O carro deslizava suavemente pela rua.
"Você vai prestar vestibular para medicina?" An Ruo franziu levemente a testa: "Por quê? Seu sonho não era a engenharia aeroespacial?"
Ele adorava astronomia. Lembrava-se de que, pouco depois de se mudar, Shen Xiaoxing, ao saber que ele gostava de livros de astronomia, mandou comprar um telescópio do exterior e o deu a ele.
Diziam que era caro e tinha a assinatura de um astrônomo famoso.
O sonho dele sempre foi a Universidade de Engenharia Aeroespacial!
"Pensei bem. Se estudar medicina, posso ficar perto de casa, já que Xangai tem algumas faculdades de medicina muito boas. Se eu prestar para engenharia aeroespacial, teria que sair desta cidade."
An Ruo também não queria que ele fosse embora, preocupada que ninguém cuidasse dele, mas ele tinha seus sonhos e deveria se esforçar para realizá-los.
Na época, ela mesma escolheu a vida em vez do sonho. Precisava de dinheiro urgentemente, então optou pela Universidade A de Xangai, que oferecia bolsa de estudos.
Assim, aliviaria o fardo da avó An, pelo menos não precisaria se preocupar com a mensalidade e ainda poderia cuidar de An Che, que também estava em Xangai.
A universidade dos seus sonhos ficava na Filadélfia, mas não havia escolha. Ao lembrar disso, ainda sentia arrependimento.
"Além disso, medicina não é ruim. No futuro, ainda posso cuidar de você."
"Só quero que você não se arrependa da sua escolha."
"Ficar com a família, não me arrependo."
An Ruo suspirou levemente. Já que ele havia tomado a decisão, ela apoiaria qualquer curso ou universidade que escolhesse.
Cerca de vinte minutos depois, An Che apontou para o mapa no celular: "Chegamos. Meu colega disse que é aqui."
An Ruo abaixou o vidro do carro e olhou para aquela rua isolada. Eram lojas de ferragens e atacadistas de roupa de cama. Aquela era a cidade velha, cercada por fazendas.
"Por que é tão isolado?"
"Não sei por que é tão longe. Ainda bem que trouxemos seguranças suficientes." An Che desceu primeiro, segurando o celular para encontrar o nome da loja que o colega havia enviado.
Era completamente subúrbio. O nível de vida dos moradores não se comparava ao do distrito sul da cidade. Havia muitas fábricas por ali, então a maioria dos clientes eram agricultores.
An Che correu de volta: "Irmã, encontrei. Mas precisamos ir a pé."
À frente, havia um beco. Algumas lojas tinham idosos sentados conversando e jogando cartas. Um velho e decadente salão de chá tinha uma dúzia de gaiolas de pássaros penduradas. Um senhor de colete branco se abanava com um grande leque de palha, rindo e conversando com o homem de meia-idade da oficina de bicicletas ao lado.
Na porta da venda, algumas crianças de pele queimada pelo sol chupavam picolés e seguravam alguns brinquedos. Elas riam e se exibiam, de vez em quando tirando dinheiro de papel dos bolsos para entrar e comprar surpresas.
An Ruo observava as pessoas no beco. Parecia muito mais animado do que dentro do carro. An Che caminhava ao lado dela, segurando um guarda-chuva.
Ele usava uma camisa branca e shorts pretos. Os tênis de edição limitada nos pés eram o presente de vestibular de Shen Xiaoxing, combinados com meias caneladas pretas e brancas.
Ele era magro, e seu temperamento não era mais tão sombrio e deprimido como antes. Alto e esguio ao lado dela, atraía olhares das garotas que passavam.
O carro estava estacionado não muito longe. An Ruo não queria chamar muita atenção, então não deixou os seguranças seguirem. An Che usava um fone Bluetooth em um ouvido, pronto para contatá-los a qualquer momento em caso de emergência.
"Irmã, chegamos."
An Ruo ergueu a cabeça. O nome da loja era discreto: "Wonton A Chun". Era tão pequena que só cabiam quatro mesas quadradas simples.
Mas o ambiente era bom. Na parede, havia um bordado em caracteres tradicionais com a frase "Freguesia farta". O balcão estava impecável, e até os azulejos do chão estavam limpos. Dava para ver que o dono era muito higiênico.
An Ruo teve uma boa primeira impressão da loja.
Ao entrar, um aroma forte de wonton a envolveu. O ar-condicionado, coberto por uma capa de renda, funcionava baixinho...
"Olá." An Che foi o primeiro a chamar a pessoa ocupada na cozinha.
Imediatamente, uma voz amigável veio da cozinha. Em seguida, uma mulher de meia-idade, com um avental, abriu a cortina de plástico e saiu.
Ela os olhou com um sorriso. Quando seus olhos encontraram o rosto de An Ruo, suas pupilas brilhantes hesitaram por um instante.
"Olá. Duas porções de wonton, por favor." An Che acomodou An Ruo no lugar mais distante do ar-condicionado e disse educadamente ao dono.
"Ah, sim." O dono se virou para entrar na cozinha, mas de repente lembrou: "Comer aqui ou para viagem?"
"Aqui." An Che sorriu e acenou com a cabeça: "Incomodo você."
"Pode deixar. Um momento." O dono sorriu, virou-se e entrou rapidamente na cozinha.
An Che pegou um copo descartável, serviu um pouco de água quente e entregou a ela: "Irmã, o que você está olhando?"
"Nada. Sinto que essa tia é familiar, mas não lembro onde a vi." An Ruo deu um gole na água. Sentia que aquele olhar era muito conhecido, como se já o tivesse visto em algum lugar.
"Se não lembra, não precisa pensar."
A porta de vidro foi empurrada e um senhor de meia-idade, vestindo uniforme de trabalho, entrou. Ele chamou o nome do dono em voz alta.
"A Chun, vim buscar o wonton. Já ficou pronto?"
A dona, chamada A Chun, saiu, sorriu e entregou o wonton embalado: "No ponto certo. Aqui está."
O senhor de meia-idade sorriu e acenou: "Pode deixar. Não vou atrapalhar seu trabalho. Vou indo. Como sempre, anota na conta. Pago tudo no mês que vem."
"Está bem. Vá com calma."
Depois de atender o cliente de viagem, ela voltou para a cozinha. Não demorou muito e saiu com duas tigelas de wonton bem generosas.
"Aqui estão seus wontons. Bom apetite."
"Obrigada."
An Ruo olhou para a tigela, maior que seu rosto, cheia de wonton. Ficou um pouco sem graça: "Che, você consegue comer tudo isso?"
"Eu também... não consigo." An Che riu amargamente.
"Vamos dividir uma porção. A outra, damos para os seguranças comerem." An Ruo pediu uma tigela vazia e dividiu uma das porções em duas.
Na verdade, no começo, ela não gostava muito de wonton. Shen Xiaoxing gostava. Depois de cozinhar para ele várias vezes, ela também acabou se apaixonando.
Desde que se casou com ele, seu paladar ficou mais exigente. Já provou muitos wontons. Hoje, só estava acompanhando An Che por tédio.
Sem muitas expectativas, provou um pedaço sem entusiasmo. O sabor único despertou suas papilas gustativas.
An Ruo assentiu: "É muito gostoso."
Atrás do balcão, o dono viu que eles estavam elogiando enquanto comiam e seu sorriso se alargou.
O wonton era quente, acabado de sair da panela e muito quente. An Ruo comeu alguns e já estava suando. Para piorar, An Che a fez sentar longe do ar-condicionado.
An Ruo pegou um lenço de papel e enxugou o suor da testa e do pescoço. Quando puxou a gola, o pingente de segurança no pescoço ficou à mostra.
O dono, que estava organizando as contas no balcão, ouviu o barulho e ergueu a cabeça distraidamente. Seu olhar parou por um instante, mas depois ela baixou a cabeça e continuou trabalhando.
"Quanto é?" An Ruo comeu até ficar cheia. Levantou-se para pagar e, de propósito, aproveitou para sentir o vento do ar-condicionado.
"Vinte reais."
An Ruo arqueou uma sobrancelha: "Tão barato?"
A dona não respondeu. Sorriu, mas seu olhar se fixou no pingente de segurança no peito dela. Nele, estava claramente gravado o caractere "Xing".
Ela ficou momentaneamente atônita, encarando o pingente, incapaz de desviar o olhar por um longo tempo.
"Pronto." An Ruo pagou pelo celular. Quando ergueu a cabeça, viu a mulher olhando fixamente para o pingente em seu peito.
"Seu pingente é muito bonito." A dona se recuperou e sorriu.
"Foi meu marido quem me deu."
"Ah, é o nome dele?"
An Ruo não pensou muito e respondeu naturalmente: "Sim. Foi um presente que minha sogra deixou para ele."
"Deve ter dado quando ele era bem pequeno."
"É, provavelmente." An Ruo sorriu, acariciando suavemente o caractere no pingente: "Mas minha sogra faleceu cedo."