Capítulo 203: Capítulo 203 Encontro no Monte Obo

Capítulo 203 Encontro no Monte de Pedras

Após se lavar, Zhou You deitou-se na cama e começou a revisar a situação do dia.

Na vida passada, era uma pessoa comum; nesta vida, também era comum, contando com o conhecimento prévio para ganhar algum dinheiro.

Mas a natureza não mudou.

Olhando para o comportamento de Xiao Si.

Dentro de si, duas vozes lutavam sem parar.

Uma dizia: "Isso precisa ser punido severamente, senão alguém vai repetir o erro. Como garantir a segurança?"

A outra dizia: "Deixa pra lá, é como dirigir—quem nunca bateu? Ser magnânimo desta vez pode até conquistar corações."

A mente estava uma bagunça.

Uma hora pensava no pãozinho de "Lâmina 1937", que custou uma vida.

Outra hora pensava em Chai Jin, o "Grande Oficial", que usava dinheiro para subjugar os heróis, deixando-os sem saber o que fazer.

Um novo rico sem experiência em lidar com essas situações, sem ninguém para orientar.

Só o que aprendia na TV e nos livros não era suficiente para resolver os problemas à sua frente.

Zhou You ficou angustiado por um bom tempo, virando-se de um lado para o outro sem conseguir dormir.

De repente, um pensamento veio à mente.

O motivo da minha angústia é que nunca pensei em punir severamente Xiao Si.

Só me preocupava com minha posição atual—se não agisse, poderia ser inadequado.

Mas, qual é minha posição agora?

Professor universitário, investidor, só isso!

Então, não há o que angustiar. Não tenho a natureza de ser impiedoso, nem a habilidade para tramas. Basta ser uma pessoa comum e rica, em paz.

Depois de entender isso, adormeceu tranquilamente.

Zhou You dormiu.

Xiao Si, porém, não preguei o olho a noite toda. Preocupação era um lado, mas principalmente culpa.

Zhou You era tão bom com ele; se ele se machucasse por sua causa, ainda seria humano?

Parecia que, da noite para o dia, amadureceu. O Xiao Si despreocupado desapareceu.

No lugar, surgiu um adulto maduro e estável—quem sabe se isso é bom ou ruim?

No dia seguinte, ao acordar.

Café da manhã.

Especialidades da pradaria: miúdos de ovelha, chá com leite e arroz tufado, "bei zi" (pão assado), e até "shao mai" (pastéis), recheados com carne de cordeiro.

Os locais estavam acostumados a essa dieta, pois precisavam de muita energia para o trabalho pesado. Zhou You, não.

Acostumado a uma alimentação leve na cidade, comer carne logo cedo era difícil de digerir.

No fim, Zhou You comeu um "bei zi" e tomou um copo de chá com leite.

Hoje era o dia do ritual do Monte de Pedras (Obo) da tribo de Daxi.

No caminho, Daxi explicava alguns conceitos básicos.

"Em mongol, 'Obo' significa monte de pedras. Geralmente fica perto de estradas movimentadas, sendo um local comum na pradaria para orações e rituais. O ritual do Obo é a atividade de bênção mais popular entre os mongóis. Antigamente, também servia como marco de estrada ou fronteira."

Zhou Yu entendeu mais ou menos: "É como um farol no mar?"

Daxi sorriu: "Sim, a pradaria é infinita. Antes, sem estradas, era fácil se perder."

"Tem alguma precaução? Não quero ofender nenhum tabu." Perguntou Yu Qian, cauteloso.

"Ande no sentido horário ao redor do Obo por três voltas, colocando uma pedra em cada volta, enquanto faz uma oração. Sigam-me e estará tudo bem." Disse Daxi, simplesmente.

Na hora, haveria muita gente, e as pessoas seguem a multidão—não tem erro.

Zhou You virou-se para Agula: "Você já participou?"

Agula baixou a cabeça, envergonhado: "Quando criança, vim algumas vezes com os adultos. Depois, com os estudos, quase nunca mais vim. Mas hoje, meu mestre me disse que também participaria."

O grupo de Zhou You ficou confuso.

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Vendo a confusão, Daxi riu sem jeito: "Foi culpa minha, não expliquei direito. Depois do ritual do Obo, tem a Feira do Obo, mas só dura um dia, é curta, com pouca gente—só os arredores. As atividades são as mesmas: cavalgada, tiro com arco, luta. Em meados de julho, no Festival Nadam, aí sim é mais animado."

Essas tradições étnicas são difíceis para estranhos entenderem.

Mas, ao ouvir que teria diversão, o grupo de Zhou You ficou feliz.

Viajar é para aprender, mas mais importante é se divertir.

Logo chegaram ao local.

De longe.

Zhou You viu um grande monte de pedras no topo de uma colina.

O Obo era circular, com alguns postes ao redor, ligados por cordas cheias de tiras coloridas.

Curioso, Zhou You perguntou: "Daxi, o que significam essas tiras coloridas?"

"São khatag (lenços cerimoniais), usados para bênçãos—pedindo boas colheitas, prosperidade do gado, saúde e longevidade. Vocês também podem pendurar um; tenho alguns no carro." Explicou Daxi.

O grupo seguiu Daxi colina acima.

"Ver o cavalo de longe cansa o animal"—mesmo sendo uma colina pequena, demoraram um pouco para subir.

Zhou You olhou ao redor e notou que só homens subiam; as mulheres ficavam nos carros ou ao pé da colina.

"Daxi, mulheres não podem participar do ritual do Obo?"

Daxi respondeu, sem jeito: "Antigamente, sim. Aqui ainda não permitimos, mas em alguns lugares essa regra já não existe mais."

Os costumes mudam com o tempo.

Como na terra natal de Zhou You, às vezes, nas refeições, mulheres não sentavam na mesa principal.

Mas os mais jovens já não ligam para isso.

Chegando ao Obo, Zhou You viu que era todo de pedras empilhadas, sem cimento ou algo similar. Pedras soltas estavam espalhadas ao redor.

Daxi, na frente, deu o exemplo: pegou três pedras do chão, andou no sentido horário ao redor do Obo, colocando uma pedra a cada volta.

Os outros imitaram.

Zhou You observou com atenção: ao colocar as pedras, Daxi parava um instante e mexia os lábios, provavelmente fazendo orações.

Depois de completar as voltas, Zhou You pendurou um khatag na corda.

Fechou os olhos e fez uma oração silenciosa: que seus pais tivessem saúde, e ele também.

Não pedia mais dinheiro—já bastava.

Após o ritual, Daxi ficou animado: "Vamos, hora de se divertir!"

Do alto da colina, olhando para baixo.

Fileiras de carros formavam um semicírculo, com grupos de pessoas espalhadas.

Alguns trouxeram barracas simples e churrasqueiras, parecendo um acampamento urbano.

Mais perto, descobriram mais diversões.

Zhou You viu um grupo jogando xadrez internacional, mas ele não sabia jogar.

Ao ver o tabuleiro, sentiu um estranhamento—os povos da pradaria hoje estão meio decadentes, vistos como atrasados.

Quase esqueceu o império gigante de Gengis Khan.

O xadrez internacional deve ter se espalhado por ali naquela época.

Que pena—o esplendor é levado pelo vento e pela chuva, uma geração substitui a outra.

Zhou You não entendia e não se interessava; foi direto para a área de cavalgada.

Puxa!

Zhou You não conteve a exclamação.

Um grupo de crianças, no máximo 15 ou 16 anos, competia a cavalo. A velocidade já o deixava para trás.

Mas o mais rápido montava sem sela e sem estribo.

Realmente um povo nascido no lombo de cavalos—desde criança, já são bons cavaleiros.