Capítulo 42: Capítulo 42 A Chegada de Mo Ran

— Mas a família Ye é leal ao imperador, não adianta nos mostrarmos gentis — disse a imperatriz, relutante em entregar a Beladona. — Se você, ao entregar a Beladona, pedir ao imperador que case Ye Lanshan com seu sobrinho Sun Chenbo, ainda teme não controlar a família Ye? — sugeriu Xiao Lizi, indicando que, controlando Ye Lanshan, poderiam dominar a família Ye. — Quer dizer que vamos usar o amor para controlar a família Ye, como fez Yue Jie? — A imperatriz finalmente entendeu o que ele queria dizer com "mostrar gentileza". — Mais ou menos isso. Uma vez que Ye Lanshan se case com a família Sun, ela estará no mesmo barco que nós. Aí não terá escolha senão entregar o talismã dos três exércitos — planejou Xiao Lizi. — Mas Ye Lanshan provavelmente não nos obedecerá. Afinal, ela já foi capaz de prender o próprio tio, Ye Suzhe, por justiça — a imperatriz se opôs firmemente à ideia. — Uma mulher apaixonada não enxerga essas armadilhas. Lembro que Sun Chenbo é muito habilidoso nesse tipo de coisa. Enquanto tramavam casar Ye Lanshan com a família Sun, ela foi interceptada por Sun Yulu. — Daqui a dez dias, no torneio do clã, vou desafiá-la. Você ousa aceitar? — Sun Yulu apontou para Ye Lanshan, arrogante. Ye Lanshan franziu a testa, claramente sem vontade de dar atenção, e passou direto por ela. Vendo que Ye Lanshan a humilhava em público, Sun Yulu imediatamente formou um chicote de água e o estalou em sua direção. Ye Lanshan ouviu o som do chicote cortando o ar, mas não se importou. Apenas criou um escudo de fogo ao redor de si, bloqueando o ataque. Sun Yulu, furiosa, tentou usar outro golpe, mas foi impedida por Mu Yifeng. — Quem é tão arrogante a ponto de atacar alguém na rua sem se importar com os outros? Ah, é a senhorita Sun — disse Mu Yifeng. — Irmão Mu, não é isso! Ela me humilhou em público, por isso reagi. Fiquei tão irritada que não pensei nos outros — apressou-se Sun Yulu a se explicar. Ye Lanshan não pretendia se importar, mas ao ouvir aquilo, riu com ironia. — Eu te humilhei em público? Gostaria de saber como — virou-se e questionou. Sun Yulu, indignada: — Perguntei se você ousava aceitar o desafio, e você nem me olhou, passou direto. Isso não é humilhação? Ye Lanshan nunca imaginou que existisse alguém assim. — Nunca participo dos torneios do clã, como poderia aceitar? Além disso, mesmo que participasse, o desafio seria feito no dia, não agora. — Não mude de assunto! Mesmo que recuse, ao menos me responda. Passar por mim sem dizer nada, o que significa? Ye Lanshan deu de ombros: — Significa que estou recusando. Você não entendeu, a culpa é minha? — Você! — Sun Yulu, furiosa, formou outro chicote e o lançou em direção ao rosto dela. — Já que me fez passar vergonha na frente do irmão Mu, hoje vou te dar uma lição! Ye Lanshan olhou para Sun Yulu com certa raiva, mas como precisava voltar para aplicar acupuntura no avô, não revidou. Apenas criou outro escudo de fogo para se proteger e correu de volta para a família Ye. Mu Yifeng viu a cena e seus olhos mostraram decepção. — Ela salvou sua vida na rebelião de Ye Suzhe no palácio, e você... ah! Sun Yulu, vendo a decepção nos olhos de Mu Yifeng, entrou em pânico e tentou se explicar, mas ele foi embora sem lhe dar atenção. Sun Yulu culpou Ye Lanshan por tudo. — Ye Lanshan, espere. Vou me vingar desse insulto! — Mestre, encontramos o paradeiro da senhorita Ye. Ela está na família Ye — disse um servo no salão sombrio, onde Mo Ran estava sentado no trono, brincando com contas feitas de ossos humanos. Ao ouvir a notícia, ele jogou as contas de lado e perguntou: — A informação é precisa? Amanhã você vai à família Ye... Não, melhor eu mesmo ir. Mo Ran se levantou, ajustou levemente as roupas e desapareceu do salão. — Lanshan, não precisa se preocupar tanto comigo. Conheço meu corpo. Já vivi muito além do esperado. Meu maior desejo agora é vê-la em segurança — disse Ye Luotian, deitado na cama, com a voz fraca. — Quando eu morrer, vá para o Clã Xuanzong. Não seja imprudente. E se alguém tentar te capturar, lembre-se: se não puder vencer, fuja. Ye Lanshan sentiu que algo estava errado e perguntou: — Vovô, você está escondendo algo de mim? Comigo aqui, você não vai morrer. Nunca irei para o Clã Xuanzong, então não diga mais essas coisas. Ye Luotian desviou do assunto: — Ah! Na verdade, já deveria ter morrido há seis anos. Sobreviver até agora já é uma sorte. Não se preocupe com minha saúde. Ye Lanshan baixou os olhos, os longos cílios escondendo suas emoções. — Vovô, descanse. Amanhã volto para sua acupuntura. Depois que ela saiu, Ye Luotian abriu os olhos e suspirou profundamente. Sabia que ela não tinha ouvido suas palavras. — Tio Ye, você é a pessoa em quem mais confio agora. Pode me contar o que aconteceu há seis anos? — Ye Lanshan parou Ye Jinlin, que ia para a sala de alquimia. — Sobre aquela época... — Ye Jinlin hesitou, mas no final não disse nada. Apenas respondeu: — Lembre-se: tudo que seu avô fez foi para o seu bem. Ye Lanshan, irritada, passou as mãos pelos cabelos no quarto. Só então percebeu como era terrível não ter poder. — Pensei onde você estava, e afinal voltou para casa — uma voz soou de repente, fazendo Ye Lanshan se virar assustada. — Como você está aqui? — perguntou ela, alerta, olhando para Mo Ran, que aparecera do nada. Mo Ran se aproximou com um sorriso sinistro: — O quê? Não é bem-vindo? Lutamos lado a lado, e essa recepção me entristece. Embora dissesse estar triste, seus olhos eram frios como gelo. Enquanto ele se aproximava, Ye Lanshan sacou uma adaga, como se fosse matá-lo se ele desse mais um passo. — Qual é o seu objetivo aqui? — Vim buscar o que é meu — respondeu Mo Ran, sem esconder suas intenções. — Como eu poderia ter algo seu? Você deve ter se enganado de lugar — disse Ye Lanshan, sem entender de imediato. Quando percebeu, seu coração disparou: será que ele descobriu sua identidade? Mo Ran, claramente sem paciência para rodeios, foi direto ao ponto: — Ye Lanshan, já faz tempo que você pegou a Fruta Gêmea. Não está na hora de devolvê-la?