Zhou Mingyue lançou-lhe um olhar de desdém: "Então você é tão inútil assim, nem tem o direito de demitir uma estagiária?"
Era a menina dos olhos da família Zhou que estava ali para experimentar a vida. O supervisor Bai não podia nem ousava ofendê-la, mas também não tinha justificativa para demitir a nova estagiária que acabara de contratar.
An Ru virou uma página do documento, ouvindo a conversa deles, sentindo-se extremamente frustrada por dentro.
Será que ela era tão detestável assim, que em todo lugar que ia ninguém a suportava?
Mesmo com sua dignidade sendo pisoteada, sua calma e autocontrole lhe diziam que, se naquele momento ela se precipitasse, só pioraria as coisas.
Zhou Mingyue vinha de uma família rica; ela não precisava se esforçar por um emprego. Já An Ru não podia perder aquele trabalho, porque Xiao Che ainda precisava dela para cuidar.
Muitas vezes, diante de humilhações e violências, a teimosia que vinha de sua alma queria revidar dez vezes mais, mas ao pensar nas consequências, ela só podia engolir a raiva.
"Se não quiser dificultar sua vida, tudo bem. Faça dela minha assistente pessoal, responsável por me servir chá e água todos os dias, e eu não a expulso."
A mão de An Ru, que segurava a caneta para anotar, tremeu ligeiramente. O supervisor Bai veio com um olhar resignado: "Xiao An, olha... seu talento é muito apreciado pelo diretor Ding, e ele não quer perder uma promessa como você. Mas, sabe, a família Zhou tem muito poder. Posso deixar você ficar, mas precisa bajular um pouco a senhorita Zhou."
Ele piscou para An Ru, apontando na direção de Zhou Mingyue, e aconselhou: "Não se preocupe, ela só tem um temperamento um pouco mimado. No trabalho normal, de vez em quando faça um chá, sirva uma fruta, não vai afetar muito."
Vendo que An Ru não respondia, o supervisor Bai tentou agradar: "Não vai passar por isso de graça. Vou pedir um adicional de dois mil por mês para você."
An Ru assentiu: "Aceito."
"..." O supervisor Bai suspirou aliviado.
Não era só servir chá e água, uma coisinha tão simples? Além do salário, ainda ganhava um extra. Que motivo ela teria para recusar?
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"Senhorita Zhou, aqui está o café que pediu." An Ru entregou uma xícara de café moído na hora.
Zhou Mingyue pegou preguiçosamente, deu um pequeno gole, e imediatamente cuspiu no lixo com um grito, jogando o resto do café nela com raiva.
"Quer me queimar viva?!"
An Ru desviou a tempo: "A temperatura foi preparada conforme sua exigência."
"Você ainda discute..."
"O que está acontecendo?"
Uma voz masculina magnética soou.
Todos do departamento de planejamento, ao ver quem chegava, cumprimentaram em uníssono.
"Presidente."
An Ru hesitou, virou-se desajeitadamente e também o chamou de "Presidente".
O homem usava um terno preto perfeitamente cortado, ombros largos e pernas longas, traços fortes e profundos, com uma aura viril entre as sobrancelhas, do tipo que exala masculinidade.
"A Chao..." Zhou Mingyue se agarrou a ele como uma pegajosa, enlaçando seu braço e fazendo charme: "Onde você esteve esse tempo todo? Por que está sempre fugindo de mim?"
Gu Chao sentia dor de cabeça só de vê-la: "Você se mete demais. Preciso te informar aonde vou?"
Ele baixou os olhos para o braço que ela apertava: "Solta."
"Não!" Zhou Mingyue se aninhou nele, fazendo manha: "Faz tempo que não nos vemos. Vai comigo jantar no Man Yue Lou hoje à noite, está bem?"
Gu Chao franziu a testa, afastando-a com um movimento brusco: "Hoje não tenho tempo."
Zhou Mingyue o seguiu teimosamente: "Não vou deixar você ir de graça. Aquele terreno da empresa Zhou que você tanto cobiça, que tal eu convencer meu pai a te dar?"
O grupo Zhou tinha um terreno excelente, cobiçado por várias imobiliárias da região. Zhou Haikong espalhou um rumor de que havia muito petróleo abaixo dele, só para inflacionar o preço.
Na verdade, Gu Chao não se importava com o petróleo. O motivo de querer aquele terreno não era por si mesmo, mas porque Shen Xiaoxing estava determinado a consegui-lo.
"Aquele terreno, o presidente Zhou está pedindo quinhentos bilhões. Você realmente consegue fazê-lo ceder?"
"Não só faço ele ceder, como posso fazer com que te dê de graça. O que acha, é suficiente?"
Gu Chao a olhou com um sorriso enigmático: "Você realmente consegue fazer seu pai abrir mão disso?"
"Meu pai me adora. Não importa se é um projeto de quinhentos bilhões, ou mil, ou dez mil bilhões, ele daria de bom grado." Zhou Mingyue puxou a mão dele, fazendo biquinho: "Por você, eu sacrifico tudo. Se você se casar comigo... um dia, todo o grupo Zhou será seu."
Gu Chao: "..."
"E aí, é um bom negócio, não?"
A conversa dos dois, sem se importar com os outros, gerou murmúrios em todo o departamento de planejamento. An Ru, de cabeça baixa, só queria que eles terminassem logo e fossem embora.
"Vou mandar o secretário ajustar minha agenda," disse Gu Chao, vendo a excitação dela, e logo acrescentou: "Não se anime muito, não prometi nada. Se hoje não der tempo, esse assunto está cancelado."
Zhou Mingyue inclinou a cabeça e sorriu: "Isso depende de quão importante esse terreno é para você."
"Solta logo, estão todos olhando."
"Então está combinado. Hoje à noite te espero no Man Yue Lou."
Gu Chao tossiu baixinho, afrouxou a gravata e saiu com passos largos e rápidos.
Vendo-o partir, Zhou Mingyue sorriu com ar de triunfo. Ao se virar e perceber que todos comentavam sobre ela e Gu Chao, lançou um olhar feroz: "Querem perder a língua!?"