Capítulo 65: Capítulo 65: Caminho para sair da pobreza

Zhao Yun e Chen Weijun estavam sentados no café, conversando descontraidamente.

— Chen, daqui a pouco o Zhou You chega e você vai entender. Nunca pensei que ainda existisse alguém assim, senão não teria trazido ele para te conhecer.

— Sério? Ainda tem gente que doa dinheiro para documentários sem querer nada em troca? Nós dois já temos sorte de estar apoiados por grandes nomes, eu até tenho um pouco de fama, mas mesmo assim, conseguir recursos e investimentos é difícil — disse Chen Weijun, incrédulo.

— Como poderia ser mentira? O documentário que estou gravando agora é todo patrocinado por ele. Olha, eu nem tenho obra pronta ainda, mas como a conversa fluiu muito bem, ele resolveu patrocinar. No começo, ia ser metade, mas há dois dias, empolgado, ele bancou tudo — Zhao Yun também parecia surpreso.

— Mas ele não é bobo. Nessa nossa área, no geral, ainda predomina o idealismo. Senão, por que alguém tão longe viria só porque eu liguei? Não sei o patrimônio exato dele, mas pelo menos dezenas de milhões. Só do que eu sei, ele já investiu dezenas de milhões — Zhao Yun segurava o café, vendo Chen Weijun boquiaberto.

— Então o que ele quer com isso? Tipo, a gente grava documentário por curiosidade, às vezes por fama, é um estilo de vida — Chen Weijun não entendia.

— Sobre isso, eu conversei com ele. No fundo, para quem está de fora, a gente também parece maluco. Igual você, que foi filmar pacientes com AIDS, quantos fariam isso? — explicou Zhao Yun.

— É verdade, somos todos malucos, ninguém julga ninguém. Deixar de ganhar dinheiro, não voltar para casa, ficar o dia todo com uma câmera vagando por aí, sem conseguir sustento. Ainda somos sortudos, temos um emprego fixo e uma renda. Outros estão piores — quantas pessoas têm um sonho, mas a realidade acaba com ele.

Enquanto conversavam, Zhou You entrou.

Zhao Yun se levantou depressa e acenou: — Zhou You, aqui.

Chen Weijun também se levantou. Rosto um pouco rechonchudo, de óculos, vestindo um traje casual.

Ele também observava Zhou You, afinal, gravar documentários é basicamente observar pessoas.

Viu que Zhou You também usava roupas esportivas casuais, cabelo curto, nada de marcas famosas, de óculos. Parecia um professor universitário, mas sem aquele ar erudito. Seu sorriso era contagiante. A impressão geral era de um jovem cheio de energia, confortável e vigoroso.

Zhou You se aproximou rapidamente e estendeu a mão: — Diretor Chen, já ouvi muito falar de você. Vi seus documentários *É Melhor Viver na Miséria do que Morrer* e *Por Favor, Vote em Mim*. Sempre quis que o Zhao Yun fizesse a ponte. Finalmente tenho a chance de conhecê-lo.

— Professor Zhou, sem cerimônia, vou chamá-lo de professor. Ouvi o Zhao Yun falar de você, tenho grande admiração. Hoje, ao conhecê-lo, vejo que o senhor tem um porte impressionante. Fico até tentado a gravar um documentário sobre você — disse Chen Weijun, bem-humorado.

Os três se sentaram e começaram a conversar.

— Diretor Chen, o senhor tem planos de gravar um novo documentário? Gosto muito de documentários enraizados na realidade, que refletem a vida social — perguntou Zhou You, curioso, como um leitor cobrando o escritor por novos capítulos.

— Sim, estou gravando um. É uma parceria com a BBC. Fico responsável pela parte da China, sobre educação. É diferente do que o Zhao faz, nossos focos são distintos.

— Sobre o que é? Pode contar? Fiquei interessado — disse Zhou You.

— Todo mundo sabe que no mundo há ricos e pobres. Mas por que os ricos não conseguimos filmar? Já os pobres, ainda podemos discutir. A BBC escolheu vários diretores no mundo todo para filmar esse tema. Eu escolhi a educação. Outros países e regiões, como África, Europa e EUA, estão filmando de ângulos diferentes, incluindo nascimento, sistema nacional, ambiente social, etc.

Chen Weijun tomou um gole de café, vendo Zhou You ouvir atentamente, e continuou:

— É um documentário de interesse público, será distribuído gratuitamente no mundo todo. Escolhi alguns temas, ainda estou gravando. Um é sobre o recrutamento de escolas particulares, outro sobre filhos de famílias rurais com notas ruins no vestibular e suas escolhas de faculdade, e outro sobre o registro de formandos de faculdades de terceira categoria procurando emprego.

Ao ouvir isso, Zhou You entendeu. Devia ser o documentário *Por que os Pobres?* da BBC.

O que Chen Weijun gravava, chamado *Saída*, revelava um canto da educação, mas só esse canto já mostrava uma realidade sangrenta.

Como Zhou You sabia, estudar é útil? Útil, sim, mas é preciso entrar numa boa universidade, num bom curso.

Fazer faculdade particular ou técnica, a menos que seja um curso muito bom, não adianta muito. É perda de tempo e dinheiro, e ainda pode levar a vida para o caminho errado.

Afinal, passar alguns anos na faculdade é quase sempre a época mais feliz da vida.

Sem pressão, livre, cheia de entusiasmo.

Mas, uma vez que você experimenta os benefícios da faculdade e a liberdade da vida, não quer mais sofrer, ou melhor, não quer mais sofrer sem sentido.

É fácil criar expectativas altas demais e acabar não conseguindo nada.

Um colega de Zhou You disse: “Se eu não tivesse ido para a faculdade e ido direto trabalhar, talvez fosse melhor. Porque nunca provei o doce, não sei como é. Mas, depois de provar o doce, agora que sofro, sinto que o sofrimento é realmente amargo.”

Dar esperança às pessoas e depois tirá-la é pior do que matar alguém.

— Diretor Chen, o irmão Zhao deve ter lhe dito que tenho interesse em documentários, especialmente os de realidade humana. Esse seu filme, tem patrocínio? Se não tiver, posso contribuir um pouco, mas não muito, porque tenho investido em muitos projetos ultimamente — disse Zhou You, sincero.

— A BBC deu uma taxa. Professor Zhou, não se preocupe. A gente grava documentário sem pensar em lucro, é puro hobby.

— Sim, eu sei. Também é meu hobby. Por isso, entendo bem quem grava documentários. Dentro das minhas possibilidades, tento ajudar um pouco. Desta vez, vou patrocinar 100 mil. Se não for suficiente, a gente vê depois — Zhou You pensou um pouco. Pela sua impressão, o tempo de gravação desse filme era curto, devia ser suficiente.

Chen Weijun ficou muito surpreso. Quem dá dinheiro logo no primeiro encontro? Mas também ficou emocionado, e realmente percebeu a paixão de Zhou You por documentários.

— É verdade que ouvir falar não é como ver. Já ouvi muito do Zhao Yun sobre você, mas ao lidar com o senhor, fico realmente impressionado. Sinto sua sinceridade.

Zhou You acenou com a mão: — Não é exagero. Todo mundo tem um hobby. Comparado a vocês, que dedicam tempo, energia e dinheiro, eu só ofereço um pouco de ajuda dentro do que posso. Além disso, também tenho um pedido. Espero que, na edição, o senhor faça uma versão mais longa para eu ver sozinho.

Alguns acham documentário longo demais, outros curto demais. Para bons documentários, Zhou You prefere os longos, pois a compreensão é mais profunda e satisfaz melhor sua curiosidade.