"Tudo aqui é tão caro", resmungou Kim Hyo-ryong. Buraco de dinheiro, buraco de dinheiro. O nome não é à toa, não é um lugar de dinheiro, é um lugar de queimar dinheiro. Originalmente, Kim Hyo-ryong queria bancar o descolado e pagar uma rodada para o pessoal, mas ao ver o preço, não ousou dizer nada. Se fosse bancar, nem o bônus de fim de ano daria. Ainda bem que combinaram de dividir a conta antes de vir. São todos jovens, essa é a vantagem: são fáceis de lidar. "Olha, olhem só, aquele é o artista da SM, uma banda de rock, super estiloso, né?", disse uma garota animada. Embora não fosse fã, ver uma celebridade ainda dava uma certa emoção. A maioria dos fãs são crianças e jovens. Muitos motivos: valores imaturos, insatisfação com a realidade, necessidade de um refúgio espiritual, além de ler pouco, saber pouco, a ignorância dá coragem. O mais importante é que sofreram poucas pancadas da vida. Olhe para quem tem mais de 30 anos, seja homem ou mulher, quantos ainda são fãs? Mal conseguem manter a própria vida, não têm tempo, energia ou dinheiro para isso. Com o tempo, naturalmente esquecem. Mas sempre há tolos, que na internet pegam qualquer vento e viram chuva. Na verdade, alguns são burros, fáceis de serem manipulados. Outros só querem extravasar emoções, desabafar sua insatisfação. Já que todo mundo fala, eles também falam. E tem ainda os que ganham dinheiro com isso. Enfim, uma coisa parece simples, mas na verdade é muito complexa. Quem acha que dá para resolver de uma vez com regras é muito ingênuo. Porque as pessoas são complexas, e sempre há alguém por trás. Em seguida, os jovens começaram a beber e dançar, extravasando a juventude e os hormônios sem destino. Naquele momento, Kim Hyo-ryong sentiu que valeu a pena. Essa é a vida que um jovem deveria ter: a vida de luxo e prazer é realmente boa. Aos poucos, com a bebida, começou a ficar tonto. De repente, percebeu que a garota que veio com ele tinha sumido, mas não se importou. Talvez tivesse ido ao banheiro ou dançar em outro lugar. Assim se passou uma hora, e ela ainda não apareceu. Kim Hyo-ryong começou a ficar preocupado. Ele a chamou para sair; se ela se perdesse, ele teria que assumir a responsabilidade. Se algo acontecesse, sua consciência não o perdoaria. "O que fazer? Vamos nos separar para procurar?", todos ficaram ansiosos. Separaram-se para procurar. Naquele bar enorme, reviraram cada canto, até pediram para alguém verificar o banheiro feminino, mas não havia ninguém. O pior é que ela nem levou o celular, estava na mesa. Para onde poderia ter ido? No meio do inverno, todos estavam suando em bicas, uns por cansaço, outros por desespero. Procuraram por duas horas e nada. O que fazer? Para onde essas pessoas foram? Lembrou-se involuntariamente do que sua irmã lhe dissera: aquele lugar era uma mistura de gente boa e ruim. Os outros nem perceberam que faltavam duas pessoas, todos bebendo, cantando e dançando. Uma cena de pura agitação. Os jovens não ousavam ir embora; não teriam como se explicar. Chamar a polícia? Nem pensar, ainda não havia passado o tempo limite. Além disso, e se as duas tivessem bebido demais e ido dormir em algum lugar? "Xibal", Kim Hyo-ryong xingou de raiva. Era realmente um azar sem motivo. Vendo que o número de pessoas estava diminuindo, e ainda sem encontrá-las. O bar estava prestes a fechar. Kim Hyo-ryong foi até um funcionário: "Com licença, pode verificar as câmeras? Nossos amigos sumiram." Os funcionários se entreolharam e balançaram a cabeça: "Desculpe, não podemos mostrar as câmeras para estranhos. Ligue para o celular dela ou vá para casa; talvez elas já tenham ido embora." Kim Hyo-ryong só falou por falar, nem esperava realmente ver as câmeras. O tempo passava, minuto a minuto. Sem nenhuma pista, os outros estavam prontos para voltar e dormir. Aquela situação era irritante. Que droga, aquelas duas mulheres, para onde foram? Quando todos estavam prestes a desistir e ir para casa, um colega veio correndo de fora, ofegante. "Acabei de vê-las, sendo carregadas por dois caras. Rápido, vamos!" Kim Hyo-ryong e os outros ouviram e correram para a porta. Nesse momento, os funcionários se entreolharam e os interceptaram: "Esperem um pouco. Vocês estavam correndo por aqui, suspeitamos que roubaram algo." Eles sabiam o que estava acontecendo. Naquela hora, não podiam deixá-los ir. Malditos, esses caras estavam cada vez mais descarados. A pessoa tinha amigos junto, e ainda assim ousavam agir. Eles se divertem com as mulheres, e nós servimos de capangas. Xibal. Mas não tinha jeito, era o ganha-pão. Se não fizessem isso, perderiam o emprego. Pelo menos o salário aqui era bom. Kim Hyo-ryong e os outros não eram burros, só não tinham experiência nisso. Trocaram olhares e entenderam que algo estava errado. As duas colegas não tinham se perdido sozinhas. Não era que nunca tivessem ouvido falar de encontros casuais em bares ou "pegar corpos" em bares. Para ser sincero, às vezes pensavam nisso, mas a situação parecia mais complicada. Imediatamente, cada um correu para um lado. Kim Hyo-ryong abaixou-se e saiu correndo, gritando: "Chamem a polícia, rápido, chamem a polícia! Tem crime!" Ao chegar na porta, viu a silhueta de uma colega e gritou: "Essa é minha amiga! Já chamei a polícia, soltem-na agora!" O homem na frente parou, olhou para trás e depois para o lado, e xingou: "Como vocês fizeram isso? Não conseguem nem fazer uma coisa simples?" Antes, ninguém sabia, e mesmo que soubessem, não importava. Aquele lugar era uma zona cinzenta, cheia de gente de todo tipo. Uma noite casual, um namoro, não era normal? Chamar a polícia? Sem brincadeira. Já tinham fotos, ela estava até sorrindo. Tudo seria classificado como consensual. Quem faz coisas erradas estuda as leis melhor que a maioria. Senão, não teriam durado tanto tempo. O homem na frente largou a mulher no chão, resmungando enquanto ia embora. Que azar. Se tivessem entrado no carro, ninguém veria, e seria difícil resolver. "Malditos, estragaram coisas e querem fugir", os funcionários vieram correndo atrás e deram um chute. Kim Hyo-ryong foi derrubado no chão, atordoado. Nunca tinha passado por algo assim, apanhando tão feio. A imagem de sua irmã veio à mente, e o arrependimento tomou conta. Como uma pessoa comum poderia se envolver nisso? "Xibal, esperem aí! Já chamei a polícia. Sou da empresa do jogo PUBG, nosso chefe é estrangeiro, somos funcionários-chave. Esperem só!", Kim Hyo-ryong não era tão burro. Vendo mais gente se aproximando, gritou o nome da empresa. Não importava se funcionava, o importante era não apanhar mais. Malditos, será que quebrou algum osso? Os agressores se entreolharam e pararam. Se não tivesse influência, tudo bem. Mas conheciam aquela empresa de jogos, estava bombando, e o chefe parecia ser realmente estrangeiro. A fama é como uma sombra. Quando o PUBG começou a fazer sucesso, muitos foram investigar, alguns até queriam tirar vantagem. Mas quando viram a estrutura de ações, envolvendo a Sequoia, desistiram. Não valia a pena. Se fosse só sorte, seria fácil. Arrumariam um motivo para se intrometer. Nem precisava falar de empresa, até o presidente trocavam como queriam. País pequeno é assim. Kim Hyo-ryong, vendo que o cerco parou e não apanhavam mais, pegou o celular e ligou para a irmã. "Irmã, fui agredido no bar!", disse assim que atendeu. Mas ouviu um "clique" e a ligação caiu. Ah-jeong estava dormindo profundamente. Além de ser acordada pelo telefone, ainda era aquele irmão inútil. Apanhou? Bem feito. Desobediente, merece apanhar. Se não se cuida, não tem capacidade e ainda quer bancar o valente, merece levar pancada da vida. Na visão de alguns, Kim Hyo-ryong era claramente uma vítima. Como culpar o próprio irmão? Deveriam ir atrás dos criminosos. A lógica era essa. Mas uma pessoa comum não deveria pensar assim. Um cidadão comum precisa ter consciência. Sim, e daí se bateram em você? O que você vai fazer? Chamar a polícia? Pode, vai lá. Na porta do bar, a polícia chegou atrasada. Kim Hyo-ryong e os colegas estavam sentados no chão, em estado lastimável. "Por que brigaram?", perguntou o policial. Kim Hyo-ryong ficou atônito. Além de chegarem tão tarde, ainda falavam naquele tom. Não estava claro que eles é que foram agredidos? "Oficial, eles nos bateram, não nós a eles", disse um dos colegas. O policial olhou de lado: "Bateram em vocês? Por que não bateram em outros? Se tantos estão aí, por que só em vocês?" Kim Hyo-ryong não soube o que responder. Aquele tom era realmente desolador. Não, ele mesmo já fora assim antes, sempre sendo manipulado. Como dissera à irmã, tanta gente estava bem. Agora, pensando nisso, sentiu um calafrio. Se sua irmã estivesse ali, o que faria? E se ele não tivesse visto, qual seria a consequência? Seu rosto empalideceu. Baixou a cabeça e ficou em silêncio, mas ligou discretamente a gravação do celular. "Oficial, pode ver as câmeras. Nossas duas colegas quase foram levadas, e por isso houve o conflito", o colega ainda tentava explicar. Não havia outro jeito, além de confiar no Estado, em quem mais um cidadão comum podia confiar? Se tivesse influência, não seria um cidadão comum. Os funcionários do bar começaram a falar: "Oficial, não tivemos escolha. Eles saíram correndo, pensamos que não tinham pago, e saímos atrás. Acabou rolando um pequeno conflito." "Chega, vão para casa. Já que todo mundo está aqui, sejam mais prudentes da próxima vez. São adultos, sair correndo sem pagar? E se alguém chamasse a polícia, vocês seriam presos", disse o policial rindo. Crescendo naquele país, ninguém era bobo. Agora entendiam: o bar tinha proteção, e eles não podiam enfrentar. Ainda bem que não saíram muito prejudicados. As duas colegas foram se recuperando aos poucos. Deram uma olhada rápida e sentiram que as roupas estavam meio estranhas, desalinhadas, mas não disseram nada. Para elas, aquele dia foi um grande desvio na vida normal. A alegria inicial já tinha ido embora, só restava o medo. Vendo que não conseguiriam justiça, os jovens se entreolharam e foram se afastando devagar. "Vocês aí, arrumem menos confusão. Um dia desses, vão encontrar um osso duro de roer", disse o policial balançando a cabeça. Ele cuidava daquela área e já tinha limpado muita sujeira. O gerente do bar sorriu: "Tudo bem, oficial, fique tranquilo. Não vou deixar o senhor em apuros. Vou falar com o chefe." Para um policial pequeno, ele não dava muita importância. Eles se comunicavam com gente mais alta. Um pouco de cortesia bastava. O policial balançou a cabeça e foi embora. Ele ganhava a vida ali, só podia fazer média. Não podia fazer mais nada. O céu da Coreia já estava escuro! "Sinto que minhas roupas foram vestidas de novo." "As minhas também. Você sentiu algo diferente?" As duas mulheres cochichavam. "Não sei, mas está diferente. E não me lembro de nada. Acho que não bebi tanto." "Também não sei." Falavam baixo, com expressões abatidas. Só foram ao bar uma vez, como podia acontecer isso? Kim Hyo-ryong e os outros não aguentaram: "Para onde vocês foram? Procuramos por horas e não achamos." "Não sei, minha memória está em branco." "A minha também. Se o Hyo-ryong não tivesse gritado, não quero nem pensar no que poderia ter acontecido." "E agora, o que fazer?", alguém perguntou. É, o que fazer? Olharam-se uns aos outros. A polícia veio, e não deu em nada. Mandaram-nos embora assim. "Que tal deixar pra lá?", um dos homens, que também tinha apanhado, mancava um pouco. "Ah, Ryong, por que eles não bateram em você?" Kim Hyo-ryong estava de cabeça baixa, ouvindo em silêncio, sem saber o que dizer. Até que alguém lhe perguntou. Ele se recompôs: "Eu disse que éramos da empresa do PUBG, que o chefe era estrangeiro, e aí pararam de bater." "Ah, é! Será que podemos pedir ajuda à empresa?", alguém sugeriu. Outro deu um sorriso amargo: "Isso não foi um evento da empresa, foi algo nosso. Se a empresa souber, pode até nos demitir." Todos ficaram ainda mais desanimados. É, nem adiantava esperar que a empresa os defendesse. Ainda podiam ser demitidos por causa disso. Nas empresas coreanas, isso era normal. Certo ou errado, o funcionário era o mais fácil de culpar. Demitir era o mais simples. "Son Ah-joo, Lee Hye-ri, e todos, desculpem. Fui eu que chamei vocês. Não imaginava que isso fosse acontecer. Sinto muito", Kim Hyo-ryong se levantou e pediu desculpas aos colegas. "Não precisa. Viemos juntos. Ninguém esperava isso", disse Son Ah-joo, rangendo os dentes. Lee Hye-ri baixou a cabeça: "Espero que ninguém fale sobre isso lá fora. Senão, Ah-joo e eu não saberemos como encarar os colegas." Até então, todos estavam preocupados e assustados, e não tinham pensado nisso. Ao ouvir aquilo, sentiram um aperto no coração. "Fiquem tranquilos. Não é algo glorioso. Nós, homens, também apanhamos feio", Kim Hyo-ryong tentou consolar com um sorriso amargo. Originalmente, queria pedir ajuda à irmã, mas ela tinha desligado o telefone. O que mais podia fazer?