Capítulo 62: Capítulo 62: Exame de Saúde dos Pais

Com a mecanização, agora está muito melhor. As colheitadeiras e semeadoras são integradas, colhem e plantam ao mesmo tempo, e em poucos dias o trabalho no campo está pronto. O principal é que não precisamos mais entregar grãos ao governo nem pagar imposto agrícola; o que colhemos, vendemos direto.

Mas o estranho é que, quanto mais fácil fica o trabalho no campo, mais terras são abandonadas, e mais gente deixa de plantar. A razão é muito simples: ainda é o interesse. Antes, plantar era porque não havia outro jeito, poucas opções, e pelo menos dava para sustentar a família. Agora, plantar é mais prático, mas no fim do ano não se ganha nem alguns milhares de reais. As sementes, fertilizantes e agrotóxicos só sobem de preço. É melhor apertar os dentes e trabalhar fora, que num mês se ganha mais.

Mas as terras no campo, a gente não quer dar para os outros, afinal é um porto seguro. Se um dia não der certo lá fora, voltar para o campo garante pelo menos uma refeição, não se morre de fome.

A reforma da casa foi simples; o casal de idosos arejou o lugar por um ou dois meses antes de sair, e praticamente não tinha cheiro. Zhou You estava em casa e resolveu levar os pais para fazer um check-up. "Check-up? Check-up de quê? Estou muito bem, não vou fazer check-up." "Para que gastar dinheiro com isso? Se estiver doente, a gente vai ao médico; se não estiver, ir ao hospital é só sofrer à toa?" "Não vou, não vou. Prefiro ficar em casa descansando. Hospital é lugar para quem está sofrendo, todo mundo lá com cara feia." "Além disso, está tudo bem agora. O que os olhos não veem, o coração não sente. Se descobrirem algum problema, você vai tratar ou não? Só enche a cabeça de preocupação."

Antes, Zhou You não entendia isso. Sempre achava normal ir ao hospital fazer check-up; se tivesse algo, tratava logo, não? Qual o medo? Até que ele foi ficando mais velho, e em todo check-up apareciam itens fora do normal. A mesma coisa acontecia com os pais dos colegas de trabalho. Aos poucos, isso começou a irritá-lo.

O pior é que, ao ir ao hospital para exames complementares, não se chegava a uma conclusão. Ou o médico mandava operar, ou simplesmente ignorava. Tinha coisa ainda mais bizarra: no mesmo hospital, médicos diferentes davam diagnósticos diferentes, e em outros hospitais as conclusões também divergiam. Algumas até eram completamente opostas, deixando a pessoa sem saber o que fazer. No fim, sem opção, só restava ir para Pequim ou Xangai, essas grandes cidades.

Pelo menos para o povo comum, chegar a essas cidades para tratar uma doença já era o máximo. Querer ir para o exterior, nem pensar. Um trabalhador comum quantas vezes sai do país na vida? Quanto mais para tratar doença. Só o custo já é de matar. Ir a essas cidades, marcar consulta, se hospedar, se locomover, tudo é despesa. Principalmente as consultas com especialistas, que você simplesmente não consegue agendar. Só com o avanço da internet foi possível marcar uma.

Aos poucos, Zhou You foi desenvolvendo a mentalidade de avestruz, com preguiça de se incomodar. Como diz o ditado: a medicina ocidental sempre trata os sintomas, a chinesa às vezes cura a raiz. No fim, a ocidental é só cortar e remover; cada cirurgia consome a energia vital.

Mas agora era diferente. Zhou You tinha dinheiro e tempo, e a saúde dos pais vinha em primeiro lugar, mesmo que eles estivessem bem. "Já que tenho tempo agora, vou levá-los para fazer um check-up. Senão, fico preocupado no trabalho. Não custa caro, é baratinho. Se vocês atrapalharem meu trabalho por causa disso, como é que fica?" Zhou You apelou para o trunfo: ele mesmo.

Tradição chinesa antiga: os pais se preocupam com os filhos, trabalho, casamento, a próxima geração. Usar esses argumentos sempre funciona.

No dia seguinte, em jejum, de manhã cedo, Zhou You os levou ao hospital da cidade para o check-up. Queria levá-los à capital do estado, mas os pais não aceitaram. Sem jeito, foram ao hospital da cidade. No hospital municipal, foram direto ao setor de check-up, escolheram dois pacotes, pagaram e começaram os exames. Os médicos do hospital da cidade só cuidam de doenças comuns; cirurgias um pouco mais complexas precisam ser feitas na capital do estado, na província, ou em Pequim e Xangai. Mas para exames de rotina, servia.

Zhou You acompanhou tudo: coleta de sangue, altura, peso, fundo de olho, clínica geral, cirurgia, ultrassom, eletrocardiograma, tomografia, teste de carbono 13. No final, ele ainda adicionou uma ultrassonografia da tireoide. Não se sabe por quê, mas ultimamente os hospitais estão encontrando cada vez mais problemas na tireoide. Ou é 4A, ou 4B, e os hospitais não dão conta das cirurgias. Os casos leves cortam metade; os graves, cortam os dois lados. Quem tira tudo precisa tomar remédio para o resto da vida, trazendo grande incômodo aos pacientes.

Quando a onda de cirurgias de tireoide começou, depois de alguns anos, os pacientes perceberam que esses casos estavam aumentando. Em cada dez pessoas, pelo menos uma ou duas têm problemas na tireoide. Não se descobre a causa: se é da alimentação ou do estresse da vida moderna. O fato é que a doença só aumenta. Os médicos não sabem o que fazer, e os pacientes também não. Muitos dizem que é um "câncer preguiçoso", que pode nem se espalhar até a morte. Mas quem se arrisca a apostar? Principalmente quando a aposta é a própria vida.

Terminados todos os exames, ele levou os pais para passear no shopping e comprar algumas roupas. Zhou You também comprou algumas peças reservas para deixar em casa. No caminho, os pais não paravam de perguntar sobre trabalho e namoro. "Zhou, como está o trabalho? Cansado? Alguém te apresentou alguém? Agora que a casa está pronta, quando você trouxer uma namorada para a mãe ver?" A mãe dele estava cheia de expectativa.

O que Zhou You podia dizer? Pensava: ainda não me diverti o suficiente, casar para quê? A sua melhor juventude está só começando; falar em casamento é prejudicar o filho. Casar hoje em dia é fácil? Se der problema depois, metade dos meus bens vai embora. Sem filhos, até vai; mas com filhos, como fica? Deixar a criança sofrer? Criança sem pai ou mãe é triste, cresce com carência emocional, e quando sofre bullying, não tem a quem recorrer. "Estou no auge da minha carreira, começando agora. Não tenho energia para namorar. Se eu perder o emprego por causa disso, quem vai querer ficar comigo? Com o que vou sustentar alguém?" Zhou You soltou uma bomba com leveza.

Os pais, ao ouvir isso, não ousaram insistir. Afinal, na cabeça deles, o trabalho vem em primeiro lugar. Lembrando-se disso, ele pegou a foto autografada de Zhang Jiayi. "Mãe, olha o que é isso. Outro dia encontrei ele, e jantamos juntos. Sabendo que você gosta, pedi um autógrafo." Zhou You ainda abriu o celular e mostrou a foto com ele.

Li Fengying abriu um sorrisão, pegou a foto e ficou virando de um lado para o outro: "Olha como ele atua bem nas novelas. O preço dos imóveis nas grandes cidades é tão caro, veja quantas pessoas ele prejudicou?" Falando nisso, ficou triste: "Ainda bem que meu Zhou tem talento, senão eu e seu pai nos sentiríamos culpados por não conseguir comprar uma casa para você."

Vendo os pais tristes, Zhou You lembrou da sua vida sofrida na vida passada. Mas mesmo assim, raramente culpava os pais. Porque quando ele cresceu e começou a arcar com o peso da vida, entendeu como é difícil manter a família segura, saudável e unida.