A vida no mundo é cheia de desgostos; amanhã, solto os cabelos e vou de barco à deriva.
Wang Fangfang pensou: "Eu estou bem satisfeita com a minha vida, por que me dar tanta pressão?"
Os pais já estavam resolvidos, o irmão também tinha um objetivo.
Ela mesma, nem se fala.
O patinho feio virou cisne branco, quantos não a invejam?
"O coração humano é insaciável, como a cobra que quer engolir o elefante."
Ler dez mil livros, viajar dez mil milhas, pode mudar o pensamento e a visão de uma pessoa, fazendo com que ela não fique mais presa apenas aos próprios desejos materiais e sentimentos que só aumentam.
"Xiaofei, você não tem planos para o feriado nacional?" Wang Fangfang chamou o irmão até ela.
"Não, maninha, por quê?" Wang Pengfei estava com uma cara de inocente. Quando foi para a pradaria com a irmã, sentiu que o humor dela mudou ao voltar, mas não sabia exatamente o que era diferente.
"Voltar para casa colher milho." Wang Fangfang foi direta.
Trabalhador é o mais glorioso.
O rosto de Wang Pengfei não mudou. Desde pequeno, quase todo feriado nacional ele passava fazendo trabalho agrícola em casa, exceto no ano em que foi trabalhar fora e nos dois anos em que trabalhou na piscina.
Trabalhar fora era porque não podia voltar.
Aqui na piscina, no feriado nacional, tinha que fazer escala, e ele era novo, não podia pedir tratamento especial.
Este ano, pelo visto, a irmã dele também ia voltar. Incrédulo, ele disse: "Maninha, você também vai voltar?"
"Vou, há anos que não trabalho na roça, quero sentir como é." Wang Fangfang assentiu. Não é como se ela nunca tivesse passado dificuldades. Os pais já estão velhos, e mesmo que ela mande parar de plantar, eles insistem.
Mais dois anos, e provavelmente alguém na vila vai arrendar a terra. Já tem gente começando a abandonar os campos, o custo realmente não compensa, tudo é prejuízo.
"Tá bom, nós dois voltamos, aí vai mais rápido. O que der para usar máquina, a gente usa, para o pai não economizar sozinho." Disse Wang Pengfei. Agora já tem colheitadeiras, mas às vezes, em terrenos pequenos, é difícil chamar alguém, e eles têm que fazer devagar.
Colheita de outono, época de trabalho intenso.
Na memória de Zhou You, também era assim. Todo feriado nacional ele voltava para casa para trabalhar: debulhar milho, espalhar adubo, plantar.
Em apenas sete dias, dava para descansar um ou dois dias no máximo.
Ele se sentia satisfeito?
Outros colegas ou viajavam ou ficavam na escola descansando.
Só ele voltava para casa para trabalhar.
Mas se ele não voltasse para ajudar, os pais teriam que fazer tudo sozinhos, sem ninguém para ajudar. Se nem o próprio filho ajuda, quem mais poderia?
Foram tantos anos assim.
Depois, com o desenvolvimento das mídias sociais, os agricultores também puderam se expressar, e aí surgiram na internet alguns vídeos sobre o feriado nacional e o "passeio de sete dias no campo".
Isso é diferente da pradaria.
Plantar não dá dinheiro, mas o povo não quer largar aquelas terras.
A maioria não quer abandonar os campos, mesmo que dê só para o gasto. Pelo menos, garante a própria comida, enche o prato da família, guarda um pouco, e está bom.
A academia de luta e a piscina também não podem parar. Mesmo em feriado, têm que funcionar normal. Já são todos veteranos, tudo está organizado, não vai dar problema.
Zhou You viu que não tinha nada urgente e resolveu voltar para casa dois dias antes.
Assim, evitava ficar preso no trânsito por meia hora só por causa de um caminho curto.
Ele foi dirigindo pela estrada em direção a casa, ouvindo no rádio a música de Xu Wei:
"Livre como o vento,"
"Vá, é melhor não olhar para trás."
Na vida, não há caminho de volta. Amargo ou doce, é preciso seguir em frente. Aguentar firme e passar, está passado.
E se não passar, tudo bem, não é grande coisa.
Basta fazer o possível.
Ao chegar na entrada da vila, já viu que tudo tinha mudado muito. Em menos de um ano, realmente estava mudando a cada dia.
A estrada estreita que antes era a entrada da vila tinha sido alargada várias vezes, agora com quatro pistas, parecendo até a estrada principal de uma cidade pequena.
Os caminhões de carga iam e vinham sem parar, mas não passavam mais pelo meio da vila.
Contornando a vila, uma nova estrada tinha sido construída, bem longe dos moradores, garantindo muito mais segurança para quem andava a pé e para as crianças.
Zhou You não foi para o criadouro, foi direto para casa.
A vila não tinha mudado muito.
Além de algumas instalações públicas. Zhou Guoqin planejava construir uma casa nova no ano que vem, e muitos na vila também estavam se preparando para trocar de casa no ano que vem, já tinham até combinado.
Isso já encheu a agenda de Sun Peng para o ano que vem.
Assim que estacionou o carro, viu Li Fengying saindo de casa: "Mãe, pensei que você estivesse no criadouro."
"Não, eu e seu pai não temos um trabalho fixo. Antes ainda dava para ajudar, mas agora que está tudo organizado, a gente só vai de vez em quando para conversar e dar uma olhada." Li Fengying estava vivendo cada vez melhor.
Ao ver o filho querido voltar, ficou radiante.
"Desta vez, vai ficar quanto tempo em casa?" Perguntou Li Fengying, preocupada.
"Vou ficar uns dias a mais, vou visitar minha avó, faz tempo que não a vejo." Zhou You estava mesmo querendo relaxar. "A propósito, mãe, como foi a viagem?"
Ao ouvir isso, Li Fengying começou a falar animadamente: "Ah, foi muito bom, só que a comida às vezes não acostuma, é só carne. Não é à toa que o povo da pradaria é gordo, né?"
"Rá rá, eles comem muito, mas também trabalham muito. Você andou a cavalo?" Zhou You foi se deitando na cadeira de balanço ao lado, sabia muito bem como aproveitar a vida.
"Andei, eles ficaram admirados, curiosos para saber como eu sabia andar a cavalo." Li Fengying falou com um certo orgulho. Como não saberia? A maioria no criadouro sabe andar. Os cavalos que Zhou You comprou são os bichos de estimação mais populares.
Sim, os cavalos foram classificados como animais de estimação.
"Mãe, de agora em diante, viaje mais, vá com os outros, assim não fica sozinha e a segurança também é garantida." Zhou You estava aos poucos mudando a mentalidade dos pais.
Li Fengying olhou para Zhou You, foi até o quarto e trouxe um copo para o filho: "Sua mãe não é boba. Antes era porque não tinha dinheiro, não dava para gastar. Mal dava para comer, quem ia querer gastar com viagem?"
Zhou You pegou o copo e deu uma risadinha: "Isso já passou, mãe. De agora em diante, é só esperar para aproveitar a vida."
"Filho, sua mãe sofreu a vida inteira, já se acostumou. Agora estou satisfeita. Você também tem que se cuidar. Dinheiro é suficiente, não se mate de trabalhar." Li Fengying achava que, para ganhar tanto dinheiro, ele devia estar muito cansado.
Ela via o Professor Li também trabalhando de sol a sol no criadouro, com toda dedicação.
Ele não era só um professor universitário, era um catedrático.
Muitas coisas ela não entendia, só achava que ninguém tem vida fácil.
Zhou You assentiu. Como ele ia se deixar cansar? Descansar em casa não cansa, senão o corpo realmente fica moído.
Ele ainda queria ajudar mais algumas garotas,
É tão triste quando ninguém ajuda.
"E o meu pai?" Zhou You só então se lembrou do pai.
"Saiu para comer. Alguém vai se casar e chamou seu pai para dar uma olhada e coordenar. Agora ninguém mais manda seu pai dirigir para buscar gente. O status dele subiu, já está sentando na mesa principal." Quando Li Fengying disse isso, os olhos dela quase se fecharam de tanto sorrir.
Gente do campo, é só isso.
No casamento, quem pode, ajuda com gente, quem tem força, ajuda com trabalho, e ainda precisa de alguém com prestígio na vila para comandar tudo.
Zhou Bencheng se tornou a pessoa ideal. Os outros ou estão ocupados ou não têm experiência suficiente.
Só o pai de Zhou You se encaixava perfeitamente, e ele ainda gostava de fazer isso, senão ficava meio entediado.
Zhou You sorriu, por dentro também estava feliz.
Com dinheiro e sem tédio, a vila é cheia de alegria,
Essa é a vida ideal.
Antes do feriado nacional,
Os comerciantes sempre se preparam com antecedência, então agora quase ninguém vem buscar mercadorias.
Li Baoyin já tinha voltado para casa para o feriado.
O pessoal da vila também não saía, tinham acabado de voltar de viagem e ainda tinham trabalho agrícola para fazer.
Aproveitavam e faziam tudo de uma vez.
O resto do tempo, todos se esforçavam para fazer hora extra.
Só por uma razão: pagamento triplo.
O criadouro seguia rigorosamente a lei trabalhista, pagava hora extra conforme o combinado, mas não incentivava horas extras desnecessárias, e proibia qualquer hora extra sem sentido.
Antes não era tão regulamentado, mas agora, com tantas horas extras, era preciso avaliar cada cargo para ver se realmente precisava de mais gente ou se havia outro motivo.
Agora, na vila, as opções de lazer também aumentaram. Com dinheiro e tempo livre, dava para passar mais tempo com os filhos.
Sem surpresa, aumentou o número de pessoas jogando mahjong por diversão.
Entretenimento e lazer não precisam ser proibidos.
Mas de vez em quando, aparecem alguns gananciosos.
Zhou Guoqin estava com dor de cabeça ultimamente. Sabendo que Zhou You tinha voltado, correu para pedir conselhos.
Agora estava mais calmo, nem se sentia inferior nem arrogante.
Sentou-se na frente de Zhou You, um pouco cansado, e disse: "You, como é que a gente mal começou a ter uma vida boa e já tem gente fazendo bagunça? Até jogo de azar em grupo apareceu."
"Fartura gera luxúria", para quem não tem ambição, é muito normal.
"Estão se achando, né? É nosso funcionário? Se for, primeira vez, conversa; segunda vez, demissão, sem discussão." Zhou You não tolerava esse tipo de coisa. Com esse dinheiro, era melhor comer, beber e comprar coisas para a mulher e os filhos.
"Tá bom, esse costume tem que acabar." Zhou Guoqin estava indeciso, mas vendo a firmeza de Zhou You, ficou tranquilo.
"Jogar um mahjongzinho, se divertir, gastar algumas dezenas ou centenas para passar o tempo, tudo bem. Acima de mil, é proibido. Se for o caso, chama a polícia para prender." Zhou You conhecia os maus hábitos da vila.
Não é de agora. Antigamente, no Ano Novo, tinha gente que se juntava para jogar. Depois de um ano inteiro trabalhando fora, suando, ganhavam alguns milhares.
Num único Ano Novo, perdiam tudo.
Dava até pena, mas como se diz, quem é digno de pena tem sua parcela de culpa.
Como disse bem o Sr. Lu Xun: "Lamento sua infelicidade, mas me indigno com sua falta de luta."
Outra coisa é que as atividades culturais e de lazer na vila realmente são poucas. Tomar uma cervejinha, jogar uma partida de cartas, esperar que leiam livros não é realista.
Só alguns poucos gostam de ler.
Zhou Guoqin concordava profundamente. Antes, quando ele também trabalhava fora, era assim, mas ele era medroso. Todo Ano Novo, quando voltava para casa, só jogava mahjong por diversão, sem apostar alto.
Ele também sabia um pouco do motivo: "Na verdade, tem muita gente que fica de olho no Ano Novo para enganar os outros. Malandros e vagabundos usam esse truque."
"Pois é, onde há luz, há escuridão; onde o sol nasce, ele se põe. A gente faz o que pode, o resto é com eles. Não somos pais deles." Zhou You viu que o primo estava querendo assumir tudo e logo o alertou.
É difícil aconselhar quem está fadado à perdição.
Alguns não querem a vida boa, querem é fazer bagunça. Deixa eles fazerem, o que temer?
Zhou Guoqin assentiu: "Ainda estou pensando em montar uma sala de leitura, para as crianças estudarem. Ler mais é sempre bom."
Ao ouvir isso, Zhou You ficou interessado: "Já escolheu o lugar? Se não, pode ser no prédio da vila ou na escola. Também é uma forma de doar livros para a escola."
"No prédio da vila não tem espaço. A escola tem uma sala de leitura, mas tem poucos livros. Colocar lá também serve. Pode abrir nos fins de semana e feriados, as crianças vão lá ler, e é mais seguro." Zhou Guoqin preferia que fosse na escola.
Só não sabia o que as crianças achariam.
Rá rá, de dia na escola, no feriado também na escola.
Será que isso vai virar trauma de infância?
Por enquanto, parece que não. Com a forte ofensiva financeira de Zhou You, os professores da escola primária estavam todos animados como se tivessem tomado injeção de sangue. O entusiasmo deles pela educação era de dar vergonha até para Zhou You.
Antigamente, um especialista na internet disse: "O preço alto das casas, o custo de vida alto, o salário baixo, é para manter a ambição dos trabalhadores."
Quando essa declaração absurda foi divulgada, todo mundo ficou chocado.
Exigiram veementemente que o especialista doasse sua casa, carro e economias, para continuar lutando e se tornar um especialista mundial, ganhando o Prêmio Nobel.
O resultado? Ele simplesmente desapareceu.
Essas declarações absurdas conseguirem ser publicadas é algo que só se vê depois de viver muito.
"Irmão, temos alguma trupe de teatro por aqui?" Zhou You também estava curioso.
"Tem, mas parece que são poucas. Só chamam quando alguém morre ou casa." Zhou Guoqin só sabia o básico.
"Procura aí, vê se tem alguma trupe boa. Nas festas, chama para alegrar o povo, para não ficar só no mahjong e na bebedeira." Zhou You não tinha uma solução melhor.
As condições materiais e a cultura espiritual não estão alinhadas, e o povo ainda está preso nas formas tradicionais de lazer.
Mas não pode apressar, só mudar aos poucos.
"E também, arruma uns equipamentos de cinema ao ar livre. Quando o tempo estiver bom, passa filmes na praça da vila. No fim, é fazer mais atividades culturais e de lazer, influenciando aos poucos, sem pressa." Zhou You não tinha uma solução milagrosa.
Zhou Guoqin ouvia e balançava a cabeça, o rosto até ficou corado: "É preciso ler mais e ter mais experiências. Isso não custa muito dinheiro e atende a muitas necessidades do povo. Hoje em dia, eles realmente gostam dessas coisas."
Quando era criança, assistir a um filme ao ar livre era quase como uma festa.
Um monte de gente, antes do anoitecer, já levava os banquinhos para garantir lugar.
Levavam também algumas sementes ou petiscos para calar a boca das crianças. A imagem não era nítida, o som não era claro, mas mesmo assim, todo mundo assistia com muito gosto.
Hoje, cada casa tem televisão, mas ficar vendo TV em casa é meio chato.
Além disso, ópera também é uma forma de lazer.
Principalmente os velhos gostam.
Uma vez, Zhou You ficou curioso e perguntou a uma velha: "Vovó, o que estão cantando? Não entendo!"
A velha respondeu meio sem jeito: "Eu também não entendo, só estou vendo o movimento."
E mesmo assim, os olhos dela não tiravam do palco, nem piscavam.
Antes ele não entendia, agora entende um pouco.
Os velhos às vezes gostam de agitação. Muito sossego, e eles começam a pensar demais, e pensar demais pode dar problema.
Agora, na vila, tem um lugar que também está com movimento bom.
É a venda, o mercadinho.
Com dinheiro sobrando, o povo quer consumir. As crianças também têm mais mesada. A venda foi se transformando em mercadinho, e recentemente, alguém está planejando abrir um restaurante pequeno.
Às vezes, para receber convidados, eles também se dispõem a comer fora, evitando o trabalho de cozinhar e lavar a louça em casa, que é cansativo.
Quando não tem dinheiro, ninguém se atreve a consumir.
Por isso, o consumo não vai bem por um motivo simples: o povo não tem dinheiro. Não tem tanta complicação.
Quando sobra dinheiro, todo mundo sabe gastar.
Quando não tem, todo mundo sabe economizar.
Quando o copo está cheio, transborda.