Capítulo 476: Capítulo 476 Capítulo 475 Os Tempos Mudaram

**Capítulo 475: Os Tempos Mudaram**

Assim que terminou de ouvir, Jiang Wu saiu apressado. Não ousou perturbar o descanso de Zhou You. Ainda bem que ele não disse que não investiria; ainda havia uma grande esperança. Ao sair do hotel, ligou imediatamente para o mestre. Ligou várias vezes, mas ninguém atendeu, e ele suava em bicas, preocupado que algo tivesse acontecido — era sempre assim nos filmes. Enquanto esperava ansiosamente, prestes a ligar para outras pessoas, Tan Hai retornou a ligação.

— O que foi? Estamos discutindo um assunto, não te falei para não se apressar? — disse Tan Hai.

— Mestre, acabei de sair da reunião com o Sr. Zhou e já falei com ele — respondeu Jiang Wu, sendo sincero.

Tan Hai, sentindo a pressão de todos os velhos companheiros que o observavam, perguntou:

— O que o Sr. Zhou disse?

— O Sr. Zhou disse que não há grande problema, mas não vai gastar dinheiro extra. Ele vai contratar outra imobiliária para avaliar o imóvel e quer que o senhor entre em contato com o responsável pela Federação Chinesa no exterior, para ele organizar um jantar.

— Só isso? — Tan Hai ficou um tanto desconcertado.

— Ele também me mandou transmitir aos outros: os tempos mudaram. Se insistirem até o fim, ele vai gastar 5 milhões para contratar advogados, polícia, fiscais, etc., para fazer uma investigação direcionada.

Ao ouvir isso, Tan Hai assentiu:

— É uma abordagem, mas tenho medo de que esses caras, encurralados, façam algo para prejudicar o Sr. Zhou pessoalmente. Precisamos mostrar nossa força também; senão, se tudo depender do Sr. Zhou, para que servimos nós?

E desligou o telefone.

— Como todos ouviram, o Sr. Zhou cuida da parte de cima, e nós cuidamos da parte de baixo. Depois de tantos anos, esses bandidos realmente acham que não somos mais capazes — disse Tan Hai, um pouco indignado, olhando para os velhos companheiros.

Kong Guangjie, do Baji Quan, também tinha um temperamento explosivo — senão, não teria conseguido dominar o Baji, que exige avançar sem hesitar.

— São só bandidos de quinta categoria, sem coragem para arriscar a vida, só sabem usar truques sujos. Vou chamar meus antigos alunos, já que estamos celebrando a nova academia.

— Isso mesmo, vamos todos chamar nossos alunos de volta, para mostrar nossa força.

O grupo começou a falar ao mesmo tempo.

Finalmente, havia um clima animado. Ter apoio ou não são duas realidades diferentes. Agora que tinham apoio, chamar os alunos era algo com confiança. Era uma situação de benefício mútuo, e a maioria não recusaria. Todos começaram a agir. Quanto a isso, quanto mais cedo, melhor. Primeiro, entrariam em contato; a data específica dependeria do aviso de Zhou You.

No dia seguinte, ao meio-dia.

Tan Hai levou Jiang Wu ao hotel para buscar Zhou You. Na verdade, "buscar" não era o termo certo, pois almoçariam ali mesmo. O hotel era de alto nível, e para uma ocasião solene, era preciso ser mais formal.

— Sr. Zhou, este é Han Luosheng, vice-presidente da Federação Chinesa nos Estados Unidos, filial de Nova York. Ele ficou muito animado ao saber do seu apoio às artes marciais tradicionais — apresentou Tan Hai.

Han Luosheng, um imigrante de segunda geração, com mais de 40 anos, estava no auge de sua vitalidade. Ao ver Zhou You tão jovem, ficou muito surpreso:

— Sr. Zhou, que bom conhecê-lo. Não esperava que o senhor fosse tão jovem. Olhando para nós, já estamos velhos.

— Presidente Han, o senhor é muito gentil. Agradeço por ter vindo. Da última vez que estive aqui, já planejava visitá-los, mas o tempo foi curto. Agora finalmente tive a oportunidade — respondeu Zhou You, também com palavras elegantes.

Eles trocaram cumprimentos. O grupo era pequeno naquele dia, sem muitas pessoas convidadas.

— Da última vez que vim, passei pela Chinatown e vi uma academia de artes marciais. Fiquei imediatamente interessado. Não esperava encontrar uma academia tão bem preservada no exterior. Ao investigar, descobri que o Mestre Tan já a mantém há muitos anos — Zhou You contou a história com calma.

Han Luosheng assentiu:

— Quando criança, também estudei na academia do Mestre Tan. Naquela época, o velho mestre ainda ensinava. Mas o Mestre Tan já era nosso irmão mais velho. Persistir até hoje não é fácil.

Zhou You não se surpreendeu que Tan Hai tivesse conseguido convidar alguém da Federação. No exterior, o círculo chinês é pequeno; com um pouco de esforço, é fácil fazer contatos. Mas que viesse um vice-presidente, isso sim o surpreendeu. Nesse tipo de organização, o presidente e o secretário-geral geralmente são pessoas respeitáveis ou com patrimônio no mundo dos negócios; senão, não conseguiriam impor respeito.

— Sim, achei que seria uma pena deixar isso desaparecer, por isso decidi apoiar — disse Zhou You, expondo sua ideia. Era um investimento, mas o retorno era incerto.

Han Luosheng levantou-se para fazer um brinde:

— Agradeço ao Sr. Zhou. Isso nos envergonha. Crescemos aqui, temos muito afeto por este lugar, mas não fizemos nem metade do que o senhor fez. Estamos falhando com o nome de descendentes do Imperador Amarelo.

Zhou You também se levantou e disse educadamente:

— Não é a mesma coisa, não é a mesma coisa. Isso é um hobby meu. Gastar dinheiro com um hobby é diferente de um apoio puro. Esse dinheiro é um consumo espiritual para mim. Além disso, estou apenas contribuindo com um pouco; o Mestre Tan e os outros são diferentes, eles dedicaram a vida inteira a isso.

— Vamos brindar ao Mestre Tan juntos.

Tan Hai levantou-se rapidamente:

— Não tenho outra habilidade, é com isso que ganho a vida. Não ouso falar em grandes causas, só posso dizer que faço o meu melhor.

— Também ouvi o Mestre Tan falar sobre a situação. São coisas pequenas, o Sr. Zhou não precisa se preocupar. Se não conseguirmos resolver nem isso, a Federação Chinesa não teria razão de existir — aproveitou Han Luosheng para dizer.

— Só fico envergonhado. A vida dos chineses é difícil, e não podemos cuidar de todos. Sempre há vozes discordantes.

Zhou You sorriu e não disse nada. Os chineses têm um ditado: "Não lave roupa suja em público." Na verdade, todos são assim.

— Presidente Han, com que setor o senhor trabalha por aqui? — Zhou You mudou de assunto. O objetivo principal era estabelecer relações; quanto mais amigos, mais caminhos.

Ao ouvir isso, Han Luosheng também se animou. Pela descrição, dava para perceber que Zhou You não tinha problemas financeiros. O objetivo dele também era ver se havia oportunidades de cooperação.

— Trabalho principalmente com roupas, em parceria com a China. Mas com a economia em baixa, os negócios não estão fáceis.

Ele fez uma pausa e continuou:

— O Sr. Zhou já ouviu falar da marca Shein? É focada em moda feminina fast fashion. Eles estão sempre nos procurando para cooperar e também fazem divulgação pela internet.

Zhou You balançou a cabeça:

— Meus investimentos são variados. Posso perguntar para você. Me mande as informações básicas.

Han Luosheng, vendo a atitude de Zhou You, sem hesitar, enviou imediatamente.

Zhou You deu uma olhada rápida, mas não entendeu muito. Moda feminina? Ele não sabia nada disso. Mas sabia que a empresa estava no caminho certo: o dinheiro das mulheres é o mais fácil de ganhar. Naquele momento, na China, era madrugada, e os notívagos estavam começando a vida noturna. Ele enviou assim mesmo, dizendo que não tinha pressa. Se vissem, tudo bem; se não, também não importava. Viu que o registro era em Nanjing e envolvia Guangzhou. Decidiu enviar para Wang Tao e Gan Ying; eles deviam ter informações básicas. Pensou um pouco e também enviou uma cópia para a Sequoia, caso precisasse de investimento. Depois de pensar, enviou outra para Ye Shengde.

Han Luosheng, vendo a atitude de Zhou You, ficou extremamente grato. Embora ainda não entendesse completamente o método de Zhou You, a disposição dele em ajudar era inegável.

No final, Zhou You disse:

— Quanto à nossa Federação, também tenho grande admiração. Não posso fazer muito, mas faço uma doação pessoal de 1 milhão de dólares para as despesas do dia a dia.

Para um primeiro encontro, esse presente já era suficiente. Mais do que isso chamaria muita atenção; menos, Zhou You não teria coragem de dar.

Han Luosheng levantou-se imediatamente, empurrou a cadeira para trás, segurou a taça com as duas mãos e foi até Zhou You:

— Sr. Zhou, brindo ao senhor. Agradeço por cuidar dos chineses no exterior.

E virou a taça de uma vez.

Sinceramente, ele tinha vindo por consideração a Tan Hai, sem outras intenções. Além disso, aqueles problemas não eram grandes coisas; tudo era questão de seguir o fluxo. Aqueles grupos de bandidos na Chinatown, todos já queriam resolver há muito tempo, mas nunca tinham encontrado um pretexto adequado. Com essa oportunidade, matariam dois coelhos com uma cajadada só. Quem diria que encontrariam um grande patrocinador? Um milhão de dólares não era pouco. Para uma federação, o dinheiro normalmente vinha das taxas ou de contribuições dos presidentes. Como não era uma organização profissional, todos trabalhavam como voluntários, quase sem remuneração. A conta normalmente tinha alguns milhares, o suficiente para as despesas diárias. Agora, com tanto dinheiro de repente, poderiam realizar muitas atividades e reunir as pessoas novamente.

Zhou You, vendo a emoção do outro, percebeu que todos também passavam por dificuldades.

— Presidente Han, o senhor é muito gentil. É um gesto simples. Se minha academia aqui correr bem, posso até ceder parte do espaço para a Federação usar como escritório. Assim, ficaremos ainda mais próximos, e a comunicação será mais fácil no futuro.

Han Luosheng voltou imediatamente, encheu a taça novamente e foi até Zhou You:

— Sr. Zhou, não sei mais o que dizer. Quando o presidente souber dessa boa notícia, com certeza virá agradecer pessoalmente. Marcaremos para amanhã ao meio-dia, e iremos todos juntos ver o imóvel. Não vai haver problema algum.

Agora ele entendia. Zhou You realmente não tinha problemas financeiros. Do ponto de vista comercial, ele não via nenhum benefício em apoiar artes marciais tradicionais. E doar um milhão de dólares assim, comprar um imóvel que valia mais do que todo o patrimônio dele. Esses bandidos ainda ousavam mexer com uma figura dessas? Era pura ignorância, nunca tinham sofrido na vida.

Zhou You sorriu. Não se importava de gastar um milhão a mais; no fim das contas, era tudo necessário. Fazer contatos também era bom. Ele já tinha interesse nesses chineses no exterior; satisfazer esse interesse era o objetivo. Mas não era bom conversar demais naquele dia; haveria outras oportunidades no futuro.

Han Luosheng e Tan Hai foram embora. Jiang Wu ficou esperando na porta. Quando os viu sair, foi logo perguntar:

— Mestre, qual é o plano?

— Volte e chame o pessoal. Amanhã de manhã, quem puder vir, que venha. Há muito tempo que não nos reunimos; vai ser uma festa.

Han Luosheng disse a Tan Hai:

— Irmão mais velho, temos que aproveitar essa oportunidade. Se conseguirmos, as artes marciais ainda podem se sustentar por mais dez ou vinte anos. Quem sabe, a sorte pode mudar. Essa tradição de milhares de anos com certeza tem seu valor.

— Fique tranquilo. Mas e aí, como você vai lidar com isso? — Tan Hai estava confuso.

Han Luosheng sorriu:

— Não tem dificuldade. É só um grupo de bandidos que só sabe intimidar os fracos. Acham que são os donos do pedaço, mas não sabem que nós somos os verdadeiros donos. Vamos dividir, atrair, criar um exemplo. Aproveito para dar uma arrumada no clima da Chinatown. Está cada vez mais decadente.

Ao dizer isso, todos ficaram em silêncio. Uma era realmente estava chegando ao fim. As pessoas já não tinham tanto senso de pertencimento. Antigamente, no Ano Novo Chinês, era uma festa: dança do leão, fogos de artifício, adivinhação de lanternas, lanternas de lótus e festas de fim de ano. No ano passado, quase não houve nada. Sem movimento, sem sentimento.

Zhou You estava despreocupado. O cheque que prometera ainda não tinha sido dado. Se aquilo não se resolvesse, por que daria o dinheiro? Além disso, se nem isso conseguissem resolver, não valia a pena doar. À tarde, começou a passear com o grupo, levando aqueles "caipiras" para comer e beber. Viajar era a verdadeira alegria da vida.

Do outro lado, todos começaram a se movimentar. Tan Hai e os outros velhos também estavam fazendo contatos, principalmente com os principais.

— Irmão mais novo, vem amanhã para a Chinatown. Tem um grande acontecimento. Vamos nos reunir — e resumiu rapidamente o assunto.

Alguns, mais leais, aceitaram na hora:

— Mestre, estarei aí de manhã cedo. Pode ficar tranquilo. Não tenho outras habilidades, mas não perdi a técnica.

Outros, mais preocupados com ganhos e perdas, ao saber que havia um grande empresário e a Federação envolvidos, entenderam que era só para dar apoio. Hesitaram um pouco, mas também aceitaram.

— Mestre, sem problema. Vou pedir folga agora.

Alguns, que estavam longe e não podiam voltar a tempo, só puderam se desculpar. No geral, todos estavam muito dispostos. Afinal, o ser humano é um animal social. Antes, não havia motivo para se reunir; estavam todos ocupados, e faltava um líder forte. Desta vez, era diferente: várias academias unidas, a Federação liderando, e um grande nome da China apoiando. Se não viessem agora, quando viriam? Fazia anos que não viam uma cena assim.

O vento anunciava a tempestade.

Um grupo de bandidos se reunia em volta do chefe, que tinha dragões tatuados nos braços. Todos estavam com o rosto preocupado, e o número de pessoas tinha diminuído. Antes eram uns quinze ou mais; agora, só restavam cinco ou seis.

— Chefe, o que fazemos? A pressão está grande demais, não aguentamos mais — disse um jovem magro, resignado. As coisas tinham ido para o pior caminho possível. Antes, ganhavam dinheiro sossegados, dividiam entre os irmãos e ainda se divertiam por muito tempo. Agora, todo mundo tinha fugido, o grupo estava desfeito. Eles eram bandidos, não idiotas, muito menos assassinos. Alguns, mais espertos, tinham se escondido; outros, a família tinha convencido a voltar. Os que sobraram eram os que não tinham para onde ir, ninguém para cuidar. Se tivessem outra opção, quem escolheria essa vida? Passavam fome um dia, comiam no outro.

O chefe dos dragões também estava preocupado, pensando: "Por que alguém tão rico se importa com a gente? Eu só pedi 5 milhões; na verdade, se dessem 500 mil, a gente parava." Agora entendia um pouco: até os de baixo sabiam que não se podia perder a honra. Os grandes então, muito mais. Se ele aceitasse 500 mil, os outros iam querer ou não? A briga deles era a mesma coisa. Só não esperava que o outro lado nem aparecesse para enfrentá-los, e o problema já estava resolvido.

— Calma. Nós não temos pontos fracos. Um só, a família toda não passa fome. Amanhã vamos todos juntos. Água derramada não se recolhe — disse o chefe, teimoso. Não tinha outro jeito; estavam sem saída. Se saíssem da Chinatown, só lhes restaria pedir esmola ou virar sem-teto. Agora, era seguir em frente, um passo de cada vez. Só esperavam que, por serem da mesma raça, não fossem exterminados.