Capítulo 5: Capítulo 5: Deveríamos ajudar a patroa?

Lembrando-se de An Che deitado na cama do hospital, fraco e debilitado, An Ruo de repente, enquanto An Qing se exibia, arrancou bruscamente as botas de couro dos pés dela, ingenuamente achando que, ao devolvê-las, conseguiria aquele dinheiro.

Assim, An Che teria uma chance de ser salvo...

An Qing deu um grito e, ao puxar as botas, escorregou e caiu. A Sra. An correu para ampará-la, furiosa, chutando An Ruo com os pés.

Os empregados, vendo a cena, não quiseram se aproximar para ajudar, pois já estavam acostumados a ver An Ruo apanhar e, como seres humanos, sentiam cada vez mais pena dela.

— O que estão olhando? Tirem essa garota louca daqui!

O empregado que tentava se esgueirar foi descoberto e, sem escolha, aproximou-se com relutância, sussurrando para An Ruo soltar as botas, enquanto obedecia à Sra. An e a puxava para longe.

An Ruo, como uma louca, abraçava as botas sem soltá-las. An Qing, furiosa, chutava as pernas para acertá-la, e todos se enroscaram numa confusão na entrada.

Não muito longe, na beira da estrada, um carro preto discreto estava estacionado. Flocos de neve caíam, e o homem, através do vidro, testemunhou a garota sendo agredida, esbofeteada e chutada por aquela mãe e filha...

Seus olhos negros se fixaram profundamente, lembrando-se da garota que, na noite anterior, sonâmbula, se deitara sobre ele, agora sendo tão maltratada.

— Patrão... — Han Chong não aguentava mais olhar. Mesmo curioso sobre o que acontecia com An Ruo, a prioridade naquele momento era salvá-la.

Parecia que aquelas pessoas a espancariam até a morte.

Shen Xiaoxing entrelaçou os dedos, virou levemente a cabeça como se não suportasse vê-la tão humilhada, e os dedos apoiados no joelho se mexeram.

Após alguns segundos, o homem falou com voz grave:

— Salve-a, mas não revele a identidade.

Desta vez, ao segui-la, ele tinha duas opções: primeiro, se visse An Ruo se envolvendo com a segunda família, a eliminaria sem piedade. Segundo, se ela voltasse obedientemente para a família An e fosse esperta o suficiente para não levantar suspeitas, ele poderia ser misericordioso e deixá-la viver.

Mas, desde que a vira no hospital implorando quase de joelhos ao médico pelo irmão, ele de repente se interessou e a seguiu. Quem diria... que ele ficaria tão surpreso.

An Ruo, atordoada pelos golpes da mãe e da filha, caiu na neve. Levantar um dedo já era difícil, e An Qing, ainda furiosa com a audácia dela, ergueu a perna e deu outro chute.

Ela cuspiu: — Louca!

A Sra. An a acalmou: — Chega, deixa ela com um pouco de vida. Se morrer agora, não teremos como explicar à família Shen.

An Qing, ainda insatisfeita, chutou-lhe o ombro: — Sortuda!

O mordomo correu apressado: — Senhora, senhorita. Não está bom. O patrão sofreu um acidente.

— O quê?

— O patrão foi atropelado...

An Qing e a Sra. An ficaram atônitas. Como alguém tão bem poderia ser atropelado?

Num instante, a casa dos An virou um caos, e ninguém mais se importou se An Ruo estava viva ou morta.

A neve caía. Ela ficou caída no chão até que todos fossem embora, então se levantou lentamente...

Han Chong virou o rosto e olhou pelo retrovisor para o homem no banco de trás: — Patrão, devemos ajudar a patroa?

— Nunca faço caridade. — O homem riu com sarcasmo e desviou o olhar. Já a tinha ajudado.

Do lado de fora, a garota, teimosa, segurava a parte mais dolorida do corpo e, com passos pesados, saiu da casa dos An.

Shen Xiaoxing, com o rosto esculpido tenso, fechou os olhos: — Avise Ye Feng para deixar Andeyu com um fôlego de vida. Ainda preciso dele.

— Sim. — Han Chong ligou imediatamente para Ye Feng. O tempo era curto; ele acabara de ligar para a casa dos An fingindo que Andeyu sofrera um acidente de carro, e agora precisava levar o homem ao hospital antes que a mãe e a filha chegassem.

An Ruo voltou ao hospital arrastando os ferimentos. Parou na entrada, respirou fundo o ar frio para se forçar a ficar lúcida, tentando ao máximo não deixar An Che ver sua expressão.

As roupas escondiam os ferimentos do corpo, mas as marcas de tapas no rosto eram visíveis. Ela hesitou, parada no corredor.

— Com licença, você é a Srta. An Ruo?

An Ruo baixou a cabeça e, na linha de visão, apareceu um par de sapatos masculinos e um jaleco branco até os joelhos. Ela ergueu a cabeça de repente.

O homem era elegante e educado. Pela aparência, devia ser médico, mas... na mão pendente ao lado do corpo, havia uma tatuagem.

Era a primeira vez que via um médico tão descolado.

An Ruo assentiu, atônita: — Sou eu.

— Já ouvi falar do estado do seu irmão. O Diretor Yang já solicitou o pagamento após a cirurgia. Vim perguntar se você concorda, podemos levá-lo agora para a sala de cirurgia.

Isso significava que An Che poderia ser operado?

An Ruo ficou tão feliz que demorou a reagir. Só quando He Su lhe entregou o termo de consentimento cirúrgico para assinar é que percebeu que não estava sonhando.

Ela leu atentamente as cláusulas. An Che e ela cresceram juntos, dependendo um do outro, tratando-se como irmãos, e já se consideravam família há muito tempo.

Como irmã mais velha, ela podia garantir por An Che.

Assinado o consentimento, imediatamente alguém organizou a cirurgia.

O médico responsável já não tinha a postura rígida de antes; sorriu e a tranquilizou, dizendo para não se preocupar. Com seus mais de vinte anos de carreira médica, ele garantia que a cirurgia seria um sucesso!

— Srta. An, posso cuidar dos ferimentos no seu rosto?

An Ruo hesitou: — Não precisa.

He Su sorriu levemente: — Não cobro.

Ele só estava cumprindo um pedido, sendo fiel à sua missão.

— Além disso, um rosto tão bonito, se não tratar os ferimentos a tempo, pode ficar com cicatrizes e perder a beleza.

Toda garota ama a beleza, ninguém fica indiferente a feridas no rosto.

O que convenceu An Ruo foi o medo de An Che acordar e vê-la machucada, não querendo que ele ficasse triste por causa disso.