ela tinha até preparado garfo, faca e colher para Joel, tudo muito completo. Por que ele não comia? A comida de hoje estava com um sabor muito bom.
— Está muito gostoso, mas ver você comer é uma felicidade ainda maior — riu Joel. — Olhando para você, meu apetite também melhora.
— Mas eu não aguento ficar com fome, hein? É melhor você comer logo, senão, quando eu acabar, não vai sobrar nada — sugeriu Bai Ling, sinceramente. O apetite dela tinha aumentado ainda mais em comparação com antes. Às vezes, ela até pensava, resmungando, se não estava virando um pequeno tonel de arroz.
Joel não disse nada. Do começo ao fim, manteve um sorriso no rosto, comendo de forma muito elegante. Durante toda a refeição, sob o olhar de Joel, Bai Ling não se privou de comer menos, mas sentia-se um pouco culpada por dentro, com o rosto sempre coberto por um leve rubor.