Capítulo 532: Capítulo 532 Acusado de Assassinato

Ye Wantang encarou seu rosto hipócrita, desejando arranhá-lo com toda a força. "Quer que eu me case com você? Sonhe!" Huo Jinyan a soltou lentamente, a ternura em seus olhos se dissipou num instante, e ele disse com frieza: "Já que você é tão ingrata, não preciso mais considerar os laços do passado." "Sim, eu me aproximei de você com más intenções, fingindo ser submisso, conquistando seu coração aos poucos até você se apaixonar completamente por mim. A família Huo não tem capacidade de competir com a Ye, mas isso não impede que o fim sempre seja este." Huo Jinyan deixou cair a máscara, sua ambição evidente: "Quanto ao projeto em que seu pai investiu toda a fortuna, hum, quantos esforços o Grupo Huo não fez para garantir a representação geral da Ásia-Pacífico? E o Grupo Ye, tão inatingível, ainda quer competir com a Huo!" "..." "Já que Ye Qiuyin não hesita em quebrar os laços, por que a família Huo deveria continuar se submetendo?" Ye Wantang o encarou com olhos penetrantes; aquele homem diante dela não podia ser o Huo Jinyan que ela conhecia! Seu coração parecia estar sendo rasgado de dor... "Tangtang, eu te amei. Estou te dando uma última chance: quer ficar comigo?" Com aquela atitude descarada, Ye Wantang não conseguiu evitar cuspir nele, seus olhos cheios de desprezo, e ela riu com sarcasmo: "Você destruiu minha família, fez meu pai morrer de ódio, e ainda quer que eu me case com você? Só quando o mar secar!" "..." "Só lamento não ter poder, senão eu mesma te mataria!" Uma bofetada clara ecoou, e Ye Wantang virou o rosto com o golpe. Huo Jinyan também ficou atônito, depois olhou para a Sra. Huo, indignada: "Mãe..." "Ainda se acha a Srta. Ye, querendo que a família Huo a receba? Que ilusão!" A Sra. Huo disse friamente: "Jinyan, essa mulher não é digna de você, não entrará pelos portões da família Huo!" Ye Wantang, jovem e impulsiva, crescera como a menina dos olhos dos pais, sempre tendo tudo. Depois de levar aquela bofetada, seu temperamento não a deixaria engolir o insulto! Aproveitando que os dois estavam distraídos, ela rapidamente pegou uma faca de frutas da mesa, com uma expressão feroz, encarando mãe e filho. "Huo Jinyan! Você me enganou, me usou, matou meu pai, e ainda quer que eu me case com você? Por que você não morre!" Huo Jinyan, ao vê-la com a faca, instintivamente quis avançar, mas a Sra. Huo, apavorada, o segurou e chamou os seguranças para contê-la. "Ye Wantang, largue a faca, senão vai se arrepender!" "Huo Jinyan! Hoje vou te matar!" Ye Wantang apertava a faca, com um impulso de querer esfaquear o homem à sua frente, mas sem coragem. A Sra. Huo, vendo o impasse, pensou rápido e, discretamente, se aproximou, e quando Ye Wantang se distraiu, ela se jogou contra a ponta da faca— Ye Wantang ficou atordoada, largou a faca assustada, tremendo sem parar. Huo Jinyan correu para ver o ferimento da mãe, enquanto gritava para os empregados chamarem o médico. A sala de estar dos Huo virou um caos, os seguranças imobilizaram Ye Wantang, e o mordomo chamou a polícia. A família Ye estava em declínio, e a família Huo, insistindo em manter a aliança, queria o casamento. Ye Wantang, em vez de ser grata, guardava rancor e atacou a Sra. Huo com uma faca! A notícia, assim que publicada, gerou grande repercussão. Os internautas condenaram Ye Wantang por morder a mão que a alimentava, enquanto a reputação do Grupo Huo subiu ainda mais. Ye Wantang, impulsiva, carregou a culpa de tentativa de homicídio. A Sra. Huo não ficou gravemente ferida, e o sangramento parou logo após ser levada ao hospital! A polícia, influenciada pelo poder dos Huo, manteve Ye Wantang detida sem soltá-la. A mãe de Ye tentou visitá-la várias vezes, mas foi recusada. A Sra. Huo, ao acordar, ordenou que Huo Jinyan não deixasse Ye Wantang escapar. Apesar dos apelos da moça, a polícia, ouvindo os Huo, a acusou de homicídio. Huo Jinyan a visitou uma vez, com um tom nada amigável, suas palavras cheias de ameaças. Ele queria riqueza, carreira, sucesso, e também a beleza ao seu lado. Ye Wantang sabia que, mesmo se concordasse em se casar com ele, não teria um futuro bom. Além disso, a família Huo era a responsável pela morte de seu pai; ela jamais se casaria com o assassino de seu pai! Ela recusou, e Huo Jinyan não tentou mais convencê-la com boas palavras. Ele instruiu o diretor da prisão a "cuidar" bem dela e desapareceu friamente de sua vista. Assim, Ye Wantang, com apenas vinte anos, tornou-se uma prisioneira, carregando a etiqueta de assassina, sendo xingada por onde passava. A princesa que antes vivia no luxo, agora era uma criminosa. Na prisão, as detentas, todas com distúrbios psicológicos, a torturavam até a exaustão. Ajoelhada, bofetadas, puxões de cabelo, urina derramada sobre o corpo... isso era só a ponta do iceberg. Presas por tanto tempo, sem liberdade, suas mentes se distorceram; algumas eram assassinas e incendiárias, todas criminosas hediondas. Invejosas da beleza e da origem de Ye Wantang, ignorando seus gritos e súplicas, cortaram seu rosto jovem com palitos afiados, insultando-a enquanto o faziam. Huo Jinyan não queria soltá-la, nem matá-la; queria torturá-la lentamente. Envenenou sua comida para que ela não pudesse falar e permitiu que aquelas pessoas a maltratassem sem limites! Ye Wantang já não lembrava quantas noites passou nua, amarrada ao vaso sanitário como um cachorro. A humilhação física e mental a fez tentar o suicídio inúmeras vezes. Mas os médicos da prisão a salvavam. O diretor, ao saber, a espancava com um cassetete, avisando-a para se comportar, ou a espancaria até a morte se tentasse novamente. Pouco depois de Ye entrar na prisão, sua mãe adoeceu gravemente e morreu de tristeza. Se não fosse por uma empregada velha, não teria ninguém para enterrá-la! Ye Wantang, na prisão, não sabia de nada. Sob tortura constante, ela foi se transformando, encolhida num canto, sem ousar desobedecer. Ajoelhada no chão, imitava um cachorro, provocando gargalhadas. Algumas a chicoteavam, brincando com ela como se fosse um cão. As lágrimas de Ye Wantang caíam no chão. Ela mordia os lábios com força. Depois de dias de fome e espancamentos, a humilhação e o ódio já não importavam mais. Ela rastejou até uma tigela de restos de comida e devorou tudo, provocando risadas das outras detentas. Para elas, Ye Wantang já não era diferente de um animal doméstico. Com o tempo, Ye Wantang aprendeu a ler as expressões, andava sempre curvada, comia quando havia comida, sem reclamar. Quando elas estavam de mau humor e queriam se divertir, ela fazia qualquer coisa para não apanhar. Assim, após cinco anos de tortura desumana, Ye Wantang finalmente chegou ao dia de sua libertação. Vestia as roupas de cinco anos atrás, que cheiravam a mofo. Magra como um esqueleto por anos de fome, as roupas pendiam frouxas em seu corpo. Com doze yuans no bolso, ela parou na porta da prisão, sem saber para onde ir. Cinco anos se passaram; sob a luz do sol, sentiu como se estivesse em outra vida... Ficou meia hora na porta da prisão antes de lembrar que precisava voltar para casa, onde sua mãe a esperava. Ye Wantang caminhou pela estrada. Antes da prisão, era uma jovem mimada que nunca precisava se preocupar com nada, sempre com carro à disposição. Agora, após cinco anos num cárcere sem luz, o mundo lá fora lhe era estranho; ela nem sabia como pegar um táxi para casa. Do sol escaldante ao entardecer, ela finalmente chegou à porta da casa dos Ye, mas agora a casa tinha novos donos.