Um grupo de pessoas deu uma volta ao redor do Templo da Terra.
Olhando para os buracos e desníveis no chão, alguém não pôde deixar de rir: "Diga-me, os administradores do Templo da Terra devem agradecer ao Tiesheng ou culpá-lo?"
"Ha ha, de repente ganhou tanta atenção, ainda reformaram os caminhos, colocaram muitas rampas para deficientes." Yu Hua também riu junto.
Essa situação depende de cada um; na frente, é claro que se fala bem, afinal é servir ao povo.
Mas nos bastidores, não se sabe, talvez até culpem o Tiesheng por se intrometer.
Só que ele não escreveu muitas coisas ruins sobre o Templo da Terra, a maioria eram descrições objetivas.
"É, hoje em dia o pessoal ainda agradece, foi um dos primeiros parques a receber verba para reforma." Shi Lan também segurou o riso ao falar.
"A propósito, Professor Zhou, o dinheiro que o senhor deu para minha cunhada da última vez, ela colocou tudo naquele fundo. Agora ela tem o suficiente, a vida está boa, e ela agradece muito ao senhor."
Zhou You já sabia que esse seria o resultado, a pessoa tem esse jeito de ser.
Família que se parece, não entra em casa. Sem esse caráter, ela não estaria com o Tiesheng, senão o que ela veria nele?
Quando ele estava vivo, já não aceitava muita ajuda; não podia, depois que ele partisse, deixar motivo para fofoca, também não combinava com o estilo do Tiesheng e o dela.
"Ah, Professor Zhou, se fosse para mim, talvez eu aceitasse." Yu Hua tentou quebrar o gelo, tirando sarro de si mesmo.
Zhou You já estava preparado, nem ligou: "Na vida, não precisamos de muitas coisas materiais, isso reduz muita ansiedade. Por isso o Tiesheng conseguia escrever aquelas palavras."
"É verdade, mas meu irmão às vezes dizia que preferia ser uma pessoa comum, que pudesse andar e pular." Shi Lan, que quando criança não entendia muitas coisas, ao crescer foi compreendendo a força do irmão; se fosse ela, não teria essa mentalidade, nem conseguiria superar.
O inverno estava chegando, tudo se recolhia, acumulando forças para enfrentar o frio.
Com as pessoas é igual, há altos e baixos.
Nos altos, ser discreto, acumular forças.
Nos baixos, recolher-se, também acumular forças.
"No futuro, se tiverem dificuldades, podem me procurar. Coisas grandes não posso resolver, mas as pequenas, sim." Os três não combinaram de jantar; Zhou You tinha voo à noite, ainda ia ver os filhos.
"Tá bom, se meu irmão soubesse, ia ficar muito feliz, mais um amigo do coração." Shi Lan sorriu suavemente.
Yu Hua ficou em silêncio ao lado, parado por um bom tempo, até que disse: "Ah, faltou só um pouco, só um pouco, para eu poder vê-lo."
Zhou You não resistiu e deu um tapinha no ombro dele: "Nem tudo pode sair como a gente quer."
"Mas, a gente sempre é ganancioso!" Yu Hua acertou em cheio.
É, a gente sempre é ganancioso, por isso vive correndo pelo mundo.
Zhou You agora vive correndo de um lado para o outro, é culpa da ganância: deixar rastros por toda parte, semear por toda parte, querer de tudo, alto, baixo, gordo, magro, bonito, e ainda calor familiar.
Isso só acontece em sonhos.
Talvez, quem sabe, seja mesmo um sonho, ha ha, Zhou You pensava besteiras sem se importar.
Mesmo que seja um sonho, que continue para sempre.
No avião, Zhou You segurava um livro, "Status Anxiety", em inglês.
Do escritor Alain de Botton, publicado no Reino Unido em 2004.
Assim que saiu, virou febre nos EUA e Reino Unido, traduzido para várias línguas, mas ainda não vi por aqui na China. Só que o nível do Zhou You é bom, ler o original é muito prazeroso.
Esse livro, como dizer, é bem interessante.
Muitas ideias não são tão novas, mas a maioria acerta em cheio, cheio de frases de efeito, que fazem a gente pensar fundo.
O livro mistura sabedoria filosófica no dia a dia, já no começo fala da fonte da ansiedade: por que tanta gente bem-sucedida ainda se sente ansiosa, triste, deprimida?
Já abre o jogo: o status define o tratamento que recebemos.
Os bem-sucedidos também temem que, quando saírem de cena, o tratamento esfrie.
E como reduzir a ansiedade? Uma piadinha: "O melhor jeito de se sentir bem-sucedido é escolher um amigo um pouco inferior a você..."
Zhou You lia e ria, lia e pensava.
Não é à toa que é um grande escritor, consegue tornar algo tão árido tão divertido, não é surpresa que venda tanto.
A natureza humana, realmente, é igual no mundo inteiro.
Só que Zhou You já tinha lido uma tradução antes, e a tradução era muito boa; senão, ele teria dificuldade, porque o livro tem bastante conhecimento técnico.
Ler esse livro tem essa vantagem.
Lendo, lendo, ele pegou no sono, dormiu tranquilo em meio à aceitação, a pressão sumiu. Ansiedade, estresse, tudo é coisa que a gente cria.
Deixando de lado status, posição, interesse, expectativas exageradas.
Uma pessoa pode viver de forma brilhante, e pode superar tudo através da filosofia, religião, história, arte.
Só quando a gente se acalma é que sente a beleza da vida, sente a própria respiração.
No final do livro, também tem uma ideia.
Que é: em cada época, há pessoas que não conseguem ou não querem se curvar às ideias dominantes sobre status, mas merecem um nome melhor, e não ser cruelmente chamadas de fracassadas ou figurantes.
Ele dá muitos exemplos convincentes e consoladores para nos lembrar que não há só um jeito de provar o sucesso na vida.
É também o final do livro "Aqueles Assuntos da Dinastia Ming".
Não sei se o Dangnian Mingyue leu esse livro, ou se o tradutor também achou o final muito bom.
De qualquer forma, pessoas sábias chegam a conclusões parecidas.
Neste mundo, não existe resposta padrão para a vida.
Toda vez que pega um avião, é um pouco constrangedor: só uma pessoa acompanha Zhou You na classe executiva, o resto vai na econômica. Não é que não possam pagar, foi decisão do Li Houliang.
Ter uma pessoa perto é para facilitar os cuidados, caso aconteça algo.
Ficam perto, não precisa todo mundo amontoado.
Quem estava ao lado viu Zhou You lendo, no começo achou curioso, porque ler no avião não é incomum, e agora que não pode usar o celular, às vezes pegar um livro por tédio é normal.
Só que estranhou ser um livro em inglês.
Mas estranhou só um pouco, porque é um voo internacional, ler em inglês é normal. O problema é que o cara ao lado dormiu depois de um tempo, e virava as páginas rápido, lendo de um lado para o outro, ninguém sabe o que estava vendo.
Mas o cara ficou curioso: se não fosse o inglês fraco, teria pedido para ver que livro era, com um efeito tão bom para dar sono.
No dia seguinte, ia comprar um também.
E não é que Zhou You, no avião, lia mesmo com o objetivo de dormir?
Ler meia hora, uns dez minutos antes de dormir, a qualidade do sono melhora demais.
Perto de chegar,
O cara ao lado não aguentou: "Olá, me chamo Huang Longbiao, trabalho em Moscou."
Huang Longbiao tomou a iniciativa, já manjava do esquema: viagem longa é chata, conversar um pouco para ampliar os horizontes é uma boa. "Olá, sou Zhou You, vim passear." Zhou You respondeu simplesmente, não ia dizer que veio ver os filhos.
Huang Longbiao estranhou: nessa época, nem turistas, nem locais saem muito, faz muito frio.
"Cara, nessa época não tem nada de bom. No verão, para fugir do calor, até vai." Huang Longbiao ficou confuso, e apontou para o livro de Zhou You: "Que livro é esse?"
Zhou You nem teve tempo de explicar, o cara já mudou de assunto, pensamento bem saltitante.
"Um livro estrangeiro, dá uma olhada, é bem interessante." Zhou You entregou.
Huang Longbiao finalmente conseguiu o que queria, pegou, olhou a capa, folheou o conteúdo: "Cara, meu inglês é ruim, russo vai bem. Tem versão em russo?"
Zhou You, vendo o cara tão ansioso, pensou que ele conhecia o livro pela capa e pediu, mas era só enganação.
Engraçado, esse jeito também é legal.
"O nome em chinês é 'Ansiedade de Status', não sei se tem versão em russo, pode perguntar a outros." Zhou You realmente não sabia se foi publicado na Rússia.
A personalidade de Huang Debiao não combinava com a idade; já tinha mais de quarenta, mas ainda era curioso sobre muitas coisas, adorava experimentar novidades, por isso mantinha a mente jovem.
"Tá bom, vou perguntar depois. Trabalho na Federação dos Chineses Ultramarinos em Moscou, e tenho uns negócios pequenos. Quando descer, posso te convidar para jantar?"
Talvez em terra estrangeira, o pensamento de se unir ainda exista, e seja necessário, mas dessa vez Zhou You não planejava ficar muito, só dois dias.
"Obrigado, Presidente Huang. Dessa vez a estadia é curta, mas vou vir mais vezes, aí eu convido o senhor." Zhou You falou educadamente, e trocaram contatos, com certeza vão se encontrar no futuro.
Ao descer do avião, Huang Debiao ficou um pouco para trás, esperando os colegas.
E viu Zhou You cercado por um grupo de pessoas, parecendo ser sua equipe, todos ao redor dele.
Em Moscou, já tinha visto muita gente importante viajar assim, mas nunca imaginou que, conversando com um desconhecido no avião, encontraria algo assim.
Agora se lembrou do grandão ao lado dele que não dormiu a viagem toda; pensou que não estava com sono, mas agora percebeu que devia ser segurança.
Passou a mão no queixo, pensando: interessante.
Zhou You e sua equipe desceram e viram Inna segurando uma menina parecida com uma boneca.
Correu até lá: "Com esse frio, não podia ficar em casa? Ainda trouxe a criança."
Enquanto falava, estendeu os braços para ver a reação da menina. Para sua surpresa, Xiao Lexue não estranhou nada, balançou os bracinhos gordos e se jogou nos braços de Zhou You.
"Ai, minha filha é mesmo apegada ao pai. Beijo do papai." Zhou You ficou muito feliz; sempre temeu que, com o tempo longe, ela o esquecesse ou não quisesse o colo.
Mas ela ainda o reconhecia.
Inna, vendo a harmonia entre pai e filha, também ficou contente: "Toda vez que chega um brinquedo, eu digo que foi o pai que deu, e mostro seus vídeos para ela. Pelo visto, a educação deu certo."
Zhou You deu um beijo no rosto da menina e outro em Inna: "Você foi essencial!"
"Ah, ah" Xiao Lexue balançava as mãozinhas, tocando o cabelo de Zhou You, não se sabe se encontrou um brinquedo novo, enquanto ria gostoso.
"Ai, cuidado, cuidado, sou seu pai de verdade."
O cabelo de Zhou You estava um pouco mais comprido, e Xiao Lexue não conseguia puxar tão fácil quanto o da mãe, estava se esforçando.
Por mais que ele reclamasse, não doía nada, as mãozinhas gordas eram macias e fofas, uma graça.
"É, minha filha está linda." Zhou You a segurava, sentindo o peso.
"Tem uns 10 quilos?"
"Quase isso. Olha, os olhos grandes estão quase sumindo por causa da bochecha." Inna reclamava um pouco; quando nasceu, tinha olhos grandes e brilhantes.
Mas agora, come cada vez mais, e se não fosse o leite materno ser abundante, não daria conta.
"Vamos, vamos para casa logo. O aeroporto é quentinho, o carro já ligaram antes?" Zhou You disse.
Com filho, a gente fica mais cuidadoso; antes, ele nem ligava para isso de carro estar quente.
Aqui, quando chega o inverno, quase todos os carros colocam correntes ou pneus de neve.
Em Moscou também tem quem limpe a neve, mas não é tão eficiente quanto na China, e neva com muita frequência.
Só as estradas principais e as vias rápidas são garantidas; o resto, falta pessoal.
Em casa, Maria também esperava na porta.
Zhou You colocou a menina no chão e deu um beijo de rosto: "Feliz Natal!"
Depois distribuiu os presentes que trouxe.
Xiao Lexue não largava o presente, uma boneca Barbie metade do tamanho dela, com cabelo bem fofo.
Não se sabe se ela tinha descoberto a diversão de puxar cabelo, com uma mão segurando a boneca e a outra mexendo na cabeça.
Brincava sem parar!
Zhou You também trocou de roupa, vestiu um pijama, tirou a roupa pesada, e se sentiu muito mais confortável.
"Quanto tempo pretende ficar?" Inna o abraçou, com um ar de dependência.
"Vamos ver, no máximo uma semana. No fim do ano tem muita coisa." Zhou You só queria ficar dois dias.
Mas, vendo Xiao Lexue, não resistiu, queria ficar mais um pouco.
Falando nisso, de repente pegou Xiao Lexue de novo, abriu a boca dela e riu bobo: "Realmente nasceu dente. Dizem que bebê de seis meses já nasce dente, significa que minha filha está se desenvolvendo bem!"
Inna viu e deu um tapa nele: "Você é tão exagerado, olha, assustou a Lexue, ela vai chorar."
Xiao Lexue estava brincando feliz, quando de repente foi pega e tiveram a boca aberta, como ia gostar?
Abriu a boca para chorar.
"Uá, uá"
Só chorou duas vezes e parou.
Era Zhou You que a levantava com os braços esticados.
Não ousava jogar para cima, com medo de assustar.
Só ficava levantando.
Xiao Lexue, de repente no alto, via o mundo diferente.
Olhava tudo com curiosidade, uma mão tocava a parede, a outra mexia nos pingentes.
Contanto que não chorasse, Zhou You achava que estava bom.
Zhou You não sabia se foi traumatizado pelos choros da Xiao Lexue quando nasceu, acordando no meio da noite com o choro.
Agora, ficou com sequela!