Capítulo 321: Capítulo 321: Na vida, comer e beber são o essencial

— Vamos, primeiro me leve para reservar o hotel. Desta vez estou viajando por conta própria, sem guia. — Zhou You não se importava com o resto, só queria garantir um lugar para ficar. Yina olhou para os outros dois e já conhecia os hábitos de Zhou You. — Tudo bem, fica por aqui perto. Minha casa também é nas redondezas, mas é pequena e ainda moro com minha mãe, o que não é muito conveniente. Se não fosse isso, eu te convidaria para ficar lá. — Yina não fez rodeios e contou a verdade a Zhou You. Os dois caminharam sem rumo pela Universidade da Amizade. Yina, com sua estatura alta, chamava um pouco a atenção ali, mas não tanto quanto na China. A altura geral das pessoas era bem elevada. — Sem problemas, primeiro vamos nos instalar. Há algum hotel bom por aqui? — Com dinheiro, ele não ia se privar, especialmente em um lugar desconhecido. Hotéis de luxo, até certo ponto, funcionam como um amuleto de proteção. — Tem sim, um Hotel Four Seasons, cinco estrelas. Vamos dar uma olhada. — Yina sabia que Zhou You tinha dinheiro, embora não soubesse quanto, mas para pagar um hotel era mais que suficiente. Alguém que sai de casa com seguranças não poderia estar sem dinheiro para um hotel. As ruas estavam cheias de pedestres e o trânsito era intenso. Loiros de olhos azuis, de estatura alta. Felizmente, Zhou You também tinha um porte razoável, senão andar por ali daria uma sensação de opressão. De vez em quando, via-se algumas mulheres mais velhas, com corpos rechonchudos e obesos. Não se sabia se era questão genética ou de hábitos de vida. O período de validade da beleza das russas era muito curto. Zhou You olhou para Yina e não conseguia imaginar como ela ficaria gorda no futuro. Juventude, que coisa boa. — Irmão You, quanto tempo você pretende ficar desta vez? — perguntou Yina, preocupada. — Até o início das aulas. Vou aproveitar para conhecer Moscou, nunca vim antes. — O nome de Zhou You, na verdade, já trazia a ideia de viajar pelo mundo; não podia desonrar o nome. Yina ficou animada. Faltavam ainda duas semanas para as aulas, tempo suficiente para os dois se divertirem bem em Moscou. Pelo caminho, Zhou You viu muitos chineses. Alguns eram estudantes, outros mais velhos, provavelmente negociantes por ali. — Como estão os negócios com as aulas? — Zhou You sabia que Yina dava aulas particulares; só o salário de professora universitária era realmente apertado. — Estão indo bem. Posso ensinar russo e chinês, ganho mais do que no emprego fixo. — Yina era descontraída e parecia feliz. Na Rússia, a maioria vivia o dia de hoje sem pensar no amanhã; o hábito de poupar era raro. A filosofia de aproveitar o momento era bem popular. O Hotel Four Seasons, uma rede global, era um bom hotel. Com Yina guiando, Zhou You economizou muito trabalho. Reservou dois quartos, um de frente para o outro, por quinze dias direto; já era considerado um grande cliente. Não sabia se era porque os padrões de estrelas na China eram usados de forma abusiva, mas Zhou You já tinha se hospedado em muitos hotéis supostamente cinco estrelas. Por que a diferença era tão grande? Embora Zhou You não tivesse bagagem para precisar de ajuda dos funcionários, um deles o acompanhou o tempo todo, explicando as informações básicas do hotel enquanto andavam. — O Hotel Four Seasons Moscou começou em 1935, com uma arquitetura cheia de história, mas sem perder a elegância moderna. O hotel está localizado no coração do bairro histórico, com localização conveniente. Os hóspedes podem apreciar o Kremlin, a Praça Vermelha, as cúpulas coloridas da Catedral de São Basílio e a Duma Estatal... Enquanto caminhava e ouvia, Zhou You ficou muito satisfeito. Virou-se para Yina e perguntou: — É costume dar gorjeta por aqui? — Hum, depende da pessoa. Dá se quiser. — Yina respondeu assim. Ela nunca tinha dado, e não perguntasse por quê: era porque era pobre! Considerando que ainda ia ficar um tempo, Zhou You tirou quinhentos rublos e entregou ao funcionário. A taxa de câmbio era mais ou menos de um para seis. Quando Zhou You chegou, já tinha trocado uma pequena parte para usar como reserva. Depois, planejava trocar mais dinheiro vivo para ter de reserva. Atualmente, devido às relações amigáveis e próximas entre os dois países, além do grande número de turistas, a maioria dos lugares aceitava cartão chinês diretamente, o que era muito conveniente; era só pagar conforme a taxa de câmbio do dia. O quarto não era pequeno. Embora o prédio fosse antigo, as instalações internas tinham sido renovadas e estavam em boas condições, com todos os equipamentos modernos necessários. Depois de fazer o check-in, Zhou You queria sair para dar uma volta. Mas não esperava que Yina o abraçasse diretamente, apertando-o com força. A emoção intensa surpreendeu até Zhou You. As russas expressavam seus sentimentos de forma tão direta? Zhou You realmente sentiu profundamente a saudade que Yina tinha dele; dava para perceber pelo corpo trêmulo dela. Ela olhava fixamente para Zhou You com seus grandes olhos. Cheios de névoa, brilhando com luz de amor. Deixa pra lá, primeiro vamos matar a fome dela. Amor e ódio acontecem num instante. Yina tinha essa qualidade: aceitava a derrota. Se não conseguia vencer, não conseguia. Mesmo com o corpo dolorido, insistia em terminar a última batalha. Já estava escuro quando os dois finalmente saíram do quarto. Li Houlang estava com tanta fome que a barriga roncava, mas não ousava sair sozinho. Revirou a mochila inteira e não encontrou nada para comer, e muito menos tinha coragem de apressar Zhou You. Se soubesse russo, de qualquer jeito teria saído para arranjar algo para comer. Mandou Bate'er ir, mas Bate'er balançou a cabeça como um chocalho: — Irmão Liang, ainda aguento, tenho bastante gordura no corpo. Os dois caipiras se olharam, só podiam ouvir os barulhos do quarto em frente, esperando a porta se abrir. Ambos conheciam a resistência de Zhou You e também seu físico. Era só esperar. Esperaram até escurecer, até que finalmente ouviram o som da porta se abrindo. Na mesma hora, abriram a porta e saíram disparados. Zhou You também estava com fome. Tinha gasto muita energia e não tinha mais vontade de passear. Com um gesto largo, disse: — Vamos, experimentar a comida do hotel. Li Houlang concordou com a cabeça várias vezes, aprovando totalmente a decisão de Zhou You. Nunca tinha sentido que passar fome era tão desconfortável. Tradutor eletrônico, da próxima vez tinha que levar um tradutor eletrônico. Ter tecnologia e não saber usar, de quem era a culpa? Não importava se funcionava bem ou não, desde que desse para usar. — Yina, daqui a pouco você pede. Escolhe algumas comidas típicas e também algo que a gente possa comer, para o estômago se adaptar. — Zhou You não queria sofrer com a mudança de ambiente e acabar no hospital. Yina concordou com a cabeça, encostada em Zhou You, o corpo todo mole. Na verdade, havia serviço de quarto, mas, pensando nos outros dois, insistiu em sair para comer. Escolheram uma mesa perto da janela. Lá embaixo já estava tudo iluminado. Luzes pontilhavam as ruas ao redor. Olhando para longe, ainda se viam algumas luzes de néon, que faziam imaginar as cenas encantadoras por lá. A comida chegou rápido: salsicha defumada, peixe assado, espetinhos de carne, sopa de beterraba, bolinho de carne. Zhou You também pediu um caviar. Esses pratos combinavam perfeitamente com o estilo nacional: generosos e imponentes, tudo coisa que enchia a barriga. Os espetinhos de carne, cada um com meio quilo, era inacreditável, realmente inacreditável. Só sendo três homens fortes para dar conta; senão, não conseguiriam comer tudo. Quando se cansavam da carne, comiam um pouco de caviar para aliviar. Por fim, tomavam um pouco de sopa de beterraba. Os quatro se recostaram nas cadeiras do restaurante e soltaram um longo suspiro. — Que alívio. Olharam uns para os outros e caíram na gargalhada. Na vida, o que importa é comer e beber. Em lugares com muita gente, o preço dos imóveis nunca é barato. Quanto mais em Moscou, que é a capital. A Rússia tem uma população esparsa, com apenas duas grandes cidades: Moscou e São Petersburgo. Uma tem mais de dez milhões de habitantes, a outra mais de cinco milhões. Fora essas duas cidades, os preços dos imóveis nas outras são considerados baratos. O salário de Yina não dava para comprar uma casa, então ela só podia alugar. O pai dela morreu quando ela era muito pequena, e ela sempre viveu só com a mãe. Felizmente, Yina era boa nos estudos, sempre teve um bom desempenho e depois conseguiu um cargo de professora na universidade. Para os outros, estava bem, mas a base era muito fraca, e a vida era um pouco cansativa. À noite, Yina voltou para seu pequeno apartamento. A mãe, Maria, ainda não tinha dormido. — Yina, por que você chegou tão tarde hoje? — Maria, depois que Yina se formou, ainda trabalhava como balconista numa loja, mas a saúde estava piorando. Com a insistência de Yina, acabou se aposentando. Vendo o rosto preocupado da mãe, Yina sentiu um pouco de culpa e respondeu de forma evasiva: — Saí para jantar com uns amigos à noite, demorei um pouco. Mandei mensagem para você dormir cedo, por que ainda está me esperando? Conhecendo a própria filha, Maria percebeu aquele olhar fugidio e sabia que Yina estava mentindo. A mulher parecia cansada, mas o espírito estava bom, algo que não se via há muito tempo. Maria não perguntou mais. A vida dela tinha sido difícil, e a da filha também. Yina sempre foi madura desde pequena e tinha suas próprias opiniões, mas a família era incompleta. A filha sofria por dentro, mas não tinha com quem desabafar. Quando cresceu, Yina pediu para fazer intercâmbio no exterior, tanto para ganhar mais dinheiro quanto para distrair a mente e conhecer o mundo. Lá fora, ela conversava com a mãe com frequência. No começo, ainda estava se adaptando, mas depois, não se sabe como, foi ficando cada vez mais feliz. Vendo a filha feliz, Maria também ficava feliz. Ela não pedia muito na vida; só queria que Yina encontrasse um homem que a tratasse bem. Yina, desde pequena, só tinha a mãe como apoio e não sabia como seria o futuro; só podia seguir em frente, passo a passo. Voltou para o quarto, deitou na cama, olhou para o teto e não conseguiu evitar um sorriso no rosto. A beleza do amor é realmente indescritível. No dia seguinte, Yina já tinha pedido folga e passado as aulas seguintes para outros professores. Afinal, tudo era pago por hora-aula. Zhou You tinha vindo de longe; perder um pouco de dinheiro não era nada. Na noite anterior, Zhou You dormiu muito bem. Estava tão cansado que dormiu até o amanhecer. Depois de tomar café da manhã no hotel, ficou sentado esperando Yina. Ontem, conversando com Yina, ele ficou sabendo da situação financeira da família dela. Já não era mais só "complicada"; não é à toa que, quando se conheceram, ela tinha um temperamento um pouco extremo. As russas amam e odeiam com intensidade. Finalmente, Yina chegou. Zhou You não sabia como organizar o dia, mas sabia que precisava de um meio de transporte. — Você já tomou café da manhã? — perguntou Zhou You, preocupado. — Tomei, em casa. — respondeu Yina, alegre. Quando não há preocupações no coração, qualquer momento é bom. — Então tá. Vamos primeiro comprar um carro. Sem carro, é muito difícil sair. Você sabe dirigir, né? — Zhou You não lembrava se Yina sabia dirigir carro, mas outros veículos ela dirigia muito bem. — Sei, aprendi antes, mas faz tempo que não dirijo, estou um pouco enferrujada. — Yina não recusou. As carteiras de motorista de Zhou You e dos outros dois eram chinesas, o que daria trabalho; precisariam trocá-las. Ouvindo Yina dizer isso, Zhou You ainda ficou um pouco preocupado, mas pensou que era melhor comprar mesmo. No máximo, ela praticaria mais algumas vezes. Já que ele estaria por perto, não daria em nada, e era mais seguro do que ela treinar sozinha depois que ele fosse embora. O grupo pegou um táxi até a concessionária. — Que tipo de carro vocês costumam usar por aqui? — Zhou You via todo tipo de carro na rua: sedãs, SUVs, marcas que ele conhecia e outras que não. De vez em quando, via alguns carros de estilo robusto. — De tudo um pouco. Nacionais, japoneses, coreanos, americanos, todos são bons. — Yina não entendia nada de carros; só via o que os outros dirigiam. Ela mesma queria comprar um carro, mas como o trabalho era perto e o uso diário era pouco, acabou nunca comprando. Zhou You já tinha visto muita coisa na vida e não disse nada; já tinha uma ideia na cabeça. Queria comprar um carro resistente, com motor potente. O inverno em Moscou é longo, as estradas ficam escorregadias com neve, então a segurança tinha que ser alta. Chegando na concessionária, Zhou You foi direto para a Ford. — Dá uma olhada, vê se tem algum que você gosta. A partir de agora, você vai dirigir. — Zhou You olhou para a fileira de carros no salão sem nenhuma emoção; o resto ficava por conta de Yina. — Tá bom. Somos muitos, vamos comprar um grande, senão não fica confortável. — Yina não fez cerimônia. Ser tímida não era coisa de russa. Ford, marca tradicional. Materiais robustos, carroceria resistente, motor potente. Só o consumo de combustível era um pouco alto. Mas a Rússia é um grande exportador de petróleo, e o combustível interno é muito barato. Os locais, basicamente, não consideram economia de combustível na hora de comprar um carro. Depois de escolher, decidiram por um Ford Explorer, importado, por cerca de 500 mil yuans, o equivalente a 3 milhões de rublos. — Ah, você gostou deste? — Zhou You viu que, como era de se esperar de um povo guerreiro, todos gostavam de coisas grandes. — Sim, grande, resistente, cabe bastante coisa. — A resposta de Yina foi muito prática e sincera. Tudo bem, já que Yina ia dirigir, compravam primeiro. Depois, se quisesse trocar, era só falar. Passou o cartão, tratou da documentação, tudo no nome de Yina. O hábito de comprar, comprar, comprar não mudava em lugar nenhum. E era realmente necessário. Yina abriu a porta do carro feliz e pulou no banco do motorista. Era um carro de sete lugares; normalmente, a última fileira era rebatida. O espaço interno era muito amplo. Todos eram altos, mas não ficavam apertados. Boa escolha. Hora de se divertir. Para turistas, os lugares que gostam de visitar são sempre os mesmos. O Kremlin, claro, era obrigatório, como ir a Pequim ver a Cidade Proibida. Era o palácio dos czares, para conhecer o luxo dos imperadores antigos. Era tudo parecido: o que se destacava era o luxo, a imponência, a majestade, simbolizando o poder supremo do soberano. Depois, visitaram a Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio, o Museu Histórico Nacional. Não havia pressa; iam devagar. — O seu país também tem muita história. — Zhou You não pôde deixar de comentar. Um país, um povo que sobrevive ao longo da história, sempre tem suas peculiaridades. Na escola, ele estudou *Como o Aço foi Temperado* e também viu *A Batalha de Moscou*. Quando estudou a história da Segunda Guerra Mundial, não se surpreendeu que os alemães tivessem fracassado em Moscou. Com verões tão frescos e invernos de quarenta a cinquenta graus negativos. Não se sabe quem deu coragem aos alemães para atacar naquela época. Nos dias seguintes, o grupo continuou passeando. Experimentaram várias comidas e também bebidas alcoólicas; essa parte era a favorita de Yina. A Rússia tem muitos tipos de bebidas, mas as preferidas pelos locais são poucas. Bate'er bebeu bastante; sua capacidade alcoólica era muito maior que a de Zhou You, então seria o principal bebedor no futuro. O metrô também era muito interessante, parecia uma obra de arte, todo cheio de murais, com espaços enormes. Viajar... De forma pessimista, é ir de um lugar onde você está cansado de viver para um lugar onde os outros estão cansados de viver. Claro, isso é uma descrição muito realista. Mas esconde um fato: Muitas pessoas passam a vida inteira apenas no lugar onde estão cansadas de viver. Ter a capacidade de ir para um lugar onde os outros estão cansados de viver é privilégio de poucos. Zhou You e Li Houlang estavam na Praça Vermelha, enquanto Yina tinha ido comprar comida. — Irmão Liang, o que você acha que é preciso para viajar por aí? — Zhou You olhou para a multidão incessante na Praça Vermelha e não pôde deixar de perguntar. Li Houlang, antes, viajava muito para competições, mas a maioria era dentro da China, e quase não tinha tempo para turismo ou para conhecer os costumes locais. Depois que abriu a academia de luta, menos ainda teve oportunidade de sair. Mal dava para comer, quem diria ter disposição para viajar. — Quem tem dinheiro e tempo livre, né? Só ter tempo, sem dinheiro, também não dá para ir longe. Só ter dinheiro, sem tempo, provavelmente é porque o dinheiro é pouco; senão, não faltaria tempo. — O que Li Houlang disse era verdade. O padrão de "ter dinheiro" é realmente difícil de definir. — Pois é, precisa ter dinheiro e tempo. No futuro, cada vez mais pessoas vão viajar, mas a maioria vai passar a vida inteira correndo, sem poder ir a lugar nenhum, ou só a muito poucos lugares. — Zhou You sabia a diferença entre viajar e fazer turismo. Um é bater o ponto, tirar foto e dizer "estive aqui". O outro é relaxar a mente, experimentar devagar. A diferença é enorme. Há um livro chamado *Trabalhando Pobre*, escrito por um jornalista americano de não ficção. O autor também escreveu *Rússia: Ídolos Quebrados, Sonhos Solenes*, e foi por isso que Zhou You se lembrou dele. No livro *Trabalhando Pobre*, através de casos vívidos de personagens, ele explica claramente o sistema de seguridade social, o sistema de distribuição de recursos, o sistema de bem-estar dos EUA, analisando o problema de diferentes ângulos. Depois de ler, você cai num profundo desespero. Muita gente trabalha sem parar, às vezes em dois ou três empregos, mas só consegue sobreviver. A armadilha do consumismo, os empréstimos de cartão de crédito. Pessoas sem autocontrole. Há uma frase no livro com a qual Zhou You não concorda nem discorda, porque ele também não sabe a resposta. "Prazer imediato e poupança e frugalidade, o que é mais importante? Para alguém como eu, da base, ainda tenho escolha?" É, alegria passageira ou sofrimento prolongado, qual escolher? A partir disso, pensando em outras coisas, fazendo comparações. Olhando para os países do mundo, os costumes são realmente diferentes. Cada terra cria seu povo. "Quando em Roma, faça como os romanos" não é dito à toa. Zhuangzi disse bem. Adaptar-se externamente, mas manter-se interno, assim a pessoa vive em paz e por muito tempo. Adaptar-se externamente é seguir os costumes locais; manter-se interno é preservar a própria essência. Parece contraditório, e é realmente difícil de fazer. Se não fosse difícil e todos pudessem fazer, então todos seriam felizes. Mas, olhe para essa multidão, quantos são realmente felizes? Yina voltou, trazendo algumas bebidas. Iogurte russo. Refresco de frutas. Para aliviar o calor e a sede, embora o clima já não estivesse quente. A Rússia é realmente um paraíso de verão. O tempo já estava como outono, só a diferença de temperatura era grande. — A Praça Vermelha está cheia de gente, hein. Vejo turistas do mundo inteiro, muitos chineses e também muitos europeus e americanos. — Zhou You bebia iogurte enquanto conversava com Yina, sentados num banco. Depois de alguns dias correndo, Zhou You não queria mais sair. Estava cansado. A vida precisava desacelerar, para ser apreciada em silêncio. — É, tem turistas de todos os lugares. Principalmente nas férias de verão, é ótimo para viajar. No inverno, não, quase ninguém vem. — Yina lambia o iogurte devagar. Que bom que era não ter que dar aula. Sentada no banco comprido, bebendo, tomando o sol quentinho, esticando as pernas, inclinando o corpo para trás. A postura não era nada elegante. Mas o corpo e a mente estavam muito confortáveis. Abrir o corpo e a mente dava uma sensação de liberdade sem amarras, um momento de alívio neste mundo opressor. O inverno em Moscou não era mais de neve caindo aos flocos. Era neve cobrindo o chão. As pessoas tinham dificuldade para sair; se pudessem, ficavam em casa. Ficavam o máximo possível dentro dos quartos. Yina parecia feliz, mas Zhou You conseguia ver um traço de tristeza no fundo dos olhos dela. Segurou a mão dela e perguntou, preocupado: — Tem alguma coisa que você queira me contar? Nos últimos dias, Zhou You já tinha notado que algo estava errado, mas como Yina não dizia, ele não se sentia à vontade para perguntar. Agora era a hora de perguntar, senão ele também ficaria muito angustiado por dentro. — Minha mãe está doente, sempre recaindo, e em breve vai precisar ir ao hospital de novo — disse Yina, com um olhar desolado.

Com vinte e poucos anos, na flor da juventude, mas tendo que carregar sozinha o peso da família.

A alegria não passava de uma fachada.

Zhou You sabia disso; quando ele estava triste no passado, também sorria com frequência no escritório.

Quanto mais triste, mais precisava parecer feliz.

Falso ou verdadeiro, um momento de alegria já valia.

Sorrir mais afugentava a tristeza.

Ficar sempre envolto em tristeza poderia levar a uma morte melancólica.

Criar um filho sozinho, as dificuldades no meio disso, uma pessoa comum não consegue imaginar.

Só quem passa pela situação entende a dificuldade; ouvir dos outros não capta nem um décimo.

Pensando nisso, Zhou You pegou o celular: — Ivan, olá, estou em Moscou agora, tem tempo? Quero te convidar para jantar.

Ivanov Ivan Ivanovich, Zhou O conheceu durante a rodada de financiamento de Zhang Yiming.

Depois disso, trocaram contato algumas vezes.

Zhou You era o grande acionista e também investidor.

Ivan sempre convidava Zhou You para visitar a Rússia, para exercer a hospitalidade.

Pelo que parecia, a ByteDance estava se desenvolvendo muito bem, e esse investimento de Ivan traria retornos generosos novamente.

— Claro que tenho, estou exatamente em Moscou, meu amigo. Onde você está? Vou te encontrar — disse Ivan, muito animado. A hospitalidade era um lado, mas manter contato com pessoas influentes era mais importante.

Especialmente Zhou You, jovem e já com uma fortuna considerável.

Yina viu Zhou You falando ao telefone e ficou curiosa: — Irmão You, você conhece alguém em Moscou?

— Haha, claro, você não acha que só conheço você, né? Isso seria um fracasso total — Zhou You provocou Yina, e continuou:

— Vem uma pessoa de um fundo de investimento dst, tem uma empresa com a qual temos algum contato. Eles têm uma rede de contatos ampla, quero ver se consigo, por meio deles, arrumar um hospital melhor para a tia, para tratamento e recuperação.

Yina então entendeu por que Zhou You não tinha contatado essa pessoa antes, só ligando agora que ela havia mencionado a dificuldade. Pela personalidade preguiçosa de Zhou You, se não fosse por causa dela, ele provavelmente nem se daria ao trabalho de se envolver.

Ela só pôde abraçar Zhou You com força, enterrar o rosto no peito dele e dizer, com carinho: — Obrigada, é tão bom ter você por perto. Quando estou sozinha, sinto tanto medo!

Mesmo as pessoas mais fortes têm seus momentos de fraqueza.

Quem não quer uma vida simples e feliz, viver sem preocupações para sempre, que é realmente confortável?

Mas a vida não permite.