No silencioso café, um violinista italiano se apresentava com paixão no palco, enchendo todo o ambiente com uma música suave e agradável...
Sentado perto da janela, um homem elegante e refinado, mal havia se sentado por um instante, já atraía a atenção de jovens mulheres.
"Moço, está sozinho?"
Outra mulher elegantemente vestida se aproximou para puxar conversa. Os funcionários, encostados no balcão com um ar de inveja, apostavam que esta seria a décima segunda decepcionada a sair de mãos vazias em vinte minutos.
Como esperado, o homem respondeu com um tom educado, porém distante: "Desculpe, este lugar está reservado."
Em meia hora, a décima segunda admiradora se aproximou para conversar, usando o mesmo tipo de abordagem. Agora, antes mesmo que ela falasse, ele já conseguia prever.
A mulher, sentindo-se humilhada, corou, bateu o pé num gesto de dengo e saiu desolada.
Os funcionários que apostaram ganharam e, comemorando, bateram palmas animadamente, quase gritando.
Quando An Ruo entrou, esbarrou exatamente na mulher que havia sido rejeitada. Ela parou imediatamente, e a mulher, sem coragem de levantar a cabeça, murmurou um "desculpa" apressado e saiu correndo.
"Bem-vindo!"
Ao ouvir a campainha, os funcionários automaticamente gritaram a saudação de boas-vindas, mas quando levantaram a cabeça, viram uma mulher de uma beleza estonteante.
Ela era linda de forma natural, com uma beleza marcante de mestiça, uma aura nobre e fria... Essa era a primeira impressão que causava.
"Estou procurando alguém." An Ruo varreu o ambiente com o olhar e, num canto discreto, avistou o homem.
Ela foi direto em sua direção. Com seu passo firme e equilibrado, os funcionários que esperavam um espetáculo começaram a bisbilhotar.
"Será que a pessoa que ela procura é aquele bonitão?"
"É verdade, homens bonitos sempre encontram mulheres à altura para domá-los!"
"Ah, nem olhem, nem olhem, esse bonitão não é para nós."
"Voltem ao trabalho, voltem ao trabalho!"
Yun Li, que estava olhando o relógio de pulso, de repente sentiu uma familiaridade.
Ele ergueu a cabeça e viu a mulher que tanto sonhava parada à sua frente. Empolgado, levantou-se instintivamente: "Você veio?"
"Sim." An Ruo esboçou um sorriso e acenou com a cabeça.
Yun Li rapidamente puxou a cadeira para ela. Sua solicitude deixou os outros com inveja, e até os funcionários ficaram loucos de ciúmes.
Todos comentavam como existia um homem tão bom no mundo!
"O que gostaria de beber?" Yun Li chamou o garçom e trouxe o cardápio para ela escolher: "Está quente lá fora, beba algo para matar a sede."
An Ruo queria recusar, mas lembrando que ele a tinha ajudado, não quis desagradá-lo.
Ela pediu algo simples: "Um café com leite, por favor."
"Beber café a esta hora não vai atrapalhar seu sono?" Yun Li riu baixinho: "Que tal um refresco?"
Ele estava sendo esperto. Antes, com Chen Keqiao, soubera que ela gostava de refrigerantes gelados ou bebidas doces e geladas. Algo dito de passagem, ele guardou silenciosamente na memória.
An Ruo, que não era exigente, apenas concordou com um leve aceno: "Tanto faz."
Depois que o garçom saiu, os dois ficaram em um longo silêncio. Yun Li tentou puxar assunto, mas não era alguém bom em animar conversas.
An Ruo também se sentia desconfortável. Ter vindo tomar um café com aquele homem hoje era apenas para retribuir o favor a Yun Li, agradecendo-lhe por proteger as "memórias de infância" de Shen Xiaoxing. Por dever e por razão, ela deveria pagar a conta.
Só que ela errou no planejamento: não havia um único táxi vazio, e ela esperou muito tempo, com medo de voltar tarde e o homem perceber algo.
"Sobre a demolição..."
"Obrigada por me ajudar..."
Os dois falaram ao mesmo tempo, trocaram olhares e riram com constrangimento.
Yun Li tossiu levemente: "Não se preocupe com a demolição. Já convenci meu pai a cancelar esse investimento."
Após dizer isso, acrescentou: "Mesmo que não demolem, a casa não pode ser habitada. É um prédio em ruínas, vocês morarem lá seria perigoso."
"Não vamos morar. Só quero manter a casa, preservar as poucas memórias que ele tem."
Yun Li franziu os lábios. É verdade, ele era o filho mais velho da família Shen em Xangai, acostumado a ter tudo o que queria. Por que viveria em um lugar tão modesto?
Enquanto conversavam, num canto próximo, um homem lia um jornal, usando óculos escuros. Seu rosto bonito chamou a atenção dos funcionários.
"Moço, gostaria de um café?"
O homem segurava o jornal na frente do rosto com uma mão, e com os dedos longos abaixou os óculos escuros, revelando um par de olhos gelados. O funcionário, assustado, mudou de cor: "Cla-claro, desculpe incomodar."
Como a distância não era muito próxima, os dois ali não perceberam nada.
Shen Xiaoxing afastou um pouco o jornal e ouviu atentamente a conversa deles.
Aquela garota sabia mentir bem. Dizia que não queria atrapalhar o encontro dele com os amigos, que se sentia envergonhada de ficar insistindo, que as pessoas a achariam sem noção e criticariam a futura senhora da família Shen.
Resultado: mal ele tinha saído, e ela já estava ali tomando café com outro homem!
No começo, Shen Xiaoxing estava furioso, mas ao ouvir o diálogo entre An Ruo e Yun Li, um calor invadiu seu coração, acalmando instantaneamente suas emoções.
Ainda bem que não foi direto confrontá-la, evitando um mal-entendido e uma briga.
"Obrigada, Professor Yun." An Ruo disse sinceramente.
Os olhos âmbar de Yun Li escureceram. Ele abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas no final apenas sorriu amargamente: "De nada."
Ela realmente queria traçar uma linha entre eles. Depois de tanto tempo juntos, nem amigos podiam ser?
No coração dela, ele só podia ser um professor?
Quando soube que a universidade onde ela estudava estava solicitando um professor substituto, ele se candidatou para ficar mais perto dela. Mas agora, parecia que, em vez de se aproximar, estavam cada vez mais distantes.
Yun Li era um novato em questões de amor, lento para perceber sentimentos e sem jeito para agradar.
Além disso, a outra parte era uma mulher que já tinha outro homem no coração. Não importava o quanto ele tentasse, era inútil.
"A propósito, tenho mais uma coisa para lhe contar." Ele apoiou as mãos na mesa, com os cílios semi-caídos, escondendo as emoções. As mãos grandes se apertavam nervosamente: "Vou embora."
A garota, que estava prestes a tomar a sobremesa, parou surpresa. Seus olhos claros, ao olhá-lo, não tinham nenhuma impureza: "Para onde?"
"De volta à Alemanha." Yun Li esboçou um sorriso amargo: "Talvez... fique muito tempo sem voltar. Cuide-se."
An Ruo desviou o olhar do dele, sentindo um aperto no coração. Afinal, conhecia-o há tanto tempo, e ele a ajudara muito. Ir embora assim?
Mas ela não era ingênua. Yun Li já havia declarado seu amor várias vezes, de forma direta ou indireta, e ela sempre fingia não entender. Da última vez, ainda disse palavras tão duras sem sequer pedir desculpas formalmente.
Algumas relações, uma vez que mudam, perdem a cor de antes. An Ruo só pôde sorrir e dizer: "Então... que nos encontremos novamente, se o destino permitir."
"Sim. Espero que realize seus desejos e sempre faça o que quiser."
"Você também."
"An An... você vai se lembrar de mim?"
An Ruo ficou surpresa com a pergunta. O homem também sentiu que tinha dito algo errado, mas já era tarde para mudar de assunto.
"Claro que sim, porque somos amigos!"
Amigos?
Yun Li sorriu levemente. Não era ruim. Pelo menos ela se lembraria dele, e isso já valia a pena ter vindo de tão longe para perseguir esse amor.
O homem não muito distante, ao ouvir essas palavras, franziu os olhos e saiu do café antes que eles partissem.