Ye Luotian sabia que, por sua negligência ao longo dos anos, Ye Lanshan havia se tornado independente cedo demais, e agora não lhe contava nada. Mas, já que decidira compensar tudo o que lhe devia, não podia simplesmente ignorar aquela situação.
— Vou com você à masmorra. Se for para interrogar, sou bastante bom nisso. — Ye Luotian deu um tapinha no ombro de Ye Lanshan e, pegando o homem no chão, seguiu em direção à masmorra.
Ye Lanshan, na verdade, não queria que seu avô se envolvesse naquilo. Afinal, a relação entre a família Sun e a família Ye não era tão boa, mas também não era tão ruim, e a força da família Sun era considerável. Se o avô soubesse que alguém da família Sun tentara assassiná-la, certamente iria confrontá-los, e seu plano estaria arruinado.
— Desistam. Não vou dizer nada. — Após passar por uma tortura severa, o homem ainda se mostrava obstinado.
— Não acredito. Já interroguei tanta gente, como não conseguiria arrancar algo de você? Tragam o chicote. — Ye Luotian pegou o chicote que um servo lhe entregou e deu uma chicotada, mas o homem nem gemeu, como se não fosse nele que o golpe acertasse. Seu olhar desdenhoso parecia dizer: "Vocês não vão conseguir arrancar nada de mim."
Quando Ye Luotian estava prestes a dar outra chicotada, Ye Lanshan o impediu:
— Vovô, bater assim não adianta. Deixe comigo.
O homem esperava outra rodada de tortura, mas Ye Lanshan o soltou e o levou para um lugar mais tranquilo, onde o trancou. Naquele momento, ele não conseguia entender o que se passava na mente de Ye Lanshan.
— Por que o soltou? — Nem mesmo Ye Luotian compreendia o que Ye Lanshan estava pensando.
— Vamos deixá-lo preso aqui por enquanto. Tenho outras coisas para fazer, não preciso perder tempo com alguém que vai morrer. — Ye Lanshan estava com uma expressão fria, claramente desinteressada em interrogá-lo.
Na verdade, por mais que o homem tentasse imaginar, jamais adivinharia que Ye Lanshan o poupara de repente porque percebera que, se quisesse criar sua própria força, uma câmara de tortura era indispensável, e ela queria treinar um especialista em interrogatórios. Assim, o homem, atordoado na masmorra, não fazia ideia de que já se tornara uma cobaia para treinar outros em métodos de interrogatório.
— Posso ir ver os outros da agência de informações hoje? — Chu He olhou cautelosamente para Ye Lanshan, que estava com o semblante pesado.
Ye Lanshan voltou a si e disse:
— Calma, primeiro vou te levar para fazer algo interessante.
— O quê? — Chu He estremeceu ao vê-la sorrir de forma tão sinistra.
— Apenas me siga. — Ye Lanshan se levantou e levou Chu He até a masmorra.
— Ei, por que me trouxe aqui? — Chu He perguntou, confuso, ao ver o ambiente sombrio da masmorra.
Ye Lanshan disse em voz baixa:
— Vou te ensinar uma coisa.
— O que se pode ensinar neste lugar? Você não vai treinar minha resistência a pancadas, vai? — Chu He a olhou com desconfiança. Sabia que os agentes de informação eram os que guardavam mais segredos; se fossem capturados, provavelmente acabariam revelando tudo sob tortura. Por isso, muitos agentes eram treinados para suportar dor. Chu He engoliu em seco, pensando: "Embora eu tenha concordado em entrar na agência, treinar resistência logo de cara não seria cedo demais?"
Ye Lanshan o olhou com divertimento, vendo-o tremer:
— Só quero te ensinar como interrogar prisioneiros. Do que você tem medo?
Chu He suspirou aliviado, enxugou o suor frio do rosto e reclamou:
— Por que não disse logo que era para interrogar? Quase me matou de susto.
Ye Lanshan o encarou:
— Se quiser treinar resistência, também não é impossível.
— Não, não. Vamos logo interrogar esse tal prisioneiro. — Chu He balançou as mãos rapidamente, com medo de que ela se animasse e realmente o treinasse.
— Vamos, é ali na frente. — Ye Lanshan acelerou o passo, e Chu He a seguiu com cuidado.
— Já descansou o suficiente, não? — Ye Lanshan chutou o homem, que havia adormecido.
Ele acordou e disse, fraco:
— Já avisei, não espere arrancar nada de mim.
Ye Lanshan deu de ombros sem responder. Fez um sinal para Chu Feng ajudar a levantar o homem.
— Fique tranquilo, não vou bater em você como os outros. Isso é muito grosseiro, não combina comigo. — Ye Lanshan tirou de seu espaço um mel que guardara em sua vida passada e o passou na sola do pé do homem.
— O que está fazendo? — Chu He ficou intrigado com o gesto.
Ye Lanshan ordenou:
— Você vai ver. Tragam a cabra.
— Sim. — Logo, um servo trouxe uma cabra macho, nem grande nem pequena.
— Para que quer uma cabra? — Chu Feng ficou ainda mais confuso.
Mas Ye Lanshan não respondeu. Apenas levou a cabra até os pés do homem.
Assim que a cabra sentiu o cheiro doce do mel, começou a balir animadamente e, em seguida, lambeu com entusiasmo a sola do pé do homem.
Foi então que Ye Lanshan explicou a Chu Feng:
— Cabras adoram mel, e a sola do pé humano é uma área muito sensível. Quando lambida, causa uma coceira insuportável, que vai até o fundo da alma, fazendo a pessoa rir sem controle.
— Haha, mesmo, haha, assim, haha, eu jamais, hahaha, direi uma palavra, hahaha... — O homem tentava se conter para não rir, mas era impossível. No fim, ria sem fôlego.
No entanto, mesmo com a pele da sola do pé sendo lambida até sangrar, ele não disse nada.
— Hum, prefere sofrer a ceder. Tirem a cabra. — Ye Lanshan entregou a cabra ao servo e deu ao homem uma pílula.
— Tosse, o que me deu? — O homem, então, ficou visivelmente nervoso.
— Como não tem medo de torturas tão severas, por que temeria uma pequena pílula? Fique tranquilo, é só para prolongar a vida. — Ye Lanshan achou estranha a reação dele, mas não pensou muito.
De fato, depois de tomar a pílula, o homem melhorou. Mas Chu Feng não entendia o propósito daquilo e perguntou:
— Por que deu uma pílula a esse prisioneiro?
— Se ele morrer agora, onde vou encontrar um cobaia tão bom para você? — Ye Lanshan fez uma piada rara.
— Preste atenção. Se o prisioneiro aguentar a tortura do riso, você pode tentar outro método: o da interferência sonora.
Ye Lanshan chamou dois servos e ordenou que se revezassem, sem parar, para tocar sinos.
— Pronto, vamos embora. Voltamos amanhã. — Depois disso, Ye Lanshan saiu com Chu Feng.