Quando cheguei ontem, já estava escurecendo e não dava para ver direito a paisagem lá fora. A latitude e longitude de Seul são parecidas com as de Yantai. O clima geral também é bem similar. Nesta estação, não faz muito frio, ainda tem um resquício do verão, com as manhãs e noites fresquinhas, bem agradável. Olhando pela janela os prédios altos e baixos desiguais, além de construções com estilos de decoração muito diferentes. Realmente dá uma sensação de ruptura. Sendo um país moderno, por que o estilo arquitetônico é tão antiquado, parecendo uma cidade de terceiro ou quarto escalão? Por que os dramas coreanos têm esse filtro nas gravações? É verdade que os fotógrafos sabem escolher bem os ângulos. Sem grandes desenvolvimentos por décadas, é isso aí. No futuro, provavelmente será assim no país também: depois do período de crescimento acelerado, o que resta é um desenvolvimento lento e apegado ao tradicional. — "Moço, para onde vamos?" — perguntou Zhou You. — "Mercado Gwangjang, é o mercado tradicional mais antigo da nossa história, com mais de 5 mil barracas, vendendo roupas, roupas de cama, utensílios de cozinha, frutas, verduras, carnes e artigos para rituais. Aqui você pode comer comidas típicas coreanas, como panqueca de feijão verde, kimbap, bibimbap de cevada, polvo vivo, etc." — explicou o motorista. Zhou You assentiu, deu um sorriso irônico e não disse nada. Seul, antigamente chamada de Hanseong, só mudou para Seul em 2005, um lugar minúsculo. Com pouco mais de 600 km² de área, quase 10 milhões de habitantes, a densidade populacional é realmente alta. É tipo o padrão de uma capital de província na China. Luzhou, com mais de 10 mil km² de área e quase 10 milhões de habitantes, mas a área urbana tem uns 500-600 km² e umas 4-5 milhões de pessoas. Fazendo essa conta, não tem muito o que ver. A única diferença talvez seja que é no exterior. Ruas congestionadas, buzinas para todo lado, um povo impaciente, um país impaciente. — "Moço, aqueles prédios altos parecem bem legais, são de que empresas?" — Zhou You sentia uma forte sensação de ruptura, especialmente em alguns lugares, com uma impressão de zona de transição entre cidade e campo. O motorista hesitou um bom tempo antes de responder: — "São escritórios de algumas grandes empresas, como Samsung, Hyundai, Kia." Zhou You assentiu: — "Dos grandes conglomerados." O motorista não ousou continuar falando. Ficou em silêncio, amedrontado. Não adianta ver nos filmes coreanos aquela rebeldia toda, denunciando a inação do governo, xingando a corrupção. Mas veja bem, quantos ousam falar desses conglomerados? Mesmo que falem, é só superficialmente, sem tocar na essência. Qual é a essência? Não passam de compradores. Os assuntos do país são apenas rituais e guerra. Um país que ainda tem tropas estrangeiras estacionadas, quem acredita que é independente? Se o país não é independente, como a empresa poderia ser? Os outros países vão ficar de braços cruzados vendo você ganhar dinheiro? Para de brincar, só sendo muito idiota para acreditar nessas histórias, em que o céu dá esmola, em que os outros ajudam de graça, em que o esforço é recompensado, em que há amor mútuo! Sair para ver o mundo realmente amplia os horizontes, não é à toa que os locais querem fugir daqui. Tem um ditado que é bom. Família próspera volta para a terra natal, gente sem sorte vai para Pequim, Xangai e Guangzhou. Em outras palavras: quem tem talento fica na terra, come, bebe e se diverte sem preocupações, a família já arrumou tudo, quem vai querer sair para sofrer trabalhando? Quem não tem talento só pode contar consigo mesmo, então é melhor tentar a sorte em Pequim, Xangai e Guangzhou, já que é sofrer de qualquer jeito, talvez haja uma esperança. O ser humano também é um animal que busca benefícios e evita prejuízos. Ninguém é bobo. Chegando em Gwangjang, Zhou You desceu do carro e viu dois caracteres grandes: "Gwangjang". No caminho, viu muitos caracteres chineses, alguns tradicionais, outros simplificados. Por milhares de anos, dependendo da China continental, não é tão fácil expulsar essa influência. Antes mesmo de entrar, Zhou You já sentia uma agitação lá dentro. Parecia um mercado atacadista. Quando criança, Zhou You foi a grandes mercados atacadistas em vilas e cidades, onde vendiam roupas, sapatos, chapéus e várias outras coisas. Seul é uma grande mistura. Tem de tudo lá dentro, e com a alta densidade populacional, é realmente ombro a ombro, um aperto. Resumindo: gente se espremendo, gente olhando para gente, e a pressão já bate forte. Parece uma lata de sardinha. Esperou um pouco, mas não viu A-Jin chegar. Estava prestes a ligar quando viu uma figura brilhante correndo em sua direção. Short branco quentinho, camiseta preta, por cima um casaco longo até o joelho, tênis branco. De longe, já ouviu: — "Oppa, You-ge!" Essa energia, comparada com a preguiça de antes, é totalmente diferente. Essa é a cara que uma jovem deveria ter. Ser jovem e sem vitalidade é realmente um pecado. Mas, olhando ao redor, não viu muitos sorrisos felizes. Ela correu até Zhou You, deu um pulo e caiu nos braços dele, abraçando o pescoço dele e começando a dar beijinhos. Zhou You a segurou com as mãos e sentiu a plenitude. — "Legal, engordou um pouco, e parece mais animada." — disse Zhou You feliz. — "É, graças ao You-ge, estou vivendo como gente." — disse A-Jin contente, agora sem preocupações com dinheiro, podendo ser uma professorinha tranquila. Os dois conversaram um pouco e se prepararam para entrar no mercado. — "Vamos, já que estamos aqui, vamos dar uma olhada, ver como o povo de Seul está na correria." — Zhou You fez sinal para o Laoba abrir caminho na frente, porque sem isso, realmente é difícil entrar. Dito isso, Laoba e Miao Wei foram na frente, Li Houliang e Batu atrás. Começaram a avançar. — "Oppa, o que você veio fazer aqui?" — A-Jin realmente não sabia o que Zhou You veio fazer, nem quais negócios ele tinha. — "Principalmente te visitar, e aproveitar para me divertir. Vamos ver a gravação de um programa de variedades, sou um dos investidores." — resumiu Zhou You. Gravar aqui não é fácil, com tanta gente apertada. A única vantagem é que pegar o cenário é muito conveniente, e é uma das melhores temporadas do Running Man. — "You-ge, You-ge, estamos aqui!" — nessa hora, Zhou You ouviu um sotaque familiar do centro da China. Seguindo o som, viu Wang Baoqiang pulando para lá e para cá, com uma mão levantada: — "You-ge, You-ge." — "Pô, não é o Qiang-ge? Como você veio parar aqui?" — Zhou You estranhou, porque ontem não o viu. Wang Baoqiang também se espremeu até perto, com um sorrisão, coçando a cabeça: — "Ah, cheguei de madrugada, ontem não consegui te encontrar." — "Esqueci, esqueci, você também é convidado fixo." — Zhou You realmente tinha esquecido, porque nas últimas temporadas ele não aparecia, achou que era só convidado eventual. Wang Baoqiang, que já estava meio culpado, ao ouvir isso, começou a ficar meio triste: — "Sou convidado principal, tá? Muito importante." — "Tá bom, tá bom, muito importante. Vai gravar, vou dar uma olhada, jantamos juntos à noite." — Com isso, mandou Wang Baoqiang embora. Não podia atrapalhar a gravação, muito menos ser cortado na edição. Depois teria que falar com Deng Chao. Se for exibido no país e conhecidos virem, é um saco. Mandou o pessoal embora. Zhou You começou a aproveitar como um turista. Andando por ali, a única área cheia era a de comida, tudo em estilo de barraca de rua. Uma multidão escura, com gente do Leste Asiático, Europa, África, de tudo. Mas a maioria era de rostos do Leste Asiático. — "A-Jin, o resto é contigo. Nos guia e compra uns petiscos." — Ter uma guia e não usar é que é burrice. — "Beleza!" — A-Jin estava bem animada. Foi na frente, abrindo caminho pela multidão, viu uma fila e mandou algumas pessoas separadas para cada uma. Zhou You odiava filas, especialmente por comida. Mas se não precisasse esperar na fila, até dava para provar. — "Oppa, aqui tem muita coisa gostosa, muitos tipos repetidos. Principalmente panqueca de feijão verde frita, carne crua temperada, kimbap, sundae, e um polvo vivo." — A-Jin falou isso e não conseguiu segurar o riso. Vendo Zhou You confuso, continuou. — "Quando comer polvo vivo, mastiga bastante, senão ele pode grudar na sua boca." — explicou A-Jin. Ver os outros comendo é divertido, mas quando é para comer, dá uma certa repulsa. Só de ver essas coisas, o apetite de Zhou You já foi embora. Provou a panqueca de feijão verde e o kimbap, o resto foi só ver os outros comerem. Principalmente o polvo vivo. Tiravam um polvo pequeno vivo do aquário, lavavam rapidamente, secavam a água. Depois, com uma faca de cozinha, cortavam os tentáculos do polvo. Desde o momento em que era pego, o polvo começava a se debater, se esforçando. Grudava firme na mão do vendedor, mas tudo em vão, o vendedor o arrancava à força. Cortava um dos tentáculos com a faca. O polvo, de dor, rolava na tábua, tentando desesperadamente achar uma saída. Os outros tentáculos, alguns grudavam na tábua, outros na faca, outros tentavam se esconder debaixo da mesa. Tudo instinto de sobrevivência. Mas, diante dos humanos, tudo é inútil. Um tentáculo comprido era cortado em pedaços do tamanho de um polegar, e mesmo assim, os pedaços pequenos ainda se mexiam e contorciam. A-Jin pegou um pedaço pequeno e colocou na própria mão, dava para ver as ventosas grudando firme na pele. Zhou You estendeu a mão para puxar aquele pedaço, mas sentiu uma força de sucção. Quando puxou, viu que a mão de A-Jin já estava um pouco vermelha. Até uma formiga luta pela vida. Se vai matar, mata; se vai comer, come. Por que precisa cortar em mil pedaços? Zhou You contou rapidamente, aquele polvo levou pelo menos umas 40 ou 50 facadas. Só não fala, ou não emite som, senão acredito que o barulho seria de dar dó. Isso acabou com qualquer vontade de Zhou You. Além de A-Jin e um dos funcionários, os outros não comeram, realmente não dava para aceitar. Chegar na boca e ainda se mexer, e se engolir direto e grudar na amígdala ou no esôfago? Que cena linda seria. Comida boa, não dava para aproveitar. Esse lugar é mais bagunçado que mercado de verduras, não tem nada para ver. Durante o intervalo da gravação, Zhou You se despediu deles e foi embora. Quem diria, A-Jin ficou até animada ao ver o pessoal do Running Man. Zhou You ficou curioso. — "Não dizem que a posição dos artistas na Coreia é baixa?" — perguntou sem entender. A-Jin suspirou: — "Baixa é em relação aos conglomerados. Ainda é melhor que a maioria, ganham bem também. Só fiquei curiosa, não sou fã." Isso foi uma explicação. A-Jin agora tem uma noção clara de si mesma: depende de Zhou You. Os coreanos não casam, não têm filhos, não é por causa da pressão de viver? Falando sério, se fosse tranquilo e confortável, quem não quereria casar e ter filhos? Quem não quereria ver as belas paisagens? Quem não quereria aproveitar a felicidade em família? É. Igual àquele polvo vivo. Sem controle sobre si mesmo. — "Relaxa, à noite jantamos juntos, mando eles brindarem para você." — disse Zhou You. Esses caras vêm para a China para ganhar dinheiro, e ele é o patrocinador, tem essa moral. Agora ele está só começando no entretenimento, no ano que vem vai crescer, e em alguns anos, vai querer competir com a Huayi. Depois, dar o golpe e vazar. — "Sério?" — A-Jin ficou incrédula. — "Haha, meu poder vai além da sua imaginação." — disse Zhou You sem vergonha. Isso fez A-Jin rir, uma gargalhada gostosa. Mas quando olhou para os outros, ninguém riu, e ela ficou meio sem graça, só apertando o braço de Zhou You. — "Oppa, não vou mais abrir o salão de beleza. O dinheiro que sobrou, posso guardar e gastar devagar?" — A-Jin falou baixinho, com o rosto vermelho de vergonha, realmente sem jeito. Quem diria, Zhou You riu feliz, passou a mão na cabeça dela: — "Haha, você é uma garota esperta. 5 milhões de yuans, quase 1 bilhão de wons, dá para você viver na boa por muito tempo." — "Além disso, a situação econômica de vocês não está boa, os preços dos imóveis estão inflados, mais cedo ou mais tarde vai quebrar. Não é hora de fazer negócio." A-Jin assentiu: — "É, fui ver muitos lugares, o aluguel é muito caro. Esse dinheiro só dá para abrir um lugar mediano, e o aluguel já leva a maior parte, basicamente trabalhando para o proprietário." A-Jin antes pensava em usar o salão de beleza para virar o jogo, ganhar mais alguns milhões e chegar ao topo da vida, seguindo o plano de Zhou You, imitando o caminho dele para criar o próprio império. Mas a realidade deu um golpe duro. Os canais de distribuição também eram muito complicados. Procurou muitos lugares, e os preços eram inaceitáveis. Mesmo que conseguisse abrir, com muitos clientes, se surgisse algum problema de qualidade, não teria força para resolver. Zhou You estava longe, e mesmo que pudesse resolver, o custo de mão de obra e dinheiro provavelmente superaria o lucro de muitos anos. Assim, em alguns meses, aproveitando que Zhou You veio aqui, resolveu logo. Zhou You também estava só se divertindo. Se ela não quer abrir, não abre, e ainda evita prejuízo. Na vida, comer e beber já basta. — "É, se for comprar casa, compra uma pequena para morar primeiro, não compra muito grande, a bolha está muito séria. Se não der, vai viver na China, o ambiente de vocês é muito opressivo." — Zhou You suspirou. Para ver se um povo é feliz, basta olhar os jovens. Se os jovens têm esperança, todos têm esperança. Se os jovens não têm esperança, basicamente não existe esperança. Zhou You praticamente não via sorrisos nos rostos dos jovens na rua. Uma cidade tão pequena e decadente, e ainda assim tão opressiva, que droga. Lembrou do "Xiaoyao You" de Zhuangzi: dois países nos chifres de um caracol, lutando até sangrar. Para os humanos, o caracol já é um animal pequeno, e os dois chifres são menores ainda. O que há para disputar? Dentro disso, não se tem liberdade. Saindo, é que se vê o mundo!