Capítulo 69: Capítulo 69 Continuando a Aprender Flauta

A questão da piscina, Zhou You não levou muito a sério. Afinal, não dava prejuízo nem lucro significativo. Se desse lucro, seria ótimo, pelo menos teria alguma influência no setor. Se não desse, teria que pensar em mais alternativas. Mas, pelo que ele sabia, prejuízo era impossível; a questão era só quanto lucraria. Depois de resolver isso, começou a longa jornada de praticar flauta. No começo, havia um certo frescor, mas com o tempo foi ficando cada vez mais monótono. Treinava dedilhados e técnicas de sopro sem parar. De vez em quando, cansado e sem vontade de praticar, pedia para Sun Li tocar uma música para ele, para se animar. Sun Li era uma pessoa muito interessante; quanto mais conviviam, mais ele a conhecia. Os pais dela eram divorciados. Na infância, ela morou um tempo com cada um. Quando entrou na faculdade, ambos passaram a se envolver menos, e ela também ia menos à casa deles, basicamente vivendo sozinha. Os pais deixaram para ela um pequeno apartamento. Depois de se formar, ela morava lá e abriu uma loja de instrumentos musicais com amigos, mas também não ganhava dinheiro. De vez em quando, ela até tocava bateria para Zhou You. Sun Li tocando bateria era muito mais estilosa do que tocando flauta. Ela disse que tinha formado uma banda com alguns amigos, onde era baterista, só por diversão. Zhou You, por sua vez, conversava com ela sobre coisas da faculdade, mas falava pouco de outros assuntos. Um dia, Zhou You foi à loja e a ouviu ao telefone: "Encontro às cegas? Que encontro o quê? Não vou, de jeito nenhum! Casamento? Nunca! Olha você e meu pai, são felizes? Eu estou muito bem sozinha, não me enche!" Quando viu Zhou You entrar, desligou o telefone: "Desculpa, que vergonha. Minha mãe ligou falando de um encontro às cegas. Eles mesmos, com a vida que levam, ainda querem que eu case?" Zhou You sorriu: "Cada um tem sua escolha. Eu, por enquanto, não quero casar. Quando me divertir o suficiente, aí a gente vê." "Eu também quero aproveitar enquanto dá. Se encontrar alguém de quem goste, tento ficar junto. Mas, de qualquer forma, não quero casar nem ter filhos. Se conseguir viver bem esta vida, já está ótimo", disse Sun Li, enquanto caminhava até a bateria. "Vou tocar uma para você." O estilo era vigoroso e intenso, o ritmo acelerado, os golpes na bateria densos, como se fosse para extravasar emoções. Quando terminou, parecia que todo o peso no peito tinha desaparecido. Os dois eram jovens e se davam bem. Vendo Sun Li triste, Zhou You disse: "Hoje à noite, vou te levar para jantar. Um porre resolve todas as mágoas." Sun Li era despojada, diferente de outras garotas que faziam cerimônia: "Ótimo, hoje vou aproveitar que tem um ricaço." Depois de tanto tempo juntos, Sun Li já percebia que Zhou You não passava aperto financeiro, já que às vezes o via chegar num Jeep Wrangler, mas não sabia exatamente quanto ele tinha. O shopping Zhonghuan, como centro comercial completo, tinha de tudo: comida, bebida e diversão. Sun Li, sendo comerciante local, sabia quais restaurantes eram bons. Ela levou Zhou You a um restaurante coreano. Assim que entraram, o dono fez uma reverência, disse algo em coreano e depois, em chinês, "Bem-vindo", mas com um sotaque enrolado. O truque era bom, satisfazendo bem o ego dos chineses: "Olha só, um estrangeiro se curvando para mim." Na verdade, pela experiência de Zhou You com as armadilhas da vida, gentileza excessiva de estranhos geralmente esconde segundas intenções. Claro, em restaurantes, isso é só estratégia. Eles encontraram uma mesa. O restaurante era de churrasco coreano; só o dono era coreano, os garçons eram chineses. Um garçom veio com o cardápio: "Boa noite. O que gostariam de pedir? Posso recomendar algo." Sun Li pegou o cardápio: "Não precisa, venho aqui sempre. Quando decidir, chamo você." O garçom, aliviado, ainda disse antes de sair: "Nossos ingredientes são trazidos diretamente da Coreia de avião. Fiquem tranquilos." Sun Li sorriu sem comentar. Quando o garçom se afastou, sussurrou para Zhou You: "Estou aqui há anos, conheço bem o dono. Ele é chinês, trabalhou na Coreia, aprendeu um pouco de coreano e abriu este restaurante se passando por coreano." Vendo que Zhou You não se surpreendeu, pensou que ele não acreditava. "Isso não é nada. O mundo é cheio de coisas estranhas. Quando você conviver mais, vai ver que isso é fichinha", disse Zhou You, achando a expressão brincalhona de Sun Li adorável. Zhou You deixou Sun Li pedir, já que ela era cliente habitual. Ela escolheu alguns pratos típicos. "Você tem alguma restrição alimentar?" "Não, pode pedir à vontade. Nunca comi aqui." "Então vou pedir do meu jeito. Se não gostar, a gente pede mais." Pouco depois, a comida chegou. Cada um ganhou um prato grande com kimchi, pimenta, uma tigelinha de sopa de abóbora e uma porção de alga. O resto era carne de porco, boi e frango, além de uma travessa de legumes da estação. Sun Li cuidou de tudo, enquanto Zhou You só observava, sem se mexer. Logo, o cheiro do churrasco chiando no fogo se espalhou, abrindo o apetite de Zhou You. Pegaram duas garrafinhas de soju coreano com o dono. Os dois comiam carne, kimchi e bebiam juntos. A bebida tinha baixo teor alcoólico e um aroma frutado, fácil de tomar. Não dava para negar: mesmo sendo de um "falso coreano", a comida era gostosa. Com a leve embriaguez do soju, Zhou You se sentia bem relaxado. Sun Li também estava tonta e perguntou se ele queria mais. Zhou You balançou a cabeça. Agora, ele não bebia até cair; só o suficiente para ficar leve, nunca demais, pois excesso fazia mal e era desconfortável. Ele se levantou para pagar. A conta deu mais de 500 reais, nada barato. Sun Li abraçou o braço de Zhou You, e voltaram para a loja. Os funcionários já tinham ido embora. Com a bebida, os dois estavam um pouco aquecidos e tiraram os casacos. Aproveitando o efeito do álcool, Sun Li começou a falar sobre si mesma. Normalmente, não tinha com quem desabafar, e passar tanto tempo com Zhou You a deixava mais à vontade. Falou da infância, dos pais, da faculdade, da loja. Enquanto falava, não segurou as lágrimas e começou a chorar. Zhou You não tinha experiência em consolar garotas; só ficou ali, dando tapinhas no ombro dela, repetindo: "Calma, já passou. O futuro vai ser melhor." Olhando para aquela moça alta e elegante, normalmente cheia de energia e independência, agora frágil como um coelhinho indefeso, ele pensou que talvez a braveza de sempre fosse só uma fachada. Enquanto a consolava, sem perceber, Sun Li já estava sentada no colo dele, com os braços enlaçando seu pescoço. Zhou You a abraçou pela cintura, sentindo as curvas. Depois, com um pouco de esforço, ele a carregou até a sala de treino nos fundos. Sun Li, com o pé, empurrou a porta e, com a mão, girou a chave, trancando-a. O próximo capítulo foi censurado de novo, e não sei por quê. Acho que não descrevi nada explícito.