Acima da vila, fogos de artifício deslumbrantes ainda explodiam, e um grupo de jovens, alheios ao tempo, dançava loucamente no pátio! Na entrada da vila, outra multidão também se contorcia em uma dança caótica... An Ruo respirou fundo, observando a cena barulhenta. Sentiu uma certa relutância em entrar, mas, pensando que eles estavam perturbando gravemente seu descanso, franziu os lábios e seguiu em frente. Era apenas uma vila de casas pequenas, onde moravam pessoas de classe média, poucas com condições financeiras realmente boas. An Ruo tinha uma beleza clara e encantadora; sua aparição animou a todos, especialmente os homens, que fixaram os olhos nela como se ela fosse a única, esquecendo até de suas próprias esposas ou namoradas. Ela franziu os lábios finos, e sua aura fria e indiferente fez com que os homens ao redor, que queriam abordá-la, recuassem. An Ruo foi até o balcão, onde uma empregada preparava bebidas. Ao vê-la, a empregada sorriu e perguntou: "Olá, senhorita, o que gostaria de beber?" "Gostaria de falar com o senhor da casa. Onde ele está?" A empregada a olhou e recusou educadamente: "Desculpe, nosso senhor não aceita convites para dançar." "..." An Ruo ficou surpresa, percebendo que a haviam tratado como uma convidada. Que absurdo, como seria a aparência desse morador misterioso para ser tão pretensioso? Com um tom respeitoso, An Ruo disse: "Desculpe, não vim para a festa. Sou vizinha ao lado. Já é muito tarde e vocês ainda estão fazendo barulho. Preciso descansar, por favor, avise ao seu senhor." A empregada apenas a olhou com indiferença, sem dar ouvidos ao pedido, com uma expressão de quem esperava que ela parasse de fingir. "Já é mais de uma da manhã, isso já é uma perturbação grave. Se não reduzirem o barulho, só me restará chamar a polícia!" Ela não optou por ligar para a polícia imediatamente, mas veio pessoalmente tentar resolver, porque eram vizinhos. Embora não morasse ali permanentemente, ficaria por um tempo, e não queria estragar a relação. Além disso, naquele dia, ele havia enviado alguém com um presente para convidá-la para a vila, e ela já havia recusado de forma indelicada. Criar mais conflitos seria prejudicial à harmonia. "Senhorita, se realmente quer ver nosso senhor, terá outras oportunidades. Mas hoje ele não está bem, apenas organizou a festa, mas não participa pessoalmente." "Não quero ver o senhor, tenho um assunto..." A empregada a interrompeu: "Todas as mulheres solteiras que vêm à festa dizem a mesma coisa, que são vizinhas. Hoje à noite, nosso senhor já tem mais de trinta vizinhas." "..." An Ruo não conseguia se comunicar com ela; estavam em comprimentos de onda diferentes. Ela desistiu decididamente. No segundo andar, Pei Jincheng estava sentado no sofá, massageando as têmporas. Ele observava pela janela há horas, mas não via sinal da garota. Ele próprio gostava de silêncio. Antes, com Xian Xian tagarelando ao seu lado, nunca se sentira solitário. Mas desde que chegou ao centro, foram leilões, banquetes, bailes em todos os lugares... Cada vez, o barulho lhe dava dor de cabeça. Ele estava procurando a garota no andar de baixo, mas foi cercado por um grupo de mulheres que queriam seu contato e faziam investidas provocativas. Se não fosse para fazer a garota se aproximar por conta própria, ele não teria suportado aquela multidão dançando desordenadamente. Que dança era aquela? Nem se comparava às danças de sua tribo Fan e Jin! "Jovem mestre, a senhorita An provavelmente não virá esta noite. Se está cansado, por que não descansa?" Pei Jincheng acenou com a mão, apoiou a testa e fechou os olhos, dizendo cansado: "Não precisa." Pausou e perguntou em tom grave: "Que horas são?" Li Tuo ergueu o pulso e respondeu com precisão: "Uma e vinte e quatro da manhã." "Peça para colocarem mais alguns alto-falantes." Li Tuo ia responder, quando seus olhos acidentalmente encontraram uma figura esbelta na multidão: "Jovem mestre, vi a senhorita An!" O homem ergueu a cabeça imediatamente e, de fato, encontrou a garota entre os dançarinos. Na verdade, os participantes da festa eram pessoas da vizinhança que ele pagara para atuar, com o verdadeiro objetivo de fazer a garota acreditar que ele estava convidando todos para a vila. As pessoas dançavam sem ritmo, pulando e se contorcendo como uma batalha de demônios. An Ruo atravessou cuidadosamente a multidão até a sala de estar, onde havia menos pessoas do que no pátio. Sobre a longa mesa, doces e bebidas refinadas e tentadoras estavam dispostos... Não admira que atraísse tanta gente. Parecia que o novo vizinho tinha algum poder. "Ah! Olhem, é o Sr. Pei, ele desceu!" "Que lindo!!!" Com os gritos, An Ruo ergueu os olhos para a enorme escadaria dourada. O homem descia com elegância, vestindo um terno impecável, seu corpo esguio e esbelto como o de um modelo. Embora sua postura fosse relaxada, seu charme era inegável a cada gesto! Ao vê-lo, An Ruo ficou paralisada. Não era aquele que a salvara na casa de Jiang? O novo vizinho seria ele? "Sr. Pei, posso dançar com você?" O homem esboçou um sorriso educado e distante: "Desculpe, já tenho uma garota que quero convidar." An Ruo olhou atônita enquanto o homem se aproximava, até parar diante dela. Sua mente ainda estava confusa. O homem tinha um sorriso radiante como a brisa da primavera, seu rosto belo e sedutor: "Há quanto tempo, senhorita An. Veio para a festa também?" "Ah..." An Ruo deu um sorriso apologético: "Na verdade, vim falar com o dono da casa sobre um assunto." "Oh?" Pei Jincheng riu suavemente: "Que coincidência. Sou eu." An Ruo não ficou muito surpresa, porque, entre os presentes... a maioria era de condições modestas, sem recursos para organizar uma festa tão grandiosa. Só ele tinha esse capital. Como Shen Xiaoxiao dissera antes, o leilão de Jiang Zhong convidara figuras importantes de Xuancheng, nobres e grandes empresários. Então, ele aparecera no leilão de Jiang Zhong e ainda ferira os homens de Jiang Mingxuan por ela. Não era uma pessoa comum. Ao vê-lo, An Ruo já tinha sua resposta. "Entendo." An Ruo fingiu surpresa e começou com um pedido de desculpas: "Desculpe, não sabia que o novo vizinho era o Sr. Pei. Como não o conhecia bem, recusei o convite para a festa." Pei Jincheng achou o ambiente muito barulhento, e várias mulheres ao redor o encaravam com olhares gananciosos, atrapalhando a conversa. Ele sorriu e fez um gesto, convidando a garota para a área de descanso perto da janela. An Ruo franziu os lábios e o seguiu. O homem a fez sentar e chamou um empregado para preparar chá, mas ela recusou rapidamente. "Sr. Pei, já é muito tarde. Não sabia que o vizinho era o senhor, por isso vim incomodá-lo a esta hora." An Ruo explicou: "Mas não vim para a festa." Pei Jincheng sabia o que ela queria dizer e, propositalmente, empurrou uma tigela de frutas em sua direção: "Não quer chá? Então coma um pouco de fruta." "Sr. Pei, vou ser direta, já que é tarde. Vim para lembrá-lo de que ficar acordado até tarde faz mal à saúde, e agora é o melhor horário para o sono profundo. O senhor poderia... encerrar a festa?" Afinal, ele era seu benfeitor, então An Ruo não quis soar muito dura. "Ou pode mandar abaixar o volume. Vi que há pelo menos oito ou nove alto-falantes no pátio e lá fora..." An Ruo riu levemente: "Tenho o hábito de dormir cedo, e hoje já está muito tarde..."