Tio Mike, com a pá na mão, num lugar onde Bailing não podia ver, piscou para Joel com um olhar cheio de significado. Joel, como se tivesse sido pego num segredo íntimo, virou a cabeça para o outro lado, desconfortável.
Vendo a figura de Tio Mike se afastar, Bailing suspirou aliviada e perguntou: "O Tio Mike é sempre tão hospitaleiro assim?"
"Esta fazenda foi dada à minha mãe pelo meu avô materno. Minha mãe e eu temos saúde frágil, então, quando criança, passávamos a maior parte do ano aqui. A Tia Susan e o Tio Mike sempre cuidaram de mim e da minha mãe, me viram crescer, e até me querem mais bem do que meu avô paterno. O carinho deles não se compra com dinheiro. O Tio Mike me ensinou a caçar, a andar a cavalo e a plantar. Até ordenhar, como você disse, eu sei! Foi por causa de tudo isso, que distraía minha atenção, que meu corpo não doía tanto, e tive uma infância dolorosa, mas feliz. Sou muito grato a ele e à Tia Susan."
Bailing olhou para Joel com admiração e disse, invejosa: "Você sabe andar a cavalo?"
Joel, envergonhado com o olhar de Bailing, corou e respondeu: "Sim, você quer aprender?"
Bailing ia aceitar, mas pensou que ficaria no máximo meio mês ali, e ainda precisava preparar os remédios para a mãe de Joel. De onde tiraria tempo para aprender a andar a cavalo? Lamentou: "Nunca montei num cavalo, só vi os outros montarem na TV. Mas não tenho tempo para aprender. No entanto, ficaria muito feliz se pudesse levar os cavalos para passear!"
Joel apontou para perto e disse: "O campo de equitação é ali. Eu te levo! Deixa o Tio Mike arranjar uma égua mansa para você, e eu te ajudo a montar!"
Bailing o apressou: "Vamos logo! Quero muito ver como é o campo de equitação!" Bailing correu na frente, e Joel teve que apressar o passo para segui-la.
Entraram numa vasta área de grama e finalmente viram o campo de equitação cercado por grades. Havia mais de uma dúzia de cavalos lá dentro, andando de um lado para o outro, muito tranquilos e à vontade.
Bailing, vendo os cavalos de perto, sentiu como eram altos. Mesmo sem entender de cavalos, ela achava que todos eram bons.
"Joel, você monta, eu fico só olhando!" Bailing, vendo que os cavalos eram altos, desistiu de montar. Se caísse, poderia quebrar o pescoço e morrer na hora.
"Pequeno Joel, você vai montar? Quer que eu traga o Perseguidor do Vento?" Tio Mike perguntou com uma risada sonora.
Bailing assentiu e se apressou a dizer: "O Joel disse que vai montar para eu ver!"
Tio Mike sorriu de forma significativa e deu passos largos para pegar o cavalo. Joel ficou sem graça com o sorriso de Tio Mike. Logo, Tio Mike trouxe um cavalo alto, todo branco, sem um único pelo de outra cor.
Bailing o apressou: "Joel, monta no cavalo, deixa eu ver!" Vendo que Joel não se mexia, Bailing, sem perceber, pediu com um tom um pouco manhoso.
As orelhas de Joel esquentaram, e ele montou no cavalo com agilidade. Era evidente que o cavalo branco chamado Perseguidor do Vento tinha uma boa sintonia com Joel. Assim que Joel subiu e apertou as pernas na barriga do cavalo, o Perseguidor do Vento começou a correr devagar. Bailing, sem perceber, bateu palmas e pulou no lugar, cheia de inveja.
A velocidade do Perseguidor do Vento aumentava. Vendo Joel nas costas do cavalo, enfrentando o vento, ele era realmente um príncipe encantado a cavalo. Logo, o Perseguidor do Vento parou ao lado de Bailing, mas Joel não desceu. Em vez disso, estendeu a mão para Bailing e disse: "Será que tenho a honra de montar junto com a Senhorita Bailing?"
Bailing hesitou por dentro. Montar no mesmo cavalo que um homem? Que situação era aquela? Mas, lembrando-se de como Joel cavalgava livremente, ficou cheia de inveja. No fim, Bailing pensou que não era uma criança de verdade, então por que ter medo? Decidiu-se, estendeu a mão e disse: "Me puxa!"
Sentiu o corpo leve e, quando se deu conta, já estava sentada na frente de Joel, presa pelos braços dele que seguravam as rédeas. Um cheiro agradável de grama fresca veio até ela.
Bailing ficou com o corpo rígido, sem ousar se encostar em Joel por trás.
"Relaxe, fique firme!" Joel sussurrou no ouvido de Bailing, e a respiração dele fez cócegas na orelha dela.
Com um pequeno movimento de Joel, Bailing se encostou no peito dele. Antes que pudesse reagir, o Perseguidor do Vento começou a correr. A brisa suave passou pelas orelhas de Bailing, levantando seus cabelos pretos e macios. O pouco de constrangimento desapareceu com a corrida do cavalo. Bailing abriu os braços, querendo abraçar o perfume do ar, e suas risadas alegres ecoaram por todo o campo. (Continua, votem com passes de recomendação e passes mensais,,)
Renascida com Sabedoria e Coração
Só quando Bailing sentiu a garganta um pouco rouca é que parou de gritar e rir. De repente, virou-se e bateu a testa no queixo de Joel.
"Ah!" Joel gemeu baixo. A cena tão harmoniosa foi destruída por Bailing.
Bailing fingiu estar arrependida: "Desculpa, não foi de propósito! Vamos descer ali na frente. Hoje foi muito divertido, obrigada! Quando chegar a Hong Kong, vou cozinhar para você, como forma de agradecimento!"
Joel começou a puxar as rédeas, e o Perseguidor do Vento foi diminuindo até parar. Joel desceu primeiro e ajudou Bailing a descer. Bailing abraçou o pescoço do Perseguidor do Vento e murmurou: "Obrigada, Perseguidor do Vento. Quando tiver oportunidade, vou apresentar meu amigo Pobrezinho a você! Ele é muito fofo!"
Joel, vendo o ar misterioso de Bailing, inclinou a cabeça e perguntou: "O que você está dizendo ao Perseguidor do Vento? Tão misterioso!" Quis se aproximar para ver cada expressão no rosto de Bailing, embora a postura fosse estranha, pois Bailing era realmente baixinha, então, sempre que Joel falava com ela, abaixava a cabeça sem perceber, para se adaptar a ela.
"Nada não, é que gosto do Perseguidor do Vento e queria apresentar um amigo a ele. Chama-se Pobrezinho, é um animal grande, não sei bem o que é, mas tem o tamanho de um avestruz e o corpo parecido com o de um cisne. O Pobrezinho é muito esperto, entende o que eu digo!" Bailing, uma vez que começava a falar, não parava mais.
Joel, vendo Bailing falar animadamente sobre o Pobrezinho de casa, não pôde deixar de sorrir: "Ouvindo você falar assim, também quero ver o Pobrezinho. Quando tiver oportunidade, você tem que apresentá-lo a mim."
"Claro! Lembro que, quando estudava, o Pobrezinho me seguia todos os dias. Eu entrava na sala de aula, e ele ia para o lago da escola. Depois de alguns dias, comeu todas as carpas ornamentais que estavam no lago. Por causa dele, fui chamada à diretoria várias vezes! Paguei um bom dinheiro!" Bailing, lembrando-se das travessuras passadas do Pobrezinho, não resistiu a compartilhar com Joel.
Joel, vendo a expressão adorável de Bailing, entre raiva e alegria, ao falar do Pobrezinho, não resistiu e estendeu a mão para beliscar o rosto um pouco rechonchudo de Bailing.
Bailing, sem preparo, levou um susto com a mão de Joel, ficou muito sem graça e fingiu acusá-lo: "Você está me assediando?" Ao dizer isso, Bailing quase quis bater a cabeça no tofu de tanto vergonha. Como pudera dizer uma coisa dessas? Que idiota!
"Ah, ah" Joel riu baixinho duas vezes. "Pode-se dizer que sim."
Bailing, com o rosto quente, apontou para Joel e gaguejou: "Você, você é demais! Não vou falar mais com você!" E correu para o Tio Mike.
Joel olhou para as costas atrapalhadas de Bailing, e para a mão direita que acabara de beliscar o rosto dela. O calor ainda estava lá, a sensação macia ainda rodeava seus dedos, e um sorriso permanecia em seus lábios. Lembrou-se da primeira vez que viu Bailing, com aqueles óculos grandes de aro preto, muito engraçados.
"Tio Mike, o que você está fazendo?" Bailing correu para perto do Tio Mike, que parecia um urso, e perguntou sorrindo.
"Nada não, só consertando algumas ferramentas. Foi divertido andar a cavalo?" Tio Mike, diante da boneca frágil que era Bailing, falou mais baixo de propósito, com medo de assustá-la.
Bailing respondeu alegremente: "Foi divertido, mas não sei andar a cavalo, foi o Joel que me levou. Tio Mike, você é muito habilidoso. Esta fazenda é linda, adoro este ambiente. Queria morar aqui para sempre, vendo o sol nascer e se pôr, sentindo o cheiro das flores, ouvindo os pássaros, correndo atrás dos dentes-de-leão, deixando que esses dentes-de-leão brincalhões se instalem na fazenda e construam um lar feliz!"
"Então, pequena Bailing, você tem que vir sempre aqui, hein! O Tio Mike vai te receber sempre. Joel, leva a pequena Bailing para dentro. Estão vindo umas nuvens escuras, parece que vai chover hoje à noite." Tio Mike apontou para as nuvens no céu.
Joel sorriu e assentiu, olhando para Bailing: "Será que a Tia Susan já preparou o jantar? Comemos e depois voltamos."
Bailing assentiu com força e, pensando em aprender com a Tia Susan a fazer pratos alemães, seguiu Joel para dentro da casa que parecia um castelo. Aquelas construções, Bailing só via na TV antes.
"Tia Susan, esta é a pequena Bailing, minha boa amiga. Pequena Ling, esta é minha querida Tia Susan!" Joel fez uma apresentação simples, confiante de que Bailing e a Tia Susan se dariam bem.
"Ha ha" Tia Susan riu contente: "O Mike acabou de entrar e me disse que a pequena Bailing é um anjinho!" E abraçou Bailing com força, dando-lhe um beijo na testa.
Bailing logo se afeiçoou à Tia Susan, que tinha um sorriso caloroso, era gordinha e tinha cabelos loiros e cacheados. Sorriu e disse: "A Tia Susan é um anjo com habilidades culinárias excepcionais!" Seus olhos pequenos e azuis estavam cheios de sinceridade.
"Ah? Já que a pequena Bailing diz isso, então a Tia Susan vai fazer a melhor comida do mundo para vocês!" Tia Susan disse alegremente. "Já arrumei os quartos de vocês. Joel, leva a pequena Bailing para ver."
Bailing quis recusar, pois pretendia voltar para casa à noite e não ficar ali, mas ao ver o olhar ansioso da Tia Susan, sentiu um calor no coração e seguiu Joel escada acima.
"Pequena Bailing, se chover depois do jantar, podemos ficar aqui, está bem? Amanhã de manhã, depois do café, voltamos. O que acha?" Joel sugeriu, sentindo que, naquela fazenda rural, seu coração estava mais perto de Bailing, então não resistiu a convidá-la.
Bailing não se virou, apenas olhava para as pinturas na parede e perguntou distraidamente: "Tem telefone aqui? Se for para ficar, preciso ligar para a mamãe e o Papai Xi, senão eles vão se preocupar."
"Tem telefone, sim. Não se preocupe, aqui é muito seguro!" Joel ficou animado por dentro, não esperava que Bailing aceitasse tão facilmente. "Joel se apressou a dizer. Por estar de bom humor, tudo parecia bonito para ele.
"Joel, você pode me explicar o que são essas pinturas, quem as pintou e qual o significado?" Bailing não entendia muitas coisas e teve que pedir ajuda a Joel. Não tinha muita percepção, então só podia contar com ajuda externa.
Joel ficou lado a lado com Bailing, levantou a mão e apontou para a pintura que Bailing não entendia: "Esta é uma obra de Michelangelo..." Joel continuou andando devagar, explicando o significado de cada pintura.
Lá em cima, Joel abriu a porta e disse: "Este é o meu quarto!" A decoração era simples. No quarto grande, havia uma cama grande, uma estante enorme, uma escrivaninha antiga e um banco comprido e clássico. Tudo era velho, mas não transmitia decadência, e sim uma sensação de peso histórico.
"Tudo aqui no seu quarto é antiguidade?" Bailing perguntou, franzindo a testa e engolindo saliva. Parecia que cada peça valia muito dinheiro.
"São todas antiguidades. Aquela cama grande já tem mais de trezentos anos!" Joel disse com orgulho. Eram heranças do lado do avô materno, que seriam passadas para o filho que ele amasse.
Bailing ficou de olhos arregalados e não resistiu à curiosidade: "Quantas pessoas já dormiram nesta cama?"
Ao ouvir a pergunta de Bailing, Joel corou, o que deixou Bailing ainda mais confusa. Era só uma pergunta sobre quantas pessoas tinham dormido na cama ao longo dos anos. Era tão difícil de responder?
Se Bailing soubesse a função daquela cama, nunca teria feito uma pergunta tão idiota e tão explícita.
Joel não sabia como responder, porque aquela cama só podia ser usada pelo chefe da família e sua esposa, e tinha outro significado: a primeira "noite de amor" do casal também deveria ser ali, simbolizando um casamento doce e muitos filhos.
Vendo que Joel não respondia, Bailing não insistiu, o que aliviou Joel, mas também lhe trouxe um pouco de decepção.
"A Tia Susan não disse que também tem um quarto para mim?" Bailing mudou de assunto, senão Joel poderia acabar cozido pelo calor do próprio rosto.
Joel saiu do quarto, andou cerca de vinte metros, abriu uma porta e fez um gesto de "por favor". Bailing entrou e quase não conseguiu fechar a boca. Minha nossa! Uma cama de princesa requintada, coberta com colchas de renda delicada, e até os travesseiros e almofadas eram de renda. O quarto inteiro era de um rosa romântico, o que fez Bailing pensar que quem dormisse ali talvez acordasse transformado num porquinho rosa.
Bailing olhou para o quarto de sonho, estendeu a mão para tocar a renda e, surpreendentemente, era macia, provando que a renda não era desconfortável.
"Gostou?" A voz de Joel soou ao lado.
Bailing assentiu em silêncio, sem responder, e continuou a examinar cada canto do quarto. Seria este o quarto de uma princesa dos contos de fadas?
Bailing foi até a janela, abriu-a e sentiu gotas de chuva. Ia chover mesmo. "Nossa, está chovendo!"
"Então vamos descer para você ligar para sua mãe e dizer que não vamos voltar." Joel sugeriu, fechando a janela.
Bailing de repente pensou numa questão séria: não tinha trazido roupas. As de fora ainda podia usar, mas a roupa íntima precisava ser trocada todos os dias. O que fazer? Bailing baixou a cabeça, um pouco envergonhada: "Não trouxe roupas para trocar!"
Joel apontou para um guarda-roupa entalhado não muito longe: "Pode abrir. Lá dentro tem tudo o que você precisa."
Bailing foi rapidamente até o guarda-roupa, abriu a porta e, ao ver o conteúdo, exclamou: "Nossa! Como tem tanta roupa?" Pegou uma, olhou o tamanho, parecia ser o dela. Pegou outra, também era do seu tamanho. Depois de olhar várias peças, Bailing pareceu entender e perguntou: "Tudo isso foi preparado para mim?"