Não sei como He Su está pesquisando o antídoto. An Ruo, preocupada com o homem, pediu demissão do trabalho na Wendy e ficou em casa para cuidar dele.
Shen Xiaoxing não queria que ela fizesse isso. Afinal, ele lembrava como ela havia implorado para que a deixasse trabalhar, e agora que finalmente estava começando a se destacar, bastava um pouco mais de esforço para ela realizar seu valor...
"Não há nada de que lamentar. Já que estou grávida, fazer qualquer coisa é inconveniente, e você também não fica tranquilo comigo. Desta vez, vou considerar como uma licença para mim mesma." An Ruo, seguindo as instruções, deu-lhe o remédio e supervisionou sua ingestão. "Além disso, quanto maior a barriga, mais difícil será pedir licença no trabalho."
O homem franziu os lábios ao olhar para ela, a tristeza em seus olhos passageira. Ele respirou fundo, sentindo uma dor em algum lugar do peito.
Às vezes, essa garota era tão compreensiva que partia seu coração.
"Toma logo o remédio." An Ruo entregou-lhe a caixa de comprimidos, a temperatura da água no copo que segurava estava ideal. "Depois de tomar, vai deitar um pouco na cama."
"Sra. Shen, estou envenenado, não estou sem braços ou pernas..."
"Menos conversa."
Shen Xiaoxing riu baixinho, balançou a cabeça e tomou o remédio obedientemente, como se os papéis tivessem se invertido e ela agora cuidasse dele.
Depois de tomar o remédio, Shen Xiaoxing se recusou a dormir. Agora, a garota o vigiava de perto, não o deixava interferir no trabalho e o mantinha teimosamente ao seu lado.
"Não consigo dormir. Vem assistir a um filme comigo." Ele deu um tapinha no espaço vazio ao lado, indicando que ela se sentasse.
Ele tomava o remédio obedientemente, fazia tudo o que ela mandava. An Ruo não desconfiou de nada, sabendo que ele estava entediado, foi até ele e sentou-se para assistir ao filme.
Da última vez, o filme nem tinha terminado e...
O homem se levantou de repente, e ela o olhou confusa. "O que foi?"
"Bebi muita água, vou ao banheiro." No final, ele esboçou um sorriso malicioso. "A Sra. Shen quer ir junto?"
An Ruo sentiu o coração aliviado e o repreendeu com um olhar carinhoso: "Quem iria junto com você?"
"A Sra. Shen não vai a todos os lugares que eu vou?"
"Eu estava preocupada com você..." An Ruo corou com a provocação dele. "Tá bom, vai logo."
Shen Xiaoxing sorriu ao vê-la tão adorável, desviou o olhar sombrio e caminhou rapidamente para o banheiro.
Na pia de mármore dourado, o homem se debruçou sobre ela, tossindo dolorosamente. Para abafar o som, abriu a torneira propositalmente.
Ele tossiu um jato de sangue, que se misturou à água limpa por um breve instante chocante, antes de ser levado pelo ralo.
Ele ergueu a cabeça, seus olhos escuros transbordando dor. No espelho cravejado de diamantes, seu rosto bonito refletia-se, com vestígios de sangue nos lábios, realçando sua aparência sombria e doentia.
Suas veias pareciam ter insetos corroendo os ossos, sugando seu sangue freneticamente...
A dor fazia seus ossos estalarem. Ele pressionava a palma da mão contra a borda de mármore da pia, desejando quebrá-la para aliviar a dor que percorria todo o seu corpo!
Ele se olhou no espelho, os olhos injetados de sangue, as órbitas vermelhas como se fossem matar alguém, um olhar sanguinário para si mesmo.
O filme estava no auge da emoção. An Ruo pegou o copo e bebeu um gole d'água. Como se tivesse percebido algo, seus olhos se fixaram profundamente na tela...
A qualidade granulada e escura do filme mostrava o protagonista masculino gravemente envenenado. Para não preocupar sua amada, ele escolhia suportar a dor sozinho.
Ele se encostava na parede, rangendo os dentes, os punhos cerrados batendo no chão firme, até que a dor o fazia tremer todo.
Shen Xiaoxing ofegava pesadamente, e de repente tossiu outro jato de sangue, manchando o espelho de porcelana branca. Sua visão turvou-se, e seu corpo enorme, como um elefante abatido, caiu para trás!
No final do filme, o protagonista masculino caiu no chão. An Ruo fechou os olhos instintivamente. Lembrou-se de que o homem estava no banheiro há muito tempo e se levantou para ir até lá.
Ao erguer a cabeça, viu o homem ali, ileso, segurando uma bebida gelada, com um sorriso nos lábios a observá-la.
"Por que demorou tanto?" An Ruo resmungou baixinho. "Pensei que tivesse acontecido algo..."
"O que poderia acontecer em casa?" O homem deu passos largos até ela, estendeu a bebida gelada e sorriu levemente. "Está calor, fiz algo para você beber."
An Ruo olhou para o suco de frutas que ele segurava, decorado com algumas folhas de hortelã. Devia ser refrescante e matar a sede.
Mas ela não aceitou. Olhou para ele e disse: "Você não disse que grávidas não podem beber coisas muito geladas?"
"Pensei bem. Você, quando pequena, era uma gatinha gulosa que passou necessidade. Agora, só porque está grávida, te restringir seria muito injusto." Ele colocou carinhosamente o canudo, mexeu o suco e o ofereceu a ela. "De agora em diante, faça o que quiser. Eu cuido de tudo."
An Ruo sorriu feliz, seguiu sua vontade e bebeu um gole. O sabor de coco se espalhou em sua boca, doce, mas sem ser enjoativo.
"Mas, quando eu não estiver ao seu lado, aprenda a ser forte. Não desanime nem recue diante de nada. Ninguém nem nada merece sua preocupação." Ele olhava fixamente para o perfil dela enquanto bebia o suco, sua voz cada vez mais suave: "Não se sacrifique para agradar os outros, nem pense sempre nos outros. Não desista do que quer fazer, por mais difícil que seja o caminho. Mas, acima de tudo, sua segurança em primeiro lugar."
An Ruo não percebeu o significado oculto em suas palavras, apenas sorriu e assentiu: "Entendi."
Ela desviou o olhar, e, quando não estava olhando, o homem a fitava com um olhar de despedida eterna, como se quisesse gravar cada sorriso e cada expressão dela nos poucos momentos que lhe restavam.
...
No escritório, Han Chong bateu e entrou.
"Jovem mestre."
O homem estava sentado em silêncio na cadeira de escritório, as longas pestanas semi-caídas, os olhos baixos, um olhar sombrio de completa quietude. Seus lábios estavam pálidos, e seu semblante havia perdido a vivacidade de outrora.
"Como está a investigação?"
"Felizmente, a senhora mandou revistar a tempo naquele dia. A empregada que envenenou já confessou." Han Chong baixou a voz. "Foi por ordem do patriarca, para eliminar a senhora."
An Ruo havia interrogado a empregada, que só disse ter sido instruída pelo patriarca, mas não confessou a quem queria envenenar.
Ela só sabia que Shen Xiaoxing havia ingerido a fruta envenenada, mas não sabia que o alvo era ela!
Naquele dia, foi Shen Xiaoxing quem a substituiu. Se ele não a tivesse impedido e provado o veneno em seu lugar, quem estaria agora na cama, entre a vida e a morte, seria ela!
Han Chong estava ao lado de Shen Xiaoxing há anos e naturalmente podia adivinhar, mas sem a ordem do jovem mestre, não podia contar a verdade a An Ruo.
"A direção está errada." O homem esboçou um sorriso fraco com os lábios pálidos e sem cor. "Quem quer prejudicá-la não é o velho."
"O patriarca temia as ações recentes do jovem mestre e queria usar a vida da senhora para chantageá-lo..."
"Se ele quisesse me chantagear, não a mataria. Ele a sequestraria e me ameaçaria para continuar a servi-lo."
Han Chong franziu a testa. "Se não é o patriarca, então quem?" Ele de repente lembrou. "Será o segundo ramo da família?"
O homem franziu os lábios e não respondeu. Han Chong continuou a especular.
"Será que alguém soube que a senhora estava grávida e envenenou para eliminá-la?"
Dessa forma, quem quisesse eliminar o feto seria o principal suspeito.
Na mansão da família Shen, além do patriarca que queria controlar Shen Xiaoxing para sempre, restava apenas o segundo ramo, que ansiava por eliminá-lo!
"Não é necessariamente o segundo ramo." Os olhos de Shen Xiaoxing fervilhavam com correntes sombrias, sua voz gélida: "Quem quer que seja, desta vez, arrancarei tudo pela raiz, para eliminar qualquer perigo futuro!"
Ele precisava, antes de cair, eliminar todos os perigos para a garota, garantindo que ela pudesse viver em paz sem sua companhia.