— Você — Ji Wuyou franziu a testa com raiva: "Não consigo entender o que você vê nessa mulher. O filho mais velho da família Ji, se matando por causa de uma mulher. Se isso vazar, a honra dos Ji vai por água abaixo!"
— Se expressar meu amor abertamente é errado, e proteger quem amo é uma vergonha, então, Wuyou, no seu coração, nosso pai também é assim?
Ji Wuyou respirou fundo: "Sim."
Ji Chen ficou profundamente chocado.
— Se naquela época a mãe não tivesse feito aquilo, e o pai tivesse sido firme em se divorciar dela, o acidente não teria acontecido — disse Ji Wuyou, com voz fria. — O avô estava certo: como um bom empresário, não se deve ser amarrado por esses sentimentos românticos!
— ... — Ji Chen mal podia acreditar que ela pensava assim.
Será que, no fundo, ela achava que o pai estava errado por ter protegido quem amava e abandonado o poder?
— E agora você também está seguindo o mesmo caminho do pai. Você não me quer mais, não quer mais a família Ji, só pensa em ir embora com essa mulher. Você é tão irresponsável quanto o pai, e eu odeio vocês dois igualmente!
Os olhos de Ji Chen se arregalaram de surpresa: "Você sempre o odiou?"
— Sim, eu o odeio. Odeio ele por nos abandonar, só para ir embora com uma mulher que nem o amava! — Ji Wuyou, emocionada, gritou em acusação: — Ele mereceu o que teve, foi culpa dele —
Antes que ela terminasse, uma palmada forte ecoou. Ji Wuyou virou o rosto com o impacto, e um brinco caiu no chão.
Os empregados baixaram a cabeça, chocados.
Ji Wuyou ficou incrédula. Nunca imaginou que o irmão que sempre a mimou e protegeu a levantaria a mão!
Ji Chen também se arrependeu. Ao ouvir aquelas palavras absurdas e desrespeitosas, ele não conseguiu controlar a raiva...
— Não importa o que ele tenha feito, ele é nosso pai. Você não deveria falar assim dele.
Ainda mais agora que ele já tinha partido.
— Ele é seu pai, não meu — disse Ji Wuyou, com os olhos vermelhos e úmidos. — Ele nunca cumpriu o papel de pai comigo!
Ji Chen a encarou profundamente.
Os pais dele nunca se deram bem. Diziam que a mãe vinha de uma família pobre, e a avó não queria aceitar uma mulher assim na família Ji. Mas o pai insistiu, chegando a ameaçar se matar para que os avós concordassem com o casamento.
Desde que se lembrava, via os pais brigando por coisas pequenas. Depois, ouviu os empregados brincando que a mãe tinha um amor antes de se casar com o pai, que não o amava e que, depois do casamento, ainda se encontrava com aquele homem...
... Aos seis anos, ele se lembrava bem: numa tarde ensolarada, o pai voltou furioso para casa, arrastou a mãe, que estava pronta para sair, para o quarto, e logo vieram gritos.
Mais tarde, ele soube que a mãe se encontrava escondida com aquele homem. A notícia chegou à avó, que disse que a mãe tinha envergonhado a família Ji e exigiu o fim do casamento!
O pai se recusou a concordar com o divórcio. Os avós o obrigaram a escolher entre a herança da família Ji e a mãe. No final, ele escolheu abrir mão da herança. No momento em que a família Ji mais precisava dele, e quando ele e a irmã mais precisavam, ele só deixou um recado para ele cuidar bem da irmã e foi atrás da mãe, decidido.
Ao anoitecer, a notícia de um grande acidente de carro chocou a todos. Ele segurava Ji Wuyou, que ainda não tinha dois anos, e viu o pai ensanguentado na maca...
Depois... O avô, para preservar a honra dos Ji, anunciou que os pais tinham sofrido um acidente de carro durante uma viagem. Esconderam a história do divórcio. Com o passar dos anos, ele foi esquecendo esses detalhes.
Só que...
Ji Chen franziu a testa levemente. Pela primeira vez, percebeu que a irmã que ele criou guardava um ódio tão profundo. Mesmo que o pai não tivesse passado muito tempo com ela quando criança, não era motivo para odiá-lo a ponto de desejar sua morte.
Mas Ji Chen estava vendo as coisas do próprio ponto de vista, ignorando que Ji Wuyou, que mal se lembrava dos pais, só teve ele e o avô ao longo de todo o crescimento.
Quando ela precisava de amor paterno e materno, só ouvia fofocas dos outros, o que a fez desprezar o relacionamento dos pais.
Ela, a caçula, não só raramente recebia carinho do pai, como seu nascimento era visto com desconfiança na família Ji, com suspeitas de que não era descendente dos Ji...
Além disso, ela realmente não era querida pela mãe, que não se importava com ela e a negligenciava muito.
Por todas essas razões, Ji Wuyou não tinha boas lembranças deles e era fria em relação ao amor dos pais.
...
Hospital da cidade de Binshi.
O quarto branco era simples, mas bem equipado, limpo e higiênico.
Song Weiwei acordou com sede. Tinha tido um pesadelo longo, gritando o nome da família.
Ela abriu os olhos devagar, e a visão escura encontrou o rosto bonito de um homem, que segurava um copo de água morna.
Song Weiwei ficou atordoada, ainda não tinha saído do sonho.
— Bebe — disse o homem, ajudando-a a se sentar e ajustando a altura para alimentá-la pessoalmente.
Ele achou que ela recusaria, já que nos últimos dias ela estava fugindo dele.
Mas a mulher não o empurrou nem recusou. Pelo contrário, abriu a boca com prazer. Vendo que ela cooperava pela primeira vez, Gu Chao não ia perder a chance.
— Quer mais?
Ela balançou a cabeça. Gu Chao colocou o copo na mesa e, ao se virar, viu que ela o encarava fixamente, com um olhar profundo...
Gu Chao ergueu uma sobrancelha: "Por que está me olhando assim?"
— Já que estou no céu, não custa olhar mais um pouco, né?
Gu Chao: "..."
— Ah... — Song Weiwei segurou o peito. — Morrer não é tão assustador, nem dói. — Ela olhou ao redor. — O céu também tem quartos de hospital?
Ou será que ela ainda estava sonhando?
Gu Chao não respondeu, só ficou sentado em silêncio, observando-a delirar.
— Não imaginava que, com 26 anos, ia morrer tão cedo. Tantos lugares que não visitei, tanta comida boa que não provei, trabalhei tanto e nem gastei quase nada... — Song Weiwei falava animada, fazendo bico para tentar chorar, mas descobriu que estava tão desidratada que não conseguia.
— E tantos caras bonitos que não paquerei, nem tive uns namoros decentes. Que azar o meu!
— ... — O presidente Gu ficou com o rosto sombrio.
— Fala logo o que quer comer — ele disse, vendo através dela.
Song Weiwei fingiu surpresa: "Nossa, não é um sonho?"
— ...
Ela de repente levantou a mão e beliscou o rosto do homem. Os olhos escuros de Gu Chao se arregalaram, refletindo apenas a imagem dela.
— No sonho, a textura também é tão boa.
Gu Chao deixou que ela puxasse seu rosto bonito: "Não é sonho. Você não morreu."
— Sério? — Song Weiwei deu tapinhas leves nas próprias bochechas, sorrindo com os olhos semicerrados. — Que bom, estou viva.
De repente, ela se jogou nos braços de Gu Chao, com o nariz um pouco ardendo e um sorriso amargo nos lábios.
Mas disse: "Que bom, tenho tanta sorte, ainda estou viva."
— ...
— Parece que minha saúde não é tão ruim assim.
Gu Chao a viu agindo como se nada tivesse acontecido e, sabiamente, mudou de assunto: "Está com fome?"
— Fome! Dá para engolir um boi inteiro agora!
— O que quer comer?
— Macarrão apimentado.
Gu Chao disse friamente: "Você ainda está se recuperando. Evite comidas gordurosas, picantes e estimulantes."
— Comer essas porcarias faz a gente sarar mais rápido.
Gu Chao não ligou para ela, levantou-se e foi: "Fique quieta aí, não saia correndo."
Vendo a porta se fechar, Song Weiwei, que parecia não se importar com nada, teve os olhos escuros se apagando, e os cílios longos caíram lentamente.