—Você não deve ter se enganado de lugar, como eu poderia ter a Fruta Gêmea? — Ye Lanshan apertou lentamente a faca na mão.
Mo Ran falou com calma: "Pelo que sei, um dos seus guardas teve os meridianos rompidos e virou um inútil, e você foi procurar Situ Kuang justamente para curá-lo."
— Mesmo que seja assim, isso não significa que a Fruta Gêmea está comigo. — Ye Lanshan o interrompeu apressadamente.
Mo Ran, no entanto, não demonstrou irritação por ser interrompido e apenas continuou: "Certo, se fosse só isso, eu não viria atrás de você. Mas o problema é que a pessoa que disputou a Fruta Gêmea comigo usava a mesma técnica de passos que a sua."
— Além disso, ele inicialmente não concordava, mas depois que Ye Yu se feriu, mudou de ideia. Não me diga que tudo isso é coincidência. — Mo Ran sorriu de forma despreocupada, mas seu tom era extremamente perigoso.
Ye Lanshan, então, parou de fingir. Ela esboçou um sorriso: "E daí se a Fruta Gêmea está comigo? Você esqueceu que este é o meu território? Acha que consegue tomar a Fruta Gêmea de mim sozinho aqui?"
Mo Ran, como se não quisesse perder tempo com palavras, respondeu com ações, demonstrando sua confiança.
Ye Lanshan já estava preparada para o combate desde que ele começara a falar, então conseguia lidar com a situação com certa desenvoltura.
Mas, afinal, Ye Lanshan estava ali há apenas um ano, sem nem ter consolidado sua base. Por mais talentosa que fosse, não podia competir com Mo Ran, o jovem mestre da seita demoníaca que estava no topo da lista dos gênios do momento.
Da última vez, ela conseguiu vencer naquela luta porque Mo Ran não a levou a sério e foi descuidado, além de contar com a ajuda secreta de Ye Yutian.
E também, naquela ocasião com o manipulador de marionetes, foi porque Mo Ran bloqueou a maior parte dos ataques e o feriu gravemente, senão ela não teria conseguido repelir o manipulador.
Agora, porém, ele estava levando a sério, e Ye Lanshan começou a sentir dificuldade em se defender.
No entanto, este era o território da família Ye. Logo, os criados da residência perceberam a luta e os guardas correram para enfrentar Mo Ran.
Nesse momento, ele já segurava o pescoço dela. Ye Lanshan, apesar de estar sendo agarrada, não demonstrava nenhum nervosismo. Sua calma fez Mo Ran sentir uma ponta de inquietação.
Ele reprimiu a ansiedade e se inclinou para perguntar: "Você acha que esses insetos conseguem te salvar de mim?"
— Ah! Você realmente não aprendeu a lição, já esqueceu tão rápido o que aconteceu da última vez? — A faca de Ye Lanshan apontava ameaçadoramente para uma parte íntima dele.
— Uma garota tão violenta não é nada bom. — Mo Ran estreitou os olhos perigosamente e, com a outra mão, agarrou rapidamente a mão dela que segurava a faca, tentando fazê-la recuar, mas não conseguiu movê-la.
— Sr. Mo, parece que você não está dando conta, não consegue nem empurrar uma garota como eu. Hmm, quem diria... — Antes que ela terminasse, Mo Ran segurou a mão dela e virou a faca contra ela.
Ye Lanshan se assustou e, com toda a força, livrou o pescoço da mão dele, inclinando a cabeça para trás.
Nesse instante, os guardas ao redor aproveitaram a oportunidade e atacaram Mo Ran.
Ele mudou rapidamente a direção da mão que segurava a dela, controlando-a para que a faca cortasse os guardas, querendo ver a expressão dela ao ferir os próprios aliados.
Ye Lanshan não permitiria que tal tragédia acontecesse. Arriscando uma luxação, ela se contorceu de forma inacreditável para libertar a mão.
Mo Ran não esperava por isso e, por um descuido, acabou tendo o dedo cortado pela faca dela.
Ele lambeu o sangue do dedo, e seus olhos explodiram em intenção assassina, como se fosse cometer um massacre.
Ye Lanshan, raramente, ficou séria. Ela disse, palavra por palavra: "Se você ousar matar uma única pessoa da minha casa, eu destruo a Fruta Gêmea. Estou falando sério."
Para garantir que ele acreditasse, ela realmente pegou a Fruta Gêmea e fez menção de destruí-la.
— Fique tranquila, se você me entregar a Fruta Gêmea, juro que não tocarei em ninguém da sua casa. — Mo Ran, então, conteve toda a sua aura assassina, mantendo os olhos fixos na Fruta Gêmea.
Por precaução, Ye Lanshan mandou os guardas recuarem alguns passos e, em seguida, jogou a Fruta Gêmea para Mo Ran.
Ele cumpriu a palavra e, ao pegar a fruta, voou para longe imediatamente. Mas, inesperadamente, depois de partir, ele lançou uma técnica de volta.
Felizmente, Ye Lanshan era cautelosa. Ao jogar a fruta, já havia dito aos guardas: "Fiquem atentos." Assim, ninguém se feriu.
O barulho da luta foi tão grande que até o palácio imperial ficou sabendo. Nos dias seguintes, o número de visitantes na residência Ye aumentou drasticamente, todos querendo saber sobre o ocorrido.
Ye Lanshan, vendo que estavam tão interessados no poder da família Ye, decidiu deixá-los com receio. Aos que vinham perguntar, respondia diretamente: "Foi só uma troca de golpes entre os criados da casa, sem querer o barulho foi um pouco maior."
— E então, o imperador concordou com o casamento? — Xiao Li perguntou, entrando escondido à noite no quarto da imperatriz.
A imperatriz estava um pouco irritada, mas respondeu: "Não, por mais que eu tentasse, o imperador não aceitava esse casamento."
— Entendo. — Xiao Li refletiu: "Que tal deixar Sun Chenbo cortejar Ye Lanshan primeiro? Se ela não se interessar por ele, então a matamos."
— Não. — Respondeu a imperatriz. — E se Ye Luotian descobrir algo? Todo o nosso plano iria por água abaixo.
— Agora a família Ye está no auge. Embora muitos os temam, também não faltam pessoas que queiram matar Ye Lanshan.
Xiao Li analisou os benefícios: "Se Ye Lanshan se apaixonar por Sun Chenbo, o poder da família Ye não estará a nosso serviço? E mesmo que ela não se apaixone, podemos matá-la e culpar outra família."
— Nesse caso, o único com poder na família Ye seria Ye Luotian. Ele já está acamado e doente, se ainda tiver que suportar a dor de perder o único parente, quanto vigor acha que lhe sobrará para nos enfrentar?
— Não importa como se calcule, é vantajoso para nós.
A imperatriz o encarou, pensativa, e por fim perguntou: "Os seus sentimentos por mim também não são assim, são?"
— O que você está imaginando? Como meus sentimentos por você poderiam ser falsos? Se fossem, eu estaria aqui no palácio fazendo todo tipo de serviço para você? — Xiao Li deu um tapinha no nariz dela, com carinho.
A imperatriz balançou a cabeça, afastando os pensamentos estranhos, e se apoiou no ombro dele: "Quando meu irmão tomar o poder do Reino Yue, vamos embora, fugir dessas disputas e criar nosso próprio grupo de mercenários, vivendo como um casal livre e feliz."
Xiao Li escondeu suas emoções e sussurrou: "Está bem."