Capítulo 200: Pradaria da Mongólia, Tempo Limpo
Zhou You mandou Xiao Si comprar um telefone via satélite e também pediu que ele pensasse no que mais estava faltando, comprando um pouco mais de tudo.
Li Houliang, preocupado, foi junto com Xiao Si fazer as compras.
Agora, Li Houliang não precisava mais pedir dinheiro ao Zhou You toda vez; a academia de luta já estava dando lucro, e ele podia sacar valores pequenos sem problemas, mas para quantias grandes, precisava da aprovação de Zhou You.
Li Houliang também não sabia ao certo, mas comprava tudo que pudesse ser útil. Não importava se gastava dinheiro à toa, o medo era precisar de algo e não ter.
Agula, que tinha alguma experiência, foi com eles e ainda serviu de carregador.
Compraram telefones via satélite. Como era a primeira vez e não tinham experiência, não sabiam qual marca era melhor, então pegaram várias.
Compraram jaquetas corta-vento, porque na pradaria a diferença de temperatura entre o dia e a noite é grande.
Compraram remédios contra mosquitos e insetos, já que na pradaria há muitos mosquitos e bichos.
Compraram botas de cano alto, para o caso de encontrarem estradas ruins, servindo como emergência e ainda protegendo contra picadas de cobra!
Compraram remédios para gripe e diarreia, pois é normal sofrer com a mudança de ambiente, e com o calor e frio irregulares, a gente fica mais propenso a adoecer.
Por fim, compraram um pouco de água e comida para emergências na estrada.
Juntaram uma porção de coisas avulsas, e ainda bem que foram de carro, senão não conseguiriam carregar tudo.
Zhou You queria levar Sun Li, mas ela estava ocupada com o projeto do fundo musical, então não insistiu; afinal, sempre haveria outras oportunidades.
Passaram uma noite e, no dia seguinte, partiram de manhã cedo.
Yu Qian e seu companheiro foram num Toyota Prado.
Zhou You e os outros três foram num Jeep Wrangler.
Era o carro certo para a pradaria, combinando bem.
Xiao Si dirigia, e Zhou You ia no banco de trás.
Olhando para Agula, de repente lembrou-se de um documentário que tinha visto antes e perguntou: "Agula, você já viu o documentário 'Pradaria da Mongólia, Tempo Limpo'?"
Agula estava bem animado, mas ao ouvir isso, seu humor de repente ficou sombrio: "Irmão You, já vi. Esse documentário foi bem divulgado na nossa região da pradaria. Embora fale sobre a Mongólia, ainda faz parte do mundo das pradarias."
"É verdade, a vida dos nômades não é fácil. O céu como cobertor, a terra como cama, seguindo a água e a grama. Soa romântico, mas na prática a vida é cheia de dificuldades!" Zhou You tinha uma impressão forte desse documentário.
Ele falava principalmente sobre a história de uma menina crescendo na pradaria.
O nome da menina era Puujee. Aos 6 anos, foi encontrada por um diretor japonês, que se encantou com sua personalidade forte e independente, e resolveu registrar sua vida.
A família vivia numa yurt, o pai não estava presente, e desde cedo ela assumiu o peso da vida.
A menina de 6 anos montava cavalo como uma profissional, cheia de garbo, parecendo uma futura rainha no lombo do animal.
O documentário era gravado a cada poucos anos, planejando acompanhar o crescimento da criança.
Mas, na segunda vez que foram filmar, a mãe de Puujee já não estava mais.
Uma criança que perde o pai e a mãe perde também a infância.
A alegria diminuiu, e ela se tornou cada vez mais calada.
Quando o diretor voltou novamente, só viu uma foto na mesa.
A pequena Puujee também tinha partido.
Sobrou apenas seu irmão mais novo.
Embora o documentário desse muitos closes em Puujee.
Zhou You, ao vê-la, também pensava no irmão pequeno dela.
Como a vida é difícil.
Antes, ele achava que "Viver" era só um romance.
Mas desde que se apaixonou por documentários, percebeu que viver está em toda parte no mundo.
Zhou You pensou que era por isso que "Viver" continuava tão popular.
As faces do mundo: cada tigela de comida que se come é uma a menos.
As faces da saudade: cada encontro é um a menos.
Agula ficou ainda mais abatido: "A vida do nosso povo da pradaria é como a grama selvagem: frágil e resistente ao mesmo tempo."
"É verdade, a vida é como a grama, como o dente-de-leão: levada pelo vento, sem saber onde vai cair, e onde cai, ali cria raízes. Assim como as pessoas hoje, que saem de sua terra natal e não sabem onde vão ficar."
Zhou You pensou em si mesmo, nos seus colegas de escola, nos seus parentes e amigos.
"Meu pai me disse que a vida da gente encontra muitas dificuldades, mas não importa quando ou onde, devemos ter esperança. Somos filhos da pradaria, não podemos ser derrubados pelo destino." Depois de dizer isso, Agula se reanimou, cheio de energia.
Cada nação que sobrevive e se perpetua tem suas próprias características.
"Agula, ainda há muitos nômades hoje em dia?" perguntou Zhou You, curioso.
"Muito poucos, porque agora as terras de pastagem foram todas contratadas." Agula deu um sorriso amargo.
Durante a viagem, tirando o momento de baixo astral ao discutir o documentário, o resto do percurso foi bem agradável.
Zhou You, sendo uma pessoa sentimental, tinha seus próprios meios de se distrair.
Antes, era lendo, jogando ou fazendo exercícios.
Fazia o corpo liberar mais dopamina e endorfina, animando-se, e naturalmente a tristeza desaparecia.
Agora, ele cozinhava e treinava o corpo constantemente.
Não era alta temporada turística, e havia poucos carros na estrada. Foram direto para a pradaria e pararam numa cidade para descansar.
Estavam muito perto do destino final, mas aquela viagem era tanto para comprar cavalos quanto para turismo.
Não havia pressa.
Era justamente a terra natal de Agula.
No almoço, num restaurante, a comida era basicamente carne.
A carne de carneiro foi preparada de todas as formas: frita, salteada, cozida, ensopada, fervida.
Ainda bem que ninguém ali tinha problemas com carne de carneiro, senão não teriam o que comer.
Como não iam dirigir à tarde, provaram um pouco de chá com leite e vinho de leite.
Zhou You perguntou, curioso, se eles tinham o "Mengdao Lü" (licor que derruba burro).
Antes, um colega que foi à pradaria a trabalho lhe trouxe uma garrafa desse vinho, com esse nome bem forte!
O dono do restaurante riu alto: "Temos sim! Querem provar? Vinho forte com carne de carneiro, corta a gordura e não dá dor de cabeça."
Yu Qian não resistiu: "Dono, traga uma garrafa para provar. Eu gosto de experimentar vinhos diferentes."
O dono trouxe uma garrafa, com uma embalagem bem típica da pradaria: um estojo artesanal de couro com detalhes prateados, que dava para carregar nas costas ou pendurar de lado.
"Costumamos chamar de 'Branco da Pradaria'. A graduação é alta, 60 graus. Provem primeiro num copo pequeno."
Yu Qian pegou primeiro: "Esse visual é legal, dá um presente original. Dono, me traga uma caixa, vou colocar no carro. Gostoso ou não, é outra história, mas gostei do design."
Um homem de coração.
A garrafa era bem generosa, 1,5 litro. Normalmente, uma garrafa de vinho é dita como tendo um jin (meio quilo), mas na maioria das vezes tem só oito liang (400 ml).
Embora todos ali fossem experientes em bebida, encarar 1,5 litro de vinho ainda impunha respeito.
Essa capacidade era pensada para o uso diário, mostrando bem a tolerância do povo da pradaria, ou o quanto gostavam.
A tampa não era descartável, mas de rosca, podendo ser reutilizada, meio como uma versão ampliada de um cantil, um cantil grande.
Yu Qian destampou, serviu um copo primeiro, deu um pequeno gole.
Não conteve um suspiro.
"Forte, bem forte!"
Vendo sua expressão, todos ficaram curiosos e serviram um pouco para provar.
Zhou You sentiu um ardor, muito ardido, queimando um pouco a garganta.
Mas, ao chegar no estômago, dava uma sensação de frescor.
Era algo diferente.