Capítulo 477: Capítulo 477 Capítulo 476 Há Muito Tempo Não Via um Espetáculo Assim

Capítulo 476: Fazia tempo que não via uma cena tão grandiosa assim

No dia seguinte, de manhã cedo. A atmosfera em toda a Chinatown já era diferente. Havia muito mais gente nas ruas, e o movimento no café da manhã estava explosivo. — Ah, Ah-Sheng, há quanto tempo! O que te traz aqui? — Puxa, o mestre tem um assunto, então o discípulo tinha que vir, claro. — Shui-Ge, você também veio. — Vim, vim.

Primavera, brisa suave, sol quentinho. Bom dia para sair, para se divertir, para começar a trabalhar. Do lado de Tan Hai, vieram umas dezenas de pessoas, um grupo escuro e compacto. Do lado de Kong Guangjie, também tinha umas dezenas. Ainda tinham os do Wing Chun, os do Choy Li Fut, e também os do Tan Tui, com bastante gente. No total, quase duzentas pessoas.

Vendo que todos já tinham chegado, Tan Hai subiu nos degraus, com o rosto sério, olhando para a multidão abaixo. Os mais velhos tinham mais de quarenta anos, os mais novos tinham a idade de Jiang Wu. — Agradeço a presença de todos. Ao dizer isso, fez uma saudação com as mãos em punho.

Os muitos discípulos lá embaixo, vendo algo tão formal, também fizeram a saudação com os punhos. A cena era ao mesmo tempo cômica e solene. Cômica porque as roupas deles eram uma bagunça: a maioria usava agasalhos esportivos, pretos, brancos, vermelhos, de tudo um pouco. Além disso, alguns usavam óculos, outros não. Esse visual era meio estranho, meio deslocado.

— O motivo de termos vindo aqui, eu já expliquei. Agora vou reforçar. — O desenvolvimento das artes marciais tradicionais até hoje não foi fácil. Eu não tenho talento, quase vi minha própria academia fechar. As outras também estão na mesma. — O cenário geral é este, e nós aceitamos. — Mas, justamente quando estávamos desesperados, alguém se dispôs a dar uma mão para as artes marciais, para dar uma mão para as academias da Chinatown. — Eu vou dar o meu sangue para levar isso adiante. Senão, depois de morto, não terei coragem de encarar meu pai, nem meus antepassados.

Aqui, ele fez uma pausa, viu que todos estavam prestando atenção, e ergueu o punho, continuando: — Este é o lugar que nos criou. Nós, chineses, somos maltratados lá fora. Para não sermos maltratados, nos unimos, praticamos artes marciais. Esse espírito é a base que herdamos, e não podemos perdê-lo. — Agora, alguém quer destruir essa bela situação. Eu não vou permitir. — Desta vez, convidei todos vocês não para que avancem na linha de frente, mas apenas para serem testemunhas. Toda a responsabilidade é minha, não tem nada a ver com vocês.

Ao terminar, ficou no palco, olhando para todos. Lá embaixo, as expressões eram variadas. As pessoas cochichavam entre si.

Foi então que alguém se levantou: — Meu nome é Ah Shui. Alguns me conhecem, outros não. Tenho um carinho por Chinatown, tenho um carinho pela academia. Minha infância, minha juventude, foram todas aqui. Agora, se alguém quer destruir isso, eu sou o primeiro a não aceitar.

Ah Shui era discípulo do Mestre Tan, praticamente um discípulo de infância. Ele era treinado para ser o próximo dono da academia. Mas, como nem ele mesmo tinha o que comer, como ousaria manter os outros? Só lhe restou sair para procurar trabalho, e agora trabalhava como segurança. Dessa vez, ouvindo que havia esperança de voltar, e até uma chance de continuar trabalhando na academia, tanto por dever quanto por interesse pessoal, ele tinha que dar uma força.

Com alguém tomando a frente, os outros também ficaram indignados. Quem não tinha alguns aliados de confiança? Vendo que o ânimo do povo era favorável, Tan Hai acenou com a mão: — Vamos, para a praça.

A localização daquele prédio independente era boa. Na frente, havia uma pracinha. Senão, o preço não seria tão alto. O jovem magricela, escondido num canto, ao ver aquela cena, ficou com as pernas moles. Esqueça qualquer outro plano. Só de olhar para aquela gente, já sentia medo. Olhou para o irmão Wen Long, que não estava muito melhor que ele. Ficava ali, firme na postura, mas as pernas tremiam, instáveis, quase caindo. — Irmão, o que a gente faz? — Se a gente se esconde, leva facada. Se a gente aparece, também leva. Isso também é uma oportunidade. Briga de hoje, amizade de amanhã. Vou lá prestigiar. — Quem era líder tinha um pouco de coragem.

Na praça, Zhou You estava conversando com Han Luosheng. Dessa vez, ao lado de Zhou You, havia muitas pessoas. Drones patrulhavam o céu, e todos os pontos elevados estavam vigiados. Foi um treino prático. Xiao Si estava empolgado: depois de tanto tempo estudando, finalmente podia colocar em prática. Rádios comunicadores, coletes à prova de balas, tudo que era necessário estava equipado. Li Houliang e Bateer faziam a proteção pessoal.

Han Luosheng não tinha visto essas pessoas ontem. Ao vê-las hoje, sua postura ficou ainda mais respeitosa. Um figurão, com tantos seguranças particulares. Como é que não vazou nenhum rumor? Pensando bem, era normal. Que conhecimento ele tinha? Quantas coisas sabia? Deu um sorriso irônico, zombando de si mesmo.

Não conversaram muito, quando viram um homem de uns cinquenta ou sessenta anos, com cabelos grisalhos, se aproximando. Han Luosheng puxou Zhou You e disse: — Este é nosso presidente. Hoje ele veio especialmente para apoiar o Presidente Zhou.

Zhou You deu alguns passos rápidos e estendeu a mão: — Muito obrigado, muito obrigado. Esse pequeno assunto nem precisava do Presidente Wang vir pessoalmente.

Na conversa de antes, também tinham falado sobre o Presidente Wang. Ele tinha um patrimônio de centenas de milhões e era respeitado no círculo chinês. — Presidente Zhou, o senhor é muito educado. Ontem, o Presidente Han me contou. O senhor não só nos fornece espaço de escritório, como também doa fundos. Fico até sem jeito. — O Presidente Wang também era do mundo dos negócios. Diziam que ele tinha centenas de milhões, mas se fosse doar um milhão em dinheiro vivo, também doía.

Zhou You deu uma gargalhada: — Temos um ditado: em casa, depende dos pais; na rua, depende dos amigos. Em terra estrangeira, temos que contar com os nossos.

Eram só palavras de circunstância. Trocaram algumas amenidades, e viram que a praça estava lotada. Além do pessoal das academias, tinha muita gente da Chinatown. Sabiam que hoje teria uma cena grandiosa. No fundo, todo mundo gosta de ver um movimento. Além disso, depois de tanto tempo num lugar tão parado, mais gente trazia mais ânimo.

— Fazia tempo que não via uma cena tão animada assim. — O Presidente Wang não resistiu a comentar. Os tempos áureos tinham ido embora, e agora era lutar para sobreviver. Que difícil. Gente longe da terra natal é desprezada. Aquelas pessoas, anos atrás, ainda tinham uma certa vantagem psicológica em relação à China. Agora, a mentalidade tinha mudado. A água corre para baixo, o homem busca o alto. Com o país forte, quem não sente inveja? Antes, eles é que eram chamados para investir na China. Agora, dependiam da China para crescer e fortalecer os negócios. Os tempos mudaram.

Zhou You não gostava desse tipo de cena. Depois de uma conversa rápida, chamou Jiang Wu: — E o proprietário? Vamos tratar da papelação o mais rápido possível.

Jiang Wu foi procurar o proprietário. O proprietário também era membro da associação, e já sabia do motivo. Que outra ideia teria? Aquele prédio estava à venda há muito tempo, e ninguém tinha se interessado. Os imóveis da Chinatown estavam numa situação estranha: quem não tinha dinheiro não podia comprar, e quem tinha dinheiro não comprava ali. Finalmente, alguém queria comprar. O proprietário sentia um certo arrependimento, sonhando que um dia a Chinatown prosperasse de novo e seu imóvel valorizasse. Mas não tinha jeito. A crise econômica era muito forte. Se não vendesse o prédio, o fluxo de caixa acabava, a empresa ia à falência, e não teria mais chance de se recuperar. Sem esperar Jiang Wu chamar, o proprietário veio por conta própria.

Foi nesse momento que o irmão Wen Long apareceu. A aparência dele hoje estava meio estranha. Imediatamente, atraiu todos os olhares. Ele era um dos protagonistas do dia. Se não fosse por ele, tanta gente não estaria reunida! A cena ficou em silêncio de repente. Todos olhavam para o homem no centro. A parte de cima do corpo estava nua. Nas costas, carregava algumas varas de madeira, não se sabia de onde tinha tirado. Umas grossas, outras finas, compridas e curtas. O que ele vestia na parte de baixo, ninguém se importava mais. Desde que não estivesse nu, estava bom.

— Ah Hu, o que você está fazendo? Para aí! — Tan Hai, claro, o conhecia. Era o protagonista que agitava as águas. Deu um passo largo e foi na frente, bloqueando o caminho. — Hoje você não vai aprontar. Senão, vai se dar mal. — Ah Shui também veio logo atrás, fechando a passagem.

Ah Hu, vendo aquela cena na sua frente, já tinha vindo reunindo coragem. Essa ideia tinha sido de última hora. Já que tinha chegado até ali, o que mais podia piorar? Com os dois gritando, suas pernas amoleceram de vez. Pluft! Caiu de joelhos no chão. — Eu sei, a culpa é toda minha. Dessa vez, vim para pedir perdão com a vara nas costas. Por favor, que os senhores, grandes, não se importem com a gente, pequena. Me perdoem. — Ah Hu falou, gaguejando.

Todo mundo tinha feito aquele auê todo por causa dele. Quem diria que ele ia amolecer assim. Se não tivesse aparecido, tudo bem. Podiam fazer o negócio diretamente. Mas ele ainda ousou aparecer. Aparecer, tudo bem. Mas se confessar a culpa logo de cara, como é que iam lidar com isso? Não tinha plano para isso!

Li Houliang também estava tenso. Não era medo de briga, mas sim de um tiro de longe. Isso era difícil de prevenir. O alvo principal tinha aparecido. Provavelmente, não teria mais tiros. Ele sentiu um alívio no coração. Foi nesse momento de relaxamento que ouviu Zhou You chamá-lo: — Liang-Ge, vai lá e traz o homem aqui.

Zhou You também não tinha jeito. Não podiam ficar todos parados ali. Um lado tinha se rendido, o outro não sabia o que fazer. Isso também prejudicava a autoridade. Li Houliang piscou para Bateer e andou rápido até lá. Com uma mão só, levantou Ah Hu e, de quebra, arrancou as varas de madeira das costas dele. — O outro foi pedir perdão com espinhos nas costas. Você veio com varas de madeira. Não aprendeu direito o ditado. — Zhou You apontou para Ah Hu e fez uma piada.

Ele não sabia como a associação ia lidar com isso. Vendo a expressão do outro lado, também estava um pouco surpreso. Fosse verdade ou não, a forma de lidar era mediana. Já tinha ido parar na cara dura. Todo mundo não tinha um domínio muito bom do chinês. Com essa piada de Zhou You, o clima relaxou um pouco. As pessoas ao lado soltaram risadas baixas. — Mas, agora todo mundo está ocupado. Você fica aí descansando um pouco. Depois de resolver o assunto principal, a gente conversa. — Zhou You falou com leveza.

Ele sempre focava no essencial. Hoje, o objetivo era comprar a casa. Essas coisas eram só incidentes. Já que estava resolvido, não precisava ficar trazendo à tona. Han Luosheng também estava um pouco sem graça. Teoricamente, já tinha resolvido tudo. Não sabia como ainda aparecia esse tipo de situação. Só podia dizer que a direção geral estava certa, mas tinha um pequeno deslize.

Ah Hu foi levado por Li Houliang para um canto e entregue a Jiang Wu. Ele mesmo voltou para perto de Zhou You. — Agradeço a todos por terem vindo prestigiar. O alvoroço foi tão grande que quem não soubesse, ia pensar que estávamos fazendo alguma coisa. — Mas, através disso, eu vi a coesão dos chineses, vi a esperança das artes marciais. — Daqui a pouco, ninguém vai embora. O Mestre Tan vai organizar todo mundo para ir a um restaurante. A conta é por minha conta. Agradeço a presença de todos. — E, quando a academia abrir, também convido todos para virem. Vamos dançar com o leão, fazer uma festa!

Tan Hai, vendo isso, também tratou de dispersar o pessoal. Dividiu em pequenos grupos e os mandou para os restaurantes próximos. — Mestre, para qual restaurante? Parece que não tem nenhum que comporte tanta gente. — Jiang Wu perguntou enquanto andava. — Eu lá sei? Se um não der, vai para dois, três. Desde que dê para comer, não fiquem entupindo aqui.

A multidão se espalhou em grupos de dois ou três. Kong Guangjie também não esperava que fosse tão tranquilo. Na hora, estava preocupado que, se dispersassem assim, o pessoal fosse embora e o ânimo se perdesse. Não esperava que Zhou You fosse tão generoso. Sem dizer nada, já convidou todo mundo para comer. Realmente, não tinha o que reclamar.

Xiao Si, vendo isso, chamou Jiang Wu: — Tenta arranjar mesas para todo mundo. Comida e bebida, você vê o que é melhor. Não pode ser muito ruim. — Tem algum padrão? — Jiang Wu já tinha uma ideia, mas não tinha certeza. Nunca tinha feito isso antes. Xiao Si pensou um pouco. Antigamente, nos sets de filmagem, era mais ou menos assim. Só que não sabia o preço daqui. — Segue um padrão médio. Não pode ser muito ruim, mas também não precisa ser um banquete, entende? Jiang Wu concordou com a cabeça: — Claro. Fica tranquilo, Quarto Irmão. Vou garantir que todo mundo coma e beba bem. Muitos vieram de longe. — Vai. O Irmão You não é mesquinho, você percebe. Mas também não é trouxa. — Xiao Si aconselhou.

Do lado de Zhou You, quando a multidão se dispersou, o espaço ficou vazio de repente. O proprietário abriu a porta, e Zhou You começou a examinar a estrutura do prédio. — Em que ano foi construído? — No começo, foi construído nos anos 80. Depois, no ano 2000, foi reformado. Acho que já está na hora de reformar de novo. — Esse prédio é bem resistente! — Zhou Toquei com a mão e também chutei com o pé. — Quando é para morar, a gente capricha na construção. — O proprietário realmente queria passar o prédio como herança de família.

Zhou You virou a cabeça e perguntou a Han Luosheng: — Presidente Han, se eu reformar e colocar um elevador, está dentro das regras? — Sem problema. A papelada a gente corre atrás. — Han Luosheng respondeu prontamente. O assunto anterior não tinha sido bem resolvido. Se esse também não fosse, aí não teria desculpa. — Tá bom. Vamos ficar por aqui. Não tem muito o que ver. Vou chamar alguém para dar uma olhada. Se não tiver problema, a gente faz a papelada. — Zhou You agora estava mais esperto. Aquilo era caro, então precisava ter certeza antes de falar.

Shen Beipeng já tinha sido enganado por Zhou You de forma terrível. Depois de contar o caso, ele mesmo ficou interessado e reportou para a matriz. Que americano não se interessaria por uma coisa dessas? Principalmente eles, grandes empresas de investimento. Mas ninguém era bobo. Até um estranho sabia que precisava criar várias camadas de proteção, quanto mais eles. Muitas vezes, eles apoiavam os dois lados. Era como as empresas de investimento: investiam em várias do mesmo setor. Investiam um pouco no primeiro, no segundo, no terceiro. Um dos três sempre ia dar certo. Se desse certo, era lucro. Para a eleição, era ainda mais fácil. Só tinha dois. Mas, já que o sócio local tinha falado, a linha de pensamento estava certa, e ele também estava disposto a abrir mão de uma parte dos lucros para tocar o projeto, por que não? — Lao Shen, está ocupado? Te convido para almoçar. — Zhou You ainda usava o velho faz-tudo. — Sua comida, eu não como. Com certeza não é de boa-fé. — Shen Beipeng também tinha aprendido. Se não explicasse direito, ele não se metia. Esse Xiao Zhou era mais enrolador que ele. O clima no local era difícil de controlar. — Haha, vou apresentar uns amigos para você. São da Associação Chinesa. — Zhou You não tinha nada para esconder. Ao dizer isso, mandou a localização e desligou o telefone. Tinha o cara na mão.