Capítulo 66: Capítulo 66: A História por Trás dos Bastidores

Geralmente, para gravar um documentário, dezenas de horas de material bruto são o mínimo, normalmente são centenas ou milhares, e na edição final é uma grande dor de cabeça. Porque um documentário não é como um filme, que tem causa, clímax e uma trama envolvente. Um documentário que acompanha uma pessoa é só seguir alguém, a vida inteira ou um fragmento dela, quantas coisas emocionantes existem? É apenas a repetição do dia a dia. Só que cada pessoa, cada setor, repete objetos diferentes a cada dia; quando mostrado para outros setores, ganha interesse. Quem vive naquela rotina diária já está acostumado e não estranha nada. Na edição de documentários, geralmente se fazem várias versões; o pedido de Zhou You, para Chen Weijun, era muito simples. Zhou Yu bateu em Huang Gai, um quer ser espancado, o outro quer espancar. Poder financiar alguns diretores de documentário para filmar obras com significado realista, para Zhou You, era melhor do que comer picolé no auge do verão. "Diretor Chen, sempre tive curiosidade: como você filmou aquele 'Viver Mal é Melhor que Morrer Bem'? Como você entrou lá? Como teve coragem de ficar tanto tempo naquele ambiente?" Zhou You finalmente perguntou o que sempre quis saber. Depois de assistir, Zhou You ficou pensando por muito tempo; colocando-se no lugar, percebeu que filmar aquele documentário não foi nada fácil. Chen Weijun, ao ouvir a pergunta, também ficou paralisado por um bom tempo; aquelas memórias enterradas voltaram à tona, rodopiando em sua mente: medo, ousadia, ignorância, alívio, tudo se misturou. "Para ser sincero, foi meio por acaso. Na época eu era jovem, meio jornalista, e ficava indignado e cheio de emoção com essas coisas. Quando recebi a notícia, peguei a câmera e fui sozinho, mas a região já estava isolada; como forasteiro, não consegui entrar." "Depois, encontrei alguns moradores locais, que perguntaram o que eu queria fazer. Disse que queria filmar aquilo como um registro. Eles também eram vítimas; muitas pessoas próximas, parentes e amigos, tinham contraído HIV. Na época, a mídia não era desenvolvida, e eles estavam cheios de revolta." "Então, com a ajuda deles, entrei na vila como se fosse visitar parentes, e lá encontrei a família do protagonista." Zhou You perguntou na sequência: "E você não teve medo? Nem digo na época em que a informação era escassa; hoje em dia, quantas pessoas conseguiriam viver muito tempo com pacientes de HIV?" "Risos, você acha que não tive medo? Antes de entrar, procurei vários especialistas, perguntei sobre todas as formas de transmissão, se comer junto podia contaminar, quais medidas de proteção existiam. Só então tive coragem de ir." "Mas quando cheguei naquele ambiente, o medo passou, porque as pessoas ao redor estavam numa situação tão trágica. O que é esperar a morte? Foi naquele momento que entendi: o mais terrível para o ser humano não é a morte, mas a sensação de desamparo e desespero de esperar por ela." Zhou You sentia isso profundamente. Ao assistir ao filme, mesmo sem uma trilha sonora triste, as imagens silenciosas, as falas simples dos personagens, cada cena te impactava com uma força maior do que qualquer outro filme. O contraste mais forte vinha das crianças; nos olhos delas, não havia conceito de morte, não sabiam que a mãe estava partindo, nem imaginavam o quão trágico seria seu futuro. Em "O Jugo da Humanidade", há uma frase bem descrita: "A única pessoa que as ama sem esperar nada em troca se foi." Dizem que documentário registra a vida real sem causar mudanças, mas isso é mentira; seja bom ou ruim, você sempre traz alguma transformação para os envolvidos. Na verdade, esse tipo de documentário realista é muito pesado; não se pode assistir com frequência, mas também não se pode ignorar. O mundo é complexo, a vida também. Enquanto alguns desfrutam, outros sofrem. Uns escolhem viver com dor e lucidez. Outros acham que, já que não podem mudar a realidade, é melhor agir como avestruz, enfiando a cabeça na areia e ignorando tudo. Não há certo ou errado; são apenas escolhas diferentes de cada um. Após enfrentar as questões de humanidade e morte, Zhou You se acalmou. Só resta viver o presente, sem se decepcionar. ... Como aliviar as preocupações? Só com Xiaobai. Numa era de abundância material, a felicidade é a busca final do ser humano. "Xiaobai, você é feliz?" "Quando estou com você, até que sou feliz, mas sinto que essa felicidade é como espuma, que se desfaz num piscar de olhos", disse Xiaobai, abraçada firmemente por Zhou You. "O que houve com você? Parece meio desanimado." "Nada, quando a gente fica ocioso, começa a pensar; quando pensa, Deus ri", brincou Zhou You. A vida realmente precisa de equilíbrio entre yin e yang. "Xiaobai, você tem algum sonho?" "Tenho sim! Quero comprar muitas comidas gostosas, me divertir com muitas coisas legais. Foi por isso que quis ser guia turística." "Então, que tal você abrir uma agência de viagens no futuro? Quando aprender o suficiente nesta empresa, abrimos uma juntos." "Mas agora percebo que abrir uma empresa é bem difícil; tem muita coisa para administrar." "Sem problema, se não der para abrir uma grande, começamos com uma pequena. Comigo investindo, o que você tem a temer?" Zhou You queria viajar pelo país e pelo mundo no futuro; ter uma agência de viagens própria seria o mais simples e prático. Xiaobai ficou muito feliz com as palavras de Zhou You, deitada na cama rindo à toa, já imaginando ser patroa e viajando por aí. A brisa no lago levanta pequenas ondas. O mundo é perigoso, e há quem vá direto ao coração do problema. ... Mais uma temporada de volta às aulas. Ninguém tem dezoito anos para sempre, mas sempre há alguém com dezoito anos. Zhou You já deu aula por um ano, não é mais um professor novato; o material didático não precisa ser refeito. Considerando a familiaridade com o ensino, ainda o deixaram dar aula para calouros, ensinando Fundamentos de Biblioteconomia. Foi também o que Zhou You pediu ao orientador; dependendo das diferentes situações de aula, há horas extras pagas, mas Zhou You não se importava com o dinheiro, só queria algo mais leve. Este ano, o curso deles começou a fazer uma festa de boas-vindas. Os jovens de hoje são incríveis; todos têm talentos: uns tocam piano, outros tocam cítara, violão, cantam e dançam sem dificuldade, deixando Zhou You com coceira de vontade. Lembrando dos tempos de escola, quando os professores pediam para preencher "talento especial", ele sempre escrevia "nenhum". Vendo os colegas com várias habilidades, não sentir inveja seria mentira, mas vindo do campo, que talento poderia ter? Quando criança, Zhou You assistiu a uma série em que o personagem Dong Xie aparecia tocando flauta, e ficou impressionado; achou aquilo super legal. Depois, na faculdade, viu um vídeo de Dou Wei tocando flauta num show, e na hora achou aquilo demais. Vendo os outros se apresentarem no palco, Zhou You ficou divagando na plateia, pensando que agora que tem dinheiro e tempo, por que não aprender flauta também? Assim realizaria seu hobby e reduziria seus arrependimentos.