Assim que o garçom se aproximou dos dois, sentiu náuseas e vontade de fugir.
O dono e a dona do restaurante espiaram os dois, curiosos. "Será que esses dois são refugiados da fome, tão esfomeados que querem comer de graça?" "Pode ser." Os dois não pareciam ter dinheiro nenhum!
Shen Ye não ligava para o cheiro de porco em suas roupas. Os dois, famintos há um dia, devoraram a comida, enchendo a barriga com a mesa inteira cheia de pratos.
Bai Jin Yang olhou para a comida que sobrou. Não conseguia mais comer; parecia que só restava desperdiçar.
O dono veio sorrindo. "Os dois senhores, estão satisfeitos com a refeição?" Shen Ye recostou-se na cadeira e o encarou de relance. "Até que vai." "Então... qual dos dois vai pagar a conta?" "Qual a pressa?" O homem esticou as pernas compridas na cadeira vazia ao lado. "Ainda não terminamos de comer. Não vou te dever um centavo."
Dito assim, mas será que vocês dois parecem ter dinheiro para pagar?
O homem exalava uma enorme aura de intimidação. O dono não ousou perguntar mais nada e, sob o olhar ameaçador da esposa, voltou para a cozinha.
Quando o restaurante estava quase fechando, a dona viu que eles não mostravam intenção de pagar e foi cobrá-los novamente. "Olha, vocês dois já comeram e beberam à vontade. Meus clientes já foram e vieram, e vocês já deviam pagar e ir embora, não?" "Espera mais um pouco." O homem recostou-se na cadeira, cruzou os braços, inclinou a cabeça para trás e disse com voz calma, de olhos fechados: "Vai vir alguém pagar." "Então vocês dois estão sem dinheiro?" "O dinheiro vai ser pago, e não vai faltar um centavo. O que importa se a gente tem ou não?" "Você..." A dona riu de raiva. "Sem dinheiro e ainda fala assim?!"
A voz da dona subiu de tom, e o dono e alguns garçons saíram correndo da cozinha, todos arregaçando as mangas como se fossem brigar.
Shen Ye ergueu levemente as sobrancelhas e deu uma risada suave.
Bai Jin Yang baixou a cabeça e ficou sentada educadamente ao lado. Passar esses dias com esse homem foi a maior vergonha da vida dela!
Enquanto os dois lados estavam num impasse, uma dú baker de pessoas vestidas de preto entrou pela porta, deixando os funcionários do restaurante paralisados de susto.
A Zhong viu o homem ileso e acelerou o passo: "Patrão!" O homem bateu na mesa. "Paga a conta." A Zhong acertou a conta com a dona, pagou rapidamente e os levou embora.
Antes de voltar para Shencheng, Shen Ye encontrou um hotel para tomar banho. Graças a ele, Bai Jin Yang também conseguiu trocar de roupa limpa. "Patrão, e essa..." A Zhong olhou para a mulher desconhecida. O patrão tinha sumido por dias e agora estava com uma mulher??? "Desconhecida." A Zhong ficou confuso. Uma desconhecida que come junto e passa por apuros juntos?
Bai Jin Yang viu que eles iam embora e correu para entrar no carro com ele.
Com alguém para buscá-los, o caminho de volta foi tranquilo.
A Zhong, no banco do passageiro, virou-se para perguntar ao homem que descansava de olhos fechados no banco de trás. "Patrão, descobrimos quem mandou te atacar dessa vez..." "Família Yang, Yang Yutian." A Zhong concordou: "É ele. O que o senhor quer fazer?" "Quando eu voltar, vou cuidar disso pessoalmente."
Bai Jin Yang, sentada ao lado dele, percebeu que estavam falando sobre o que aconteceu no iate naquele dia.
No caminho de volta, Bai Jin Yang não conseguiu resistir ao sono avassalador e, encostada de lado, adormeceu tranquilamente...
Shen Ye sentiu um peso no ombro. Abriu os olhos e viu a mulher encostada nele, o rosto calmo do sono apoiado em seu ombro. Desse ângulo, ele podia ver seus cílios longos e grossos e seus lábios rosados levemente franzidos.
Seu olhar se aprofundou. De repente, lembrou-se da cena no mar, quando ele a beijou sem hesitar para salvá-la...
Ele devia estar louco!
...
Bai Jin Yang foi acordada por alguém. A Zhong tossiu, constrangido. "Senhorita, chegamos." Bai Jin Yang percebeu que o homem ao lado já tinha ido embora, e ela estava sozinha no carro. Saiu constrangida e viu uma mansão à sua frente.
Luzes brilhantes, arquitetura luxuosa e imponente, um estilo europeu clássico.
Bai Jin Yang não conseguia contatar Pei Qing. Era tarde da noite e ela não tinha para onde ir. Então, com coragem, entrou na sala de estar.
A Zhong mandou arrumar um quarto para ela e, gentilmente, colocou-o ao lado do do patrão.
Shen Ye, que tinha acabado de sair do escritório depois de resolver alguns assuntos, viu que a mulher tinha se instalado e franziu as sobrancelhas grossas. "Você está mesmo se agarrando a mim!" Bai Jin Yang baixou a cabeça, envergonhada. "Está tarde, e uma mulher sozinha na rua não é segura. Posso ficar aqui esta noite?" Shen Ye bufou. Com a habilidade de luta dela, ainda precisava se preocupar com segurança? "Mas pode ficar tranquilo. Um dia eu te pago." "Esta mansão de luxo não é um hotel onde você pode entrar e ficar quando quiser. A Zhong!" Ele chamou. "Leve esta senhorita para fora."
Bai Jin Yang viu que ele ia expulsá-la e juntou as mãos em súplica: "Por favor, não vou te causar problemas..." "Você já não me causou problemas suficientes?" "Aquelas pessoas estavam atrás de você..." Shen Ye estava tão irritado que ficou confuso, mas, pensando bem, ela realmente não tinha causado problemas. Ele ergueu as sobrancelhas e a olhou. "Quer ficar? Não é impossível." Bai Jin Yang esperou pela condição dele. "Sempre tive curiosidade: qual é o objetivo de vocês em Shencheng?" O homem estreitou os olhos. "Investiguei você. Não é de Shencheng." Bai Jin Yang sabia que esse homem não a deixaria ficar de graça, e não podia contar sua identidade. Pensou um pouco e encontrou um meio-termo. "Realmente não sou de Shencheng. Minha casa é muito longe... Quanto ao roubo dos artefatos do Oeste, é porque eles eram originalmente mercadorias da minha família. Depois de várias reviravoltas, foram parar nas mãos de outros, e por isso houve aquele leilão..." Bai Jin Yang falou com sinceridade. "Mas te garanto que não sou uma pessoa má e não vou te ameaçar, nem à sua família."
Vendo a sinceridade dela, Shen Ye não se importava muito com o assunto, era só curiosidade. "Já que você me ajudou uma vez, deixo você ficar esta noite. Amanhã, você se vira para sair." "Obrigada." Bai Jin Yang esboçou um sorriso suave.
Aquele sorriso refletiu nos olhos profundos do homem, fazendo-o congelar no lugar por alguns segundos. Depois, ele desviou o olhar, com o rosto sem naturalidade. "Não mexe em nada." Ele ameaçou severamente. "Se roubar alguma coisa minha, não vai conseguir sair por esta porta." "..." Bai Jin Yang concordou.
Mesmo que aquelas palavras a incomodassem no fundo, ele realmente a tratava como uma ladra?
Pensando bem, era compreensível. Quando se conheceram, ela estava justamente recuperando os artefatos. Aos olhos dele, era normal que a confundisse com uma ladra.
Bai Jin Yang observou o quarto de vez em quando. Sentou-se na cama macia e sentiu uma novidade. Os objetos e móveis do quarto despertavam sua infinita curiosidade.
Depois de dias de correria, ela bocejou e caiu na cama para dormir. A cama macia, os lençóis de seda escorregadios... Ela se sentia incrivelmente confortável.
Logo, a mulher foi caindo no sono.
No dia seguinte.
Ela se espreguiçou e sentou-se. Dormiu tão bem que até queria ficar na cama mais um pouco.
A empregada trouxe produtos de higiene descartáveis. Ela limpou a boca, lavou-se e desceu as escadas. Viu o homem na sala de jantar, lendo o jornal financeiro com uma mão enquanto tomava café da manhã.
Bai Jin Yang não pôde deixar de admirar. Esse homem, quando arrumado, era tão nobre. Cada gesto exalava um ar aristocrático. Não admira que até os fios de cabelo dele fossem tão arrogantes.
Quando olhava para alguém, sempre erguia o queixo, com um olhar de total desdém.
Essa aura distinta vinha de uma vida de mordomias...
"Bem, obrigada por me abrigar." Bai Jin Yang fez uma reverência. "Até logo." "Espera."