Capítulo 342: Capítulo 342 – Alguém Veio se Juntar

Bater estava deitado na cama, de olhos fechados, descansando a mente. Li Houliang já tinha ido descansar, os dois se revezavam, bastava um estar acordado. Na cabeça, ele ficava remoendo a conversa com alguns colegas de treino dias atrás. — Irmão, aí ainda precisa de gente? — o colega já tinha perguntado várias vezes. No último encontro na pradaria, já tinha ficado muito impressionado e na hora disse que queria seguir o Bater. Bater recusou na hora: — Pensa direito, não é como aqui na nossa terra, que você vem quando quer e vai quando quer. Pesa os prós e contras, pensa bem e depois me fala. O pessoal da pradaria é mais direto; o colega só balançou a cabeça: — Vou pra casa conversar com a família. Esse trabalho atual não tem graça, paga pouco, só tem a vantagem de ser perto de casa. Bater tinha seus interesses próprios. Agora ele era o único lutador de luta livre, e o Zhou You o levava para todo lado, então a relação era naturalmente mais próxima. Este ano o salário tinha aumentado de novo. Se viesse mais gente, será que o Zhou You concordaria? Pra quê viriam? Será que iam roubar o lugar dele? Ao mesmo tempo, ele ficava em dúvida. Aqui ele era sozinho, sem força, diferente do Li Houliang, que tinha uma linhagem, um monte de colegas de treino, e ainda era meio que da terra. Talvez fosse bom ter mais gente, pelo menos pra ter com quem conversar quando surgisse um problema, e de quebra tocar o negócio de luta livre. Quando ele saía, o treino parava, e os alunos ficavam dispersos. No fim, tinha vantagens e desvantagens. Durante o feriado do Dia Nacional, alguns colegas vieram perguntar de novo, dizendo que tinham decidido: se aqui aceitasse, eles viriam. De repente, a dúvida de Bater se resolveu. Agora era só esperar o momento certo pra falar com o Zhou You. Como estava sempre com o Li Houliang, não encontrava a oportunidade ideal, e isso o incomodava um pouco. Esse tipo de assunto era melhor tratar em particular. Calculando o tempo, o Zhou You devia estar quase acordando. Bater se levantou devagar, foi até a porta do hotel e ficou parado, ouvindo o movimento do outro lado. Ficou ali uns dez minutos até ouvir o som de alguém se levantando e pegando água do outro lado. Então, abriu a porta com cuidado. Bateu de leve algumas vezes. — Toc, toc. — Entra. — Zhou You estava meio sonolento, mas logo percebeu que não era o escritório dele, a porta não abria empurrando. Levantou-se e foi abrir a porta. Achou que era a Shi Wenxiu. — O que foi, velho Ba? — Zhou You provocou Bater. Não era culpa dele ter cara de mais velho. Com o vento forte todo dia, sol e chuva, quem aguentava? — É que tem uma coisa que queria relatar pro irmão You. — Bater não sabia como começar. Assim que abriu a boca, Zhou You já caiu na risada: — Nossa, já tá usando a palavra "relatar", hein? Não é à toa que é um lutador profissional. Bater ficou meio sem graça, só conseguindo dar uma risada boba: — Irmão You, é o seguinte: tenho uns colegas de treino que também querem vir pra cá. Já me falaram há um tempão, e eu nunca soube como te contar. Zhou You estava sentado na cama, recostado. Apontou para o sofá, indicando que Bater se sentasse para conversar. Bater arrastou o sofá para mais perto. — Isso é bom, né? Assim a nossa academia de luta pode expandir os negócios, você não fica mais sozinho e ainda consegue ficar mais tempo. — Zhou You gostava de variedade, podia se divertir, e se um dia desse problema, teria gente suficiente. Bater, ao ouvir isso, lembrou da própria arrogância de antigamente, e o rosto envelhecido ficou vermelho de novo. Coçou a cabeça e disse, com um tom de culpa: — Irmão You, naquela época eu não conhecia o mundo. Agora sei, com certeza vou trabalhar aqui a vida toda. Se o irmão You não me expulsar, eu não vou embora. Primeiro, mostrou lealdade. Essa frase acordou Zhou You de vez, que caiu na gargalhada, feliz. Bater ficou confuso com a risada. O que ele tinha dito de errado de novo? Olhou para Zhou You sem graça, só conseguindo rir também. — Tô pegando seu bom augúrio. Se a Academia Zhulang deixar você se aposentar aqui, eu também fico feliz, porque prova que me virei bem. — Zhou You disse, animado. — Irmão You, isso é certeza. Com o seu valor, é moleza. — Bater estava com uma cara de quem não entendia nada. Zhou You suspirou. Nesse mundo, quem pode dizer? Por maior que seja a empresa, não é que quebra de repente? Não existe empresa que dure para sempre. — Velho Ba, olha a história da sua pradaria. Nem um país dura muito, quanto mais uma empresa. — Zhou You bebeu um gole d'água e falou devagar. Aí viu a cara de Bater mudar um pouco. Continuou a consolar: — Não se preocupa. A gente não vai expandir, só viver nossa vidinha. Deixar você se aposentar aqui, não tem problema. Bater então voltou a rir, todo contente. — Então mando eles se prepararem e virem quando puderem? — Bater perguntou, cauteloso. — Pode ser. Quando a gente voltar, você tem que estar aqui. Senão, sem conhecidos, a pessoa chega e fica sem graça. Ah, e pergunta se tem mulher que quer vir. Só homem, às vezes não é conveniente. — Zhou You só lembrou disso agora. Lutadoras de luta livre são mais raras que homens, têm menos aplicações, mas às vezes são úteis. Por exemplo, quando a empresa de entretenimento dele fizesse uma viagem, podia usar a própria segurança, economizava trabalho, treinava eles e ainda protegia melhor ele. Bater já sabia que Zhou You tinha muitas namoradas, então homem não era adequado. Na luta e no boxe, já tinham algumas mulheres, mas ainda eram poucas. — Sem problema, irmão You. Até que tem. Vou perguntar se alguma quer vir. — Bater ainda não sabia dos planos futuros de Zhou You, achava que era só para algumas pessoas. — É, o salário não é preocupação. Se vocês estão felizes, eu fico tranquilo. — Zhou You, vendo Bater concordar tão rápido, sabia que estava quase certo, e deu uma garantia. Bater abriu um sorrisão, pensando: Não é por dinheiro que alguém sai da terra natal. Até criança sabe disso, mas adulto às vezes quer resolver com sentimento. É a tristeza dele, e a tristeza da sociedade também. Bater saiu depois de falar, deixando Zhou You se lavar um pouco, porque iam sair para passear. Quando voltou, viu que Li Houliang já estava se lavando. Pensou um pouco e resolveu contar para ele. — Irmão Liang, tenho uns colegas de treino que querem vir. Li Houliang, enquanto lavava o rosto, respondeu meio enrolado: — Vêm, ué. O irmão You com certeza vai gostar. Precisa que eu fale com ele? Bater ouviu isso e sentiu um pouco de vergonha, achando que tinha julgado mal. — Não precisa, eu já falei com o irmão You. Conheço melhor a situação. — Bater não contou que já tinha tratado do assunto, senão ficava sem graça. — Tá bom. Quando o Xiao Si voltar formado, a gente vai ter menos trabalho. Se tiver filho, pelo jeito do irmão You, ele vai me mandar sair menos, cuidar mais da família. Com menos gente, eu fico preocupado. — Li Houliang realmente estava pensando nisso. Na segurança, variedade é bom. Luta livre, boxe, luta livre profissional, cada um tem seu ponto forte. Se usar uma vez, já não perde. E ainda dá para expandir os negócios. — Como estão os atores de Hengdian? — Zhou You perguntou enquanto andava pela estrada interna da universidade. Shi Wenxiu queria levar Zhou You para ver pontos turísticos famosos, mas ele já tinha ido a todos e não estava muito interessado, só queria andar pela universidade. — Estão bem, sabem valorizar a oportunidade. — Shi Wenxiu entendia aquele sentimento, já tinha passado por isso. — Tem algum que ficou arrogante depois de conseguir algo? — Zhou You perguntou, preocupado. Quando se junta muita gente, aparece de tudo. Nem todo mundo consegue controlar o próprio coração. Shi Wenxiu pensou bem, não tinha prestado muita atenção nisso: — Quando eu voltar, vou observar melhor. O que mostram na nossa frente é diferente do que mostram para os outros. Uma cara na frente, outra atrás. Essa é a natureza da maioria das pessoas, e por isso muitos não enxergam. Mas tem uma regra: quem bajula quem está acima, com certeza maltrata quem está abaixo! O afeto que se dá, sempre se quer de volta. Quanto mais bajulação para cima, mais opressão para baixo. — É. Quem fica arrogante e não controla os próprios desejos, descobre na hora. No primeiro sinal, já resolve. Se reincidir, rescinde o contrato. — Zhou You odiava esse tipo de coisa. Não importa se é grande estrela ou grande rico, não pode forçar nem induzir. Isso é o básico. Senão, acaba prejudicando a si e aos outros. — É. Quando eu voltar, falo com o diretor Yang. Agora a empresa tem pouca gente, é fácil de administrar. Se aumentar, vai ser mais complicado. — Shi Wenxiu já sentia a diferença. Antes, ela era só uma estudante, não entendia muito. Depois que foi para os sets de filmagem, como parte da alta direção, começou a ver coisas diferentes, e foi uma verdadeira revelação. Subdiretores, diretores de elenco, papéis pequenos... cada um dava seu jeito. Só de pensar, dava medo. Se não tivesse encontrado o Zhou You, e tivesse que se virar sozinha, quanto tempo aguentaria? Um ano, dois anos? E depois? Conseguiria continuar, sendo sempre um papel pequeno, uma figura menor? Na hora, será que ela também se jogaria de cabeça? Essa parada é como flecha lançada: não tem volta. A primeira vez leva à segunda, e no fim é tudo ladeira abaixo, aceita tudo, e acaba se misturando. Ninguém pode julgar ninguém! Aí Shi Wenxiu contou para Zhou You muitas coisas da empresa, incluindo as histórias entre as atrizes. Diba, Qiutian e Mengying estavam todas crescendo rápido, especialmente a Diba, que com a popularidade do "Running Man" tinha o maior avanço. Mas as outras duas também não estavam mal, já começavam como segunda protagonista ou protagonista. Em termos de recursos, era como subir ao céu num passo. E sabendo que Zhou You tinha o toque de Midas, não se preocupavam com a audiência das novelas, se dedicando de corpo e alma às filmagens. A empresa toda estava vibrante, num cenário ótimo. — Ah, e sua amiga? Como está? — Zhou You lembrou de repente daquela garota corajosa. Shi Wenxiu sorriu: — Graças a você, também assinou contrato. Tá ocupada filmando, mas ainda pensa em você, sempre me pedindo para fazer a ponte. Zhou You ficou meio sem graça, coçou o nariz: — É, minha pressão também é grande. Se não tomar cuidado lá fora, sou aproveitado. Senão, por que eu treino artes marciais? É para me proteger. Shi Wenxiu ficou em silêncio. O velho é mais esperto. Ela não ia vencer o Zhou You. Essa cara de pau é própria para ser um "rei do mar". Será que ela não tinha vontade? Tinha, mas era só um instante. A barreira da família já era demais, e além disso, quando Zhou You olhava para ela, não via nada, era muito firme, provando que a atração não era suficiente. Melhor seguir seu próprio caminho. — O que vamos comer à noite? — Shi Wenxiu mudou de assunto. — Qualquer coisa. Vamos experimentar o refeitório da Universidade de Wuhan. Nunca comi lá. Se não comer agora, depois talvez não tenha chance. — Zhou You pensou: não podia ter feito um doutorado à toa. Os dois começaram a andar pelo campus, procurando onde comer. De repente, Zhou You viu um refeitório que também se chamava Restaurante Meiyuan. Que coincidência? Igual ao nome da universidade dele. Parece que os nomes dos refeitórios universitários se repetem bastante. Então, vamos nesse. Acenou para chamar Li Houliang e os outros, que estavam um pouco longe. — Vamos, dar uma olhada e provar a comida do refeitório universitário. No primeiro andar, cada balcão tinha pratos diferentes, os alunos pegavam a comida, tudo parecido. Foram ao segundo andar, com menos gente, mais refinado, e mais opções. Subiram mais, ao terceiro andar, que já era bom, com cara de restaurante especial. Quase todos os balcões eram independentes, os alunos pediam conforme o gosto. Os quatro destoavam um pouco, especialmente o Ba, preto e forte. Todo mundo devia achar que era professor de educação física. Eles ocuparam uma mesa de seis lugares só para eles. Cada um foi comprar comida: macarrão, macarrão seco de Wuhan, carnes temperadas, macarrão de arroz e várias outras comidas típicas. Zhou You deu uma volta e não achou frango com batata ao estilo Xinjiang, ficou um pouco frustrado. Na verdade, sentia falta. É, quando voltar, vai chamar o Datou para comer junto. Datou também tinha passado no concurso. Ia comemorar com ele, comendo frango com batata. Será que ele ia achar que era mesquinhez? Zhou You estava muito feliz, tinha mais uma pessoa para se divertir. Senão, às vezes ficava entediado. Datou já estava trabalhando há quinze dias, e no feriado do Dia Nacional também tinha que trabalhar, ainda não estava acostumado. Zhou You não sentia nada, mas os pais dele estavam bem contentes. Mesmo que o trabalho fosse só cuidar de arquivos e documentos sigilosos, para os pais, o importante era ter estabilidade primeiro. Trabalho perto de casa, hora extra não era muita, e depois arrumar uma esposa. Missão cumprida! Datou não pensava assim. Antes era vendedor, acostumado à liberdade, sem bater ponto nem ficar no escritório. Agora tinha que ficar no escritório todo dia, arrumar arquivos, alguns até confidenciais, que não podiam terceirizar, tudo ele mesmo. Só de olhar já dava dor de cabeça. Mas, como ele escolheu, tinha que aguentar. Na prova escrita e na entrevista, ele tinha falado com Zhou You, que queria comemorar, mas ou um estava ocupado, ou o outro, e o tempo nunca se encaixava. Só então ele entendeu como é sentir que, mesmo na mesma cidade, só se veem algumas vezes por ano. E isso sem casamento, sem filho. Senão, teria ainda menos tempo. Quanto mais gente, mais difícil de coordenar, maior a chance de dar problema. E Zhou You também vivia viajando. Mas o doutorado era algo grande. Quem diria que Zhou You tinha conseguido um doutorado. Enquanto arrumava os arquivos, ele rangia os dentes. Puta merda, esse perdedor conseguiu um doutorado. Como é que vai ser daqui para frente, como vão se divertir? E se esse cara sem vergonha dissesse: "Qual é o seu nível para jogar o mesmo jogo que eu?" Aí ele ia se ferrar. Que preocupação, uma baita preocupação. E olhar para aqueles arquivos só piorava. Enfiado em papéis velhos, os olhos cheios de lágrimas. Quer saber quando acaba? Não dá para ver o fim!