A garota estava trocando de roupa tranquilamente quando a porta foi aberta de repente por alguém de fora. Ela, vestindo apenas roupas íntimas, ficou assustada e envergonhada.
Assim que Shen Xiaoxing entrou, ele fechou a porta atrás de si. "Do que você tem vergonha? Não é como se eu já não tivesse visto."
An Ru ficou paralisada, segurando as roupas.
"Deixa eu te ajudar a vestir."
O homem a vestiu com cuidado, apertou os fechos e prendeu cada enfeite de prata no lugar certo. Depois de trocar, An Ru parecia completamente diferente, cheia de uma beleza tradicional exótica.
O dono da loja, vendo que An Ru era bonita e ficou ainda mais linda com o traje Miao, recomendou insistentemente os enfeites de cabeça.
Shen Xiaoxing já tinha essa intenção, mas não sabia prender o cabelo da garota. O dono se ofereceu para trançar o cabelo de An Ru e colocar a coroa brilhante.
Quando ela se virou para se exibir para Shen Xiaoxing, os olhos do homem brilharam com um lampejo de admiração.
"A moça é bonita, e com a roupa Miao fica ainda mais linda!" O dono queria ganhar uma boa grana: "Senhor, você também é bonito, que tal trocar de roupa também? Combinar com a moça, um casal estiloso, com certeza vai chamar atenção!"
Shen Xiaoxing viu a expectativa nos olhos da garota, ergueu os cantos da boca e levantou as sobrancelhas.
Ela queria ver, então ele vestiria para ela ver.
As roupas masculinas Miao não eram tão complicadas quanto as femininas, eram simples, mas com bordados requintados.
Shen Xiaoxing tinha um corpo e rosto bonitos, e o traje Miao barulhento o deixava mais radiante, com uma aura que chamava a atenção.
As cores das roupas dos dois eram iguais, e ambos usavam um grande colar de prata no pescoço como adorno.
Um via o outro como o mais bonito e o mais charmoso.
Ao sair da lojinha, os dois continuaram passeando pela área turística, ouvindo algumas pessoas contarem histórias sobre a região Miao.
Dizia-se que a Cidade de Jiuli era formada por descendentes de Chiyou, e os moradores locais viviam ali há muito tempo, formando uma cultura com características de minoria étnica.
Os pequenos restaurantes estavam cheios de turistas, e a arquitetura antiga atraía muitas pessoas para visitar e fotografar.
"O que você quer comer?" O homem, como de costume, entregou o cardápio para a garota escolher.
An Ru abriu o cardápio: "A maioria dos pratos aqui é picante, você consegue comer?"
"Não estou com fome."
"Andamos tanto tempo, como não vai estar com fome? Deixa eu ver o que tem de mais leve."
O homem olhou para o rostinho sério dela, com um sorriso leve nos lábios.
De repente, o celular dele na mesa tocou. Ele olhou para o identificador de chamadas, e sem fazer alarde, passou a mão no rosto da garota: "Você vai olhando, vou atender uma ligação lá fora."
An Ru levantou a cabeça para olhar, mas o homem já tinha se levantado e ido embora. Ela suspirou baixinho: "Pelo menos pede alguma coisa antes de ir."
Essa ligação era tão urgente assim?
"Vovó, ouvi dizer que o povo Miao sabe fazer feitiços, é verdade?"
"Quando eu era jovem, ouvi algumas histórias sobre feitiços Miao. Tem verdade e mentira, ninguém viu com os próprios olhos."
"Ouvi da minha avó que, quando ela era pequena, viu um homem que foi enfeitiçado com um feitiço de amor!"
A conversa de algumas mesas ao lado despertou a curiosidade de An Ru.
"Conta aí, como esse feitiço de amor é aplicado em alguém?"
"Dizem que há muito tempo, um estudante foi para o campo ajudar os pobres. Ele era de fora e, ao chegar em uma vila Miao, se apaixonou por uma bela moça local. Os dois prometeram ficar juntos e se casaram na frente dos moradores. Depois, o homem quis voltar para contar à mãe dele, mas essa ida durou mais de dez anos!"
"O que aconteceu? Ele não voltou?"
"E a moça Miao? Ela saiu da vila para procurá-lo?"
"O que isso tem a ver com o feitiço?"
"Deixa eu contar." A contadora da história era uma mulher de cerca de trinta anos, que aumentou a voz e continuou: "O homem era um mentiroso. Na verdade, ele já tinha esposa e filha na terra natal. Quando se apaixonou pela moça Miao, ainda pensava na esposa em casa, por isso quis voltar."
"Isso não é um típico canalha e infiel?!"
"E depois?"
"Depois, um dia, o homem ficou doente. O corpo inteiro ficou cheio de bolhas, nojento demais. Consultou muitos médicos, mas ninguém descobriu a causa. A esposa o levou para vários tratamentos, mas não melhorou. Depois, alguém disse que ele estava enfeitiçado."
"Foi a moça Miao que o enfeitiçou?"
"Merecido, esse canalha!"
"Depois, o homem não teve escolha e voltou para a vila Miao. Quem diria que a vila tinha sido devastada por uma peste, e a maioria tinha morrido. Segundo os locais, a moça Miao morreu um ano depois que ele foi embora. As mulheres Miao sabem fazer feitiços. Para prender o coração do homem, elas aplicam o feitiço de amor na noite de núpcias."
"Então, o homem não teve salvação e morreu?"
"Claro, isso foi o castigo!"
Numa mesa distante, um homem estava sentado sozinho. Ele usava um terno branco e um chapéu redondo elegante, com a aba bem baixa, escondendo o rosto.
Ao ouvir as palavras "feitiço de amor", ele de repente apertou o peito, onde parecia haver milhares de insetos mordendo sua carne...
A aba do chapéu era tão baixa que só dava para ver dois lábios finos e roxos, e a linha do queixo elegante.
Um funcionário trouxe chá e, vendo que ele não estava bem, perguntou confuso: "Senhor, está tudo bem?"
O homem não respondeu. O funcionário, seguindo o princípio de não se intrometer, deixou o chá e os petiscos e foi embora.
Quando ele saiu, o homem tirou do bolso um pequeno frasco de vidro, derramou uma pílula e a colocou na boca.
Do outro lado, alguém começou a falar sobre feitiços Miao, e todos ficaram curiosos com essas histórias misteriosas, discutindo animadamente:
"Vocês sabem por que a maioria dos descendentes de Chiyou são Miao?" Uma senhora de cabelos completamente brancos começou a falar com sua voz envelhecida.
"Não sei..."
Sem saber por quê, An Ru estava ainda mais curiosa sobre as histórias de "Miaojiang" do que os outros, sentindo uma familiaridade misteriosa que a atraía.
A senhora, segurando uma bengala, contou: "Quando minha mãe era pequena, ouvi uma história. Dizem que depois da grande derrota de Chiyou, seus descendentes eram principalmente Miao e Qiang, mas os Miao também se dividem em vários tipos."
"Ah, vovó, a geração da sua mãe já tem quase cem anos, né?"
Afinal, a senhora já passava dos sessenta, e a geração da mãe dela devia ser de uma época muito antiga, ainda mais sendo histórias que ela ouviu dos mais velhos.
"Dizem que uma parte dos Miao tinha uma doença estranha. Para esconder esse medo desconhecido, eles foram forçados a migrar para lugares distantes, formando a tribo misteriosa Budun."
"Tribo Budun?"
"Nunca ouvi falar."
"Que doença era essa? Com a tecnologia de hoje, ainda não dá para curar?"
"Eles foram amaldiçoados?"
"Sim, antigamente, quem ouvia falar dizia que eles foram amaldiçoados pelos deuses."
"E a doença deles..."
A senhora continuou: "Eles têm olhos azuis cheios de mistério, e com a idade, o cabelo vai ficando prateado. Dizem que a maioria dos membros da tribo é bonita, mas essa beleza vem com um defeito. As pessoas acham que eles vêm do templo divino, deuses que foram rebaixados por cometerem erros."
"É uma beleza selvagem e cruel."
Os ouvintes balançaram a cabeça, sem saber o que sentir, e soltaram um longo suspiro.
An Ru apoiou as mãos na mesa. Depois de ouvir essa história mitológica, sem saber se era verdade ou não, sentiu um aperto no peito, uma sensação estranha.
Era como se essas histórias tivessem acontecido de verdade ao seu redor, e ela se sentia impotente...
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Queridos leitores, esta história é puramente fictícia, por favor, não a associem a grupos étnicos reais. Agradeço pela compreensão! E mais, o segundo protagonista masculino apareceu~